Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#She Is Love

by - agosto 16, 2013


Carta Número 11.

Não vou fingir que sei lidar ou entender a mente feminina, muito menos a sua – seria como tentar destilar as sinapses de Einstein que, ao invés de números e muita filosofia, abriga títulos de livros esquecidos, uma lista interminável de canções e citações que nunca, jamais, pessoas comuns utilizam em seus cotidianos.

É muita coisa estranha e incompreensível junta. Por isso, de algum modo, isso faz de você muito mais do que todos podem ver. Você provoca surpresa e júbilo; raiva e inveja; inspiração e admiração. Você é tudo o que muitos tentam e não conseguem ser – e nunca serão; quem poderia reproduzir com exatidão o discurso de O Ditador, ou as falas mais belas de Amélie Poulain? Quem poderia distribuir tanta simpatia, mas tanta seriedade, ao mesmo tempo? Você é firme, autodidata, orgulhosa, insuportável, perseverante. Eles dizem isso constantemente. Eu apenas detecto toda a doçura diluída nos seus olhos profundos – esses mesmos olhos que, acima de tudo, me assustam até hoje –, toda a sua hiperatividade mascarada de alegria e de diálogos infindáveis (e que nunca permanecem no mesmo assunto), todo o seu altruísmo disfarçado de sorrisos distribuídos aos mais carentes e toda a sua inteligência acima da média que não deixa, de jeito algum, explícita a sua irritação defronte todos os erros cometidos pelos outros – não tem nada de errado em querer ser mais do que poderia se contentar.

Gosto quando o seu joelho toca o meu, ou quando nossas mãos se entrelaçam, ou quando suas pernas estão sobre as minhas enquanto você tenta incutir alguma aprendizagem mirabolante no meu cérebro pequeno (que, você diz, é muito proporcional para alguém do meu tamanho; apenas enfrento empecilhos de cognição, assim como todos). Admiro a sua capacidade de repetir, dos mais diferentes métodos, a mesma explicação para que, no fim, você possa sorrir e dizer "Agora, vamos para o próximo". Com você há sempre mais – mais um questionamento, mais um exercício, mais uma reflexão, mais uma canção, mais um minutinho. Não me canso do seu incansável. Gosto de fazê-la rir, não por saber que me acha engraçado, mas porque existe algo no timbre da sua risada que te deixa irresistível. E não dá para acreditar; todas as nossas canções, você já cantou e imortalizou. Você é melodia.

Gosto das nossas brigas (daquelas que você desaparece pelo restante da noite, mas que está em meus braços de novo na manhã seguinte), do jeito disparado que fala enquanto está nervosa demais, da rapidez descomunal que consegue dar um nó perfeito na minha gravata preferida sem nunca deixar escapar minhas poucas palavras baixas na sua orelha, do modo como mais ninguém é capaz de entender por que estamos juntos, de rir contigo sobre algo que apenas nós conhecemos, de gastar nossas noites dividindo cachorros-quentes enquanto revemos parte do trabalho do Woody Allen (e você nunca perde a oportunidade de elucidar com brilhantismo todas as minhas dúvidas crassas), do modo como as suas saias são curtas o suficiente para chamar a atenção dos outros garotos (mas, apesar de tudo, você sempre termina na minha cama no final da noite), de não conhecer seus novos amigos e ouvir dizê-la que "nunca presta muita atenção no que eles dizem, porque nenhum deles sou eu", do seu interesse exacerbado por tramas policiais e românticas.

Você homenageia pessoas mortas, mas tem medo das vivas; dá valor às palavras bem mais do que beijos; prefere gatos a cachorros, mas tem adoração pelos meus cães; tudo tem de fazer referência aos seus livros e personagens literários preferidos; coleciona documentários entediantes e filmes estrangeiros, porque "não vai se sucumbir à mídia hollywoodiana"; aborda temas polêmicos e incomuns, pois tem fascínio pelo "pensamento do contrário"; não mata galinhas em videogames e nomeia o gambá como nosso mascote; se tem uma opção a utiliza com sabedoria, sempre em prol dos fracos e oprimidos; gosta de palavras como "outcast" e "overdog", porque elas a definem; não quer presentes, quer cartas; aprecia a simplicidade e nunca vai se dar bem com as novas tecnologias; sabe o valor sentimental das coisas; despreza a Madonna, mas poderia passar suas noites escutando indie-rock; sempre tem a palavra final; acha que nasceu na época errada e precisa, urgentemente, de uma máquina do tempo.

Tenho que aceitar o fato de que você vai conquistar tudo o que deseja. Você sempre consegue usar o seu dom da retórica para persuadir e/ou convencer todos de suas opiniões. Dizem que você é convencida demais, tem nariz empinado e poderia parar de levantar a mão sempre que há debates nas aulas acerca dos textos dados. Gosto de rir de toda essa gente, porque você não é convencida: apenas tem certeza das suas convicções com muito mais atitude que a maioria; não tem nariz empinado: nunca olha as pessoas de cima abaixo - você e todos os outros estão no mesmo pedestal; e como você poderia parar de levantar a mão, se sempre sabe todas as respostas que nunca ninguém nem imagina? Por favor, continue a irritar a todos. É a nossa diversão pessoal.

Você é uma solução, não um meio - você lembra disso? Suas respostas sempre me fazem parar de me sentir sem utilidade. Meu cérebro nunca funciona com a rapidez e com a frequência que o seu. Você é mais. Você é demais. Você é minha. Por que deveríamos prestar explicações? Nenhuma informação será suficiente e sempre haverá outra brecha para a dúvida.

"Ela é errada para você".
"O que você vê nela?"
"Como você a suporta?"

Amigos, deixem disso. Ela é minha, penso. Você é minha. Você é amor. Não quero provar nada a ninguém - e por que deveria? Não dizem que não existe razão nem explicação para o amor? Pois então, que lancem mão disso! Você é assustadora, mas minha. Incoerente, mas minha. Renegada, mas minha. Difamada, mas minha. Surtada, mas minha. Colorida, mas minha. Cercada de amigos, mas minha. Mergulhada em mundos paralelos, mas minha. Opinativa, mas minha. Insatisfeita, mas minha. Sempre minha. Você sempre volta para mim, independentemente de quantas caminhadas sozinhas faça. É capaz de ser autônoma, mas não gosta de se ver longe de mim. Diz gostar das nossas diferenças, das nossas discussões que sempre terminam em risadas, das nossas horinhas de descuido, dos nossos silêncios, das nossas estrelas no teto, dos nossos pés frios juntos, das nossas tentativas de inovar tudo, das nossas aventuras despropositadas, das canções da nossa vida, dos nossos pais num almoço de domingo, das festas na piscina que resultam em filmes toscos de fraternidade.

Se eu pudesse te roubava para mim. 

~*~
Muitas cartas de amor pra vocês, Nina.

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