30 de março de 2011

#Brinquedo Despedaçado;

Então, né. Eu comecei a testar essas coisas diferentes. Foi meio do nada, na verdade. Apenas me deu vontade de experimentar. 
Assim como esse blog (que quase nunca posto, haha), eu sou meio lentinha para as outras coisas também. E por isso eu só escrevi algumas músicas. Meu dom (segundo todo mundo que me cerca) não é exatamente criar melodias e sei lá mais o quê. Mas eu me interessei bastante pelo processo de composição. E, sério, eu achava que fosse muito difícil escrever músicas, mas a verdade é que eu escrevo uma música em, tipo, dez minutos. Só queria dividir isso que vocês, porque, bem, letras de músicas são compostas por palavras e palavras é tudo o que respiro. Aqui vai uma aleatória:


Brinquedo Despedaçado
Ela tem dezenove anos e ainda não sabe sorrir
Ela sente que não pertence a esse mundo
Ela faria tudo para mudar, mas sabe que não vale a pena
Quando ela é apenas mais uma
E um dia ela se vai

Dizem que isso vai passar, mas não sabe que não vai
Seu coração vai continuar sangrando
E ninguém pode socorrê-la
Ela está sozinha, precisando de um convencimento
Quer que alguém a salve do que é

[refrão]
Desculpe, querido, mas você não pode consertar isso
Sei que você tem suas próprias razões
Mas nenhuma delas é culpa minha
Eu sou apenas um brinquedo despedaçado

Ela luta todos os dias
Finge não ser nada e não esperar nada
Ela apenas quer se levantar quando cai

As lanternas nunca chegarão até ela (4x)
Ela não abstrai nada do que está a sua volta
Está carregando um fardo que não é dela

[refrão]
Desculpe, querido, mas você não pode consertar isso
Sei que você tem suas próprias razões
Mas nenhuma delas é culpa minha
Eu sou apenas um brinquedo despedaçado

Agora ela está chorando esquecida na escuridão

ps: tudo bem, a Nina disse que eu sou boa nisso, mas disse isso só porque provavelmente gosta de mim o bastante para não conseguir dizer a verdade. Mesmo assim, valeu, mermã :D

Beijo beijo ;*

Nina H. 

#Trecho de DLS;

(...)
"Ela já tinha agüentado muitas coisas até ali. Os cochichos das meninas comuns do vilarejo, os olhares de desprezo...
Ela era a Princesa e todos a odiavam por isso. Achavam que ela era superior e que o mundo rodava em torno dela.
E antes mesmo de conhecê-la, todos a julgavam metida e prepotente. Mas o que faltava em Lily era o calor de uma amizade verdadeira. Todos se afastavam e nem queriam ouvir o que ela tinha para dizer. Poucos sabiam que aquelas roupas, o pó de arroz no rosto e os cabelos lindamente penteados eram para esconder o rosto abalado e inchado por causa das lágrimas. As roupas eram um passatempo que ela tinha para tentar esquecer os problemas. Ela realmente tinha vida de princesa, mas todos esqueciam como deveria ser chato e entediante ser uma Princesa, sempre delicada e com o nariz empinado. Seus pais não queriam ouvir suas tristes palavras e passavam o dia planejando seu futuro. Um futuro que nem mesmo ela sabia se queria aceitar. Enquanto todos pensavam que era uma pessoa má porque era bonita e refinada, a Princesa era a mais doce e mais humilde do que se imaginava. Perdendo o tempo de todos, esquecendo da igualdade, cada um vivia sua vida… um sendo ignorante e outro sendo ignorado.
Lily, vagarosamente, sentiu que cada mínima parte de seu corpo estava sendo preenchido por um líquido muito viscoso. E, de repente, o líquido transbordou".
(...)

ps: achei que, por mais que essa história seja ambientizada na época das Cruzadas e tudo, esse trecho exprime exatamente ainda o que vivemos todos os dias. E é triste, sabe. Ainda bem que não nasci Princesa, haha. 

Beijo beijo ;*

Nina H.  

15 de março de 2011

#Because The World Needs A Superhero;



Ei, você aí. Pare de apenas se focar no que está no noticiário. O Japão é importante, sim. Mas não é único que merece nossos olhos nele. 
E as mulheres que são cruelmente torturadas, e as crianças e idosos que sofrem abusos (tanto sexuais quanto físicos), e os animais que são maltratados e deixados ao relento, e os adolescente que se suicidam pelo bulling
Muitas vezes, essas cenas não entram nos noticiários, mas elas estão acontecendo a todo instante. 
E parece que por mais que todos saibam dessas situações, ninguém se importa ou tenta mudar algo. Sei que é difícil modificá-las, mas todo mundo aceita ajuda, seja ela a mínima possível. 
Já parou para pensar em quantas dezenas de pessoas levam uma vida bem mais sofrida do que a sua? Não apenas passam necessidades materiais, mas são fortemente impedidas de serem livres ou de conquistarem o que você, há muito tempo, já conquistou? Ou em quantas pessoas vivem apenas tentando se proteger de alguém que deveria amá-las? 
E o que você está fazendo? Está reclamando que não tem namorado (a) ou achando que sua comida não está à altura?
Você desejaria mesmo que ninguém olhasse para você enquanto você está claramente necessitando de algum suporte?
Então, pare de se preocupar apenas que o que acontece com você e procure olhar para o que está ao seu redor. Parece que não, mas todos precisam de amor. Seja um cachorro, seja uma criança.
Quem tem motivos reais para desejar morrer são eles, não você, que tem tudo e não dá valor a nada.
Já agradeceu por estar vivo hoje?

Beijo beijo ;*

Nina H. 

14 de março de 2011


E se tudo aquilo que você sempre quis dependesse de um minuto? 

Beijo beijo ;*

Nina H. 

    



Acho que chega um momento da vida em que todo mundo tem o direito de fazer suas próprias decisões; de tentar fazer dar certo as coisas do seu ponto de vista. Porque, se tudo der errado no final e você quebrar a cara, vai saber que não pode culpar ninguém além de si próprio. Por conta de um erro de outra pessoa, a sua vida pode se tornar vazia e inconclusa. E esperar que tudo se ajeite no seu devido tempo não é algo que acontece de fato. Porque ninguém espera; ninguém se importa. 
Quer saber? Nada que você goste de fazer é perda de tempo, porque se fosse você não o estaria fazendo. Se você ama algo ou alguém que todo mundo desaprova, não a largue. Ame-a com todas as suas forças, pois a única coisa por que se vale a pena se arriscar e a única coisa que no final lhe interessará é o amor verdadeiro. Não importa se a pessoa em questão é a Anne Hathaway ou o vocalista da sua banda favorita ou o seu vizinho emo, ou se seu maior sonho é se tornar uma escritora ou uma rockstar ou uma apresentadora de um programa de culinária. Somente não deixe ninguém interferir no seu amor. Porque, lá na frente, você pode se arrepender e não poderá consertar as coisas para torná-las mais suportáveis ou até mesmo para tentar fazer o certo dessa vez. Então, ouça seu coração, não as pessoas que acham que sabem o que melhor para você. 

Beijo beijo ;*

Nina H.
 

13 de março de 2011

#Indicação De Livro - Halo;


Há umas semanas comecei a ler uma aventura maravilhosa. Terminei o livro em dois dias. É muito fácil de se sentir encantada com a curiosidade e inocência de Bethany Church. A história começa quando três anjos são enviados para a Terra com a missão de proteger dos gênios do mal uma pequena cidade. Gabriel, se disfarça como professor de música; Ivy, serafim abençoada com o poder de cura, e Bethany, a mais nova do grupo, que é mandada para aprender com a humanidade. 
A jovem, então, começa sua jornada na Terra de forma muito curiosa e viva. Ela, claro, passa por algumas cenas que todo adolescente já passou, e acaba se apaixonando por Xavier, um dos estudantes mais cobiçados da escola. Mas claro que a partir daí ela tem que começar a lidar com muitas situações envolvendo um aluno misterioso e novato na escola. 
Não darei mais detalhes porque iria estragar o restante, rsrs. 
No começo, eu estava muito relutante quanto a pegar este livro e começar a lê-lo. Por um lado eu não queria nada parecido com Crepúsculo (nada tão sentimental e bobinho), e por outro eu nunca tinha me animado a ler algum livro que carregasse anjos como personagens principais, mas me surpreendi ao me encantar de verdade com esse volume. Halo fala de Deus de forma simples, mas nada muito taxativa, sabe? É bastante gostoso de se ler sobre Deus nesse livro. 
Se você gosta de um romance misturdo com aventura, vai gostar desse livro. A pena é que não tem nada certo quanto ao segundo livro da saga. Mas os livros sequenciais têm títulos muito bonitos: Hades e Haven.

Beijo Beijo ;*

Nina H. 

#Erros;

Eu realmente entendo como as pessoas são capazes de se magoar por conta de um só errinho. Por mais que existam memórias boas, as ruins sempre ficaram lá mesmo, sabe? Claro que não devemos apenas nos lembrar das que nos machucaram, mas são as que mais nos marcaram. Não necessariamente porque nos magoaram, mas porque nós sabemos que tinha algo a mais. Que não tinham sido meras palavras ou meros gestos estúpidos. E olha que eu convivo com tamanha estupidez, hein. Eu sei do que estou falando. 
Estou incrivelmente sem inspiração hoje, desculpe :/ 

Beijo beijo ;*

Nina H. 

9 de março de 2011

#The Pretty Reckless - You



Eu acabei de descobrir essa música. Eu já conheço a banda da Taylor Momsen há um tempo, mas nunca tinha realmente escutado suas músicas. E essa canção me fez quase chorar de tão fofa *-* 

Aqui está a letra:

Você

Você não me quer, não
Você não precisa de mim
Como eu quero você, oh
Como eu preciso de você

E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida

Você não pode me ver, não
Como eu vejo você
Eu não posso ter você, não
Como você me tem

E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida

Amor, Amor, Amor
Amor, Amor, Amor

Você não pode me sentir, não
Como eu sinto você
Eu não posso te roubar, não
Como você me roubou

E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida

Lalalalala, Lalala
Lalalalala, Lalala

Beijo beijo ;*

Nina H. 

7 de março de 2011

#Believe;

Trecho da história I Can Be Your Hero, escrita por mim: 
(É, mais um trecho, rsrs)


"- Ah – fez ele, pouco se alterando – Então, como vai o seu livro?
Pisquei.
- Que livro? – indaguei, perdidinha da silva.
- O que você irá publicar.
- Não irei publicar livro algum. Meus assuntos são tão idiotas que ninguém se interessará por eles – rebati.
James riu. Ou melhor, gargalhou. De verdade. Na minha frente.
Só que eu não sabia onde ele tinha visto tanta graça.
- O que é? – perguntei de mal jeito.
- Está vendo? – ele gargalhou mais um pouco – Você não acredita em nada.
Suspirei.
- Olha, você sabe o quanto é difícil um livro ser publicado? – falei - Pode ser muito fácil fazer parte de uma banda e ser lançado no mundo musical, mas escritores são descartados a toneladas! – parecia que tinha fogo em minha garganta e eu queria me livrar dele com palavras - As editoras nunca publicariam um livro sobre um menino peregrino cujo seu fiel escudeiro é leão que tem sentimentos e que pode se comunicar com seu dono através de pensamentos!
- Ah, você já tentou mandar para alguma? – o James me zombou.
- Não, porque sei que...
- Lily, às vezes acho que você é muito mesquinha, sabe – ele me cortou em um tom muito condescendente – Por que você tem tanto medo assim de errar? Todo mundo erra. E se você cair, pode ter certeza de que vai conseguir se levantar e continuar a sua caminhada.
- Por que se preocupa com isso? Nem mais meu amigo você é! – disse.
- Não estou preocupado. Estou abismado, isso sim. Porque, sério, qualquer outra pessoa com um pouquinho só de fé já teria tentado alcançar a maçã que está lá no alto.
- Que maçã? – franzi a testa, agora totalmente confusa. De novo.
- É uma metáfora. A maçã é o sonho que almeja tornar realidade – ele me explicou com muita educação – E imagino que queira ter o prazer de ver alguém segurando algo escrito por você, certo?
- Sinceramente, nunca pensei nisso para falar a verdade – confessei.
- Ah. Mas e ser escritora? Já cogitou, sim?
- Bem... – agora eu estava tentando responder por que aquilo era tão importante para ele – Depois que você começou a me apoiar nisso, acho que é um caminho bem legal de se seguir – falei.
Ele pareceu orgulhoso. Por eu ter me encorajado a refletir sobre essa idéia por conta dele.
- Então, simplesmente não pare.
- Só que... – não queria mesmo começar a fazer novas confissões a ele, considerando o fato de que sou somente um colega para ele agora. E colegas não fazem confissões uns aos outros. Isso é fato.
- Hum? – ele me instigou.
- Não devo ser boa o bastante. Não tão boa quanto o Dan Brown ou o Nicholas Sparks.
- Você não deve se comparar aos outros. A J.K. também achava que ninguém iria gostar de ler uma saga sobre um bruxo que tem que derrotar o mal, mas, olha só, o mundo praticamente devora os livros e os filmes – ele me lembrou – E, sério, olhe um volta. Você consegue citar algum colega nosso que tenha algum tipo de perspectiva, além do Remus, claro? Aquela gente é mais apática do que sei lá o quê. Ninguém é bom o bastante perto de você. Não com as palavras, ao menos. Então, o que a está impedindo de dar o primeiro passo?
Uau. Nunca tinha abordado o assunto desse ângulo. Quero dizer, eu passo bastante tempo enfiada em livros. Metade da minha escola mal consegue tocar em livros. Porque isso é coisa de gente nerd. Só que, dã, imagine se não existissem os nerds? Não teríamos computador, ou luz elétrica. Ou até mesmo comida quentinha. Então, para que desdenhar de um nerd se muito provavelmente ele se tornará futuramente um grande milionário empreendedor de uma tecnologia ultra avançada e cara? Assim como o Michael, lá nos livros da Mia. E pode ser que esse nerd queira se vingar de todo mundo que foi mau com ele na época da escola. Então, para que cutucar um nerd e caçoar de seu livro? Afinal, deve ser mesmo verdade aquela história de “quem ri por último ri melhor”. Totalmente.
- Hum, coragem? – arrisquei esperançosa.
- Isso também, claramente – ele acenou - Mas fé também. Você tem de acreditar no sonho, entende?
- Ah. Mas tem também o outro lado. Tipo, as iranianas. Elas têm esperança de que algum dia possam ter mais liberdade dentro de seu país, só que elas nascem e morrem acreditando em algo que nunca se concretiza – falei.
- É, mas não importa as pedras no caminho, elas sempre estão lá acreditando.
- Isso não faz sentido. Como é que alguém pode ficar acreditando em um milagre se, bem lá no fundo, sabe que isso nunca acontecerá? – quis saber, me interessando.
- Lily, as iranianas até já conquistaram poder político. E o Egito até mesmo já adotou o voto feminino na década de cinqüenta. Claro que elas são bastante rebaixadas perante a constituição, mas as conquistas, mesmo que míninas, só servem para dar mais força a seus movimentos – o James me contou. Provavelmente leu em alguma revista ou viu em algum documentário.
- Certo. Entendi – disse eu, realmente compreendendo. Tipo, não adianta lutar fogo com fogo – O negócio é nunca perder o foco.
- Hum, mais ou menos.
- Só que, fala sério. As pessoas hoje em dia não querem saber de ler um livro sobre a África partilhada ou sobre os xadores¹. Elas preferem...
- Vampiros – o James prontamente respondeu – Eu sei, mas as pessoas também se interessam por o que é diferente.
- Não se interessam nada! – falei veemente.
- Claro que sim. Veja você, por exemplo – ele me indicou.
Minha boca secou. Tum-tum rápido demais.
- Eu? – minha voz, eu tive certeza, saiu como um guincho de ratinho.
- É – ele confirmou – Você é diferente.
- Só porque sou ruiva. E devo dizer que muita gente não aprecia meninas ruivas. Todo mundo me acha a maior Satanás – constatei. Porque é mesmo verdade. Todo mundo fica achando que faço parte de alguma seita de wicca ou que decepo cabeças de galinhas. É tudo a maior bobagem. A maioria das vezes é um saco ser ruiva.
- Eu gosto de você assim – o James me disse.
Acho que eu podia ter parido um alien ali.
Mesmo sem querer ele acaba sendo um fofo.
- Hum, certo. Obrigada – agradeci desconcertada – Mas isso não quer dizer que o resto do mundo...
- Pare de pensar nos outros – o James me interpelou, porém não estava impaciente – E comece a pensar no que você quer.
- Certo – falei de novo.
- Se você quer ser escritora, apenas seja. Muita gente irá contra você, claro que sim, mas desistir não é digno de meninas ruivas que escrevem sobre xadores.
Ai, caramba. Como ele sempre consegue me fazer melhor? E por que ele sempre consegue me deixar mais admirada ainda com ele?
Estou doente, isso sim.
Não pude deixar de expandir o meu sorriso.
- Hum. É verdade – eu disse.
O carro estacionou. Se minha avó estava na janela do quarto improvisado para ela e o vovô, eu não queria saber. Tudo o que me importava era mirar naqueles olhos tão doces.
De verdade. Eu sou doente. Pelo James. Aimeuboipreferidometiradessa.
- Está entregue – o James fez graça, rindo todo fofo.
- Valeu – agradeci, também rindo.
- Você pensará nas iranianas e na fé delas, não vai? – ele quis saber – Porque se você não acreditar, ninguém mais vai.
- Posso tentar – prometi.
- E não se esqueça de, quando terminar seu livro, me avisar. Sabe como eu sou em relação a livros diferentes – a risada ainda não tinha deixado sua voz.
- É. Acho que sim – disse, mas não tinha confiança em mim.
Ele sorriu ainda mais.
- Até amanhã.
- Até amanhã – repeti, saindo do carro.
E sabe de uma coisa? Assim que saí de lá de dentro, alguma coisa se quebrou. Acho que foi o fiozinho de esperança que comecei a adquirir na presença de James. Eu quis me virar e retornar lá para o lado dele, mas quase tropecei nos meus próprios pés quando tentei olhá-lo. Isso não era o melhor dos sinais. Por isso, somente segui meu trajeto até a aqui, a garagem".

Beijo beijo ;*

Nina H. 

#Trecho Do Capítulo 17;

Trecho da história I Can Be Your Hero, escrita por mim:


"Ela ficou quieta por um tempo.
- Bem. Talvez ele já tenha traçado o próprio caminho – ela parecia constrangida por ter de dizer isso – E você? Quando vai começar a traçar o seu? – perguntou-me.
Esquecendo-me das lágrimas, ergui minha cabeça. Acho que pelo desespero.
- Como assim? Eu já tenho um caminho. Vou terminar o colégio e fazer faculdade – engrolei.
- Eu sei. Tenho certeza de que ele também fará isso – ela confirmou - Mas por que você não planeja qualquer coisa diferente assim como o James? – minha mãe quis saber.
- Você não quer que eu vá estudar francês, quer? – arrisquei com cara de assustada - Porque eu nem gosto de Francês!
- Não, meu bem – ela riu – Não precisa ser nada relacionado ao francês. Mas pode ser alguma coisa a ver com as coisas que escreve. Sei que muitos escritores sonham em ter suas obras na vitrine de alguma livraria.
- Espera. Você quer que eu publique o que escrevo só para superar o James? – meus olhos ainda úmidos se esticaram.
- Não. Isso não tem a ver com o James. Tem a ver com você.
- Comigo? Por quê?
- Porque você deve querer fazer alguma coisa para si. Para deixar você mesma feliz.
- Você acha que eu ficaria feliz em ver um desconhecido lendo um livro meu?
- Não ficaria? – ela rebateu.
Sei que escrevo um monte. Nos meus cadernos e no computador. E tenho um monte de folhas avulsas por aí que uso como suporte para meus sentimentos, construindo poemas e contos pequenos. Mas publicar o que escrevo? Nunca pensei nisso. Digo, por que alguém teria interesse em ler sobre uma menina iraniana ilegal na Coréia? Ou sobre a África? Ou sobre o que os anos fizeram com o Oriente Médio? Pelo o que sei, a sociedade prefere vampiros apaixonados por uma mortal. Ou qualquer coisa fantasiosa que faça todo mundo criar um mundo próprio. Ninguém quer ler sobre o que está DE VERDADE acontecendo com o mundo. É para isso que esse tipo de literatura fictícia serve. Para abandonarmos um pouco de nossos problemas reais. E o mundo não se satisfaria ao ler qualquer coisa relacionada à política ou religião reais. É só ligarmos a TV e sintonizarmos em algum canal de noticiário para sabermos o que se passa com as mulheres lá em Marrocos. Ou o que se passa lá na Faixa de Gaza.
- Não sei. Não acho que o que escrevo vá mudar o mundo, ou que seja relativamente interessante – respondi.
- Bem, talvez seja hora de começar a considerar essa possibilidade – mamãe me disse.
- Ah – grunhi atônita.
- Existe por aí tantos livros inúteis. Aposto que o que escreve é altamente substancioso.
Como é que mamãe sabe que o que escrevo é igualmente legal quanto os livros do Dan Brown? Eu nem escrevo sobre Maria Madalena! Ou sobre Jesus.
- Hum. Pode ser. Mas acho que as meninas da minha idade preferem vampiros brilhantes a uma menina pobre que conta a vida que tem no Iraque – aleguei.
- Bem, se você não tentar nunca saberá.
- Hum. Certo. Vou pensar sobre isso – falei. Ainda bem que falar sobre o que escrevo aniquilou o meu choro.
- Isso. Você tem que começar a fazer algo para si – quase fiquei agradecida pelo sorriso de apoio de mamãe".


ps: antes de eu começar a escrever e a publicar minhas histórias, meu pai e eu tivemos quase essa exata conversa. Acho que foi por isso que comecei a me empolgar demais em escrever. E isso é o que me faz ser eu. Eu não saberia fazer nada além do que faço todos os dias: ler e escrever. Meus pais podem reclamar o quanto quiserem, mas essa sou eu. Nasci assim, sabe. Nossa, isso ficou tão Lady Gaga. 

Beijo beijo ;*

Nina H. 

6 de março de 2011

#A Minha Vida;

Um trecho da história I Can Be Your Hero, escrita por mim (e que resume a minha vida):


"Ela disse que só entrou aqui porque estava procurando as polainas dela. Como se eu gostasse de polainas!
E então parou de procurar suas polainas e me perguntou:
- O que está fazendo?
Não sei por quê, já que não parecia que eu estava tentando fabricar uma arma nuclear nem nada assim. Eu só estava jogada em minha cama, com um dos livros da Meg Cabot nas mãos, ao mesmo tempo em que escutava Paramore, meio distraída, porque a minha atenção ao ler fica totalmente concentrada.
Levantei meus olhos das letras impressas e fiz uma careta.
Falei:
- Dã, estou lendo.
Claro que minha avó não é cega nem estúpida. Ela só banca a desentendida. Só para me torturar, para ser sincera.
E eu sabia que iria recomeçar toda aquela lenga-lenga de “fazer alguma coisa para voltar a ser amiga do James”. Só que eu não estava a fim de fazer alguma coisa. Na verdade, eu estava bem feliz lendo e ouvindo música. Acho que é porque livros e músicas sempre me deixam um pouco entusiasmada. Ou isso ou não estava mais dando a mínima para a minha separação com o James. Mas óbvio que isso é mentira. Eu ligo muito para isso. É o que mais penso, quando não estou mergulhada em histórias água-com-açúcar – do tipo Meg Cabot; principalmente as dela, porque são tão bobinhas que chegam a ser fofas – ou qualquer coisa que ame fazer. Tipo escrever e ficar ouvindo a voz da Hayley no meu i-pod.
Mas, bom. Daí que ela me questionou, com uma cara entediada:
- Você não se cansa de fazer sempre as mesmas coisas?
Só que, se liga, eu não estou nem aí para o que ela pensa sobre mim. E eu sou esquisita. De modo que, sendo eu uma esquisita, não me canso nunca dos meus hobbies favoritos. Além do mais, ela ainda não se cansou de ficar sentada na poltrona da nossa sala assistindo aos seus filmes de guerra preferidos. E nunca trocou o Robin Williams pelo Nicholas Cage, por exemplo.
Opa, será que minha avó também é uma esquisita? Não, não só esquisita como também maluca.
E bota maluca nisso.
Daí eu respondi:
- Por que você se importa? – meus olhos se estreitaram - Aliás, por que todo mundo se importa? – perguntei, aborrecida; como se ela tivesse se transformado em uma abelha espiã gigante - Não estou planejando seqüestrar o Barack Obama, então qual é a de vocês de ficarem preocupados com o fato de eu passar a minha vida lendo e escrevendo e escutando música? É crime por acaso? – indaguei irritada ao cubo.
Por que todo mundo não consegue me deixar em paz? Por que todo mundo tem que me encarar como se eu fosse a pessoa mais estúpida do mundo por eu estar querendo conhecer mundos novos através de livros ou por eu ser maníaca por uma banda tão fofa e maravilhosa quanto o Paramore?
Por que toda essa gente não vai fazer alguma coisa de útil, deixando-me assim sozinha para ler o quanto quiser e admirar a banda da minha vida? E daí se não sei as noções mais básicas de matemática? Eu sei muito sobre história, literatura e música! Por que ninguém me admira por ISSO? Aliás, a maioria das pessoas não está nem aí para nada, não se interessa nem por Bernard Cornwell e suas histórias. Então, será que já não é hora do mundo reconhecer os esforços de uma menina de dezoito anos que está tentando salvar o resto de dignidade das pessoas ignorantes?
Tipo, a maioria das pessoas com quem convivo acha o maior saco passar uma hora lendo qualquer livro, e normalmente elas são as pessoas que mais precisam de ajuda em inglês porque escrevem tudo errado e com dialeto de internet. Será que alguém não pode ficar agradecido por eu existir para passar essa sede por informação adiante?
Ah, não. Todo mundo só fica:
- Lily, porque você não vai ao clube? Hoje o dia está tão bonito!
Só que NÃO, eu NÃO quero ir ao clube. Só quero ficar no meu quarto lendo e escrevendo e sendo engolida pela voz da minha vocalista preferida. TUDO BEM PARA VOCÊ?
Aparentemente, não. Acho que minha mãe e minha avó prefeririam que eu saísse para ir ao clube. Ou fazer qualquer outra coisa que não envolvesse se trancar no quarto".


ps: Eu sei que ainda não terminei essa fic, mas estou relendo um capítulo aqui que a Dominique disse que leu e fiquei com saudade de escrever com os olhos da Lily dessa fic. Talvez essa semana eu a finalize *-* Eu sei que já deve ser a quinta semana seguida que digo que terminarei o último capítulo e nunca faço nada em relação a isso, mas pode ser que agora eu faça isso de fato. #oremos

Beijo beijo ;*

Nina H.