Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Porque até as estrelas queimam

by - janeiro 29, 2014

Você sorriu para mim pela primeira vez na semana. Estava cansada, eu bem sabia. 
Tinha conhecimento de todas as suas dores, mas não sabia por que meramente te olhava, ao invés de te abraçar e prometer o impossível. Era difícil para mim te ver nessa situação. Nossos fins de semana foram substituídos por estudos, por noites com insônia, por um pouco de rancor, também. 

Você guardava tudo para si, trancafiava seus lamentos e orações num bauzinho no fundo da sua alma, num lugar que eu não era capaz de alcançar, por mais que me esticasse e me esforçasse. 
Você se fechou, foi para além das montanhas, para além do que eu te conhecia. 
Minha cama estava fria e vazia; olhava para ela como quem olha alguém que já conheceu um dia: essa cama, sem você, é uma estranha para mim. Preferia quando nossas noites eram preenchidas por pratos de macarrão, daqueles instantâneo mesmo, e pelos seus filmes preferidos se misturando às suas risadas. 



O que sobrou agora são olhos fundos, visivelmente exauridos e imploradores por um pouquinho de alívio e de ajuda. Entretanto, você não vinha até mim; os cantos se tornaram meus ombros, a nossa música preferida foi esquecida e, agora, você parece soterrada de estresse, de um tipo de sofrimento que não tenho condição de levar adiante. Queria ser aquele que vai limpar as suas lágrimas antes de adormecer, mas você me repele. Vem me repelindo constantemente. 

Quando me aproximei de você e perguntei-lhe sobre você, sobre a sua noite, sobre seus estudos, sobre o que estava perdendo contigo longe de mim, você balançou a cabeça. Isso me destrói por dentro, como ácido corroendo ferrugem. 
– Seja forte por nós dois, por favor  você me disse, contendo as lágrimas. 
Você parece uma fugitiva agora, mas ao mesmo tempo alguém completamente em cárcere. Você não consegue se livrar disso, está aprisionada. 

– Estou contigo. Deixe-me entrar mais uma vez  encostei sua têmpora no meu peito, enquanto minhas mãos delineavam suas costas. Estava com saudade desse contato, de você permitir que ajamos como antes, como duas almas em um só corpo. 
– Você não pode me ajudar, acho que estou condenada  você respondeu, respirando contra mim. 


– Preciso tentar. Não porque você é incondicionalmente minha, mas porque sei que precisa de mim. Eu quero cuidar de você, eu preciso cuidar de você. Deixe-me fazer isso, certo?  eu disse. Eu a apertei em meus braços, e você suspirou, expressando um pouco de que não me deixava ver.

– Obrigada por isso, por me conhecer tão bem  você ergueu o olhar e me encarou, e depois pressionou os lábios nos meus. Você estava sendo sincera, esplendorosamente sincera. Finalmente tinha abaixado a guarda. 
– Senti a sua falta  você disse, e quando isso foi devidamente processado pelo meu cérebro, não me contive e sorri, um pouco mais aliviado. 

Exatamente como o seu sorriso para mim, o meu era o primeiro da semana também. 
Obrigado por me libertar. 

Love, Nina. 

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1 comentários

  1. Ownn Nina, que saudade de vir aqui!
    Li uns três contos logo de uma vez (não posso ler mais por pura falta de tempo, preciso voltar a estudar!!! rs)
    Esse é de partir o coração por tamanha sensibilidade, alegria e tristeza juntas.
    Lindo demais, parabéns!

    Beijos,
    www.miragemreal.com

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