27 de junho de 2013

#Erro encontrado. Por favor, tente novamente na próxima vida

Tudo começa por conta de uma coisa mínima. 
Um pingo d'água. 
Você decide que não gosta dele, nem de mais ninguém nem nada. Você decide se enclausurar, porque assim tudo fica melhor. Tudo o que você sabe é que quer que todo mundo o odeie por causa do pingo d'água. E, oh, eles começam a odiá-lo. 
"É um pingo d'água, Zézinho!", sua mãe fala. Ela quer chorar, porque não sabe mais como controlá-lo. "É só um pingo d'água! Existem outros, vai desgostá-los também?", ela pergunta. 
Mas você não responde, porque não gosta dela também. O pingo infectou todo mundo, você odeia todos eles igualmente. 
De pingo em pingo, você constrói um mar e um muro. Você, agora, está rodeado de água e, por conta do muro que represa todos os pinguinhos que você não gosta, vai se afogar. Não adianta beber copos e mais copos de mar, porque não adianta mais, você não vai mais ver seus pés
Mas, invariavelmente, o ódio se alastrou por você, agora por inteiro. O primeiro pingo parece insignificante, porque agora você odeia toda a água do mundo - qualquer e todo pingo. 
"Você vai se afagar, e vai ser bem feito!", falam para você. Todo mundo o olha balançando a cabeça, pensando que você se tornou um idiota, uma pessoa que ninguém mais quer você por perto. Você se tornou desagradável e não é mais bem-vindo em local algum.
"Desculpe, Zé", ouve o dono da loja na qual você aprendeu a ser amigo de todos. Mas, agora, você não tem amigos. Cresceu e repeliu todo mundo para bem longe, "Não o queremos mais aqui. A Dalva disse que todo mundo fechou os estabelecimentos para você. A cidade não o quer mais, o Xerife que falou".
"Mas eu não fiz nada!", você tenta consertar as coisas. Agora, você odeia o Xerife também. Quem ele pensa que é? Você não fez nada contra ninguém! Você matou? Não! Você roubou? Claro que não! "Eu preciso de vocês! Sem a cidade, para onde eu vou?"
"Ah, Zé", o seu antigo amigo lamenta, "Agora é tarde. Agora, ninguém mais precisa de você, ninguém quer você. É melhor ir embora, procurar outra cidade. O Xerife vai meter bala em você, sabia? Ele disse para todos se afastarem da sua redoma". 
"Mas eu não fiz nada!", você repete, com ainda mais raiva.
Dona Dalva aparece com a cara fechada. Ela não gosta mais de você como antigamente. 
"Zé, vai embora. Você cresceu por fora, mas não por dentro. Ninguém gosta de tipos como você", ela diz, "Lembra da sua mãe?", Dalva pergunta, e isso parece partir seu coração, porque sua mãe já se foi e você não fez nada além de jogar toda a culpa nela, "Ela tentou consertar você, mas o que você fez? Disse que não fez nada! E o pingo, Zé? Eu lembro dele! Você começou tudo por causa ele!", a mulher parece enraivecida e puxa o marido para dentro. Ele se vai, sem aparentar arrependimento, "Era uma coisa boba, e você foi em frente. Agora, toda a culpa é sua! É melhor se retirar da cidade enquanto é tempo. Não vai querer morrer sem ninguém, né? E o pingo d'água... Ele te amava! Você não é nada mais do que um grande arrogante! Merece morrer sem ninguém, sim!", Dona Dalva se vai também. 
Você está sozinho. A cidade parece vazia, porque seu coração está vazio. Limitado. Cego. Envergonhado. 
Não há como retroceder. E o mundo todo está afastado. Você tem de ir embora, deixar para trás todo mundo que um dia lhe foi importante. Mas o pingo... Por causa dele você não tem mais ninguém. E vai morrer sem ninguém: sem amor ou compaixão. 
Tudo porque um ódio irracional tomou conta da sua vida. 

E agora, Zé?
Quem você amou?
Para quem você desejou belas palavras?
Para quem você fez o bem?
Que vida você mudou?
Que coração você tocou?
Que feito seu mudou o mundo?

Que tipo de vida lhe restou?


Love, Nina (:

25 de junho de 2013

#I Do. Or Not?

Happiness is just outside my window...

Ah, meu Deus.
Foi isso que atingiu minha mente – mais ou menos como um raio no meio de uma tempestade furiosa – no minuto em que juntei as peças do quebra-cabeça. Perdi o fôlego por um instante, apenas olhando o nada, com a minha boca aberta e meus olhos mais abertos ainda. Sentido. Ele foi encontrado depois de algum tempo.
Fazia todo o sentido do mundo.
Não era minha melhor amiga me dizendo que apreciava minha amizade. Ah, não. Era, absolutamente, minha melhor amiga gritando desesperadamente o seu amor por mim. Era minha  melhor amiga se derretendo, se debatendo, se aniquilando.
Achava que iria decepcioná-la. Quebrá-la. Feri-la.
Mas, ah, não! Absolutamente, não!
Eu acreditei.
Todo o seu amor me acertou como todos os fogos de artifícios do clipe de Firework. Havia luz. Cor. Ternura. Perfeição. Felicidade.
E, num piscar de olhos, eu também estava escondendo o que carregava – todo o sentimento que se acumulou e que foi construído por carinho e esmero. E então tudo mudou – foi aí que, de repente, ela não era apenas ela. Não a garota que tinha me dito palavras horríveis nem que tinha me colocado em situações humilhantes, um dia.
Essa garota era alguém quase desconhecida por mim. Do tipo romântica, doce e afável. O tipo de garota que aparentava ser. O tipo de garota que sempre fora e nunca tivera a oportunidade de expor.
E eu tinha ciência, agora, de tudo. Porque, agora, eu queria esse tudo. Eu ansiava por ele. Eu o tinha aceitado.
Nossas conversas eram incompletas, desnecessárias. Não havia atenção alguma de minha parte. Eu, que tanto me apego às palavras, não necessitava delas; meu foco era outro. Minha vontade era outra. Eu tinha vontade dela


Love, Nina (:

18 de junho de 2013

#Here & Now


Ela é linda.
Simplesmente não consigo desgrudar meus olhos de seu rosto sereno, tão puro e doce. É quase ridícula a maneira e a frequência com a qual penso isso. Essas palavras se espiralaram por tanto tempo em minha mente, quase como um redemoinho de poeira tóxica, que, agora, elas me escapam como o vento – atingem quem eu quero e, especialmente, me libertam.
Desligo a TV e tento não me mover mais. Quero estar tão imóvel quanto um camaleão escapando de uma águia; assim posso admirá-la por tempo indeterminado, até o momento em que sei que ela despertará assustada e esfregará os olhos lentamente para se livrar da visão turva. Não posso me conter com o que vejo: seus cabelos negros emoldurando seu rosto sem maquiagem, seus cílios tão longos, seus lábios descansando confortavelmente, seu diafragma fazendo seus ombros encolher e se expandir conforme sua respiração cadenciada. 
É sábado. Não conversamos quase nada desde a minha chegada, na noite anterior. Instalei tudo o que precisava em seu quarto como de costume, incitei conversas inócuas, brinquei com seus gatos e suportei mais uma vez assistir a My Fair Lady. Nunca serei capaz de admitir para ela pessoalmente, mas sinto ânsias só de pensar na Audrey Hepburn.
Mas nada do que eu realmente programara para ocorrer de fato ocorreu. Nenhuma das frases que me foi apagada da mente por conta da exaustão foi proferida a ela. Nem mesmo a que eu escondi por tanto tempo.
Não houve oportunidade explícita nem pretexto para que o motivo pelo qual estou passando meu fim de semana inteiro em sua casa fosse desvendado inteiramente. É claro que de uma parte ela já tem ciência – não seria a minha melhor amiga se não tivesse. Mas o essencial, o primordial, ah, isso vai assustá-la. Porque ela nem imagina o porquê sua canção especial se tornou igualmente especial para mim. E, é preciso admitir, ela não tem conhecimento de quantos filmes assisti carregando-a no pensamento, desejando que todas aquelas coisas bobas – as frases irritantemente românticas, as canções dançadas pelos protagonistas, os montes de dinheiros gastos em flores e, talvez o mais importante, as declarações de amor – pudessem fazer parte de nossa história. Todo o drama, todo o encantamento, todos os suspiros.
Sei que tudo está estranho – não, diferente. Estamos apenas rondando o terreno como cães farejadores. Quando tentamos pular o muro, alguém sempre aciona o apito e, obedientes, sentamos e esperamos. Apesar de tudo, não consigo evitar a ansiedade e a expectativa. Quero danificar todos os apitos e pular o mais alto que consigo para, enfim, ultrapassar o muro. No entanto, está claro que não ainda não tenho permissão para tal façanha – ela está de posse de todos os utensílios e me doma tão facilmente quanto uma criança assustada.
Suspiro com todos os pensamentos emaranhados formados na minha mente. Chego a cogitar permanecer por mais alguns minutos ali – o suficiente para que eu adormeça – ou acordá-la, mesmo tendo certeza de que ela me enxotaria de sua cama com o seu doce “Boa noite” e daria as costas para mim, sinalizando o fim de qualquer tentativa minha de aproximação.
Mesmo odiando a ideia de, mais uma vez, falhar com o objetivo da minha missão não encontro alternativas: livro-me da coberta e, focando meus olhos nela pela última vez na noite, deixo sua cama. Com uma espécie de frustração me embolo no colchão localizado ao lado de sua cama e tento fechar os olhos, apagar o que vi e o que senti. Sou incapaz. Estou irrequieto demais para conseguir descansar.
Não sei exatamente quantos minutos se arrastaram, mas meus olhos continuam abertos, fixos no teto. A frustração ainda não cedeu e há um adicional: sinto-me sufocar como nunca antes. Quando o rosto dela, mais uma vez, chispa pela minha memória, sua voz rouca me diz:
- Não se sinta culpado.
Mas a culpa, de imediato, se alastra pelo meu corpo mais rápido que morfina. É inevitável.


Love, Nina. 

9 de junho de 2013

#Playlist: I Miss You

Tem gente que consegue seguir em frente. Eu, por exemplo, estou do outro lado. Sou o tipo de gente que não sabe se desvincular do passado. Posso bloqueá-lo por alguns minutos/meses/anos, mas não consigo escapar dele. Por isso, depois de gastar 10 minutos tentando me recordar do nome de uma banda notei que sinto falta de algumas outras que já estavam igualmente esquecidas por mim. E mais importante que as bandas são as canções que (re)trago a vocês - se vocês tiveram, tal como eu, algum tipo de amor musical por elas. ENJOY :)













Preciso dizer que gosto de feedback? Sim, eu gosto. 

Love, Nina.

1 de junho de 2013

#You, Me and Charlie

Oi, gente! *-*

Estou devendo UM MONTE de coisas a vocês, eu sei, me desculpem. Hoje não tem resenha - apesar de eu estar devendo até minhas calças de resenhas a vocês -, mas tem You, Me and Charlie, um site que foi criado pela Dianna Agron (Glee) e que, juntamente com outros contribuintes, divulga trabalhos artísticos alheios, sem deixar de abordar assuntos fashionistas e pessoais. As postagens que eu mais gostei foram os vídeos musicais e fotos com frases inspiradoras (que deixarei para uma futura postagem, senão isso aqui vai ficar GIGANTE).

#1) Cayucas - East Coast Girl

#2) Milo Greene - Take a Step (In The Open)

#3) Run River North - Growing Up

(Na verdade, neste link dá para escutar mais duas canções que eles disponibilizaram. Decidi postar essa canção, porque foi a que mais gostei das que ouvi).

#4) Young Dreams - Fog a War


E o último não consigo postar, que beleza. Mas vou deixar o link para vocês (: 

#5) The Captain - Whippoorwill (vale muito a pena, confira).


Eu literalmente passei NOITES sem conseguir sair do site, porque é muita coisa para ver/ouvir/ler, além do fato de tudo ser muito divertido e prazeroso. Foi como entrar na toca do coelho e não conseguir mais sair, sério. Para quem também adorou o site, siga-os no Facebook, no Twitter e no Tumblr (: 

Em breve, as ditas fotos inspiradoras que mais gostei, aguardem! 

Love, Nina.