Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Dissidência por um nadinha de Bibi

by - dezembro 06, 2013

Não lembro quanto anos eu tinha, acho que cinco, ou seis. Era Natal. Estávamos tão felizes em meio àquele mundo tão brilhante e tão amoroso. Então Bibi derrubou tudo das minhas mãos. "Você não pode, esse é meu!". Acho que eu era muito mais ingênua que minha irmã mais velha, porque, ainda criança, acreditava no Natal, nas pessoas e nos gestos. "Mas eu quero um também!", eu fiquei choramingando. Minha mãe, sempre muito impaciente, não demorou a notar a confusão dentro da loja. Com olhar de repreensão, ela tirou as bonecas idênticas das nossas mãos. "Se vão brigar, nada feito", ela disse.

Mas era uma boneca tão bonita, eu a queria também, e não porque Bibi a queria. Era tão mais pessoal que isso. Como poderia dizer que aquela boneca era eu, que fazia parte de mim? "Bibi, pare de ser chata", minha mãe disse. Minha irmã começou a chorar, mesmo com sete anos. Saímos da loja e nunca mais se falou nisso. Ganhamos uma bicicleta cada uma. Mas eu ainda queria aquela boneca. 

Quando crescemos, eu quis ter um pouquinho de Bibi em mim. Era um nadinha de Bibi, o suficiente para irritá-la. 

"Maria Júlia, você poderia ter avisado que pegou minha blusa". Eu não sabia que ela a usaria também, como saber? "Sai pra lá, reclamona. É só uma blusa", eu disse. Bibi não aceitou. "Quer parar de tentar ser como eu? Você é tão mimada, sabia? Eu faço muito mais coisas que você, não sou reclamona!", Bibi logo exclamou, brava. "Eu não gosto das coisas que faz, tô nem aí pra isso", respondi. "Pare que querer tudo que eu tenho! Não quero ser você!", Bibi gritou. 

Oh, como Bibi não me conhecia! 

"Como se eu quisesse ser muito Bibiana! Você se ocupa o tempo todo, e eu sei que usa isso como desculpa. Não quero ser você, obrigada. Porque se eu não tenho tempo, tô nem aí. Tô feliz, você não. Olha só você agora, toda irritada por causa de uma coisa besta", assinalei. 

"Coisa besta, Maria Júlia? Você quer tudo o que eu quero desde sempre! Você é uma ladra de Bibiana!".

Eu, uma ladra de Bibiana? 

"O que você quer? Que o mundo seja perfeito? Então tente ser perfeita também! Quero ver, você não vai aguentar. Você fica fingindo que é perfeitinha por fora, mas é toda embaralhada por dentro. Fica fingindo que as suas ações não dizem nada sobre você".

"Eu quero ter a minha autenticidade, entendeu? Com você sendo Bibi demais, fico Bibi de menos".

"E daí que eu admiro você, Bibiana? Você já deveria ter se acostumada, entendeu? Eu sempre fui 'a irmãzinha da Bibi do 4º quarto ano', você nunca foi 'a irmã mais velha daquela garota que ninguém sabe o nome daquela série que eu não lembro agora'. Vê a diferença? Você é tudo o que tenho, você é meu mundo fora de mim!", repliquei. "Você é o mundo que eu amo".

"Tá, bom. Mas você vai parar de pegar as minhas coisas sem me avisar?".

Eu sorri. Não respondi nada, porque ela sabia não havia jeito. Eu sempre seria a garota cujo nome ninguém liga e não lembra. E sabe? Sou feliz sendo essa garota, mas com um pouco de Bibi. 


Um pouquinho de Bibi pra todas, Nina. 

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1 comentários

  1. Voce escreve tão bem sabia Nina?
    Adorei essa continho, mesmo. É muito real, triste e ao mesmo tempo fofo!
    Gostei de verdade!

    Beijos,
    www.miragemreal.com

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