Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#So Torn

by - abril 10, 2013

Sabe quando você percebe que tem alguma coisa errada consigo mesma? Que, apesar de tudo, alguma coisa não se encaixa? Que está faltando algo, um pedaço mínimo, aquela parte que você perdeu em algum lugar que nunca mais vai visitar? 

É. Eu estou me sentindo eu, exceto eu. Eu, sem o meu eu verdadeiro. Fico me perguntando: isso é sério? Mas, sim, está acontecendo. Eu me perdi. De tudo. De todos. De cada pequena coisinha que me fazia feliz. Das palavras, lidas e escritas. Das músicas alegres, as que eu dizia que escutaria para sempre. 

Estou me meio do caminho, sem saber para onde ir. Direita ou esquerda? Para frente ou para trás? Acordar ou dormir? Ficar ou seguir? Não sei. Não sei mesmo. 

Estou intolerante, sem vida, repetitiva, ordinária, esquisita, reclusa. Não sei mais reconhecer nada, nenhum dos sentimentos que antes me eram essenciais. Não sei mais dizer se a felicidade está em mim. Está? Em qual ínfima lacuna? Tão pequenina que mal consigo vê-la. 

Não sei mais alcançar o que quero, parei de lutar, de entender, de rir. De dizer: "Hey, mano, qual é o seu problema?". Porque agora eu tenho um problema, e ninguém, absolutamente ninguém, o percebe. Ele está invisível, impassível, reduzido, despercebido perante aos olhos dos demais. Ele está encostado em algum ponto vital do meu corpo, nutrindo-se da felicidade e da força que um dia foram conquistadas. Um parasita. Um dementador maldito. Mas não consigo lutar, não consigo me debater, contestar, alegar. Não me mexo mais, estou atrofiada, sempre no mesmo lugar. Nos olhos, a luz se apagou, foi levada para longe, para o infinito, para onde não sei chegar. 

Você entendeu? 

Tudo isso foi roubado, aniquilado, bombardeado, molestado. E o que sobrou, mal dá para dizer que é uma pessoa. Talvez metade de uma pessoa. Talvez, alguma coisa indefinida, sem cor, sem rosto, sem alma. Alguém que foi jogada no breu por tempo ilimitado, por tanto tempo que não sabe mais distinguir o que é o Sol e a Lua. Tudo foi consumido para restar alguma coisa que se embolou no peito e que não me deixa respirar. 

Deslocada, sem destino, sem prestígio. O que ficou, aquelo bolo que obstrui todos os meus cantos, me deixou acabada, sem coragem de arriscar, sem confiança para seguir em frente, para enfrentar um insulto inofensivo. Não consigo me levantar, me agarrar, implorar por ajuda. Quem virá, senão o próprio castigo e a culpa, aqueles dois fatores que sempre me abatem quando o caminho é longo demais, o que induz a acabar me sentado e me perdendo do rebanho?

Estou perdida. Estou descontente. Estou frustrada. Estou vazia.

Estou morta. 




Um superbeijo para todas vocês!
Love, Nina. 

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3 comentários

  1. Uma puta dor no coração de ler esse texto. Muitas vezes tenho esses momentos de desespero em que a unica coisa que eu quero fazer é dar reset e começar tudo de novo, a vida inteira. Do momento que nasci até hoje, mas não é impossível.

    Obrigada pela dica de filme, vou procurar assistir logo.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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  2. Que texto profundo. Mas quem nunca se sentiu dessa maneira?

    miragem-real.blogspot.com.br

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  3. Nossa, sabe aqueles textos que você lê e de repente se identifica com cada parágrafo? Então, esse é um deles!
    Como eu penso , o pior sofrimento é aquele escondido, aquele que ninguém vê, ninguém percebe, aquele que, apesar de te matar por dentro, você tem que sorrir e fingir que está tudo bem por fora.
    Nina, parabéns, você escreve muito bem, e do jeito que escreve, consegue tocar o coração! ^^
    Beijocas :*

    http://meuuniversox.blogspot.com

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