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{The Lost Girl #1}

by - dezembro 05, 2011

Humor: decadente/triste/raivoso
Música: Smells Like Teen Spirit - Nirvana (É a melhor música do mundo quando se está com raiva ou triste).

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Culpa. Submissão. Fracasso. 
A vida parecia fácil para quem passasse por The Lost Girl; mas ela sabia que as pessoas só enxergam o que querem ver. 
Ela sabia o que era ser a vergonha, ser a decepção. Porque ela era. Simplesmente era. Às vezes fingia que não se importava, que aquilo não machucava, mas quando se recolhia, analisava o que tinha dentro de si... ela constatava: era errada para aquela vida, para aquele mundo. Como um pássaro que tivesse caído dentro da lagoa. Ele não pertencia àquele ambiente; The Lost Girl também sentia que não pertencia ao mundo à sua volta. 
Ela tinha uma habilidade incrível de esconder os sentimentos. Ela não os expunha não apenas por vergonha, mas porque achava que aquilo era desnecessário com os outros. Quem ouviria seus problemas sem julgá-la ou tentar mudá-la? Ninguém. Ela mesma, muitas vezes, não suportava mais seus problemas. Queria jogá-los fora, queria doá-los para alguém. Apenas queria se ver livre, notar que sua mão finalmente estava tocando o céu, que respirava ar puro. 
Então, ela chegava à conclusão: Os errados são os outros, da minha vida cuido eu. Mas será que era assim? 
A rotina em casa lhe dizia o contrário. Era engraçado, mas a menina sentia que as pessoas que mais deveriam conhecê-la eram as que menos a entendiam, menos sabiam lidar com ela. Não entendiam por que ela gostava de rock. Não entendiam por que ela precisava escrever todas as noites. Não entendiam por que ela preferia gastar todo o seu dinheiro em livros do que em roupas. Não entendiam por que ela faltava às aulas. 
The Lost Girl fingia. Ela fingia muito bem. Era a mestra naquilo. Era tão boa que ninguém, realmente ninguém, analisava seu rosto cansado, suas mágoas internas ou sua tristeza colossal. Todos largavam dela assim que ela dizia "Estou ótima!". Que bela mentira. Aquilo significava "Eu preciso de ajuda, me ajuda, por favor?". Entretanto ninguém suspirava por seus problemas. 
Algumas vezes ela achava consolação em outras pessoas, mas era insignificante. Ela entendia, e entendia bem a solidão. E por isso as palavras eram tão importantes. Não as palavras verbais, as formuladas com a língua; eram as que ela juntava letra por letra, sílaba por sílaba com os dedos. Algumas pessoas diziam: "Desista! Você não vai chegar onde quer. Procure algo mais fácil". Mas eles não conheciam a determinação de The Lost Girl. Ela queria, ela precisava. Ela conseguiria
Ela queria que a vida fosse mais tolerável com seus sentimentos; que parasse de sentir dor sempre que alguém a apunhalava, que parasse de se importar com que os outros pensavam, que parasse de fazer tudo o que os outros queriam. 
A única coisa que ela queria era focar em si mesma, mas ninguém a largava; sempre alguém interferia em suas escolhas, ou então, não lhe dava escolhas. Ela não queria ter viajado como alguém planejou, ela não queria ter parado de escrever aquele parágrafo tão importante... queria ter se afundado em seu mundo. O mundo da música e da escrita. Era com aquilo que The Lost Girl se importava. Nada de futebol, ou de televisão, ou de aulas chatas de português. Ela era ótima em redação, sua professora do primeiro ano adorava suas narrações. Pena que perderam o contato. The Lost Girl gostava da professora. Era a única que acreditou nela, quando ninguém mais entendia suas ambições. 
Ela sentia que a cada dia sua vida se tornava mais vazia. Não fazia nada mais importante do que acordar. Não conseguia se colocar entre as melhores. Não conseguia sequer fazer amigos. Ela era um fracasso. Uma idiota. 
The Lost Girl, sentada na cadeira, pensava: "O fim do túnel poderia estar perto, não?". Mas a luz que ela ansiava, algumas vezes se modificava. Um hora ela queria a luz da salvação; outra, simplesmente se contentava com a luz da morte, aquela que chegava rápida e desaparecia cadenciadamente. 
The Lost Girl só precisava de paz interior. De um local para descansar, para fazer ser dela, para colocar as ideias nas gavetinhas da memória. Muitas vezes, ela achava que ter alguém por perto - alguém que a amasse de verdade - mudaria tudo. Colocaria sua vida em nova perspectiva. Mas então descobria que odiava se apaixonar. Era patético. Tão patético quanto os livros românticos que lia todos os meses. 
Solidão. Descontentamento. Amargura por ter uma vida jogada pela janela. 
Ela nunca pensara em se matar, mas se a morte precisasse dela, ela iria de bom grado, sem hesitar. Não sabia o que descobriria nessa aventura, mas o que ela estaria arriscando? Uma família feliz? Uma vida feliz? Jamais. The Lost Girl nunca foi feliz. Descobriu isso quando começou a odiar o pai. 
Lágrimas. Sufoco. Sono.
Ela só queria ser visível, ser alguém diferente. Ser alguém que fizesse algo de sua inútil vida. 
Às vezes ela rezava e pedia: "Por favor, faça com que isso termine logo". 
E um dia vai terminar. Mais rápido do que ela imagina. E o que ela vai deixar para o mundo? Nada. Porque fracassados não deixam legado. Fracassados morrem todos os dias e ninguém se recorda deles. 

Nina

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