Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Trecho do Livro "As Leis de Ramona Demônia";

by - maio 20, 2011

* Um *

Recomece sem deixar de ser você mesma


Quando alguma coisa corre atrás de você, sem deixá-la ao menos tentar tomar providências racionais, você apenas fica e espera acontecer. Certo?
Errado.
Você corre dessa coisa, antes que ela a alcance.
E foi o que eu fiz. Eu fugi.
Você pode ir parar em um SPA mega caro e mega requisitado, como as atrizes e as modelos fazem, ou então, ir parar em uma escola de férias onde aprenderá a organizar melhor o seu tempo e comporá poesia no meio da noite, assim como eu fiz.
Divertido? Não, nem tanto.
Porque a Theodore não era nada como eu pensara.
Eu achei que diria “Beleza, será fácil” assim que saísse do carro para dar passagem a mim mesma nos corredores movimentados do Centro, mas eu apenas proferi “Não sabe dirigir, não?” - de modo altamente raivoso, logo às oito da manhã - para um garoto que por pouco não batera em meu carro.
E, se quer saber, essa troca de pensamentos já dizia tudo o que seria de minha hospedagem naquele lugar.
Eu tinha tentado carregar o máximo de coisas minhas do meu quarto. Eu sabia que um verão sem nada me deprimiria. Então – como recomendação também de Alice -, eu tinha conseguido colocar dentro do carro todos os meus cd’s. Na estante em meu quarto, em Johnson City, Tennessee, tudo era organizado em ordem alfabética. Desde os meus livros de fotografia, passando pelos meus dvd’s e cd’s. Eu mantinha tudo na mais perfeita organização, para compensar o fato de todo o resto ser uma bagunça – coisa que minha mãe vivia reclamando.
Quando estacionei ao lado do meio-fio – com uma destreza excepcional, devo aqui exaltar -, verificando rapidamente o enxame de pessoas caminhando apressadas e alegres para a entrada imponente do prédio em um estilo gótico, desliguei o som e apenas fiquei ali macerando o silêncio abusivo.
As pessoas, até mesmo as mais velhas, caminhavam como se eu não estivesse ali. Boa, pensei comigo. Talvez ali eu pudesse ser ninguém. Ser a pessoa que ninguém se importava. Estar ali, sem ser notada ou requerida, me trazia um sentimento de alívio.
Finalmente, depois de tantos dias, eu estava livre.
Chequei a minha maquiagem com meu estômago se revirando e pensei que eu não estava tão mal para o primeiro dia. Tudo o que eu sabia era que se eu fosse eu mesma, mesmo que a maioria detestasse meu estilo – e eu garantia que eles iriam detestar, apesar de agora eu estar em NY, não mais no estado do country -, eu poderia ganhar algum bônus. Mesmo eu não sendo muito qualificada para estar ali. E considerando que a minha inscrição foi uma das últimas, eu bem sabia que deveria ter ficado em casa.
Theodere Vocational School era o último lugar que eu pensara em ir. Eu cogitara ir para Main Beach, em East Hampton, com a Alice – minha melhor amiga – e ir para a casa de verão dos meus avós, mas aí eu percebi que eu estava abordando a situação pelo ângulo errado. Sabe? Eu acordava todas as manhãs e, antes que minha irmã mais nova, Beatrice, despertasse, eu fazia nossas panquecas com mel e o suco de laranja fortificado com algumas gotas de maracujá arrancado fresquinho do pé – do quintal da nossa vizinha. Beatrice levantava-se e nós comíamos e bebíamos em silêncio, com a TV sintonizada na porcaria da MTV. Enquanto eu fingia não escutar as cantoras pops com suas letras ignóbeis demais, eu fazia meus pensamentos voarem e atravessarem todos os cantos da casa.
E foi na décima segunda manhã que eu percebi que eu não deveria mais ficar me socializando com as mesmas pessoas.
Alice já tinha partido para Main Beach há exatamente oito dias e toda hora me ligava para contar muitas fofocas e eu pensava que apenas eu continuava do mesmo modo, sempre acordando, fazendo nada e indo me deitar novamente.
Então, eu me dei conta que deveria fazer algo. Qualquer coisa.
E aí, fugi.
Claro que você diria que uma menina que dezesseis anos fugindo de casa em pleno verão, em plenas férias, não é o aconselhado, mas eu diria que fiz isso por mera sobrevivência.
Sabe quando você tem que fazer qualquer coisa que não seja o mesmo que faz de sempre?
Foi bem assim que me convenci a fugir do Tennessee.
E, na época, aquele motivo era mais do que suficiente. Ele parecia ser o certo.
E eu não consegui me refrear. Eu pensei até mesmo que estava fazendo a maior burrada da minha vida, mas depois de estar com tudo pronto, só conseguia encarar aquilo como uma forma de estar amadurecendo.
Bem, claro que eu não deveria ter deixado a Beatrice sozinha, mas, ainda assim, eu me sentia bem em relação à minha atitude tomada. Eu estava buscando prevenções que me levassem para longe de meus problemas. Não era assim que meus pais tinham me dito uma vez que se resolviam as coisas?
Então. Lá estava eu sentada no banco de meu carro recém-ganhado esperando o momento certo para sair de dentro dele e encarar o mundo real de NY.

x.x.x
ps: então, para quem se interessa por o que eu escrevo, aí está o começo de um dos meus livros. O título é mesmo bem idiota, mas eu gostei. Não sei bem de onde ou como eu tirei essa trama desse livro de minha mente, mas ela apenas aconteceu (como sempre). Então, quem gosta do que eu escrevo, ou não, dê a sua opinião e sugestões (: 

Beijo beijo ;*

Nina H.  

You May Also Like

3 comentários

  1. bem, é exatamente para mim né, já que eu sou essa pessoa aí ó, "que gosta do que você escreve" hahahahahahaha, sabia que uma das mil histórias tem uma garota que foge também? só que ela foge com o circo... já tenho o primeiro capítulo dela, se você quiser algum da te mando. Bem, eu gostei mesmo (: do fundo do meu coração, mas sinto falta da histórias que acontecem no Brasil. inclusive eu reescrevi cinco capítulos de uma das minhsa histórias que antes acontecia em NY pra fazer com que ela se passasse no Brasil, sei lá, não dá tanta emoção ás vezes, mas eu sinto falta sabe, e fico pensando que seria bacana se algum dia meu livro fosse traduzido para outra lingua, bem, eu estaria demosntrado outro aspecto do meu pais que não fossse samba ou futebol...
    então nina, eu só posso esperar que alguma editora encontre seu blog (e o meu também de preferência SHAUHSAUHSAUSHAU) e que essa sua história continue, por que de uma coisa eu tenho certeza, talento você tem ;)
    outra coisa, VOU QUERER MEU NOME NOS AGRADECIMENTOS DESTE LIVRO. shahsahauhuahsa
    ahh, você pode colocar nome em todos os meus livros se quiser... por que eu sou péssima com isso e adorei o nome que você colocou nessa história (:

    beijos ;*
    sua grande fã e amiga
    Carol (:

    ResponderExcluir
  2. adorei, nina! você já havia falado da Ramona para mim, mas agora que eu li, fiquei mais doida ainda pra ler o livro *-*
    sério, você precisa continuar essa cena. dá um gosto de quero mais incrível! haha.
    assim como a carol, eu vou querer meu nome nos agradecimentos/dedicações/etc do livro, como eu já havia lhe falado! kkkk
    você já até sabe como deve colocar, né? E.S., o meu pseudonimo lindo q
    enfim, o seu blog é muito fofo, nina! de verdade <3

    beijobeijo (:

    ResponderExcluir
  3. non, minha Nina tá escrevendo mais uma coisa fantástica *-----------* mano, eu só queria ter um tiquinho assim do dom que você tem de escrever e prender alguém na escrita. Sério, Ni, voc~e tem futuro e pode apostar que vou ser A PRIMEIRA a comprar tudo o que tu fazer e escrever u.u
    eu quero mais dessa história, to dizendo (:

    beeiijo ;*

    ResponderExcluir

Olá, obrigada pelo comentário, mas, para evitar passar vergonha na internet, por favor, não seja LGBTQfóbico(a), racista ou machista. O mundo agradece :)
Qualquer preconceito exposto está sujeito à remoção.

Torne o mundo um lugar melhor: não seja babaca :)



INSTAGRAM