Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Just Close Your Eyes

by - abril 07, 2012



Eu escrevo. 
Não faço isso porque acho que nasci com um grande dom. Não faço isso porque acho que, finalmente, encontrei alguma coisa boa para fazer no meu tempo livre. Faço isso porque preciso. Não sou boa para falar. Não sou boa para dizer às pessoas o que elas têm de fazer. Guardo tudo comigo. Sou calada demais. Sou quieta demais. Sou indiferente demais. E é por isso que escrevo: coloco tudo o que está dentro de mim nas páginas de um livro, ou de uma fic. Ou, até mesmo, aqui. Sei que já faz um tempo que não escrevo coisas "minhas" aqui, sinto falta. Porque foi exclusivamente por querer colocar meus sentimentos para fora que criei este blog. Às vezes represar sentimentos não é bom. Você sofre. E pior: sofre calada, porque não consegue encontrar alguém para dividir seus problemas. 

Todo começo de ano eu prometo: vou ser mais espontânea. Vou ser menos calada. Acontece? Não, não acontece. Talvez, não por falta de vontade, mas porque é assim que sou. Você não consegue mudar completamente quem é. Você pode mudar suas roupas; pode se maquiar melhor; pode adquirir coisas que te façam diferente. Mas tudo isso não muda quem você é. Quem você é vai para sempre ficar com você. E, não, você não deveria mudar quem é só porque entrou na faculdade, ou porque "precisa" entrar para o grupinho mais legal da turma. Você tem que aprender que ninguém deve te mudar. E você não deve se desculpar por ser do modo como é. As pessoas têm que habituar a você, têm que aceitar que você é calada e pronto. Têm que aceitar que você gosta de se vestir de preto. Têm que aceitar que você não vive sem seu all star preferido. Têm que aceitar que você se apega a personagens de livros que, não, não existem, mas que você sente como se eles fossem reais. 

Você nasce, começa a andar e aprende coisas novas. Até que, então, você se depara com aquela ponte que diz: Atravesse, ou morra engolido pelo mar logo abaixo. 

É essa ponte que separa quem você quer ser e o que a sociedade pode fazer com você. 
A grande questão é: aonde sua vida está te levando? 
Você acha que vai ser feliz daqui uns anos?
Você acha que vai conseguir aquele emprego que tanto sonhou?
Você acha que vai acordar e seus problemas terão desaparecido?
Você acha que não tem mais ninguém numa situação como a sua? 
Muitas vezes nós só enxergamos a nós mesmos. Como nós podemos realizar isso, como podemos fazer aquilo, como poderemos ser felizes. 
Mas e os outros? Você pensa neles? Você se pergunta o que vai acontecer com fulano se você fizer tal coisa? O que vai acontecer se você não ama mais a pessoa que deveria amar? O que vai acontecer se você descobrir que viveu numa grande mentira? O que vai acontecer se você descobrir que odeia uma pessoa que deveria amar? 
Parece o certo. Parece que você está fazendo o que mais quer. Mas e para as outras pessoas? O seu certo pode ser o seu grande erro para os que estão à sua volta. 
Às vezes quero largar tudo. Quero deixar as coisas pela metade. Quero dizer que não dou a mínima. Mas vai adiantar? Meus problemas vão desaparecer? É, não vão. 
As respostas estão cada vez mais distantes, né? Parece que você não vai aguentar. E eu estou realmente desistindo facilmente. Das pessoas, das atividades, da rotina. Parece que tudo está desmoronando mais depressa. 
E é por isso que não quero deixar de ser quem sou. Ser quem sou parece a única coisa certa em minha vida. 


She wanders all alone 
This is all, she's ever really known 
A stranger in her skin nothing more, it's all she's ever been 
She spills these words across the page 
It helps to ease the pain 
and she cries
- All She Wrote, Ross Copperman. 


Eaí? Para onde a sua vida está te levando? 

Com todo coração, 

Nina. 

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3 comentários

  1. lindo amiga, simplesmente lindo. =]~
    Espero que tudo dê certo na sua vida.

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  2. A mim me parece como uma excelente carta.
    Você diz que gostaria de ter um livro com as minhas cartas, por que isso faz você se sentir bem, mas está aí, escrevendo lindas cartas sem nem ao menos se dar conta disso.
    É isso ai Nina! Escrever não é um dom como algumas pessoas gostam de dizer.
    Ao menos, não para nós.
    É apenas como o ar.
    Sem isso nós apenas deixamos de existir.
    Amei o texto ;)

    http://caixa-a-a.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. LINDO, LINDO, LINDO, LINDO E LINDO!

    Sem palavras!

    Você escreve MUITO bem! *u*

    Beijinhos

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