24 de setembro de 2016

#Blogagem coletiva: Book Club

Conheci o Book Club a partir da Cecília, que é amiga da Carol. Vi no Twitter que a Cecília tinha tirado uma foto de Todo Dia, do David Levithan, que foi o livro do mês passado, e, depois de algumas interações, ela me convidou para me juntar ao clube. 

O Book Club tem duas postagens fixas: uma blogagem (que pode ser TAG, ou não) e uma resenha de livro (sugerido pelo grupo, ou não). A blogagem de setembro é referente ao #SetembroAmarelo em forma de projeto fotográfico (nem preciso dizer que amei de cara, né? Hahaha). A ideia é fotografar livros e tudo mais que remeta à literatura que há no dia a dia dos participantes e que seja na cor amarela. 

Devo dizer que o dia não contribuiu para as fotos, pois estava nublado, aí saíram meio apagadas. 
Reuni alguns livros que têm capas ou quartas-capas amarelas para essa fotografia :)
Eles são:
1. Os bons segredos, Sarah Dessen (resenha aqui)
2. On the road, Jack Kerouac
3. Tamanho não importa, Meg Cabot
4. One Man Guy, Michael Barakiva
5. O último adeus, Cynthia Hand
 
Já divulguei o trabalho da Ana Laura na página do blog, mas lembrei das mensagens dela e percebi que tinham muito a ver com o #SetembroAmarelo. Em um livreto bem simples, cujo título é "Desculpa", ela traz frases como essa e retratos de personagens super fofas. 

Trecho do livro O último adeus, da Cythia Hand. 
No começo do mês, recebi uma newsletter d'As mina na história sobre autoras suicidas e fui atrás de alguns versos da Plath. Encontrei esse que está grifado. Fiquei surpresa e triste ao vê-lo reproduzido no livro. Mas acho que a última parte é a que mais me aflige. Especialmente a última frase.
Até começarmos a notar.

Quando meu pai estava vivo, ele começou uma coleção de mini-livros. Ele disse que era para mim, mas eu sabia que era mais para ele (embora os livrinhos e a estante sempre estiveram no meu quarto). Olhar para essas coisas me faz lembrar um pouco dele, do amor que igualmente tinha pela leitura e do fato de que ele nunca reclamava por gastar com livros. Ele era o meu único parceiro nas livrarias.

O poema é da Michelle C. Buss, contido na antologia poética Sal, topázio e mercúrio. Tentei reproduzir uma ilustração que vi (na verdade, ao invés de flores, haviam planetas) e percebi que, além de primavera, as flores sempre me recordam a poesia. 

Mais uma página do livreto "Desculpa", da Ana Laura. Um barquinho pra eu me lembrar que, apesar de oscilar, ele nunca vai virar.

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Dia 30 trago a segunda postagem do mês do Book Club, que é a resenha. 
Em setembro, é um livro nacional. 

Gostou Book Club? 
Não deixe de conhecer o grupo e fazer parte dele AQUI.

Love, Nina :)

22 de setembro de 2016

#Essential Book: setembro

Recentemente, eu reli Por lugares incríveis, da Jennifer Niven, mais por causa do #SetembroAmarelo e da minha péssima memória. Comecei a perceber que não conseguia me lembrar de fatos específicos da história e, então, lá fui eu reviver minha curiosidade. Acabou que, no mesmo tempo, fiquei sabendo do tema para esse mês e, claro, eu sabia que teria de usar o livro de novo: a essência do casal preferido. 

Ao longo da minha vida literária, fui colecionando casais preferidos. Começou com Rony e Hermione há mais de dez anos e não parou mais, a maioria de livros YA. O último é Theodore Finch e Violet Markey, de Por lugares incríveis. Falei mais especificamente do Theodore no tema de julho do projeto.

Eles não o são, porque são perfeitos um para o outro, ou porque dizem coisas românticas. Pra falar a verdade, eles são quase opostos, mas situações muito restritas fizeram com que se unissem. Violet está em um período bem triste da vida, porque sua irmã morreu em um acidente de carro há poucos meses. Theodore (desculpe, mas eu nunca vou conseguir chamá-lo de Finch) "acordou" de um Apagão e está se readaptando à rotina. Eles acabam se reconhecendo na torre do sino da escola, onde Violet está prestes a pular, mas Theodore a convence a não fazê-lo. Ele está na torre do sino não para morrer, mas para ter controle e nunca mais dormir de novo. 

A partir disso, Theodore fica bastante interessado em Violet, mas não romanticamente. Ele vê nela uma espécie de fuga, talvez, para espantar o Apagão pelo menos por ora. Então, quer saber se ela pretendia mesmo se suicidar, por que estava tentando e qual é a sua história. Não dá pra dizer que o Theodore é um garoto meigo - ele é muito mais real do que qualquer outro personagem masculino que eu me recorde. Enquanto eu o conhecia, percebi que ele não precisava ser meigo, romântico ou o que quer que as garotas de hoje em dia gostem em garotos. A melhor coisa sobre o Theodore é que ele é único e tem uma história única, também. 

Já falei sobre o relacionamento abusivo com o qual foi obrigado a manter com o pai durante anos e que deixa evidente este ser o maior motivo de seus transtornos psicológicos (depressão, obsessão pelo tema do suicídio, bipolaridade e ansiedade). Possivelmente, é o âmago da história dele - infelizmente, é o que sobrepuja qualquer outra coisa, mesmo que, obviamente, seus transtornos não resumem quem ele é. 

Por parte de Violet, não há interesse romântico também - muito pelo contrário: ela passa bastante tempo tentando evitar Theodore, especialmente suas perguntas nada pertinentes. Mas existe um trabalho escolar a ser feito e Theodore a escolhe como par. A partir disso, duas histórias bem diferentes começam a construir uma única: não de salvação (como é dito na quarta-capa), mas de empatia e compaixão. Não gosto de pensar que eles foram a salvação um do outro, especialmente porque acredito que cada um de nós somos responsáveis apenas por nós mesmos (já que carregar o fardo dos outros é algo desastroso e muito injusto). Gosto de pensar que ambos foram a libertação um do outro, que suas histórias encontraram uma âncora e um propósito. Não um propósito de morte, mas de importância. 

O livro As Ondas, de Virginia Woolf, permeia grande parte da história e tem muito significado nela. É a partir de trechos dele que Theodore e Violet começam a se aproximar afetivamente e, posteriormente, é a partir dele que Theodore deixa pistas de onde encontrá-lo quando desaparece. 

Esse trecho escrito é de uma música do Coldplay, Warning Sign. Possivelmente, é uma das músicas que mais amo deles e EU AMO ESSE TRECHO COM TODAS AS MINHAS FORÇAS. 

Metaforicamente, o relacionei com como ambos os personagens se sentiram quando perceberam que existiam histórias tristes em si mesmos e que, até então, não tinham se dado conta disso. E que, felizmente, não estavam sozinhos. Não eram ilhas - e, portanto, podiam se descobrir. 

Mais Coldplay, sim. Eu estava quase no final da releitura quando percebi que escutar Violet Hill me lembrava da Violet. O último verso me faz lembrar o quanto ela e Theodore fingiram que não sentiam nada além de pena e/ou determinação um pelo outro. A relação deles tem vários estágios e o último, do amor romântico, não é algo fofo ou bonitinho (idealizado) - é real, é verdadeiro. Condiz muito mais com a realidade do que com a ficção e é por isso que gosto tanto.

Essa é a primeira frase profunda que Theodore escreve para Violet. Não é copiada de nenhum livro e gosto muito dela, porque me dá a sensação de que, além de poesia, existe muito da essência do personagem. Às vezes, ele é meio desconexo, como as vivesse em períodos de fluxo de consciência, mas, ainda assim, existe grande beleza e sentimento.

Mais música, sim. Essa é Lost Stars, cantada pelo Adam Levine (ou pela Keira Knightley - você pode escolher a versão que quiser), e é do filme Begin Again (Mesmo se nada der certo).

Gosto desse verso, porque é uma essência verdadeira de ambos. Violet está mais para a primeira parte (Não se atreva deixar que nossas melhores memórias te tragam tristeza), enquanto Theodore está mais para a segunda (Talvez acharemos um novo final). Ainda assim, unidas, formam grande parte da essência até mesmo do livro. 


Virginia Woolf se suicidou em 1941 e deixou uma carta ao marido. Nas últimas frases escritas, estava essa aí que escrevi. Apesar de eu não gostar de pensar que Violet e Theodore foram a salvação um do outro - e, de fato, Violet se provou não ser capaz disso, simplesmente porque estava além de sua capacidade -, gosto da primeira parte: você foi, sob todos os aspectos, tudo o que alguém poderia ser. Penso nisso não como algo romântico, mas saudosista - não de tristeza. Acho que se existe algo em Theodore, esse algo não é tristeza, mas a vontade de viver tudo de uma vez. E, felizmente, ele ensinou algumas coisas sobre estar vivo para a Violet.

Theodore inventa uma história para Violet, sobre ter existido o alinhamento de Júpiter e Plutão com a Terra, em 1976. Diz que é assim que se sente em relação a ela, como se estivesse flutuando. E acho que essa é uma das passagens mais bonitas do livro, porque esse efeito gravitacional é, na verdade, a relação deles.

 I. O tema do mês passado foi sobre 
a essência do(a) autor(a) preferido(a) 
e você pode conferir as fotografias AQUI.

II. Não deixe de conferir as fotografias das outras blogueiras do projeto :)

20 de setembro de 2016

#SetembroAmarelo: representatividade

Dei um recorte da minha história sobre depressão AQUI e, justamente por causa dela, o post de hoje é sobre como a literatura pode nos auxiliar sobre o assunto, seja conscientizando, seja devolvendo parte de nossa esperança. 


A conscientização vem de muitos jeitos nos livros. Os dois mais comuns é a) uma personagem estar muito triste por um longo período (Cartas de amor aos mortos) e b) a apresentação sutil ou massiva de dados reais sobre depressão e suicídio (Por lugares incríveis e O último adeus). Vou embasar o post nesses três livros mencionados, pois são os que mais me tocaram e mais me fizeram aprender sobre o que eu sentia e a ajudar os outros na mesma situação. 

Sei que já falei de esperança algumas vezes e acho que isso acontece, porque é mesmo muito (muito) fácil deixar que o vazio tome conta da gente. Esse vazio dá pra controlar com muitos métodos (eu tenho tentado a meditação e, apesar dos dias não tão bons, está funcionando), mas não podemos prever se a tristeza vai ficar por alguns dias ou se tornar parte da gente. Algo que, com frequência preciso me lembrar, é que essa tristeza me acompanha, mas não é quem eu sou - muito menos é quem quero ser o tempo inteiro. Por isso, reforço: não podemos prever. A depressão não é algo que a gente pode ligar e desligar quando deseja. O que podemos fazer é pedir ajuda, ainda que somente a nós mesmos (àquela partezinha feliz que restou de quem a gente era). Eu busquei a terapia por um tempo, com uma profissional. Acabou que não deu muito certo, então, tive que recorrer a mim mesma, depois de vários conselhos de amigas. O que acabou me ajudando, além da meditação, foi também a ressignificação (que é, basicamente, aprender a atribuir um novo significado a acontecimentos/pessoas/lugares a partir da mudança da nossa visão de mundo). No começo, isso dói muito, porque significa que temos que abandonar sentimentos e crenças. Mas, com o tempo, trocar as coisas de lugares se torna algo que podemos construir todos os dias: por exemplo, substituir a raiva por perdão, o desespero por tranquilidade, ansiedade por alegria. 

A ressignificação demanda controle da nossa própria mente - para quem sofre de ansiedade e ataques de pânico é algo que simplesmente muda a nossa vida. Além disso, promove muito foco - sabemos exatamente em que(m) dirigir a nossa atenção e amor. Depois da esperança, começa a ficar muito fácil que o dia a dia não seja uma constante tristeza. Isso porque a tristeza toma outras formas; somos capazes de reconstruí-la para que se torne novas lembranças, lembranças boas. É claro que não significa que estamos curados e que não temos medo de que o vazio intenso volte, mas é mais fácil conviver com ele. 

Ao aprendermos a cultivar esperança aprendemos também a aceitar o perdão. Perdoar os outros é algo que dói, mas acho que o mais terrível, o que mais relutamos, é perdoar a nós mesmos. Se não há perdão, significa que ainda existe culpa (significa que estamos nos culpando, ou culpando outras pessoas). Livrar-se da culpa é um processo de cura e, portanto, leva tempo. 

Existe muita culpa na depressão. A gente se sente culpado o tempo inteiro: por não conseguir sorrir aos outros, por não saber controlar a ansiedade, por deixar que os outros nos afetem mais do que podemos suportar, por não ser capaz de continuar com a rotina. A culpa existe, porque nos sentimos fracassados, inúteis, insignificantes, insuficientes.

. 3 lições sobre representatividade .

1. Não é sua culpa 
Isso vale para quem está na depressão e para quem precisa lidar com um suicídio. No caso da depressão, há variantes inconstáveis que podem ser as respostas para o porquê você se sente como se sente. Como eu disse antes, não é algo que podemos ligar e desligar quando desejamos. Você pode respirar e tentar subverter seus sentimentos, por enquanto. Além de, claro, pedir ajuda, embora nem todas as pessoas que têm depressão são suicidas em potenciais. E, claro, isso não significa que você precise de medicamentos (eu não quis esse tipo de ajuda, mas depende do seu profissional e do que você quer aceitar). É importante dizer que você tem o livre-arbítrio, mas você precisa entender que, às vezes, o que você quer não é o que você precisa. No caso de quem ficou e precisa aprender a lidar com a falta de alguém, a culpa não é sua, por mais que acredite nisso. Se você ofereceu ajuda e a pessoa negou isso, você fez o que pôde. Há certas coisas que, infelizmente, fogem completamente de nosso controle. E controlar as outras pessoas é uma dessas coisas. Nós somos responsáveis por nós mesmos, pelo que fazemos com o que sentimos - mas não somos responsáveis pelo que o que outro faz com o que sente, porque esses sentimentos são dessa outra pessoa, não são seus. 

2. Aceite a ajuda
Não é o que quer ouvir? Ouça mesmo assim. Não queria que os outros descobrissem, mas eles descobriram? Alguns podem te ajudar. A gente tem que aprender a falar mais. E, se não quiser falar verbalmente, existem muitas outras formas de comunicação (eu mesma quase nunca uso a comunicação verbal). Escreva uma carta, mande um e-mail, mande uma mensagem, escreva um texto e compartilhe para que os outros tenham ciência do que você está enfrentando ou do que pode vir a acontecer. As pessoas pedem ajuda de várias formas e prestar atenção nelas é fundamental. 

3. Confie na esperança 
Ser otimista quando se está em depressão é uma tarefa muito difícil, às vezes, impossível. A tristeza contínua faz com que nossos pensamentos se modifiquem completamente, mas os exercícios que você pode fazer não se restringem a pensar coisas boas, mas a dedicar alguns minutos apenas para si, por exemplo. Não quer sair com seus amigos? Tudo bem, fique em casa e veja um filme que tenha uma trilha sonora que te anime. A aula está insuportável? Vá para outra parte da escola/faculdade, uma parte que você se sinta menos ameaçada. A gente só consegue recuperar o controle depois que a segurança retorna. Então, a esperança precisa de pelo menos um pouco de segurança (que tal meditar e aprender a controlar mais a mente, para que ela não ache que você está toda hora em perigo e/ou triste?).

. . . 

Os três livros mencionados no começo do post conseguiram fazer com que a sociedade prestasse atenção na depressão e no suicídio (mas não são os únicos!) e me ensinaram essas três lições, que pude aplicar na minha vida. Eles conseguiram fazer com que não tratassem os assuntos como tabu, porque entendem a importância de se falar sobre. E como dialogar com as pessoas que estão em situações iguais ou parecidas se não prestando apoio sem julgamentos? Porque é isso que as três autoras fazem: entendem que você está aqui, que existe e que não está sozinho. Elas falam por você até que você tenha coragem de falar também. 

A autora Jennifer Niven, de Por Lugares Incríveis, é, atualmente, a pessoa que mais me faz acreditar na vida. Depois que conheci o Theodore Finch, tanto ele quanto ela conseguiram me ensinar lições muito difíceis e que vou carregar para sempre. A Jennifer é uma das poucas autoras que realmente está ali por causa e para o leitor (sugiro esse texto maravilhoso que ela escreveu no ano passado). Ela quer que você se sinta amado e importante. 

Conheça mais das autoras



A depressão não é drama, frescura ou falta de vontade.
O suicídio não é covardia, egoísmo ou desejo de atenção. 

Não deixe de expressar o que sente.
Converse.
Peça socorro.
Mas não desista.

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Precisa de ajuda?
Centro de Valorização da Vida: www.cvv.org.br | Telefone: 141
O CVV - Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.

Não deixe de ler a primeira postagem do combo #SetembroAmarelo

Love, Nina :)

11 de setembro de 2016

#SetembroAmarelo: o esconderijo amarelo

Em junho eu fiz um combo especial sobre o mês dos namorados e por gostar tanto da experiência de "sair da caixinha" e fazer algo temático com que me identificasse e gostasse de escrever, resolvi repetir a ideia em setembro, com outro tema. 


No mesmo mês, ano passado, eu li um texto sensacional que, além de me sensibilizar, me fez conhecer e entender melhor sobre uma situação que muita gente ignora: o suicídio

Entendo que essa ignorância, muitas vezes, vem do fato de estarmos constantemente tentando fingir que a morte não existe, ou que está muito longe - mas, para muita gente, ela está mais perto do que se imagina. Acontece que, quem pouco entende, ou não entende da complexidade do assunto tende a achar que o aviso de suicídio vai aparecer num outdoor. Mas não é assim. 

A mídia não fala sobre o tema a não ser em datas específicas (vide todos os setembros desde 2014, quando se iniciou a campanha #SetembroAmarelo), nossos amigos desdenham da fragilidade de alguém que busca a última opção para cessar um sofrimento, nossos pais acreditam que morrerão primeiro (porque, esse é o ciclo da vida, afinal) e a sociedade silencia, de forma geral, quem se encontra nessa situação. 

Não fale sobre morte. 
Morte não é legal. 
Ih, gente, vamos trocar de assunto? 
Esse assunto é pesado. 

Os gatilhos que levam alguém a esse estágio são infinitos. A depressão, muitas vezes, é uma das causas que pode responder o que leva alguém a tentar e/ou conseguir o suicídio. E falar de depressão aqui também é algo infinito. Os gatilhos também o são. 

Não posso falar por todos, mas posso falar por mim. Em 2011, passei durante meses deprimida. Descobri isso anos depois, quando comecei a ler textos sobre as diferenças entre estar deprimida e estar em depressão. Naquele ano, perdi muitas aulas do cursinho, porque sentia muita enxaqueca, o tempo inteiro. Passava mais tempo na cama do que em qualquer outro lugar. Se saía de casa para o cursinho, não assistia à maioria das aulas, porque estava lendo, e voltava o quanto antes. Meu roteiro de vida estava divido em dormir, ler e estudar em casa. De 2012 a 2014, minha rotina se normalizou. O ciclo recomeçou ano passado, depois de períodos de infelicidade com a faculdade. Dessa vez, não se tratou de "estar deprimida". Dessa vez, eu sabia que estava em depressão, embora para todo mundo eu estivesse bem. Constantemente, eu dizia que estava cansada, infeliz e que desejava desistir da faculdade. Só não desisti, porque adoro o lugar onde estagio. Existe algo muito claro entre estar deprimida e estar em depressão: é a morte. Você pensa na morte o tempo todo, quando está nesse nível de vazio. Ainda que as pessoas achem que, quem está em depressão não consegue nem levantar da cama, eu continuei com todas as minhas responsabilidades. Levantei da cama todos os dias, fui à faculdade todos os dias e saí com amigos. Mas havia um vazio intenso em mim, que me fazia chorar quase todas as noites, voltando para casa ou nas infinitas madrugadas de insônia. Havia tanta angústia em mim que comecei a desejar morrer. Implorei de seis a oito vezes, num período de quase um ano. A morte ficou somente nos meus pensamentos, porque eu sabia que não desejava a morte por causa dela, mas por causa da dor. Eu só queria que a dor desaparecesse.

Contei isso, porque a depressão e o suicídio não é igual para todo mundo. Cada um reage e lida de uma forma, exatamente como a ansiedade, por exemplo. Depende da bagagem de cada um. 

A prevenção não é apenas estar bem informado sobre o assunto. O que realmente ajuda é o apoio ao seu redor. E quando digo apoio, não é aquela pessoa que te chama de covarde, ou que diz que isso é besteira. Pode ser um bom amigo ouvinte, seu pai, sua mãe, seu irmão, um terapeuta ou psiquiatra. Ou pode ser qualquer coisa que te faça sentir seguro e calmo. A gama de apoio também é infinita. 

A questão é que a gente precisa falar o tempo inteiro, como se fala de outras doenças (oi, câncer). Existe essa fronteira invisível que diz, polidamente, que não devemos, porque iremos chatear os outros, ou fazer com que nos olhem torto, ou tenham pena da gente. Não. A fronteira não pode existir. Se ninguém fala, como é que alguém vai saber? Como vai poder ajudar? Como vai poder explicar aos que ficarão? 

Por lugares incríveis, Jennifer Niven, p. 295

Por lugares incríveis, Jennifer Niven. Nota da autora.

Por lugares incríveis, Jennifer Niven. Nota da autora.

Links recomendados

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Espero ajudar. Porque sempre existe uma saída. Não desista agora. 
Se eu tivesse desistido, eu teria perdido ótimos momentos. 

Precisa de ajuda?
Centro de Valorização da Vida: www.cvv.org.br | Telefone: 141
O CVV - Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias.

Em breve, mais um post do combo. Fique de olho.
Love, Nina :)

8 de setembro de 2016

#Potter Experience

Quem é potterhead sabe que o #PotterDay é comemorado em 31 de julho, aniversários de J. K. Rowling e de sua maior criação literária. Nos dias 30 e 31 de julho, aconteceu, aqui em Porto Alegre, um evento organizado por um fã-clube da saga, com a finalidade de comemorar o lançamento de Harry Potter and the Cursed Child*.  

A programação era diversa, contando com quizz, mesa de debate, concurso de cosplay, apresentação de orquestra e uma exposição com réplicas de objetos dos filmes. Eu fui só para ver a exposição e, ainda que já tenha passado um tempo, vim aqui compartilhar as fotografias com vocês ;)  









Dobby por último, que é pros fãs saírem da exposição chorando mesmo. Belo trabalho, gente! #sqn

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Essa postagem foi mais pra dividir com vocês a ansiedade de fã que ainda não tem dinheiro, nem condições linguísticas avançadas para ter a versão original de The Cursed Child. Quem já tá lendo, o que está achando? Eu já sei de um monte de spoilers, porque o BuzzFeed é um delator de primeira linha (spoilers aquiaqui e aqui) e só posso dizer que já amo o Scorpius (apesar de nunca ter gostado muito dele, por culpa das fanfics) e que tô triste por pelo fanon ser queerbating

*A versão em português será lançada em 31 de outubro pela Rocco, sendo que a pré-venda começou em 16 de agosto (Amazon | Submarino | Saraiva | Cultura).

Love, Nina :)

31 de agosto de 2016

#Essential Book: agosto

Atrasadona, sim, porque esse mês minhas aulas recomeçaram e eu não tive estrutura para pensar nas fotografias que faria. O tema de agosto do #EssentialBook é a essência do(a) autor(a) preferido(a).

Não tive muitas dúvidas quanto à escolha, porque fui mais lógica ao pensar em alguém que poderia ser facilmente fotografa a partir de informações que já sei da biografia. Surpresos por saber que foi a J. K. Rowling? Acho que não, né? Hahahaha. Pensei em escolher a Virginia Woolf, mas, na minha mente, o ensaio seria meio repetitivo e melancólico (e eu não queria nada melancólico).

No filme biográfico Magic Beyond the Words (Magia além das palavras), é mostrado que, desde muito criança, a autora já brincava com a imaginação ao se fantasiar de bruxa e inventar histórias de fantasia com seus amigos nas brincadeiras. 

Depois de momentos conturbados na vida pessoal, J. K. Rowling deu início a sua maior criação: um garoto bruxo, que vive embaixo de uma escada, em 1990. Foram sete anos entre o início da escrita e a publicação. 
Após vários não's, uma editora que não apostava em "livros infantis" e um editor que tentou convencê-la a publicar com um pseudônimo masculino, Harry Potter e a Pedra Filosofal estava em livrarias inglesas e, no ano seguinte, em livrarias americanas. 
Entre 1997 e 2008, já foram vendidos mais de quatrocentos milhões de exemplares e traduzidos para mais de sessenta e cinco idiomas. 

J. K. Rowling tem forte influência desses quatro autores acima e Harry Potter existe graças a muitos elementos que eles trouxeram em suas literatura e que foram admirados por ela.

 C. S. Lewis, autor de literatura infantil e medieval. Obra famosa: As Crônicas de Nárnia. 
 Elizabeth Goudge, autora de romances e livros infantis. Obra famosa: O cavalinho branco.
 Louise May Alcott, autora de livros juvenis. Obra famosa: As mulherzinhas.
 J. R. R. Tolkien, autor de literatura fantástica. Obra famosa: O senhor dos anéis. 


Já falei AQUI sobre a experiência da autora com a depressão e, justamente por ela, alguns elementos de Harry Potter foram criados. Conviver com a depressão não é igual para todo mundo. Diferentes pessoas lidam e controlam a depressão de diferentes maneiras. E é bom ressaltar que a depressão não é a essência da J. K. Rowling (porque somos muito mais do que uma doença mental); o meu intuito em ressurgir com o expecto patronum é o efeito dele: a felicidade. Aquela única lembrança muito feliz. Acho que o que Harry Potter mais me ensinou e que continua me recordando é que sempre existe uma saída, uma luz e uma lembrança feliz :)



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I. O tema do mês passado foi sobre 

II. Não deixe de conferir as fotografias das outras blogueiras do projeto :)


Love, Nina :)

23 de agosto de 2016

#Top 5: Coraline


Coraline e o Mundo Secreto é aquele filme fofo que, do nada, se torna a diversão do capeta. Olhos de botões. Flores malucas. Gato falante. Mão assassina. O filme é uma adaptação da novela fantástica de terror de Neil Gaiman, que foi publicada pela primeira vez em 2002. Desde que li O Oceano no Fim do Caminho, tomei como meta literária ler mais obras do Gaiman e, com certeza, quero ler esta história original até o final do ano. Mas, se o filme não é tão bonitinho assim, por que vê-lo (mesmo que você não seja tão fã de terror como eu)? Aqui estão 5 lições que aprendemos com ele:

1. Cuidado com o que deseja
Pode ser que a infelicidade bata na porta da gente de vez em quando e, por causa disso, queiramos tudo diferente. Mas o que você faria se aquilo que você quer acontece, mas não exatamente como esperou? Pode ser bastante catastrófico. Não podemos ter tudo, então, melhor se contentar com aquilo que sabemos que temos e que, talvez, não damos tanto valor assim. 


2. Saber ouvir mais
Coraline diz que os pais dela não a escutam. E, no fim, ela estava certa. Pode ser devido à rotina, ou simplesmente pela falta de interesse, mas é comum que não escutemos verdadeiramente as pessoas. Às vezes, elas pedem socorro, mas achamos que não passa de exagero. Às vezes, ela nos alertam sobre nós mesmo, mas achamos que estamos fazendo o certo e que elas estão apenas se metendo na nossa vida. A socialização nos obriga a estar perto uns dos outros, que nos impele a manter algum grau de comunicação. E, claro, comunicação é saber falar, mas também saber ouvir. Quem não ouve, pode estar cometendo muito mais erros do que aqueles que falam sem parar (e que, muitas vezes, não dizem nada). 

3. Não acredite em tudo que vê ou que falam
Sentimo-nos ludibriados por muitas coisas. Uma vida profissional perfeita numa empresa perfeita com um salário perfeito - e, no fim, a empresa é falcatrua e o salário não é compatível com o tanto que trabalhamos. Um amor que  todo mundo diz  que é exatamente a sua cara - e, no fim, é só mais uma roubada sentimental. É bom saber cultivar intuição própria para nos alertar sobre prováveis erros que podemos cometer. E é essencial que descubramos as coisas por nós mesmos, sem deixar que os outros façam as nossas decisões e sem deixar de acreditar naquilo que verdadeiramente somos, não naquilo que achamos que estamos vendo. Afinal, olhos de botões enganam bastante.  


4. A realidade pode ser monótona, mas depende de nós para que a mudemos
Os sonhos podem nos cegar, de vez em quando. Podem prometer expectativas inúteis e inexistentes. Então, por mais difícil que seja nos contentar com o que de fato temos, pelo menos há alguma segurança. Nós sabemos que aquilo a nossa volta está ali e existe. E, se estamos descontentes com o que temos - o que é natural acontecer -, então, temos o total direito de mudar isso. Porque, às vezes, tudo o que precisamos é de uma mudança. 

5. Saber lidar com as diferenças
Os personagens da história são muito diversificados. Cada um tem uma "esquisitice" nata e isso, com certeza, deixa o enredo ainda mais inspirador e real. Temos de conviver com tantas pessoas diferentes em todas as áreas da nossa vida e o mais importante é que, com elas, podemos aprender muitas coisas. É a partir da diferença que sabemos que existe aquela real troca de experiências, de lições e de conhecimentos. Saber lidar com tantas diferenças é a chave, inclusive, para lidarmos com quem somos e com quem queremos ser. 


Love, Nina :)