Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Maitê e suas Asas

by - julho 11, 2013

Acho que nunca falei sobre teatro aqui, né? A verdade é que, por mais que eu o ame, não o frequento de acordo com a minha imensa vontade, se fui duas vezes em dois anos foi realmente muito. Mas, há um pouco mais de um mês, tive o privilégio de assistir à peça da Maitê Proença, À Beira do Abismo me Cresceram Asas. 

Por sorte, eu e minha mãe conse
guimos cadeiras extras que eram grudadas ao palco, o que se revelou ser o melhor lugar do teatro inteiro.


Parece clichê, e eu não posso evitar de ser clichê, mas as duas únicas palavras que expressariam corretamente o âmago e a totalidade da peça são: maravilhosa e incrível. A primeira parte introduz duas senhoras, Terezinha e Valdina (respectivamente, Maitê e Clarisse), que estão no asilo há muito tempo. A primeira é um pouco carrancuda e adora recordar do passado, mas, apesar de tudo, parece aceitar muito bem a sua condição e encarar seu ambiente de modo positivo; não é de ficar se lamentando. A segunda já carrega um astral diferente, adora fazer graça e é otimista perante a tudo. É saudosa quanto ao passado também, mas não é do tipo nostálgica.


As duas personagens são construídas com amarras firmes, não há uma só escapada que possibilite que os espectador não se apaixone e não acredite na verossimilhança de suas vidas que, nos tempos de "meninas", pareciam ser agitadas e que sempre levam as duas a passearem pelo passado, o que nos permite regressar com elas e soltar boas gargalhadas por conta de suas histórias e esquecimentos (afinal, uma tem 80 e a outra 86; a memória delas não está tão intacta assim). 


Eu entrei no enredo de tal forma que mal pareceu que o tempo correu. Quando os papeizinhos laminados já estamos sendo lançados para todos os lados, ao final, deu um aperto no coração, inclusive por conta do encerramento da interação das duas. As cenas são relatadas com um quê de delicadeza que apenas senhoras com idades avançadas conseguem. Você realmente acredita que ali na frente há duas velhinhas quase que esquecidas por seus familiares naquele lugar que, aos olhos de muitos, é um ambiente triste, porém, de acordo com suas histórias, dá para perceber que não existe outro local no mundo que elas poderiam ser mais felizes. 


Após a peça ter terminado, houve um espaço para autógrafos, pois o livro É Duro Ser Cabra na Etiópia estava sendo vendido na entrada. E eu consegui o autógrafo e fotos com as duas atrizes. Foi inusitado ficar frente a frente com ambas, sem perder aquele toque de estranheza. A Maitê não é de falar muito nem de ficar dispersiva, é bem mais centrada, porém não deixa de ser muito simpática e acolhedora. A Clarisse, no entanto, é mais expansiva e receptiva e parece ter uma desenvoltura muito mais "natural". 

Ô, GLÓRIA! 

Infelizmente, não fui eu quem tirou essa foto, rs. Minha mãe até tentou, mas ela não sabia 
que estava gravando, daí filmou a mesa, o chão, o livro, o dedo... Tudo, menos eu e a Maitê,
HAHA. A minha foto com a Clarisse ainda está no celular dela (da minha mãe) e, por isso, 
não pude postá-la aqui.


Sobre É Duro Ser Cabra na Etiópia:
"Por que não elaborar um livro com material desconhecido? Inventar algo a partir do que não domino ou determino, e lidar com aquilo à medida que fosse se apresentando? Criei um site para receber textos de autores anônimos Haveria duas limitações: deveriam ter até 1.500 caracteres, podendo menos, mas nunca uma palavra a mais. Ou melhor, eu deveria achar graça; era duro ser escritor naquele site". - Maitê Proença,  retirado da contra-capa.

Portanto, o livro é composto por centenas de textos dos mais variados tipos: conversas online, poemas, narrações, em forma de teatro... sem contar que é ilustrado com imagens bastante diferentes. É de fazer rir, o conteúdo, exatamente como a proposta da autora

Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de lê-lo inteiramente, mas marquei um dos poemas que me fez rir mais do que os outros até agora, especialmente por conta do assunto:

"Coisas de cinema e literatura - E. Donah

Coisa número 1:
Desde pequenino Harry ouvia dizer
que no fim do arco-íris havia um pote
de euros (ou de dólares, tanto faz).

Quando cresceu um pouco foi até

lá. Mas não encontrou nenhum pote;
encontrou Potter.

Na verdade, Harry e Potter
encontraram, um no no outro, suas 
caras-metades. E se juntaram.

Não podiam ter filhos, claro. Então
tiveram muitos livros e filmes.
Encheram muitos potes de ouro.

E nosso saco também."
Capítulo Erros e Psiquê, página 228.

Quem adora teatro para se distrair dando boas gargalhadas e sair de lá levando um pouquinho de ensinamento e de saudade garanto que essa peça vai emocionar e encantar a todos! :)

Love, Nina :)

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3 comentários

  1. AMOOOOOO TEATRO, também não frequento tanto quanto gostaria, e é verdade, peças de teatro o melhor lugar é na frente, você vê melhor a expressão dos atores além de ouvir a voz deles em alto e bom tom :)

    bjus ;*

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  2. Oiii Nina! (:
    Estou de volta! KK
    Ahh,e eu fiquei muito curiosa para ver essa peça, eu adoro essas histórias que mechem com as memórias e lembranças das pessoas <3
    E o trabalho das atrizes parece muito bom :)
    Beijoocas :*

    http://meuuniversox.blogspot.com

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  3. Sempre quis ir ao teatro para ver peça adulta, sabe? As vezes que fui era mais nova para ver peças infantis e agora mais velha para levar o filho.
    Me interessei pelo livro, na verdade... estou em um momento onde a literatura brasileira está me chamando muito a atenção xD

    www.acidsugar.com

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