Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Ovelha Negra

by - maio 15, 2013

Não sei sobre o que abordar, mais uma vez. Mas conversa vai, conversa vem e é inevitável que eu fique irritada. Fico irritada com tudo o que é exagero e com as pessoas não conferem a devida importância a temas pontuais.

Você tem a sua opinião. Você tem o direito de ter a sua maldita opinião. Não quero mudá-la; o que quero é que você pense, porque pensar é, talvez, a coisa que menos gente tem praticado hoje em dia. 

Pensar, agora, se tornou aquela coisa obrigada. Você tem que seguir a maioria. Se você não concorda, você é estranha ou diferente. Incomum, errada. De outro mundo. Uma pessoa que não merece atenção. Uma pessoa que não tem o direito de ser respeitada. 

Eu não sou batizada; não por não ter religião, mas por conta de "divergências" familiares. Se eu ligo? Na verdade, morro de rir das reações das pessoas quando revelo isso. Porque é ridículo. Não vou ser definida por isso. Beleza, não acredito em Deus. Vou para o Inferno. Você falou um palavrão. Vai para o Inferno. Você usa calças, não saias. Vai para o Inferno. Muitas pessoas - se não TODAS - vão para o Inferno. Mas a errada sou, sempre, eu. Só porque não quero me casar na igreja. Só porque não quero me casar, aliás. 

Estou renegando a minha missão nesse mundo. É por isso que vou para o Inferno. Ai, meu Deus. EU VOU PARA O INFERNO. Mas a minha tia, aquela que se defende porque tem uma religião - mas que maldiz de todo o resto, apenas porque todo o resto não pensa como ela - não vai. Ela vai para o Céu. Será que é porque se casou e teve filhos? Ou porque fica compartilhando milhões de fotos no Facebook para comprovar o quanto Deus está na vida dela? 

Você está vendo? É tudo sistemático. Você tem que pensar de um modo, de um único modo. Ame Deus, faça o que Deus lhe ensinou, mostre o quanto você é melhor só porque acredita em Deus. E, de Deus em Deus, o humano ficou para trás, esquecido, atrofiado, humilhado. O humano se tornou um animal, um nada. 

Mas, não, esse post não é sobre o seu Deus; Ele apenas está no processo do meu pensamento. Ele é o meio de todo o fim. O começo do fim, na realidade, é a sociedade. Você vai carregar um fardo apenas porque a sociedade quis, apenas porque você tem que se policiar, apenas porque se você disser algo um pouquinho diferente daquilo que todos os outros querem ouvir, minha nossa, você é louca

Eu, por exemplo. Eu sou uma baita de uma louca, porque a maioria das pessoas para quem revelo que não quero me casar nem ter filhos de sangue (ou melhor: que, ao menos, esses dois marcos não estão no meu planejamento nem nunca estiveram) ou a) ri de mim como se eu fosse uma grande piada, ou b) começa a passar um enorme sermão sobre como eu nunca serei feliz assim. Ora, sério? Não posso tentar construir a minha própria felicidade de acordo no que acredito e com o que quero? 

A sociedade me grita: "Não, não e não". Obrigada, sociedade. Obrigada mesmo por me tentar lapidar de acordo com a sua mente pequena e robotizada. Eu nem queria ser eu mesma, de qualquer maneira. Eu nem queira fazer a diferença sendo eu mesma. Quem precisa disso, certo? Todo mundo só quer ser uma cópia da cópia da cópia... 

E, agora, eu quero ameaçar a família perfeita. A família tradicional. Estou ofendendo todo mundo, e é por isso que vou, mais uma vez, para o Inferno. Vou pagar a minha mente, as minhas crenças e a minha língua indo para o Inferno. Porque, agora, nós temos de brigar para as pessoas terem o direito de se amar. Exatamente como tivemos de brigar para libertar os escravos, para as mulheres terem o poder de trabalhar fora, para os judeus serem tratados como pessoas, para os cachorros maltratados terem justiça, para os idosos receberem uma aposentadora quase adequada. 

Ou seja, se você não corresponde à maioria só lhe resta uma coisa: ficar calada. Você não pode mais se expressar, não pode mais se mostrar preocupada, não pode mais defender aquilo que acredita. Você tem que ser os outros. Não interessa se você entende que ninguém é definido pela religião, ou pela idade, ou pelo sexo, você tem de concordar com  frase mais verdadeira cretina de todas: É assim e pronto, não discuta. 

Não discuta, entendeu? Não tenha uma opinião, não tenha suas crenças, não tenha um cérebro próprio. Seja igual a todos os outros, seja a ovelha comportada. Não seja a ovelha negra. Porque ovelhas negras acabam na casinha do abate. 

O problema não é você acreditar em algo, problema é a sociedade que impõe qualquer coisa a você. Essa mesma sociedade que quer tudo perfeito, que espera o óbvio, que precisa de você domesticada.
E, então, sem saber, você está se domesticando. Você está sendo uma réplica de alguém.
Sinto muito por você. Mas eu quero ser uma ovelha negra. Quero ser do contra. Quero chocar, só para rir mais tarde. Porque eu sou eu, não sou a sociedade.


E você, vai ser mais um, ou uma ovelha negra?

Um superbeijo às poucas que comentam (vocês me fazem ter animação para vir aqui e escrever sobre qualquer assunto).

Love, Nina.

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3 comentários

  1. "Não tenha uma opinião, não tenha suas crenças, não tenha um cérebro próprio. Seja igual a todos os outros, seja a ovelha comportada. Não seja a ovelha negra. Porque ovelhas negras acabam na casinha do abate." É exatamente isso que a sociedade vive dizendo por aí.. Deixamos que mídias e ideias pensem por nós. Afinal, que mundo é esse em que não podemos viver a NOSSA vida? Estamos tão acomodados em não pensar com nossos próprios cérebros que começamos a deixar por isso mesmo... Vamos acordar gente!
    Adorei o texto, muito bom!

    Beeijo Nina :)
    http://miopesanonimos.blogspot.com.br/

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  2. Oi Nina, tudo bom?
    Poxa, eu concordo com tanta coisa que você disse!
    Concordo que a sociedade tanta nos rotular, que a sociedade quer padronizar nossos pensamentos, nossa opinião, que a mídia tenta nos vender uma felicidade "comprada" ou uma felicidade baseada na religiosidade exacerbada.
    Bom é aquele que compartilha gifs de Deus no facebook e condena homens e mulheres por sua opção sexual ou religiosa diferente?
    Ou ser bom na realidade é seguir os preceitos de justiça com as próprias vontades?
    Esse é um assunto bem longo, por isso não vou continuá-lo, só queria dizer que sei como se sente, e parabenizá-la pela coragem de expor seus pensamentos.
    Adorei, mesmo!
    Beijos

    Tem promoção e post novo no blog
    endless-poem.blogspot.com.br

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  3. Oi Nina, andei sumida daqui e você também hein?
    Bom, concordo com muitas das coisas escritas, mas discordo de outras. Não gosto muito quando entram no assunto de religião porque a tendência é generalizar, é utilizar de ceitas e representantes absurdos, quando na verdade, religião passa muito longe disso.
    Sou católica (não de IBGE, mas praticante) e quem sou eu pra julgar alguém? Tenho meus próprios erros para consertar.
    A minha irmã também é católica e também não quer se casar. Que mal há nisso? Pelo amor de Deus.
    O que você condena vai além da religião e é isso que muitas pessoas não entendem. Isso é da pessoa, é a alienação que a pessoa mesmo cria, é aceitar sem questionar. Mas qualquer pessoa com um mínimo de noção, não segue esses preceitos, não concorda com essa loucura que se espalhou pelo mundo de hoje.
    Enfim, eu concordo sim que o mundo está muito predestinado a, infelizmente, julgar os outros, impondo uma sociedade hipócrita, mas aparentemente bem adestrada. Só não acredito que a religião em si tenha a ver com isso. Mas sim alguns representantes e seu rebanho cego.

    miragem-real.blogspot.com.br

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