Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Believe;

by - março 07, 2011

Trecho da história I Can Be Your Hero, escrita por mim: 
(É, mais um trecho, rsrs)


"- Ah – fez ele, pouco se alterando – Então, como vai o seu livro?
Pisquei.
- Que livro? – indaguei, perdidinha da silva.
- O que você irá publicar.
- Não irei publicar livro algum. Meus assuntos são tão idiotas que ninguém se interessará por eles – rebati.
James riu. Ou melhor, gargalhou. De verdade. Na minha frente.
Só que eu não sabia onde ele tinha visto tanta graça.
- O que é? – perguntei de mal jeito.
- Está vendo? – ele gargalhou mais um pouco – Você não acredita em nada.
Suspirei.
- Olha, você sabe o quanto é difícil um livro ser publicado? – falei - Pode ser muito fácil fazer parte de uma banda e ser lançado no mundo musical, mas escritores são descartados a toneladas! – parecia que tinha fogo em minha garganta e eu queria me livrar dele com palavras - As editoras nunca publicariam um livro sobre um menino peregrino cujo seu fiel escudeiro é leão que tem sentimentos e que pode se comunicar com seu dono através de pensamentos!
- Ah, você já tentou mandar para alguma? – o James me zombou.
- Não, porque sei que...
- Lily, às vezes acho que você é muito mesquinha, sabe – ele me cortou em um tom muito condescendente – Por que você tem tanto medo assim de errar? Todo mundo erra. E se você cair, pode ter certeza de que vai conseguir se levantar e continuar a sua caminhada.
- Por que se preocupa com isso? Nem mais meu amigo você é! – disse.
- Não estou preocupado. Estou abismado, isso sim. Porque, sério, qualquer outra pessoa com um pouquinho só de fé já teria tentado alcançar a maçã que está lá no alto.
- Que maçã? – franzi a testa, agora totalmente confusa. De novo.
- É uma metáfora. A maçã é o sonho que almeja tornar realidade – ele me explicou com muita educação – E imagino que queira ter o prazer de ver alguém segurando algo escrito por você, certo?
- Sinceramente, nunca pensei nisso para falar a verdade – confessei.
- Ah. Mas e ser escritora? Já cogitou, sim?
- Bem... – agora eu estava tentando responder por que aquilo era tão importante para ele – Depois que você começou a me apoiar nisso, acho que é um caminho bem legal de se seguir – falei.
Ele pareceu orgulhoso. Por eu ter me encorajado a refletir sobre essa idéia por conta dele.
- Então, simplesmente não pare.
- Só que... – não queria mesmo começar a fazer novas confissões a ele, considerando o fato de que sou somente um colega para ele agora. E colegas não fazem confissões uns aos outros. Isso é fato.
- Hum? – ele me instigou.
- Não devo ser boa o bastante. Não tão boa quanto o Dan Brown ou o Nicholas Sparks.
- Você não deve se comparar aos outros. A J.K. também achava que ninguém iria gostar de ler uma saga sobre um bruxo que tem que derrotar o mal, mas, olha só, o mundo praticamente devora os livros e os filmes – ele me lembrou – E, sério, olhe um volta. Você consegue citar algum colega nosso que tenha algum tipo de perspectiva, além do Remus, claro? Aquela gente é mais apática do que sei lá o quê. Ninguém é bom o bastante perto de você. Não com as palavras, ao menos. Então, o que a está impedindo de dar o primeiro passo?
Uau. Nunca tinha abordado o assunto desse ângulo. Quero dizer, eu passo bastante tempo enfiada em livros. Metade da minha escola mal consegue tocar em livros. Porque isso é coisa de gente nerd. Só que, dã, imagine se não existissem os nerds? Não teríamos computador, ou luz elétrica. Ou até mesmo comida quentinha. Então, para que desdenhar de um nerd se muito provavelmente ele se tornará futuramente um grande milionário empreendedor de uma tecnologia ultra avançada e cara? Assim como o Michael, lá nos livros da Mia. E pode ser que esse nerd queira se vingar de todo mundo que foi mau com ele na época da escola. Então, para que cutucar um nerd e caçoar de seu livro? Afinal, deve ser mesmo verdade aquela história de “quem ri por último ri melhor”. Totalmente.
- Hum, coragem? – arrisquei esperançosa.
- Isso também, claramente – ele acenou - Mas fé também. Você tem de acreditar no sonho, entende?
- Ah. Mas tem também o outro lado. Tipo, as iranianas. Elas têm esperança de que algum dia possam ter mais liberdade dentro de seu país, só que elas nascem e morrem acreditando em algo que nunca se concretiza – falei.
- É, mas não importa as pedras no caminho, elas sempre estão lá acreditando.
- Isso não faz sentido. Como é que alguém pode ficar acreditando em um milagre se, bem lá no fundo, sabe que isso nunca acontecerá? – quis saber, me interessando.
- Lily, as iranianas até já conquistaram poder político. E o Egito até mesmo já adotou o voto feminino na década de cinqüenta. Claro que elas são bastante rebaixadas perante a constituição, mas as conquistas, mesmo que míninas, só servem para dar mais força a seus movimentos – o James me contou. Provavelmente leu em alguma revista ou viu em algum documentário.
- Certo. Entendi – disse eu, realmente compreendendo. Tipo, não adianta lutar fogo com fogo – O negócio é nunca perder o foco.
- Hum, mais ou menos.
- Só que, fala sério. As pessoas hoje em dia não querem saber de ler um livro sobre a África partilhada ou sobre os xadores¹. Elas preferem...
- Vampiros – o James prontamente respondeu – Eu sei, mas as pessoas também se interessam por o que é diferente.
- Não se interessam nada! – falei veemente.
- Claro que sim. Veja você, por exemplo – ele me indicou.
Minha boca secou. Tum-tum rápido demais.
- Eu? – minha voz, eu tive certeza, saiu como um guincho de ratinho.
- É – ele confirmou – Você é diferente.
- Só porque sou ruiva. E devo dizer que muita gente não aprecia meninas ruivas. Todo mundo me acha a maior Satanás – constatei. Porque é mesmo verdade. Todo mundo fica achando que faço parte de alguma seita de wicca ou que decepo cabeças de galinhas. É tudo a maior bobagem. A maioria das vezes é um saco ser ruiva.
- Eu gosto de você assim – o James me disse.
Acho que eu podia ter parido um alien ali.
Mesmo sem querer ele acaba sendo um fofo.
- Hum, certo. Obrigada – agradeci desconcertada – Mas isso não quer dizer que o resto do mundo...
- Pare de pensar nos outros – o James me interpelou, porém não estava impaciente – E comece a pensar no que você quer.
- Certo – falei de novo.
- Se você quer ser escritora, apenas seja. Muita gente irá contra você, claro que sim, mas desistir não é digno de meninas ruivas que escrevem sobre xadores.
Ai, caramba. Como ele sempre consegue me fazer melhor? E por que ele sempre consegue me deixar mais admirada ainda com ele?
Estou doente, isso sim.
Não pude deixar de expandir o meu sorriso.
- Hum. É verdade – eu disse.
O carro estacionou. Se minha avó estava na janela do quarto improvisado para ela e o vovô, eu não queria saber. Tudo o que me importava era mirar naqueles olhos tão doces.
De verdade. Eu sou doente. Pelo James. Aimeuboipreferidometiradessa.
- Está entregue – o James fez graça, rindo todo fofo.
- Valeu – agradeci, também rindo.
- Você pensará nas iranianas e na fé delas, não vai? – ele quis saber – Porque se você não acreditar, ninguém mais vai.
- Posso tentar – prometi.
- E não se esqueça de, quando terminar seu livro, me avisar. Sabe como eu sou em relação a livros diferentes – a risada ainda não tinha deixado sua voz.
- É. Acho que sim – disse, mas não tinha confiança em mim.
Ele sorriu ainda mais.
- Até amanhã.
- Até amanhã – repeti, saindo do carro.
E sabe de uma coisa? Assim que saí de lá de dentro, alguma coisa se quebrou. Acho que foi o fiozinho de esperança que comecei a adquirir na presença de James. Eu quis me virar e retornar lá para o lado dele, mas quase tropecei nos meus próprios pés quando tentei olhá-lo. Isso não era o melhor dos sinais. Por isso, somente segui meu trajeto até a aqui, a garagem".

Beijo beijo ;*

Nina H. 

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