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#Resenha em dobro.

by - dezembro 02, 2013

Já estava devendo a resenha de Todos Nós Adorávamos Caubóis há alguns dias e como terminei Pantera no Porão, também, decidi postá-las de uma vez, assim me livro um pouco dessa obrigação. É incrível o quanto eu sempre deixo as resenhas pra depois e depois... até que elas somem da minha vontade. Mas vamos lá, enquanto eu estou empolgada!

Título: Todos Nós Adorávamos Caubóis
Autora: Carol Bensimon
Ano: 2013
Editora: Cia das Letras
Gênero: Ficção brasileira

Primeira coisa: esse livro é um dos poucos que você vai encontrar na vida que vai te dar a sensação de que, apesar de tudo, não vai conseguir se livrar dele tão fácil. Não sou de me apaixonar por escritores brasileiros, mas Carol me cativou muito, não somente porque a trama inteira se passa aqui no Rio Grande do Sul, estado que aprendi a amar, mas também porque há nuances em tudo que está por trás das personagens. 

Cora, uma garota que está estudando Moda na França volta para o Brasil, por conta do nascimento do irmãozinho por parte de pai com uma moça que é muito mais jovem que ele, mas Cora deixa todo mundo na mão e vai em busca de um sonho do passado; juntamente com sua antiga amiga Júlia, com quem tem questões pendentes, ela corta o interior do Sul em uma road trip recheada de pequeninas coisas que permanecem a cada cidade deixada. 

Cora recorda-se de episódios do passado, tais quais como conheceu Júlia, como a amizade delas evoluiu até não conseguirem mais retornar à estaca zero, e como essa mesma amizade teve de ser deixada para trás. Essa intercalação de memórias vividas dão a sensação da própria viagem que está sendo seguida. As idas e vindas, o vento na cara, os pequenos aposentos, as noites de insônia, as dissidências que quase nunca são mencionadas. É tudo muito encantador: a escrita - apesar de alguns diálogos emendados terem me confundido um pouco -, a descrição das paisagens - que foi o que mais me chamou atenção ao longo da narrativa -, a exposição do temperamento de ambas as personagens e a delicadeza com a qual a escritora conseguiu transformar a relação das duas em algo que, essencialmente, não passa de amizade. Apesar de tudo, veja bem, esse livro não peca em excessos eróticos ou algo assim. É tudo tão simples, tão harmônico que, em um dia, o livro terminou nas minhas mãos. A leitura não mingua, você nunca consegue se cansar e sempre anseia pela próxima parada, pela próxima cidade. 

Durante todas as páginas fiquei muito curiosa para descobrir o porquê do título, que somente é explicado no final (mas nada de pular já pro final, viu? Leia o livro inteiro, que é mais gostoso!). E o que dizer da capa? Tão simples, tão auto-explicativa! Adoro as capas regadas à muita simplicidade da Cia das Letras! 

E, de forma geral, não sei se prefiro Cora ou Júlia. Quer dizer, Cora tem aquele temperamento meio controverso por vezes e é tão intensa que acho que deixa a Júlia meio sem saber o que fazer/dizer, enquanto a Júlia é toda mais aceitada, com aquele ar de menina do interior, que está acostumada com as coisas mais simples. Acho que, psicologicamente, há muito de Júlia em mim. Mas não sei escolher quem me cativou mais, pois toda a atitude de Cora é muito interessante também. 

~*~

Título: Panter bamartef
Autor: Amós Oz
Ano: 1995
Editora: Cia das Letras
Gênero: Romance israelense

Com certeza, já sou fã desse cara. Estou me apaixonando por tudo aquilo que achei que nunca me interessava. Quem diria que eu leria um romance israelense? Pois eles estão favoritados na minha lista, a partir de agora. 

Pantera no Porão, nome de um fictício filme popular hollywoodiano, narra a trajetória de Prófi à vida adulta. Durante o verão, ainda com 12 anos, Prófi tem sua vida mudada diante da palavra "traição". Ele vive em meio aos livros do pai, que é um estudioso, e sabe a origem e o significado de muitas palavras, aliás, ele ama as palavras. Esse é um ponto muito importante e que me levou a me ver em Prófi. 
"Eu tinha esse apelido de Prófi desde quando era bem pequeno. É diminutivo de professor, e me chamavam assim por conta da minha obsessão pelas palavras. (Continuo amando as palavras: gosto de colecionar palavras, organizar, embaralhar, inverter, combinar palavras)." - p. 7.

"E por falar nisso, já que todos te chamam de Prófi, que vem de professor, quem sabe você não começa a ser um professor, em vez de ser um general-espião? Metade das pessoas no mundo são generais. Mas você não. Você é o garoto das palavras." - p. 128.
Prófi fundou junto com dois amigos uma Resistência clandestina chamada LOM (Liberdade ou Morte). Em tempos de instabilidade política, Jerusalém está ocupada por britânicos, um ano antes da criação do Estado de Israel e a LOM trabalha para que os ingleses sejam expulsos; o pai de Prófi escreve cartazes e os cola pela redondeza com palavras de ameaça, enquanto Prófi, depois de um encontro com um sargento inglês - que tem seu coração depositado nas terras de Jerusalém -, começa a ensinar o hebraico a este, enquanto toma lições da língua inglesa. Prófi, a olhos duvidosos, poderia estar confraternizando com o inimigo, mas está, na verdade, espionando. É seu dever, por ter fundado a LOM, por assim dizer. E entre lições de hebraico e inglês britânico, Prófi é chamado de traidor. Seus amigos dizem que não havia nada de espião nele, enquanto se encontrava com o sargente britânico no Orient Palace (uma espécie de bar). O menino confessa tudo o que eles querem e é liberto, ainda que um de seus companheiros deseje seu fim por tamanha traição. 

Tragado pelo redemoinho de palavras, o jovem descobre muito além do significado de traidor: a sedução é uma arma poderosa em tempos de guerra, e a tentação é algo que o tem acompanhado diariamente, desde que se apaixonou pela irmã mais velha de um de seus amigos. Entre o despertar sexual e de toda a artimanha planejada para que os britânicos parem de patrulhar Jerusalém como se fosse seus donos, a narrativa se confunde entre autobiografia e romance de formação. 
"A mente não consegue compreender. O coração não consegue acreditar. E o mundo inteiro de calou". - p. 23.
Pontos que me chamaram a atenção foram o modo como o pai do garoto o tratava, sempre sem muito amor, e como também tratava a esposa - afinal, era machismo, ou puro falta de interesse? Ainda não sei. Apesar da família nutrir boa relação e ter noites agradáveis jogando banco imobiliário e manuseando as coleções de selos, há certo vácuo - mas que é preenchido bem no final, numa cena realmente encantadora, logo depois do Estado Judeu ser fundado. 

Dono de uma escrita realmente capaz de prender o leitor do começo ao fim sem muito esforço e sempre com muita curiosidade, Amós mostra neste livro por que é considerado o mais importante escritor israelense da atualidade.  
"Ei-los aqui de novo, os sedentos, os ressequidos, os leopardos cuja sede nada no mundo pode saciar. Jamais. Eles perseguem e são perseguidos. Cegos. Cavam um poço, e nele acabam caindo". - p. 85. 
Love for books always, Nina.  

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4 comentários

  1. Dona Nina, como você some, volta e não me avisa????
    Poxa, sinto falta do seu blog! Quando entrei no seu e não vi mais nada, fique chocada!! Não faça mais isso! rss
    Adoooooorei suas resenhas, você é REALMENTE boa nisso! Me deixou completamente curiosa sobre os dois livros e já anotei para não esquecer seus nomes! O segundo só por ser um romance israelense já me chamou a atenção, adoro romances diferentes (por isso meu livro preferido é o caçador de pipas) e o primeiro o nome é muito diferente e agora quero saber também o motivo dele! rs

    Beijos querida,
    www.miragemreal.com

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  2. Agora quero muuuuuito ler o primeiro ><
    http://taiiscristiina.blogspot.com.br/

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  3. você é ótima nas resenhas, as duas ficaram maravilhosas!! mas como já tinha comentado, quero muito ler "todos nós adorávamos caubóis"!! ♥
    champagne supernovasorteio 1 ano de blog!fan page

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  4. Olá, Nina!
    Nossa! Eu comecei lendo sua indicação de autor, depois, portanto, fui procurar sua resenha sobre o livro "Todos nós adorávamos caubóis"... Tinha ouvido sobre esse livro, mas ainda não tinha tido vontade de ler, agora quero muito! E quão querida foi minha surpresa de ainda encontrar um "bônus", um livro diferente.

    Além disso, também achei legal o seu modo de "pesquisar" em livrarias, acho que irei adotá-lo. As coisas que eu mais levo em consideração quando vou escolher blogs para acompanhar é o modo de falar da dona, de escrever, e novidades: livros que eu não conhecia, autores que eu não conhecia.
    Parabéns!

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