Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Morte e Vida Para Quem Fica;

by - maio 01, 2011

Nascer, crescer e morrer. 
É assim que é. É o ciclo, não? Na verdade, é fácil falar que é apenas um ciclo e não ligar para ele quando você está passando por problemas mínimos e suportáveis. 
Mas quando as coisas complicam - complicam de verdade -, você para de pensar que o ciclo é uma coisa normal. Você começa a pensar que o ciclo é uma coisa triste, que não pensa em sentimentos. E é verdade: todos temos sentimentos. Existe talvez uma linha tênue que difere os sentimentos bons dos maus, mas eles existem. Eles estão lá. 
Para mim, as coisas se complicaram. Sabe quando você não pára de pensar em uma só coisa? E não é no nascimento. É na morte. Quando você começa a temê-la de verdade. E isso começa a consumir todos os seus pensamentos. 
Eu não paro de pensar na morte. A morte é algo que vai e acaba. Ela simplesmente não tem continuação. 
Começou na sexta. Um dos meus cachorrinhos caiu do colo da minha mãe e bateu a cabeça. Foi um milagre ele ter chegado quase vivo no hospital veterinário. Agora ele está consciente, mas nada bem, sabe? Se ele sobreviver nos próximos dias - ficar bom mesmo -, não vai mais poder andar. Ontem eu fui lá para visitá-lo e ele estava até mesmo já ficando sentadinho, com as perninhas esticadas e tudo. Mas hoje não. Hoje eu nem se mexia; só seus olhinhos estavam alertas. O quadro dele piorou. Nós não sabemos o que fazer ou o que de fato sentir. Ele não é o único da família, mas não temos como escolher um especial. Uma mãe não tem preferência. Ela simplesmente ama todos com a mesma intensidade. E nós fazemos o mesmo. Cada um é especial do seu próprio jeito. E o Bernardo - o que está no hospital - é o mais bonzinho de todos, o mais apegada à todos. Eu não sei se teremos de sacrificá-lo. Talvez sim, porque se ele ficar sem andar, do que adianta ficar sofrendo?
Eu já chorei no banho, minha mãe não para de chorar desde a clínica e meu pai apenas tenta nos consolar do mesmo modo que se consolou quando a mãe dele morreu: com pensamento científico. Justificando o ciclo como algo comum. 
Comum é nascer, mas morrer? Morrer é doloroso para quem fica. 
Eu só fico pensando: vai ficar tudo bem. 
Será?


E ainda bem que não vou ser veterinária. Como eu poderia lidar com as perdas? Eu mal consigo ver o final da minha série favorita, imagine perder um animalzinho! Matar personagens favoritos parece mais fácil. Porque eles não existem, não tem família real nem sentimentos reais. 

Beijo beijo ;*

Nina H. 

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