31 de maio de 2014

#Resenha: Veronika Decide Morrer

Título: Veronika Dedide Morrer
Autor: Paulo Coelho
Ano: 1998 (1ª edição)
Editora: Planeta 
Páginas: 214
Gênero: literatura brasileira

~*~

Nunca tinha lido nada do Paulo Coelho e resolvi investir nesse título especialmente devido à sinopse, que me lembrou um clipe do Blink 182. Fiquei atrás de Veronika Decide Morrer o semestre passado inteiro, mas só o achei na biblioteca há uns dias (digamos que o sistema da biblioteca tem uma lógica bem peculiar, haha) e, apesar da falta de tempo, consegui lê-lo em menos de uma semana. A leitura é algo que me cativou, já que ela é rápida e você não tem que ficar parando para procurar palavras no dicionário e coisa e tal. A escrita de Paulo Coelho - pelo menos neste livro, não sei os outros - é totalmente simples e apaixonante, o que me surpreendeu. 

Acho que pelo livro tratar do suicídio me cativou também, porque adoro entrar nesses mundos da psicologia. Desde o começo, Veronika deixa claro que quer se matar, por isso toma pílulas, achando que ninguém no convento onde mora vai se importar muito com sua morte. Sua motivação para tal feito é estimulada quando lê uma revista e diz que, então, se mataria para as pessoas saberem onde fica a Eslovênia. Só que encontram-na a tempo e, quando acorda, está numa espécie de hospital - depois vem a descobrir que é um senatório. 

Lá, descobre também que tem um problema de coração e, por isso, não deve passar de uma semana de vida. De início, ela resiste aos medicamentos, à rotina e aos seus novos "amigos". Digamos que, para uma garota jovem e bonita, Villete não é um lugar muito alegre. Aos poucos, ela faz amizade com Mari, que foi parar em Villete depois de episódios de Síndrome do Pânico, e Zedka, uma depressiva, e descobre novas motivações para continuar viva, muitas delas convivendo entre o amor e o sexo de tal maneira para que possa se libertar de quem era; ou melhor, para que possa co-existir juntamente com a antiga Veronika. Além de se aproximar de Mari e de Zedka, devido à música do piano que toca todas as noites se aproxima também de um esquizofrênico, Eduard. 

Cada personagem é bem distinto um do outro. Cada um tem a sua bagagem cultural e mental, o que me fez amar todos. Apesar de seus "problemas", cada um é amável de jeitos peculiares. O que mais gostei foi me adentrar nesse mundo diferente, meio separado do nosso, já que ninguém toca muito no assunto da loucura. E daí acabei por descobrir que o livro foi inspirado nas próprias experiências de Paulo Coelho, o que me fez admirá-lo por demais. Não imaginava nada sobre sua vida, apesar de saber bastante sobre suas obras. 

Recomendo este livro para quem quer começar a ler os livros do autor, porque, apesar de muitas viagens, o livro merece destaque simplesmente porque ele trata de algo tão obscuro com leveza e sinceridade. 
"Mas o ser humano é assim", consolou-se. "Substitui grande parte de suas emoções pelo medo". 
"No fundo, a culpa de tudo que acontece em nossa vida é exclusivamente nossa. Muitas pessoas passaram pelas mesmas dificuldades que passamos, e reagiram de maneira diferente. Nós procuramos o mais fácil: uma realidade separada".
Ao fim, há uma nota de Paulo Coelho, explicando o porquê do livro e do tema, e o trecho com o qual mais me identifiquei foi esse:
"Enquanto você for capaz de comparecer ao trabalho e dar sua cota para a sociedade, você não constitui uma ameaça. Você só é uma ameaça quando o cálice transborda (...) Enquanto não fizer isso, você é condenado a ser normal. E a loucura? A loucura é a incapacidade de comunicar-se. Entre a normalidade e a loucura, que no fundo são a mesma coisa, existe um estado intermediário: cham-se "se diferente". E as pessoas estão cada vez com mais medo de "ser diferentes"."
O clipe ao qual me referi acima é esse: 


Love, 
Nina  

25 de maio de 2014

#Através de seus olhos

Eu vejo estrelas cadentes onde não há céu.
Vejo as pegadas que a chuva já lavou.
Vejo o mundo girar rápido demais.

Quando me apaixonei, estava ao seu lado. Eu fiquei tão quieta quanto você, sentindo-me como se não pudesse acreditar. Quando você me abraçou pela primeira vez, ainda não acreditava.
Não acreditava em muita coisa naquela época.
Mas entendi que, se eu não entendia, você poderia me explicar como um bom professor. Por isso, quando me abraçou novamente, eu não consegui respirar. A partir daí, consegui entender que, quando me apaixonei pelo mundo, não o estava enxergando como você o vê.
Há muito mais cor no seu mundo. Há sorrisos que se explodem, mãos que acalentam e minutos infinitos. E o amor, você me disse, era uma das coisas infinitas, também.

Quando o mundo me ofereceu seu amor, quente e genuíno, eu apertei a sua mão e, juntos, fomos desbravá-lo. Não demorou muito para que toda a luminosidade se apagasse e, de repente, o escuro se fez nossa casa. Porque não enxergar é uma bênção. Se você sente, e sente em todos os lugares, você é capaz de entender de uma maneira que nunca pudera.

O mundo nos emprestou um pouco de seu tempo.
Ofereceu-nos o silêncio, as estrelas cadentes verdadeiras, as chuvas de verão, as danças intermináveis do cotidiano. E a minha mente, de pouco a pouco, foi formando aquele novo mundo.
O meu mundo, mudo e bicolor, se encheu de risadas e de milhares de tons.
Todas as matizes ao meu redor ganharam outros significados e propósitos.
Então, com você, eu comecei a viver.
Viver.
De.
Uma.
Só.
Vez.

Viver os tons, os amores e as dores.
Viver intensamente, sem pudor, sem preguiça.
Viver para longe, às gargalhadas, para além do conhecido.

Viver.
De.
Todas.
As.
Maneiras.


Love
Nina  

18 de maio de 2014

#Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio

Título Original: The Catcher in the Rye
Autor: J. D. Salinger
Ano: 1951 (exemplar em inglês)
Editora: Editora do Autor (Brasil)
Páginas: 207


O Apanhador no Campo de Centeio é um daqueles livros clássicos que todo mundo conhece, mas que poucos realmente leram, embora seja citado em muitos outros livros contemporâneos. O livro é narrado por Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos, que acabou de ser expulso da escola de elite na qual estudava. O garoto detesta a Pencey - a escola - e praticamente todos os seus colegas. Todos eles têm algum defeito que o deixam irritado, ou algo assim. Todos eles eram uns sacanas, ou uns filhos da mãe - pelas palavras de Holden.

A genialidade do livro é justamente essa transição que Holden faz: ele é bastante deprimido, mas durante os seus passeios por Nova York, já que ele decidiu abandonar de vez a escola, ele acaba se descobrindo. No fundo, Holden é um garoto amável, sinceramente. Ele é um bocado reclamão, mas quando fala, por exemplo, do irmão Allie, que morreu devido a um câncer, é um doce. E as interações com a irmãzinha menor, também. São nessas horas que entendemos o estágio da vida dele. Holden está perdido na vida, não quer estudar e só pensa em estar longe de todo mundo. Por um lado, é um garotinho de 12 anos; mas há horas que parece um velho falando, pois é um cara bastante inteligente. 

O que mais chamou a minha atenção neste livro foi o lado psicológico ao qual somos expostos. É como se Holden analisasse cada mísera pessoa que passa por ele, mas não consegue de auto-analisar. Por isso, é bastante fechado, vive num mundinho particular onde tudo ou é muito ruim, ou é deprimente. 

Apesar de ter nascido numa família rica, ele se marginaliza repetidas vezes, como se quisesse se distanciar da classe social da qual pertence. Não diz muito sobre os pais, dando uma noção de que tem um relacionamento muito distante com ambos. Holden é muito crítico com relação a tudo, e se acha um pouco superior, por ter consciência que não é um daqueles que "se fazem", como seus colegas. Basicamente, ele odeia quase todo mundo e gosta muito de simplicidade. Por se deprimir muito facilmente, é um garoto sozinho - dá pra inferir que não tem um melhor amigo, ou uma namorada, porque não consegue alcançar intimidade física ou emocional com ninguém. 

Apesar de tudo isso, Holden tem um senso de humor muito bom, o que torna a leitura muito leve a rápida. Outro ponto interessante é que o personagem é tão real que fica muito difícil não nos apegarmos ou não nos identificarmos com ele. Penso que todos, um dia, já se sentiram como Holden, perdidos, devastados, cansados de toda a falsidade do mundo. 
- Pensei que era "Se alguém agarra alguém" - falei - Seja como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém perto - quer dizer, ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar para onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. 
A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.  
Love
Nina  

10 de maio de 2014

#Playlist: musicais

Como vocês leram no 6 on 6 do mês passado, eu tinha sido que aprendi (e ainda aprendo) muito com o seriado Glee e todo aquele pessoal vai estar pra sempre na minha vida. E, por isso, decidi fazer uma playlist do cast cujas canções são da Broadway. Nunca tinha percebido o quanto eles cantam músicas retiradas de musicais e o quanto elas ficam lindas. 

1) No One Is Alone (Musical: Into The Woods)
Essa canção é que me fez querer preparar essa playlist para vocês, eu a acho tão linda 
que quase choro de emoção. 

2) One Hand, One Heart (Musical: West Side Story)
Ok, minha preferida EVER. Não tem música que mais me emociona do que essa. Ela se casou perfeitamente com os personagens, com o tema do episódio e com tudo. Amor eterno 

3) You Can't Stop The Beat (Musical: Hairspray)
Uma das primeiras que me viciei, bem no começo da minha paixão pelo seriado. 

4) Ding-Dong The Witch Is Dead (Musical: The Wizard of Oz)
Eu morro de rir da dancinha deles e do modo como eles cantam essa música. Acho um amor. 

5) Damn it, Janet (Musical: Rent)
A performance também me faz rir muito, sem falar que o refrão dela está sempre na minha cabeça.

6) Take Me Or Leave Me (Musical: Rent)
Adoro essas duas juntas, acho que as vozes delas têm cada qual uma potência diferente, mas que, de um modo ou de outro, sempre acabam se "casando" muito bem. 

7) People (Musical: Funny Girl)
Não tem o que falar. Nada além: Lea Michele sendo Lea Michele. E é por isso que a amo. 

Espero que tenham gostado dessa playlist, se quiserem outra é só pedir e sugerir novos temas ;)

Love,
Nina 

3 de maio de 2014

#It's a Fluke

Os seus olhos foram a primeira coisa que vi naquela manhã cinzenta. A chuva tinha caído durante a noite, e lembro dos seus braços ao meu redor por todas aquelas horas. Havia silêncio em seus olhos, e caridade em sua boca. 
E então eu me desfiz bem diante dos seus olhos. Eu tinha certeza de que era muito bem armada, mas abaixei a guarda ali mesmo, debaixo das luzes piscantes de Natal e dos pôsteres de filmes antigos. Você sorriu e aquilo bastou. Meu coração se encolheu - e se você fosse embora? E se nunca mais te visse? E se eu me mudasse para o Alasca?

Meus pensamentos gostavam do acaso, da cor de mel dos seus olhos, das possibilidades infinitas, de dias nublados, de domingos à tarde em frente à TV, de você. Mas não gostavam do pavor que o acaso transmitia, da confusão dos seus olhos cor de mel, dos dilemas das possibilidades infinitas, dos dias dublados e calorentos, de programas inúteis de domingos à tarde em frente à TV, de você fugindo de mim.  
Gostava de você quando ficava, quando dava as suas festas e me chamava para dançar. Gostava, também, dos nossos pés juntos, dos nossos mindinhos entrelaçados, dos últimos minutos antes de eu adormecer ao seu lado. 

Ao acaso, eu diria. Ele me trouxe você e suas manias. A mania de jogar moedas nas fontes, de nunca amarrar os tênis, de escrever meu nome junto ao seu, de alimentar os cachorros de rua. Ah, as suas manias! Sentiria falta delas, um dia! 

Estávamos alinhados, assim como as estrelas e nossos destinos. Eu e você, juntos. 
Você cruzou minha vida como quem não presta atenção aos sinais. Você era tão distraído. Bastou um tropeço que, você lembra?, nossos olhos estavam conectados. E você sorriu. Sorriu-me também ao amanhecer, quando observávamos a cidade acordar. Você foi a coisa mais doce que cruzou em meio aqueles tropeços a minha vida. 
Você diria que riríamos de tudo aquilo, um dia: de todos os nossos tropeços e de todos os nossos olhares. 
Você murmurou desculpas e ficou calado. E daí, quando pedi para ficar, você me abraçou. 
E ficou aquela noite e todas as outras.

E estar aqui ao seu lado é outro acaso dos nossos destinos. Em meio às construções dos nossos sonhos nos perdemos em meio ao caos e, dentre todos os tropeços, você foi o mais lindo. 
Do silêncio você nasceu. 
Do acaso eu nasci.
Ao acaso, nós gritamos. 


Love
Nina 

1 de maio de 2014

#Resenha: O Teorema Katherine


Título Original: An Abundance of Katherines
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Ano:2006

~*~

Esse livro é um dos melhores do John Green, já te falo. Li-o em um dia, sem brincadeira. Simplesmente me apeguei aos personagens e ao enredo de um tanto que, quando vi, o livro tinha terminado. O que mais amo em livros desse tipo é isso: a gente lê e nem percebe. Como estou afundada de coisas teóricas pra ler, por causa da faculdade, foi ótimo tirar um dia inteiro para ler por diversão. Sentia muito a falta disso. 

Vi algumas semelhanças deste livro com Cidades de Papel, acho que por causa do negócio da road trip. Pois, Colin, após uma decepção amorosa - a 19ª consecutiva -, decide viajar um pouco com o melhor amigo, Hassan. A decepção de Colin é porque a K-19, a 19ª Katherine de sua vida, lhe deu o fora. Apesar de ter tido outras Katherines, ele acha que sem a K-19 vai ser difícil viver. Outra coisa interessante sobre Colin é que ele é um menino superinteligente, do tipo prodígio. Ele tem um QI acima da média e adora anagramas. Sabe um monte de coisas inúteis que apenas servem para irritar seu melhor amigo. Tudo que Colin diz não é interessante para Hassan. Mas Hassan é meio que o Rony Weasley, sempre vive nas sombras do melhor amigo. Hassan é dono de um humor hilário - muitos dos trechos engraçados é devido a ele - e está sempre com uma palavra pejorativa na ponta da língua. A amizade dos dois é muito engraçada, pois, apesar de serem muito diferentes, eles têm um laço muito grande de cumplicidade. 

A viagem para por causa do arquiduque Franscisco Ferdinando. Uma viagem de carro, de acordo com Hassan, é uma aventura, por isso eles vão parar em Gutshot, uma cidadezinha caipira. Lá eles conhecem Lindsey, O Outro Colin e outras pessoas. Com a oferta de um trabalho proposto pela mãe de Lindsey, Hassan e Colin ficam pela cidade acordando com o galo e entrevistando velhotes. Pessoalmente, eu adorei os velhotes. Acho que porque, de maneira geral, adoro conversar com gente velha. Outra coisa legal do livro é que é incorporado o modo caipira de falar das pessoas de Gutshot. É muito engraçadinho os diálogos, sério. 

Os personagens, eu acho, têm de ser analiados separadamente, pois não há uma generalização. Como sempre, John Green acertou nas características de todos, o que nos faz logo amá-los. Mas Colin, por exemplo. Jesus, ele é um mimizento. Está sempre reclamando da vida, como nunca vai ser conhecido. Para sanar este problema crônico, ele está tentando fazer um teorema para conseguir prever quem, dentro de um relacionamento, será o terminante e o terminado e quantos dias o relacionamento pode durar. Ele trabalha duro para conseguir fazê-lo. Mas, de maneira geral, sempre parece que ele está reclamando da condição de nerd dele. A Lindsey é bem inteligente também, mas não tanto quanto Colin. Ela não pensa, por exemplo, em sair daquela cidade, em ter um futuro mais próspero. Ela é meio amalucada, às vezes, mas sempre rende boas risadas. 

De modo geral, dá para prever um pouco do enredo quando você chega na metade do livro. Não é nada muito desconexo. Eu gosto de clichês, mas depende muito do modo como ele é escrito. Por incrível que pareça, O Teorema Katherine é um clichê legal. Um clichê que, por mais que você saiba o que irá acontecer, você fica feliz mesmo assim por ter gastado aquele tempo. E outro ponto que adorei no livro foram as notas de rodapé. Li muita gente reclamando, dizendo que é inútil e irritante, mas achei bastante legal, pois a maioria dos comentários são hilários. Acho que elas complementam bastante o enredo em si. 

Love,
Nina