23 de março de 2014

#My poor heart aches

Quando entrei naquele avião não sabia nada sobre o futuro. Os motivos que me levaram àquele momento estão relacionados ao passado e a ideia de libertação. 
Você sabe o que é libertação?
Sempre achei que algo estava errado, que minhas asas tinham sido cortadas no nascimento; aquelas mesmas asas que me permitiriam sentir a brisa do mar, ou o cheiro de terra da cidade vizinha. Sempre fui um pouco andarilha, aquela meio à deriva, sem muito destino. Nunca pertenci a lugar algum. 

Mas naquele avião me permiti encontrar um futuro. Talvez fosse uma ilusão, afinal eu era a garota da cidade quase invisível; uma mera manchinha nos mapas. Às vezes, era ingênua; acreditava demais, sonhava alto. Agora, sobretudo, acredito com mais frequência e intensidade, porque aquele avião me libertou. E eu me arrisquei, fui para longe. Descobri como voar, encontrei um lugar ao qual pertenço. Continuo em movimento constante, entretanto. 
Não lhe digo adeus, pois talvez eu volte. Talvez quando me vir, daqui há alguns anos, meu cabelo esteja mais longo do que você jamais viu, ou minhas roupas tenham mudado de estilo. Mas sempre serei a sua garotinha com medo do escuro. 

Não posso esquecê-lo. Lembrarei de você até nos meus momentos mais perfeitos e direi para alguém que gostaria que você estivesse comigo. Penso em você, porque tenho medo de que me esqueça de seu rosto ou de sua voz. Mas não vou me esquecer de casa, da pessoa que me ensinou a dormir com o abajur desligado, ou que me ensinou a sempre estar à procura de um sonho. Sempre achei que algo estava faltando, até perceber que estava sendo boba; eu tinha alguém ao meu lado durante a minha jornada o tempo inteiro. Obrigada por estar comigo. 

E mesmo aqui, nesse inverno enquanto esquento meu chá de canela, penso que estou tão distante de casa que a ideia de libertação está presente mais do que nunca. Sou a minha própria diferença, hoje. Penso mais, também. Deixo meus pensamentos fluírem e divergirem o quanto quiserem. Mas não penso somente em você, porque não quero ficar triste o tempo todo, e sentir saudade de casa dói meu coração. 
Agora, eu durmo na completa escuridão ouvindo seus passos noturnos ecoando na minha mente. Repasso todas as suas despedidas e todas as vezes que me perguntou se estava pronta para dormir; eu mentia, dizendo que o livro estava no penúltimo capítulo. Pensando bem, acho que você sabia das minhas mentiras. 

Aqui, longe de casa, não tenho para quem mentir, ou com quem rezar, ou para quem perguntar a direção da vida. Faço pedidos todas as noites, e todos são por sua causa. 
Tento trazê-lo para mais perto de mim. 
Temo voltar e não encontrá-lo. 
Temo ser tarde demais. 

E se for tarde demais?, eu te pergunto. 
Sempre estarei esperando, quase ouço a sua voz dizendo.
E isso faz com que a distância esteja menor. 


Love
Nina 

5 comentários:

  1. Sabe, eu sonho com frequência em pegar um avião e ir procurar alguma coisa qualquer que eu sinto que falta na minha vida. Espero um dia ter a oportunidade.

    http://essameninamoca.blogspot.com/

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  2. Que lindo, Nina!!
    Nem encontro palavras que definam o que senti ao ler esse texto, mas terminei com um sorriso no rosto!
    Me manda um pouco de inspiração? haha

    Beijos,
    http://patriciapinheirotextos.blogspot.com.br/

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  3. Por alguém ou algo que vale a pena, sempre esperamos, vamos atrás, ou pelo menos tentamos. Mas concordo com você, e se for tarde demais? Se sua distancia só diminui, a minha só aumenta com minhas dúvidas e anseios, as vezes acho que eu mesma recuo...

    http://queridos-pensamentos.blogspot.com.br/

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  4. Nossa, Nina, eu achei este texto tão lindo, sutil e sensível. Me emocionou, lindo lindo lindo.

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