26 de janeiro de 2014

#Resenha: Blue Jasmine

Depois de um período longo sem assistir a filmes do Woody Allen, trago a vocês seu novo trabalho, sobre o qual ouvi falar muito bem e que foi matéria até mesmo de um boletim de rádio meu, numa das cadeiras de Jornalismo (já que eu quase nunca sei sair da cartola Cultura). 

Lançamento: 2013
Duração: 1h38
Gênero: comédia dramática
Nacionalidade: Estados Unidos

Jasmine, após uma se ver sem dinheiro, acha que a única quem pode lhe ajudar é sua irmã adotiva, Ginger. Para tanta, Jasmine se muda para Los Angeles para viver com a irmã num apartamento minúsculo. Claro que ela detesta, já que estava acostumada a ter uma vida cheia de espaço, cheia de jóias e de glamour. A personagem tem que aprender a lidar com o namorado de Ginger, Chill, que aparece quase o tempo todo bêbado, apesar de, muito visivelmente, gostar da namorada e dos filhos dela. Jasmine é vê defeito em Chill em quase tudo que ele faz, especialmente porque a irmã, diz ela, poderia arrumar um cara melhor. Ginger é muito diferente de Jasmine; ao contrário da irmã, que sempre fora a preferida da família, Ginger vive na simplicidade e, devo dizer, na breguice. Ela é aquela típica mulher que se contenta com pouco, porque sabe que não poderia subir na vida de maneira melhor. 


Jasmine, então, é obrigada a arranjar um emprego para sustentar um curso de informática, pois ela acha que assim pode conseguir um diploma de decoradora pela internet. Ela, por indicação de um amigo de Chill, começa a trabalhar como recepcionista de um consultório dentário. Ela é desorganizada e logo o emprego começa a afetá-la psicologicamente. É obrigada a tomar medicamentos para abrandar os sintomas que lhe abatem quando começa a ter uma crise nervosa. 

Ao longo da narrativa, há flashbacks que nos mostram o passado luxuoso de Jasmine: casada com um homem muito rico, que se esquiva do governo para não ter de pagar impostos e que a trai constantemente, dividia a fortuna entre casas em várias localidades e viagens ao exterior e que "olha para o outro lado", para fingir que não sabia dos golpes do marido. De começo, foi fácil perder-se nos flashbacks; mas quando a trama fez mais sentido, não houve muitos problemas para distinguir o passado do presente. 


Após ser assediada pelo chefe na clínica, Jasmine abandona o emprego e - como golpe do destino -, após ir a uma festa, conhece um homem que parece se encaixar exatamente no tipo de homem que a personagem precisa: ela mente sobre seu marido (agora já falecido), seu filho e sua formação, dizendo que já é decoradora de interiores; isso faz com que seu pretendente se interesse nela, pois necessita que alguém decore sua nova casa. Eles se envolvem romanticamente (embora não fique muito claro se Jasmine está realmente apaixonada por ele) e parece que a vida da moça está, aos poucos, se restabelecendo. Após tantos traumas e dramas, por alguns minutos fiquei feliz por ela, finalmente, conquistar um pouco de tranquilidade. Entretanto, quando parece que tudo vai se ajeitar, Jasmine sofre outro baque, que a descontrola mais uma vez.



Esse filme é caracterizado mais pelo drama, pelos ataques de fúria ou de ansiedade do que pela genuína comédia. A comédia fica por conta de algumas respostas amargas de Jasmine, ou de algo sem noção que Ginger é capaz de dizer. Mas sem deixar de ser um filme promissor, com uma trama muito bem amarrada e com personagens muito bem construídos, Blue Jasmine é de tom até mesmo um pouco morno. Há a característica de Woody, obviamente, de trazer elementos incomuns para as narrativas, tais como o "fundo do poço" para Jasmine e a "felicidade" para Ginger. Acostumados com aqueles filmes felizes, nos quais os personagens sofrem, mas alcançam uma vida digna, aqui não há isso. Se a vida de Jasmine já estava ruim no começo, ao final está ainda pior. A melancolia é um dos elementos que mais adoro em seus filmes, muito bem retratado nas crises da personagem. A trama simples e até mesmo corriqueira, com um tema até mesmo cotidiano, é de fácil assimilação - porém, é um pouco difícil se identificar com Jasmine. Ginger, apesar de um pouco louca, é muito mais vivaz e muito mais digna de nosso afeto. Jasmine, ao contrário do que acontece com a maioria dos personagens miseráveis pelos quais compadecemos, é tão baixa que, ao final, é comum pensar que ela mereceu seu desfecho. 

Não deixem de conferir! :)


Love, Nina. 

Um comentário:

  1. Tô ansiosa para assistir ao filme.
    Os filmes do Woody sempre têm algo de verdadeiro, de perturbador, né?

    Beijos!!
    http://patriciapinheirotextos.blogspot.com.br/

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