Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Esse amor é nosso

by - janeiro 13, 2014

Você não me comprava anéis, nem colares caros, mas mesmo assim eu gostava das coisas que recebia. Geralmente eram flores com uns cartõezinhos bonitinhos. De vez em quando você até arriscava a escrever alguma coisa, lembra? Não me dava as estrelas, mas eu meio que me sentia no céu – o que era completamente clichê.

Nosso relacionamento era incrível, eu não tinha muito de que reclamar. Eu tinha aprendido a esperar bem mais de mim mesma do que você. Por isso, de vez em quando eu me pegava cantando para você, qualquer canção, apenas para vê-lo sorrir. Era uma coisa que apenas me fazia adorar ainda mais estar contigo; já você, gostava de retribuir, de dizer o quanto eu sempre era perfeita cantando, ou o quanto a minha cara de travesseiro estava bonita logo pela manhã. Eu sabia que existia certa hipérbole, mas como não ser seduzida por suas palavras? Você sempre conseguia me ganhar com muito pouco: com seu sorriso característico, com um bombom fora de hora, com um dueto improvisado.

Eu tinha aprendido a parar de gostar de ficar sozinha, gostava mais da sua companhia. Das suas mãos nas minhas, dos seus beijos, por vezes, imprevisíveis. Não havia muito espaço entre nós – não éramos do tipo de esconder a felicidade, nem de evitar um sorriso público. Estávamos aprendendo juntos a não nos importar com o que diziam, a nos importar mais conosco, a cuidar mais um do outro – mesmo que aquilo parecesse ridículo.

Eu era meio ignorante com relação ao amor, achava que meu coração era seu, para sempre. Acreditava que nosso destino era esse: eu e você, sem mais ninguém por perto. Por vezes, achava que deveria lhe confessar todos os sonhos malucos que já planejara para nós: eu, você, uma casa do campo. Ou então, eu, você e nossos animais velhos e ranzinzas. E, talvez ainda, dois ou três filhos. Não me importava se era muito, ou pouco: era o que minha mente me fazia querer. Eu meio que necessitava desse futuro. Queria que ele estivesse o mais próximo de nós do que realmente estava. Tínhamos 15 anos – e nada era para sempre. Mas quem sabia? O futuro era naquele dia. Se era ridículo?  

Achava que o ridículo mesmo era fingir que não estava feliz. 


Amour pra vocês, Nina. 

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3 comentários

  1. Textos cada vez mais perfeitos Nininha. Muito lindo e como sempre com aquele ar melancólico que quase todos os seus textos têm.

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  2. Lindos sonhos e planos repletos de amor.

    www.iasmincruz.com

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  3. "Achava que o ridículo mesmo era fingir que não estava feliz."

    Adorei o texto!!

    http://sonharnostemposdoagora.blogspot.com.br/

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