Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Trecho Do Capítulo 17;

by - março 07, 2011

Trecho da história I Can Be Your Hero, escrita por mim:


"Ela ficou quieta por um tempo.

- Bem. Talvez ele já tenha traçado o próprio caminho – ela parecia constrangida por ter de dizer isso – E você? Quando vai começar a traçar o seu? – perguntou-me.
Esquecendo-me das lágrimas, ergui minha cabeça. Acho que pelo desespero.
- Como assim? Eu já tenho um caminho. Vou terminar o colégio e fazer faculdade – engrolei.
- Eu sei. Tenho certeza de que ele também fará isso – ela confirmou - Mas por que você não planeja qualquer coisa diferente assim como o James? – minha mãe quis saber.
- Você não quer que eu vá estudar francês, quer? – arrisquei com cara de assustada - Porque eu nem gosto de Francês!
- Não, meu bem – ela riu – Não precisa ser nada relacionado ao francês. Mas pode ser alguma coisa a ver com as coisas que escreve. Sei que muitos escritores sonham em ter suas obras na vitrine de alguma livraria.
- Espera. Você quer que eu publique o que escrevo só para superar o James? – meus olhos ainda úmidos se esticaram.
- Não. Isso não tem a ver com o James. Tem a ver com você.
- Comigo? Por quê?
- Porque você deve querer fazer alguma coisa para si. Para deixar você mesma feliz.
- Você acha que eu ficaria feliz em ver um desconhecido lendo um livro meu?
- Não ficaria? – ela rebateu.
Sei que escrevo um monte. Nos meus cadernos e no computador. E tenho um monte de folhas avulsas por aí que uso como suporte para meus sentimentos, construindo poemas e contos pequenos. Mas publicar o que escrevo? Nunca pensei nisso. Digo, por que alguém teria interesse em ler sobre uma menina iraniana ilegal na Coréia? Ou sobre a África? Ou sobre o que os anos fizeram com o Oriente Médio? Pelo o que sei, a sociedade prefere vampiros apaixonados por uma mortal. Ou qualquer coisa fantasiosa que faça todo mundo criar um mundo próprio. Ninguém quer ler sobre o que está DE VERDADE acontecendo com o mundo. É para isso que esse tipo de literatura fictícia serve. Para abandonarmos um pouco de nossos problemas reais. E o mundo não se satisfaria ao ler qualquer coisa relacionada à política ou religião reais. É só ligarmos a TV e sintonizarmos em algum canal de noticiário para sabermos o que se passa com as mulheres lá em Marrocos. Ou o que se passa lá na Faixa de Gaza.
- Não sei. Não acho que o que escrevo vá mudar o mundo, ou que seja relativamente interessante – respondi.
- Bem, talvez seja hora de começar a considerar essa possibilidade – mamãe me disse.
- Ah – grunhi atônita.
- Existe por aí tantos livros inúteis. Aposto que o que escreve é altamente substancioso.
Como é que mamãe sabe que o que escrevo é igualmente legal quanto os livros do Dan Brown? Eu nem escrevo sobre Maria Madalena! Ou sobre Jesus.
- Hum. Pode ser. Mas acho que as meninas da minha idade preferem vampiros brilhantes a uma menina pobre que conta a vida que tem no Iraque – aleguei.
- Bem, se você não tentar nunca saberá.
- Hum. Certo. Vou pensar sobre isso – falei. Ainda bem que falar sobre o que escrevo aniquilou o meu choro.
- Isso. Você tem que começar a fazer algo para si – quase fiquei agradecida pelo sorriso de apoio de mamãe".


ps: antes de eu começar a escrever e a publicar minhas histórias, meu pai e eu tivemos quase essa exata conversa. Acho que foi por isso que comecei a me empolgar demais em escrever. E isso é o que me faz ser eu. Eu não saberia fazer nada além do que faço todos os dias: ler e escrever. Meus pais podem reclamar o quanto quiserem, mas essa sou eu. Nasci assim, sabe. Nossa, isso ficou tão Lady Gaga. 

Beijo beijo ;*

Nina H. 

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