Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Elza, a princesa Amélia

by - março 17, 2014

Sei que o Dia da Mulher já passou, embora eu não tenha escrito nada sobre isso justamente por ser tão clichê. E por clichê, se você não sabe, digo que seja algo já batido. Porque, se este dia fosse o Dia do Feminismo, ótimo. Seria algo para se orgulhar, para chamar de seu. Mas não é e, antes que alguém diga que o Feminismo também não é coisa que valha, talvez você precisa entender que Feminismo não é acreditar que as mulheres sejam melhores do que os homens; mas que, tanto mulheres quanto homens, têm os mesmos direitos e estão no mesmo pedestal. E por Feminismo não me refiro à Marcha das Vadias, mas às mulheres que estão cansadas de comentários ofensivos, ou de olhos em seus peitos, gratuitamente. O Dia da Mulher nada mais é do que esquecer por único dia as opressões que o sexo feminino já passou  e que ainda passa  e entregar uma flor para alguma mulher, como se isso minimizasse a situação. Querido, você deveria saber que não se conquista mulheres com flores, mas com atitudes. 

Mas então por que estou falando sobre o Dia das Mulheres? Bem, simplesmente porque, na semana passada, eu li algo no mínimo curioso e, no máximo, estúpido. Lendo postagens do Facebook, eis que encontrei uma notícia sobre o filme Frozen, da Disney. Nela, dizia que o filme estava sendo acusado de propaganda gay e de satanismo. Eu não daria muita coisa para esse informação, uma vez que a crítica partiu de um pastor. Mas eu fui ler, porque eu precisava saber dos fundamentos que levaram a essa acusação. 

A princesa Elza estava sendo tachada de lésbica, devido ao seu poder de congelar as coisas  seria como uma metáfora para o lesbianismo. Mas então veio a parte que me tocou: ela não tinha um príncipe, enquanto sua irmã achava que poderia se casar com o primeiro cara que apareceu.  E mais: aquela música, Let It Go, que consagrou o filme, seria uma forma de dizer que a Elza estava liberta  a música foi interpretada como um "grito de liberdade" para que ela se assumisse ao mundo. E se você ainda não está rindo com tantas bobagens, tem mais: o tal do "verdadeiro amor" estaria na relação das duas irmãs, não entre Elza e um príncipe. 

A Disney tem se reinventado cada vez mais, não somente em termos de efeitos especiais. E, talvez, os adultos não estejam acompanhando essa evolução. A sociedade não está percebendo que os filmes da Disney não são mais contos de fadas, estão cada vez mais refletindo a realidade. E com isso não digo que há lesbianismo em Frozen, afinal cada um tem a total liberdade de interpretar os filmes como bem entender. Mas será mesmo que as meninas precisam ficar esperando alguém aparecer para mudar suas vidas? Precisam ainda bancar as Amélias, fazendo e pensando tudo de acordo com padrão machista que desde sempre nos foi imposto? Fico feliz por saber que há mulheres que pensam com a própria cabeça, que fazem de suas vidas algo somente delas, que sabem que têm o livre-arbítrio de escolherem o que querem para seus futuros. As meninas não precisam mais esperar seus príncipes e, além de terem o livre-arbítrio de decidirem se querem esperá-los ou ir atrás deles por conta própria, elas o tem para escolherem se querem um príncipe, acima de tudo. Porque mulher não foi feita para ficar presa num casamento. Se para os homens é comum curtir a vida até o limite, por que não deveria ser assim para as mulheres? Por que mulher é bicho que foi feito para estar preso? 

Você pode achar que pensa por conta própria, mas não tem ciência até que ponto a visão completamente misógina, machista e patriarcal está manipulando você.
Você não pode sair de short na rua, porque "não é coisa de menina direita". E também não pode passar batom vermelho, porque "é coisa de vadia". Mas os homens podem dar em cima de uma mulher descaradamente e achar que tem o direito de oprimi-la, simplesmente porque são homens, afinal todo homem manda, e a mulher obedece. Quem foi que disse que a ordem das coisas deveria ser assim? Ninguém sabia que, na pré-história, a sociedade era matriarcal? Que, nos anos 60 as mulheres conseguiram se libertar um pouco não para acharem que deveriam comandar o mundo, mas para que pudessem escolher entre um vestido e uma calça, entre um sapato alto e um chinelo. Porque você pode nem perceber, mas é impelida a escolher o vestido e o salto alto, porque "isso é coisa de mulher". Quem disse isso? Os homens, não você. Eles é que escolheram o modo como você se veste. E quem foi que disse que mulher tem que casar para cuidar do marido? O marido não sabe se cuidar sozinho? E desde quando mulher precisa ter filho? Não cabe a elas escolherem se os querem ter? O corpo não é delas, afinal?

Antes de dizer que o filme está pregando quaisquer propagandas em prol da homossexualidade, você deveria perceber que ele apenas está abordando os aspectos da nossa sociedade feminina. A Elza não precisa ser uma princesa com seu príncipe, ela pode muito bem viver sozinha, pois foi a condição que ela escolheu. Você entendeu bem? Ela teve a liberdade de escolher entre um príncipe, entre alguém que mal conhece, e entre o amor da irmã, que é um amor fraterno, pelo amor de Deus. Você acha mesmo que as crianças que assistiram a este filme pensaram tudo isso? Acha mesmo que dentro das cabecinhas delas existe a mínima possibilidade, sobretudo, de elas entenderem a complexidade da nossa sociedade atual? Não, elas são crianças. Elas adoram a Disney não devido a qualquer mensagem subliminar passada, mas devido ao fato da marca, acima de tudo, representar a inocência delas. E elas, como crianças, interpretaram o mundo de um modo que nenhum pastor consegue compreender. 

E talvez seja esse mesmo o grande problema: as pessoas enxergam somente aquilo que querem ver e acabam atacando aquilo que não entendem. 

Love
Nina 

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