29 de março de 2014

#Isabel

É claro que não era a primeira vez.
Mas tampouco se repetira tantas outras vezes. Coisas assim, oh Deus, não eram fatos isolados, também. 
Eles já tinham se encontrado em outras ocasiões; no casamento da prima dela, quem estava lá? Justamente ele, em sorrisos, felicitações e terno caro. Não poderia se esquecer daquela ida à Canela, também. Estavam no mesmo chalé, ele com a nova namorada; ela com a mãe recém-chegada do litoral. E, por Deus, também não era hora de colocar de lado aquele email lhe convidando para rever a turma do colegial. Ela tinha comparecido, ele não. Ela, entretanto, não teve coragem de lhe questionar sobre sua ausência. De certo, rever caras babacas do ensino médio era tão medíocre quanto não ter companhia para o teatro.

Essas lembranças foram apagadas de imediato quando o viu acenar com aquele sorriso de sempre  por que sorrisos como aquele nunca se modificam?, ela se perguntava  do outro lado do restaurante. 
Tinha sido uma péssima ideia. 
Sua irmã lhe convencera a usar um vestido rodado ridículo e sapatilhas como nos velhos tempos. Seu reflexo, enquanto se vigiava no espelho da entrada, expunha o seu horror. Estava prestes a dar meia volta, quando ele se levantou e a cumprimentou. Dois beijinhos, um em cada face. Ela não sabia se aquilo era mania de carioca, ou somente uma mania idiota nacional. Sentia seu rosto pegar fogo. 
Tinha sido tão imatura ao aceitar aquilo, não tinha? Apenas esperava que fosse madura o bastante para sair dali intacta e inabalada. 

Por Deus, não tinha tanto tempo assim para desperdiçar e tinha certeza de que lhe sobrara um resquício de dignidade; estava convencida daquilo. 
– Fiquei me perguntando se teria desaparecido – ele comentou, brincando com um sorriso mínimo nos lábios.
– Estou aqui, não estou? Vamos acabar logo com isso. 
Isabel, você quer calar a boca enquanto é tempo? Maldita Isabel, não fale coisas das quais pode vir a se arrepender! 

– Poderia ter declinado o convite, talvez eu nem fosse me importar – Lucas lhe disse.
Se ela poderia? Não. Ela queria te ver, entendeu? Não pense que não. Ela sente sua falta, verdade seja dita. 

– Pois que não se importasse! 
– Você continua exatam...
– Estou prestes a reconsiderar tudo isso, e se você concluir essa frase, pode apostar que saio daqui para nunca mais revê-lo!
Lucas soltou um chiado parecido com um riso sufocado. 
– Senti falta do seu mal-humor – ele sorriu – Ainda gosta de beringela?
Isabel bufou do outro lado da mesa e estreitou os olhos. 
– Eu odeio beringela! 

Lucas riu baixo. 

– Opa, ex-namorada errada!
Isabel juntou os lábios, amaldiçoando-se. Com certeza já estava se arrependendo mais cedo do que imaginava. Quem tinha mandado responder aquele email com "Adoraria", ao invés de "Vá para o inferno!"? Não podia reclamar agora. Azar o seu, Isabel. Aceite a derrota e as consequências, querida!
– Certo. Quer saber? Peça o que quiser, pois estou de saída – Isabel juntou todas as suas forças e sua bolsa e fez menção de se levantar bem no momento em que Lucas pousou uma das mãos sobre uma das dela. 
Assim, muito rápido. Ele estava sendo gentil?! Aquilo era meio que uma novidade...

Isabel baixou o olhar para suas mãos juntas. 
– Espere – ele pediu – Queria lhe convidar para...
Era agora. Nada de consentir com mais alguma artimanha. É sua chance de se apoderar de seu poder, Isabel. Faça bom uso dele. Sua resposta foi categórica e carregada de rudez:
– Não. Não quero me encontrar com você num restaurante natureba. Não quero mais ser importunada na minha caixa de emails. E seria muito conveniente se você esquecesse o meu telefone. 
Lucas a olhou. E então assentiu como quem estava decepcionado. Decepcionado? Aquele maldito?
– É uma pena – ele retrucou – Pessoalmente, sempre achei que você fica ótima de branco. 
Isabel piscou, sem ação. 
– O quê?
– Achei que alguém como você reconheceria um pedido de casamento. 

E foi bem ali que Isabel morreu. 
Morreu, mas logo retornou. Foi uma morte de um piscar de olhos, entende? Pois sua vida não poderia terminar daquele modo, justamente naquela situação. Teria tanta vida pela frente que pela primeira vez – e aquela era inédita  não sabia dizer ao certo se coisas assim aconteciam duas vezes. 


Love
Nina 

27 de março de 2014

#Um pouco de BBC pra vocês

Hoje decidi fazer um post diferente, decorrente do fato de eu estar logada na internet quase que a tarde inteira por conta do meu estágio e, por isso, mergulhada nos sites de notícias. Um dos que mais gosto é da BBC, e é dele que apresento a vocês imagens de design e de um museu aquático. 

Uma exposição no Museu do Design, em Londres, reuniu uma série de projetos inusitados e funcionais (pois aprendi nas aulas de Design que funcionalidade é a regra da área, nos dias que hoje, que começou na Bauhaus - procurem sobre, pois é muito legal). 

Aplicativo chamado Peek usa a câmera do celular para examinar os olhos e detectar a catarata. Seu idealizador é o britânico Andrew Bastawrous. 

A seringa ABC é transparente enquanto fechada, mas quando é usada fica vermelha. O objetivo é combater o uso de injeções não esterilizadas. 

O Seabord Grand é uma reinvenção do teclado. As teclas se assemelha com ondas suaves. 

Para conferir a galeria completa que está disponível no site clique aqui.

Nas águas ao redor de Cancún, Isla Mujeres e Punta Nizuc, no México, tornou-se um grande museu subaquático chamado Musa pelo artista Jason deCaires Taylor. Todas as 450 estátuas são de tamanho real. O projeto foi financiado por integrantes do Parque Marítimo Nacional, da Associação Náutica de Cancún, e pelo próprio Jason. As esculturas foram feitas com um cimento especial, que permite o crescimento de corais ao seu redor. 





Para conferir o restante das outras fotos e informações adicionais disponíveis no site clique aqui.

Gostaram das fotos? Não deixem de comentar!

Love
Nina 

23 de março de 2014

#My poor heart aches

Quando entrei naquele avião não sabia nada sobre o futuro. Os motivos que me levaram àquele momento estão relacionados ao passado e a ideia de libertação. 
Você sabe o que é libertação?
Sempre achei que algo estava errado, que minhas asas tinham sido cortadas no nascimento; aquelas mesmas asas que me permitiriam sentir a brisa do mar, ou o cheiro de terra da cidade vizinha. Sempre fui um pouco andarilha, aquela meio à deriva, sem muito destino. Nunca pertenci a lugar algum. 

Mas naquele avião me permiti encontrar um futuro. Talvez fosse uma ilusão, afinal eu era a garota da cidade quase invisível; uma mera manchinha nos mapas. Às vezes, era ingênua; acreditava demais, sonhava alto. Agora, sobretudo, acredito com mais frequência e intensidade, porque aquele avião me libertou. E eu me arrisquei, fui para longe. Descobri como voar, encontrei um lugar ao qual pertenço. Continuo em movimento constante, entretanto. 
Não lhe digo adeus, pois talvez eu volte. Talvez quando me vir, daqui há alguns anos, meu cabelo esteja mais longo do que você jamais viu, ou minhas roupas tenham mudado de estilo. Mas sempre serei a sua garotinha com medo do escuro. 

Não posso esquecê-lo. Lembrarei de você até nos meus momentos mais perfeitos e direi para alguém que gostaria que você estivesse comigo. Penso em você, porque tenho medo de que me esqueça de seu rosto ou de sua voz. Mas não vou me esquecer de casa, da pessoa que me ensinou a dormir com o abajur desligado, ou que me ensinou a sempre estar à procura de um sonho. Sempre achei que algo estava faltando, até perceber que estava sendo boba; eu tinha alguém ao meu lado durante a minha jornada o tempo inteiro. Obrigada por estar comigo. 

E mesmo aqui, nesse inverno enquanto esquento meu chá de canela, penso que estou tão distante de casa que a ideia de libertação está presente mais do que nunca. Sou a minha própria diferença, hoje. Penso mais, também. Deixo meus pensamentos fluírem e divergirem o quanto quiserem. Mas não penso somente em você, porque não quero ficar triste o tempo todo, e sentir saudade de casa dói meu coração. 
Agora, eu durmo na completa escuridão ouvindo seus passos noturnos ecoando na minha mente. Repasso todas as suas despedidas e todas as vezes que me perguntou se estava pronta para dormir; eu mentia, dizendo que o livro estava no penúltimo capítulo. Pensando bem, acho que você sabia das minhas mentiras. 

Aqui, longe de casa, não tenho para quem mentir, ou com quem rezar, ou para quem perguntar a direção da vida. Faço pedidos todas as noites, e todos são por sua causa. 
Tento trazê-lo para mais perto de mim. 
Temo voltar e não encontrá-lo. 
Temo ser tarde demais. 

E se for tarde demais?, eu te pergunto. 
Sempre estarei esperando, quase ouço a sua voz dizendo.
E isso faz com que a distância esteja menor. 


Love
Nina 

22 de março de 2014

#Don't let it die, dear

Não sei se posso esperar para sempre. 
Você não pode pedir para que eu espere. O que eu tenho guardado por tanto tempo pode mudar as nossas vidas. Você é o único que pode alterar qualquer coisa dentro de mim. Apenas com um sim. 
É a palavra mais simples do mundo.
Aceitar.
Você pode pegar o telefone e me ligar. Ou andar pelos quarteirões até me encontrar no meio do caminho. 
Por favor, não deixe que isso morra. 

Há estranhos por toda parte, mas você é o único que consegue me manter aqui. É o único que eu conheço. É o único que me faz sentir em casa, pertencente a algum lugar. 
Com você estou segura. 
Não há como você saber o que se passa na minha mente. Mas me pergunte, e eu lhe direi. 
Não é hora para temer a verdade. Ela existe para que você, com essa sua cabeça meio avoada, entenda tudo o que se passa comigo.
Mas apenas peço.
Por favor, não deixe que isso morra.

Você poderia me convidar para um café no centro da cidade, comprar um quadro caricaturado dos Beatles para mim, ou meramente me acompanhar até em casa. 
Você fez a sua escolha. 
Eu, entretanto, ainda não me decidi. É difícil tomar decisões quando seu coração está quebrado, entenda isso. 
Quando tudo o que quer é reviver o passado e se perguntar se isso vai dar certo. 
Pode dar certo?, eu te pergunto.
Apenas me dê uma chance. 
Porque está cada vez mais claro que não tenho mais medo de dizer que você é tudo que quero. Tudo aquilo de que preciso. Tudo aquilo que venho sonhando para a minha vida. 
Apenas me dê uma chance.

Apareça. 
Venha.
Diga que sim. 

Não tenha medo de me aceitar. Apenas se dê uma chance. A sua chance de mudar tudo. 
Sua vida é minha também. 
E quero que minha vida seja sua.
Apenas não deixe que isso morra. 


Love, 
Nina 

17 de março de 2014

#Elza, a princesa Amélia

Sei que o Dia da Mulher já passou, embora eu não tenha escrito nada sobre isso justamente por ser tão clichê. E por clichê, se você não sabe, digo que seja algo já batido. Porque, se este dia fosse o Dia do Feminismo, ótimo. Seria algo para se orgulhar, para chamar de seu. Mas não é e, antes que alguém diga que o Feminismo também não é coisa que valha, talvez você precisa entender que Feminismo não é acreditar que as mulheres sejam melhores do que os homens; mas que, tanto mulheres quanto homens, têm os mesmos direitos e estão no mesmo pedestal. E por Feminismo não me refiro à Marcha das Vadias, mas às mulheres que estão cansadas de comentários ofensivos, ou de olhos em seus peitos, gratuitamente. O Dia da Mulher nada mais é do que esquecer por único dia as opressões que o sexo feminino já passou  e que ainda passa  e entregar uma flor para alguma mulher, como se isso minimizasse a situação. Querido, você deveria saber que não se conquista mulheres com flores, mas com atitudes. 

Mas então por que estou falando sobre o Dia das Mulheres? Bem, simplesmente porque, na semana passada, eu li algo no mínimo curioso e, no máximo, estúpido. Lendo postagens do Facebook, eis que encontrei uma notícia sobre o filme Frozen, da Disney. Nela, dizia que o filme estava sendo acusado de propaganda gay e de satanismo. Eu não daria muita coisa para esse informação, uma vez que a crítica partiu de um pastor. Mas eu fui ler, porque eu precisava saber dos fundamentos que levaram a essa acusação. 

A princesa Elza estava sendo tachada de lésbica, devido ao seu poder de congelar as coisas  seria como uma metáfora para o lesbianismo. Mas então veio a parte que me tocou: ela não tinha um príncipe, enquanto sua irmã achava que poderia se casar com o primeiro cara que apareceu.  E mais: aquela música, Let It Go, que consagrou o filme, seria uma forma de dizer que a Elza estava liberta  a música foi interpretada como um "grito de liberdade" para que ela se assumisse ao mundo. E se você ainda não está rindo com tantas bobagens, tem mais: o tal do "verdadeiro amor" estaria na relação das duas irmãs, não entre Elza e um príncipe. 

A Disney tem se reinventado cada vez mais, não somente em termos de efeitos especiais. E, talvez, os adultos não estejam acompanhando essa evolução. A sociedade não está percebendo que os filmes da Disney não são mais contos de fadas, estão cada vez mais refletindo a realidade. E com isso não digo que há lesbianismo em Frozen, afinal cada um tem a total liberdade de interpretar os filmes como bem entender. Mas será mesmo que as meninas precisam ficar esperando alguém aparecer para mudar suas vidas? Precisam ainda bancar as Amélias, fazendo e pensando tudo de acordo com padrão machista que desde sempre nos foi imposto? Fico feliz por saber que há mulheres que pensam com a própria cabeça, que fazem de suas vidas algo somente delas, que sabem que têm o livre-arbítrio de escolherem o que querem para seus futuros. As meninas não precisam mais esperar seus príncipes e, além de terem o livre-arbítrio de decidirem se querem esperá-los ou ir atrás deles por conta própria, elas o tem para escolherem se querem um príncipe, acima de tudo. Porque mulher não foi feita para ficar presa num casamento. Se para os homens é comum curtir a vida até o limite, por que não deveria ser assim para as mulheres? Por que mulher é bicho que foi feito para estar preso? 

Você pode achar que pensa por conta própria, mas não tem ciência até que ponto a visão completamente misógina, machista e patriarcal está manipulando você.
Você não pode sair de short na rua, porque "não é coisa de menina direita". E também não pode passar batom vermelho, porque "é coisa de vadia". Mas os homens podem dar em cima de uma mulher descaradamente e achar que tem o direito de oprimi-la, simplesmente porque são homens, afinal todo homem manda, e a mulher obedece. Quem foi que disse que a ordem das coisas deveria ser assim? Ninguém sabia que, na pré-história, a sociedade era matriarcal? Que, nos anos 60 as mulheres conseguiram se libertar um pouco não para acharem que deveriam comandar o mundo, mas para que pudessem escolher entre um vestido e uma calça, entre um sapato alto e um chinelo. Porque você pode nem perceber, mas é impelida a escolher o vestido e o salto alto, porque "isso é coisa de mulher". Quem disse isso? Os homens, não você. Eles é que escolheram o modo como você se veste. E quem foi que disse que mulher tem que casar para cuidar do marido? O marido não sabe se cuidar sozinho? E desde quando mulher precisa ter filho? Não cabe a elas escolherem se os querem ter? O corpo não é delas, afinal?

Antes de dizer que o filme está pregando quaisquer propagandas em prol da homossexualidade, você deveria perceber que ele apenas está abordando os aspectos da nossa sociedade feminina. A Elza não precisa ser uma princesa com seu príncipe, ela pode muito bem viver sozinha, pois foi a condição que ela escolheu. Você entendeu bem? Ela teve a liberdade de escolher entre um príncipe, entre alguém que mal conhece, e entre o amor da irmã, que é um amor fraterno, pelo amor de Deus. Você acha mesmo que as crianças que assistiram a este filme pensaram tudo isso? Acha mesmo que dentro das cabecinhas delas existe a mínima possibilidade, sobretudo, de elas entenderem a complexidade da nossa sociedade atual? Não, elas são crianças. Elas adoram a Disney não devido a qualquer mensagem subliminar passada, mas devido ao fato da marca, acima de tudo, representar a inocência delas. E elas, como crianças, interpretaram o mundo de um modo que nenhum pastor consegue compreender. 

E talvez seja esse mesmo o grande problema: as pessoas enxergam somente aquilo que querem ver e acabam atacando aquilo que não entendem. 

Love
Nina 

13 de março de 2014

#Um olhar brasileiro

Hoje mesmo, indo para a faculdade de ônibus, me deparei com uma situação que me fez ficar completamente indignada. O ônibus parou para um garoto que fez sinal e, logo depois, ele entrou e disse: 
– Espera só um pouquinho, que uma menina está ajudando um senhor a subir no ônibus (no caso, outro ônibus). 
O motorista, nem um pouco apressado, revidou:
– Ligeirinho! Não, não dá pra esperar! 
– Mas ela já está vindo, só está ajudando o senhor. 
No fim, a menina embarcou no ônibus. 
Linda história?
Não, não acredito nisso. 

Na primeira aula de Realidade Brasileira, a professora nos apresentou um filme e um documentário sobre como os estrangeiros veem os brasileiros. A Carmem Miranda é um ícone em nosso país (seria engraçado, se não fosse confuso, já que ela era argentina). Macacos se enturmam conosco na praia, vejam só! Todas as garotas fazem topless enquanto estão pegando uma corzinha! Se você acha que o Brasil é mais do que samba, Carnaval e caipirinha, parabéns, você não se deixa influenciar pela Regina Casé. Mas você acha que existe a tal da "cordialidade brasileira"? Essa foi a professora quem nos disse. Acho que ela quis dizer "jeitinho brasileiro", pois na palavra cordialidade não há essa denotação. 

Cordialidade
s. f. Particularidade do que ou de quem é cordial; ação de expressar carinho, afeto e amizade. 

Para mim, cordialidade é um pouco de abnegação. Você se coloca no lugar do outro, ou até mesmo coloca o outro em primeiro lugar. 
O brasileiro faz isso? Quantas vezes você ficou surpreso ao ler uma notícia de alguém que devolveu uma maleta cheia de dinheiro para o dono? Você diria, "Nossa, que pessoa de caráter!", quando isso deveria ocorrer sempre. Veja bem, a noção da cordialidade está interligada ao nosso caráter, de maneira geral. Sim, você pode simular ser gentil  mas isso não exclui o fato de que você não é alguém gentil. E aquele motorista, muito claramente, não conhece a palavra cordialidade no seu íntimo. Ela não é "dar um jeitinho" nas coisas de acordo com a nossa necessidade – fazer um gato na rede elétrica, compartilhar a rede wifi com os vizinhos, ou o que seja. "Jeitinho brasileiro", de jeito algum, é você deixar uma senhora passar na sua frente numa fila, ou, como a garota do meu relato, ajudar um senhor a embarcar num ônibus. O jeitinho brasileiro está longe de estar de acordo com a cidadania, ou com o caráter "amigável" de nosso povo.

Ao meu ver, a cordialidade existe apenas para fazer bonito aos estrangeiros. Se somos hospitaleiros? Provavelmente. Você já deve ter ouvido falar isso. Mas ser hospitaleiro não é ser cordial, veja bem; isso é outra vertente. 
Eu, pessoalmente, sou abnegação. Sou do tipo que me levanto para apanhar objetos perdidos pelas pessoas ao meu redor, do tipo que presta atenção se alguém precisa uma caneta, do tipo que ajuda um senhor na hora das compras. Por isso, a tal da cordialidade barata me deixa com um gosto ruim na boca. E ainda mais se eu tenho uma demonstração explícita de alguém que não sabe ser cordial. Será mesmo que o motorista do ônibus perdeu dinheiro ao ficar vinte segundos esperando a garota colocar o senhor que estava ajudando dentro do outro veículo? Não estávamos atrapalhando o trânsito, pois todos os carros estavam mudando de faixa, observando que a nossa estava parada. Ninguém buzinou, ninguém gritou palavrões. Mas esse cara – o motorista – preferiu pensar em si próprio, em seus segundinhos perdidos. A menina também os perdeu para auxiliar o senhor, no entanto ela foi cordial. O que custava o motorista ter usado de seu bom senso e aguardar só um pouquinho?
Afinal, é de pouquinho a pouquinho que uma pessoa se torna alguém melhor. E, se esse cara não estava a fim de se edificar mais, não era sua obrigação inibir quaisquer outras pessoas. Se ele quer ser "o jeitinho brasileiro", talvez a Carmem Miranda e os macacos ainda o entretenham bastante.  

Love, 
Nina 

8 de março de 2014

#Cinco estações

Hoje, sou cinco estações.

Começo Inverno; uma tempestade fria, trazendo alguma tristeza. Aos poucos, a Primavera dá as caras; eu tendo a me animar se a solidão já está longe. Apesar de ela ser a minha sombra, uma sombra que aprendi a aceitar a a conviver pacificamente, agora ela me deixa para o Outono, a típica melancolia, se fazer presente. Sinto que a solidão e a melancolia andam de mãos dadas, são velhas conhecidas da minha vida. Com a simples aparição de uma ilusão longínqua, talvez seja a satisfação pelo dia estar se tornando noite, eu me transmuto: sou Verão, colorida e bem-humorada. 
Não há mais pedaços pelo caminho. 
Entretanto, quando me perco, acontece uma fusão. 
Sou a quinta estação. 

Sou; não estou. 

É ela que me define. Estou Inverno, Primavera, Outono e Verão. Mas sou a quinta: Inconstante. 
A inconstância é a minha mais duradoura estação. 
Sou filha de todas elas: tão inconstante quanto incerta e incompreendida. 
Sou toda "In". 
Sou para dentro. 
Introspectiva. 
Introvertida. 
Incompetente, por vezes. 
Insatisfeita, muitas vezes. 

Hoje, sou cinco estações. 
Quais são as suas?


Love
Nina 

#6 on 6

Oi, sweeties! 

Como vocês podem ver, hoje não é dia 6. Por isso, o 6 on 6 desse mês está atrasado. Como eu passo os dias de semana afastada do notebook foi completamente impossível de atualizar aqui. O tema desse mês é cores

Rosa: uns dos meus alguns livros preferidos! 

Amarelo: um cantinho do meu quarto (não sei se dá pra ver direito, mas a parede é amarela também).

Azul: um dos meus livros queridinhos e uma caixinha de bombons da Cacau Show com 
o tema do Pequeno Príncipe *-* 

Amarelo-dourado (não dá muito pra perceber, né?): minha última compra literária, que adquiri numa das livrarias da PUCRS. 

Preto: minha bolsa amorzinha que levo pra faculdade. Foi minha mãe quem comprou HAHAHA. 

Vermelho: o livro Construção da Notícia, por Miguel Rodrigo Alsina, uma das bibliografias recomendadas da cadeira de Texto Jornalístico Digital. 

Qual foto vocês gostaram mais? Não deixem de comentar! ;)

Love,
Nina 

4 de março de 2014

#Playlist: Lea Michele

Eu passei a semana passada ocupada com a faculdade e estágio, mas na expectativa pelo novo episódio de Glee e pelo restante das canções do CD da Lea Michele, Louder. Por conta desse ~lindo~ feriado (só digo lindo por causa do feriado mesmo, já que detesto o Carnaval), pude assistir ao episódio (quase chorei no final, ainda não me recuperei, haha) e ouvir as outras faixas de Louder. E esse post, só pra você saber, é sobre a Lea, porque ela tá sambando mais que musa do Carnaval e achei que era mais que válido um post sobre ela.  

Pra começar, você pre-ci-sa assistir ao vídeo de uma entrevista dela behind the scenes do show que ela fez no Walmart. Aqui ela fala sobre o processo de CD, sobre o single Cannonball e Louder (a canção), além de cantar um pouco tais músicas e de protagonizar umas cenas fofíssimas

Outros vídeos legais são os que ela fala de cada faixa do álbum. Na primeira parte, ela explica sobre Cannonball, On My Way, Battlefield, You're Mine e Louder. Na segunda, sobre Burn With You, Thousand Needles, Cue The Rain, Empty Handed e If You Say So. Adorei cada explicação, em algumas ela diz que lutou para ter a música para si, outras apenas diz que foi uma parceria muito legal de fazer. Ficamos sabendo, por exemplo, que Empty Handed foi escrita pela Christina Perri (que, se você pensar bem, é bem a cara dela). E eu quase chorei quando ela começou a dizer de If You Say So, por motivos óbvios. Ela é super-séria, mas superfofa, nem dá pra chamá-la de diva (daquelas chatas, quero dizer). 


Agora falando do restante de suas canções, devo ressaltar quatro, que se tornaram as minhas preferidas: 
1) Cue The Rain

2) Empty Handed

3) Don't Let Go

4) On My Way

Eu estava num relacionamento sério com todas as que já tinham sido lançadas antes, mas essas realmente abalaram o meu coração. Sem esquecer, é claro, de If You Say So, que tem uma vibe bem emocional e que acaba comigo bem mais do que You're Mine. 

Somente espero que ela passe pelo Brasil na World Tour, porque torço demais para o sucesso dela, independentemente de ficarem dizendo por aí que o CD é um fracasso, devido ao fato de a maioria das canções não conseguirem se encaixar nas rádios (sim, eu já li um artigo sobre isso, fiquei chocada). 

E vocês, quais são as suas canções preferidas? Não deixem de comentar!

Love
Nina 

1 de março de 2014

#Porque seu amor é meu, e meu amor é seu

Eu tive de fugir. Era um amanhecer bonito, daqueles que você teria admirado. Naquela hora, você estava na minha cabeça. 
Dizem que quem ama quer construir uma família. Eu queria você, pois você era a minha casa: o lugar para onde eu ia quando o mundo lá fora me machucava, o meu refúgio nas noites de chuva, a única pessoa que eu sabia que me acolheria. Dizem que um lar é um local para onde você vai para ser protegida. 
E você me protegia.
Era meu lar.
Uma pessoa também é um lar para outro alguém. Eu tenho a perfeita ciência disso.

Mas aqui, longe de você, estou perdida. Sinto-me sem rumo, sem seus braços ao redor de mim, me sussurrando palavras de alento e me afastando de todas as garras da realidade. 
Mas mesmo aqui, ainda sou sua. 
Sou sua para sempre, de corpo e alma.

Agora está ficando escuro, pois o sol já se pôr. Ainda assim, te mantenho salvo no meu coração e na minha mente. Eu ainda me mantenho sua.
Antes, agora e depois.
Para sempre.

Meu coração está cansado, mas ainda implora por você. Ele é teimoso. Mesmo por entre as lágrimas, ele repete que o quer. 
Ele é seu. 
Não adianta contrariá-lo.

Sei que você faria tudo para me ver sorrir. Sei que é meu. 
Mas temos de reaprender a lidar com a solidão. 
Mesmo sentindo a sua falta, estar aqui, sozinha, me traz certa paz. Não tanto quanto quando estou contigo, mas estou fazendo o possível para me virar sem você.

Eu corri para longe, mas não importa. Talvez você receba isso em breve: minhas palavras que se fundem a esse papel. Não sei o que dirá, mas sei o que estará rondando a sua mente. 
Você me quer ver sorri, mesmo aqui. 
Você está perdido sem mim do mesmo modo que estou sem direção sem tê-lo por perto. 
Mas entenda.
Meu coração é seu. 
Fielmente. 


Love, 
Nina