Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Be Your Own Lesson

by - julho 16, 2013

Estava escrito em letras garrafais. 
Não entendi. Parei e me dediquei a estudar meticulosamente cada letra, cada palavra, até que elas formaram o propósito da lição. 

"UNS CHEGAM, OUTROS VÃO. NOSSA VIDA É COM AQUELES QUE FICAM".

Continuei não entendendo. Olhei para todos. Ah, suas marionetes infelizes! O ar foi furado pela minha mão angustiada. 
"Mestre?", chamei alto. 
Ele era meu preferido. Eu o adorava, o idolatrava, o admirava. Ele foi um dos poucos que surtiu diferença nas minhas ideais e questionamentos. Ele foi um herói socialista disfarçado de professor que apenas não fez mais diferença no mundo porque era um em um milhão. Você diria, muito. Um é o suficiente para acabar com todos. Não é, não. Precisaríamos dele e de mais mil. E mais mil. Ele é um, único. Uma peça. Um Mestre.
Seus olhos procuraram os meus, porque nós éramos iguais. Mestre, mas aprendiz. "Sim, querida?", ele me inquiriu, com a sua expressão de um nato revolucionário. 
"Tudo não seria questão de ponto de vista, Mestre?", quis saber, ainda com a minha cabeça correndo milhas e milhas inúteis para alcançar a lógica evasiva dele. Ele não me interpelou, pois era assim que ensinava: insistia que deveríamos, acima de tudo, articular tudo para depois recebermos o novo fundamento. "É claro que, de maneira geral, isso é racional. Mas, Mestre, e as emoções? Não deveríamos, antes de agir, sentir? Isso não é ciência exata, sempre há lacunas para o livre-arbítrio. Nós podemos escolher o nosso caminho. E se o nosso caminho não for solucionado apenas com a exatidão dos conceitos? Não deve haver verdade plena em tudo que nos ronda, Mestre, não é mesmo?". 
"Querida, somos sociedade, mas antes de tudo, somos nós. De um a um compõe-se um grupo, e nem todo grupo é par. Você, presumo, é ímpar. É glorioso, no entanto desnecessário. A verdade se mascara de mentira, e, de mentira em mentira, têm-se História e Filosofia. Não se engane, quem conta a História são os vencedores. As lacunas abertas têm origem na exatidão dos conceitos, e se não houvesse exatidão, como reconheceríamos as falhas?", Mestre garantiu com convicção, com sua máxima arrogância diluída em um personagem formador de opiniões. "Não estou aqui para formar grupos pares. Não estou aqui para lapidar alguém, não. Vocês têm o único utensilio capaz de mudar suas vidas, e não sou eu. Eu sou apenas um intermediário na batalha. Todo ponto de vista tem seu rebatedor. O ponto de vista é seu", Mestre desviou seus olhos de mim para meu colega ao lado, ", mas dele também. A voz é sua, mas dele também. A determinação é sua, mas dele também. E tudo muda, constantemente. Ninguém nem nada é imutável. Os ciclos mantém tudo desordenado que, por incrível que pareça, é o que nos mantém ordenados".
"Mas se tudo muda, porque as emoções não? Por que elas são as únicas que perduram? Elas não caberiam aqui, Mestre?", insisti, incapaz de me controlar. 
"Elas sempre couberam, querida", Mestre me responde. "É delas que viemos todos. Nós sentimos para nos diferir dos outros, dos que já foram um dia".
"Nem todos ficam, Mestre. O senhor deve saber disso", estava surpresa por ser tão mais racional do que ele. Não. Não racional. Nunca fui racional. Quem me ensinara esta virtude fora ele. Eu era angustiada e passional. Minhas emoções eram o turbilhão que me moviam. Agia também, mas sentia de maneira exagerada antes de tomar alguma atitude. "Muitos se vão e, mesmo assim, permanecem conosco".
"Não permanecem. Elas podem persistir em nossa mente por um período indefinido, mas se vão junto. As memórias sempre se vão", ele respondeu. Sabia que Mestre tinha perdido a coerência. Ele estava agitado. 
Rebati incontrolável: "Não se vão. As lembranças sempre ficam. Ou o senhor já se esqueceu do rosto e da voz da sua mulher?". 
Mestre pigarreou, observando a inquietude da turma. Mestre, mais do que nunca, era meu aprendiz. 
"As lembranças não são isso", ele afirma.
"E o que são lembranças para o senhor?", meu olhar está ofendido e ofensivo. "O passado, o senhor me diz, não é uma lembrança? Nós o esquecemos, é por isso que cometemos os mesmos erros? Ou os cometemos apenas porque não aprendemos o bastante para sequer nos deixamos levar pelas memórias?". 
"Querida...", ele tentou retomar seu ponto de vista. Mas ele não o tinha mais. Não aprendera o bastante, naquele instante. Perdera-se. 
"Sinto muito, mas não será uma frase de efeito que remendará um coração quebrado", eu afirmei em minha defesa. "Corações quebrados, o que senhor pode até mesmo duvidar, são formados por lembranças. E elas nunca terminam, pelo contrário: renascem. Então, cadê seu ponto de vista, Mestre? Foi embora com suas lembranças?".
Tudo fora embora agora. Tudo fora roubado. Uma vida, uma felicidade, um futuro. E tudo por conta de um aprendiz que deveria ter aprendido mais. 

Acredito em Mestres. Eles me doutrinaram. No entanto, o que seria de mim sem minhas emoções e minhas lembranças? Eu não seria eu, eu seria eles. E nada é tão ordinário quanto ser alguém que não é para tentar ser alguém adestrado e ter na cabeça tudo o que todos têm. Ainda quero ser eu até o final. 

Encontre um caminho para você. Não siga aquele que todos já têm ciência. 
Seja de você alguém novo, alguém que vai fazer a diferença sentindo, não apenas 
jogando palavras ao vento. 

~*~

Be more than already you are, Nina.

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2 comentários

  1. Vamos lá:
    1) Que história é essa de que eu não leio os seus textos mais? É ÓBVIO QUE LEIO. Li o texto que você fez para o Cory, li sobre a peça da Maitê (e li o poema de Harry nele), e li o outro que veio depois da playlist, com a citação do melhor filme de todos os tempos.
    Então lembre-se: sou péssima em comentar (menos na FeB, na FeB eu sempre comento), mas sempre leio.

    2) Eu tenho MUITO orgulho dos seus textos tá? Que besteira é essa?

    3) Amei esse texto como um todo, e o entendi com todo o meu coração, amei o final (achei tão eu), mas a parte que mais gostei de todas, e vou levar para sempre é essa:
    ""Querida, somos sociedade, mas antes de tudo, somos nós. De um a um compõe-se um grupo, e nem todo grupo é par. Você, presumo, é ímpar. É glorioso, no entanto desnecessário. A verdade se mascara de mentira, e, de mentira em mentira, têm-se História e Filosofia. Não se engane, quem conta a História são os vencedores."

    Beijs sweetie! <3
    Carol ;)

    www.caixa-a-a.com

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  2. "Ainda quero ser eu até o final."
    Amei seu texto e, principalmente, essa frase final. Muitas pessoas deviam aprender que isso é o mais importante e não seguir os outros, devemos ser nós mesmos, ter nossa própria opinião indiferente de quem é a outra pessoa e do sentimento e admiração que nutrimos por ela.

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