Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Tomorrow It May Change

by - abril 16, 2013

Acordamos e pensamos que faremos tudo o que planejamos. Absolutamente tudo, sem erros, sem arrependimentos. Mas aí... acontece aquilo. Aquela pequena fração de segundos que não deveríamos ter presenciado se desenrolou diante de nós, desviando-nos de nossos planos. E exatamente como o dia começou, ele chegou ao seu fim. Assim. Em um instante, você não tem mais nada. Você não é mais nada. 

Sei que parece ridículo, desnecessário e até mesmo um pouco fora da realidade. Mas, de verdade, você consegue pensar nisso? Por cinco minutos? Esforce-se pra valer: o que verdadeiramente faria se o dia acabasse para você, repentinamente? Se você nunca tivesse a chance de acordar na sua cama de novo, se nunca mais sentasse na mesa com seus pais, se nunca mais olhasse a timeline do seu Facebook, se nunca mais abraçasse de novo o seu cachorro? 

Qual seria a sua última música? Para quem você ligaria? Para quem mandaria uma mensagem? Quem abraçaria? Quem escutaria você chorando, implorando ajuda, dizendo desculpas, ou meramente dizendo que não quer morrer? Pense, de verdade, de coração. Quem? 

Mas é aí que está. Você não sabe responder. Não porque nunca pensou nisso, mas porque acha que nunca vai passar por essa situação. Pode não ser hoje, nem amanhã. Mas, cara, ninguém sabe ao certo quando aquele segundo, aquele momento que vai mudar tudo, pode acontecer. 

Eu sei. Posso dizer que sei. Posso dizer que sei exatamente como é essa sensação. Por um único segundo, por aquele único segundo, agora, mais de quatro meses depois, meu pai não está mais aqui comigo. As coisas dele, todas as coisas dele, pessoais e de trabalho, estão encaixotadas, empilhadas, sufocadas - nos matando a cada hora, tentando testar o nosso limite. Aos poucos, elas se vão - terão de ir. Nada fica; nada é, realmente, infinito. As coisas acabam. 

Um click. E depois, tudo se foi. Se foi para você. Para o seu pai. Para o sua mãe. Para seus irmãos. Para todos ao seu redor. Nunca serão recuperadas. As lágrimas não trarão ninguém de volta, o terror sempre ficará instalado no seu peito, como um apito constante - aquele apito que você quer se livrar de uma vez por todas. 


É aquela tensão que eu nunca mais quero reviver. Revivi hoje, porque era um episódio. Um episódio que, depois de hoje, vai ficar na minha memória. Não porque é deste seriado em questão, não por conta das músicas, mas porque eu senti o que eles sentiram - ou atuaram sentir. Eu reconheci os olhares de pânico, os olhos marejados, os pedidos de socorro, a segurança ser arrancada deles naqueles minutos. Ah, os minutos. Eu não consegui parar de tremer por conta deles, por causa do silêncio, por conta do desespero. 

Você pode pensar que não é bem assim. Mas, sim, é exatamente assim. Você acha que não vai chorar, que vai ficar calma, que vai ficar no canto, muda, esperando ajuda, mas não. Você vai querer que alguém a esteja  abraçando, dizendo que tudo vai ficar bem - mesmo que saiba que seja uma completa mentira. Mas quando ouvir aquela frase - que tudo vai ficar bem - vai se tranquilizar, vai tentar domesticar um pouco do seu pânico. Porque, no fundo, não se trata exatamente da frase, mas da pessoa que está lhe assegurando aquilo. Você sabe que não quer perdê-la, fica se perguntando o que fará sem aquela pessoa se algo acontecer a ela. Você não sabe o que pode ocorrer no próximo minuto - talvez tudo acabe, talvez vocês saiam daquela sala e se abracem, ou talvez você nunca mais a verá. É isso que machuca, é isso que a impede de se mover, de arredar o pé de onde está - você nunca se sentiu daquele modo, não sabe como processar as informações. 


E, então, bam. Tudo pode acabar. E se acabar... O que você disse? O que você fez? Quem você amou?



É disso que realmente se trata. Não do futuro, mas do que aconteceu


E, sim, vai acontecer. E, não, você não vai saber o que fazer. Mas, esteja onde estiver, não deixe de dizer ou de fazer algo, porque pode ser a última vez. E a última vez é simplesmente mais especial do que a primeira. Acredite. 

Pense, mas sinta. Sinta tudo. Diga. Repita quantas vezes for necessário. 

Porque o amanhã pode não existir. 




Um superbeijo e um abraço a todas vocês!
Love, Nina. 

______


Se não sabem a que me refiro, vejam - mesmo que não sejam fãs ou odeiem as músicas ou atores ou qualquer coisa - o episódio Shooting Star de Glee (04X18). E depois releiam o meu post, se possível. 

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6 comentários

  1. Oi, Nina! Me emocionei MUITO com seu texto. Engraçado que há pouco, no banho, estava fazendo umas reflexões parecidas. Agora, conforme ia lendo seu post, só conseguia me lembrar de uma pessoa e de um momento específico. E aí me deparei com o parágrafo em que você fala da sua experiência e, por coincidência, é a mesma que a minha (a única diferença é o tempo, 7 meses no meu caso).

    Acompanho Glee, mas ainda não vi o 4x18... Melhor me preparar, né?!

    Beijos, Entre Aspas

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  2. Oi Oi Nina,

    Eu simplesmente amei seu texto. Acredite, eu refleti varias vezes sobre essa questão e nunca soube responder. Por simples motivos, eu tenho tanta gente que quero passar com últimos minutos, tanta musicas que queria ouvir pela ultimas vezes, tantos sorrisos que quero ver. Vozes, palavras e leituras.

    São questões que muitos não pensam ou simplesmente evitam pensar, por acreditarem serem imortais. Para viramos mortal, precisaríamos, de alguma forma, uma perda de um valor que não tem volta.

    Eu ainda não perdi ninguém que posso dizer ser humano.Na verdade, eu já perdi, a minha bisavó, mas eu não tenho tanta lembrança dela alem dos videos caseiros que eu de vez em quando vejo. A perda maior foi dele.

    Ele era uma animal, mas era minha família, ele sempre esteve ao meu lado desde meu nascimento, porém ele se fora há 8 anos aproximadamente. E até hoje eu sinto saudade cortante do mesmo, eu lembro de cada carinho, pelugem, latido, lembro de como ele andava pela casa com a perda de visão e ainda sentir feliz quando eu chegava da escola.

    Foi minha pior perda, perder alguém que sempre fora seu companheiro era grande, lembro de ter ficado muito ruim por dias e dias depois da morte dele. Afinal, vê-lo morrer aos seus braços não é confortável, mas hoje eu estou bem, apesar da saudade apertar sempre, eu aprendi estar confortável com as lembranças.

    E claro, não esperava reviver todo sentimento de perda ao ler seu texto, não precisei ver o episodio porque sabia EXATAMENTE o que você estava querendo expor. Perder alguém sem saber que é ultima vez que vai vê-lo sorrir, ou ouvir palavras confortável para acalmar é péssimo, até porque não podemos fazer NADA em relação a isso, a não ser, aceitar de fato que teremos que aprender a seguir o nosso destino sem o mesmo.

    Enfim, parabéns pelo texto,Nina. Continua assim e não pare de escrever nunca, nunca e nunca.

    bjos da sua Diih.
    http://livroeneblina.blogspot.com.br/

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  3. Oi, como está?
    Amei o seu texto!
    Realmente, a gente se aborrece por coisas tão bobas na vida, e na verdade precisamos aproveitar cada segundo dela da melhor maneira, com as pessoas que a gente ama, sendo quem a gente quer ser!
    Parabéns!
    Tem post novo no blog,
    passa lá e confere!

    endless-poem.blogspot.com.br

    Beijão

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  4. Florzinha

    preciso te agradecer mais por todo carinho cmg, com meus textos e o meu blog?

    nossa vc eh tao fofa q eu nem sei como te agradecer.

    vi seu comentario sobre o bullying lah e fiquei tristinha..acho q todo mundo jah se sentiu assim alguma vez..eu tbm jah varias vezes...mas fiz aquele texto a pedido de uma garota e ela flando me cortou o coração! muito obrigadaa por todo carinho adorei seu texto e concordo com td q disse, vc pode flar o qnto quiser no meu blog, mt mt obrigada, e parabens vc escreve mt bem

    beijo enorme e te espero sempre lah

    http://cantinhodanina19.blogspot.com.br/

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  5. Omg Nina, eu realmente me emocionei com esse texto!
    O incrível é que a gente não pensa no dia de amanhã como podendo ser o último, não pensamos que cada momento pode ser o único! Apesar de sabermos que nada e ninguém é eterno, temos a mania de deixar tudo para depois, de não dizer o que sentimos as pessoas que merecem ouvir, sempre depender do amanhã, mas como você disse, o amanhã pode não existir!
    Muito lindo mesmo esse texto, conseguiu emocionar e fazer pensar! ^^
    Beijocas minha linda, queria agradecer também a suas visitas, sabia que elas me deixam muito feliz!? *o*
    Beijocas :*

    http://meuuniversox.blogspot.com

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  6. Meu Deus...eu chorei tanto com sua postagem...não consigo escrever nada além disso...
    Bjs

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