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#Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio

by - maio 18, 2014

Título Original: The Catcher in the Rye
Autor: J. D. Salinger
Ano: 1951 (exemplar em inglês)
Editora: Editora do Autor (Brasil)
Páginas: 207


O Apanhador no Campo de Centeio é um daqueles livros clássicos que todo mundo conhece, mas que poucos realmente leram, embora seja citado em muitos outros livros contemporâneos. O livro é narrado por Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos, que acabou de ser expulso da escola de elite na qual estudava. O garoto detesta a Pencey - a escola - e praticamente todos os seus colegas. Todos eles têm algum defeito que o deixam irritado, ou algo assim. Todos eles eram uns sacanas, ou uns filhos da mãe - pelas palavras de Holden.

A genialidade do livro é justamente essa transição que Holden faz: ele é bastante deprimido, mas durante os seus passeios por Nova York, já que ele decidiu abandonar de vez a escola, ele acaba se descobrindo. No fundo, Holden é um garoto amável, sinceramente. Ele é um bocado reclamão, mas quando fala, por exemplo, do irmão Allie, que morreu devido a um câncer, é um doce. E as interações com a irmãzinha menor, também. São nessas horas que entendemos o estágio da vida dele. Holden está perdido na vida, não quer estudar e só pensa em estar longe de todo mundo. Por um lado, é um garotinho de 12 anos; mas há horas que parece um velho falando, pois é um cara bastante inteligente. 

O que mais chamou a minha atenção neste livro foi o lado psicológico ao qual somos expostos. É como se Holden analisasse cada mísera pessoa que passa por ele, mas não consegue de auto-analisar. Por isso, é bastante fechado, vive num mundinho particular onde tudo ou é muito ruim, ou é deprimente. 

Apesar de ter nascido numa família rica, ele se marginaliza repetidas vezes, como se quisesse se distanciar da classe social da qual pertence. Não diz muito sobre os pais, dando uma noção de que tem um relacionamento muito distante com ambos. Holden é muito crítico com relação a tudo, e se acha um pouco superior, por ter consciência que não é um daqueles que "se fazem", como seus colegas. Basicamente, ele odeia quase todo mundo e gosta muito de simplicidade. Por se deprimir muito facilmente, é um garoto sozinho - dá pra inferir que não tem um melhor amigo, ou uma namorada, porque não consegue alcançar intimidade física ou emocional com ninguém. 

Apesar de tudo isso, Holden tem um senso de humor muito bom, o que torna a leitura muito leve a rápida. Outro ponto interessante é que o personagem é tão real que fica muito difícil não nos apegarmos ou não nos identificarmos com ele. Penso que todos, um dia, já se sentiram como Holden, perdidos, devastados, cansados de toda a falsidade do mundo. 
- Pensei que era "Se alguém agarra alguém" - falei - Seja como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém perto - quer dizer, ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar para onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. 
A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.  
Love
Nina  

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1 comentários

  1. Todo mundo conhece, pausa, menos eu! ahahaha
    Adorei a resenha e gostei de cara do Holden (identificação) *-*
    Quando eu criar vergonha na cara e voltar a ler, quero ler esse livro!!

    Beijos,
    Patrícia

    www.patriciapinheirotextos.com.br

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