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#Dicas para escritores

by - dezembro 17, 2014

Livros e Natal são um ótima combinação, não acham? Pois fique sabendo mais do SORTEIO DE NATAL em parceria com outras blogueiras AQUI. E BOA SORTE!

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Nesse semestre tive a oportunidade de fazer uma eletiva de Criação Literária com pessoas incríveis e muito talentosas, e lá eu aprendi lições sobre escrita e sobre leituras. Cada aluno deveria apresentar à turma dois trabalhos, independentemente do gênero proposto, e debater sobre eles, desde a questão estética (parágrafo bem alinhado e espaço entre os parágrafos) até a questão subjetiva (qual é a moral da história? Quais as metáforas utilizadas?). Foi dentro daquela salinha que eu aprendi a ouvir críticas construtivas (sobre o aprimoramento do texto) e a trocar experiências de escritor para escritor. Hoje trago a vocês quatro tópicos sobre coisas que os escritores ouvem e dizem, embutidas no que aprendi com o pessoal de Criação Literária. 


1. "Para aprender a escrever você tem que ler os clássicos".
Fui a uma oficina de construção de personagens patrocinada pela Feira do Livro da minha cidade (Porto Alegre) e nela o palestrante se utilizou de todos os exemplos possíveis de livros clássicos, daqueles que a gente sabe que existe, mas nunca tem vontade de ler. Acho válido avaliar os clássicos, mas como eu cresci (e talvez boa parte da minha geração) lendo literatura contemporânea - e tenho certeza de que a saga mais responsável por isso foi Harry Potter -, eu sinto muita falta das pessoas falarem sobre essa literatura. Infelizmente, é verdade que as pessoas tendem a glorificar os clássicos e a desprezar os contemporâneos, mas isso não quer dizer que você tenha de se conformar com isso. A gente escreve sobre o que gosta de ler. Vampiros, princesas, serial killers, o que seja. Não importa. O que importa é que a gente tem que parar de ter vergonha de dizer que ama um contemporâneo "para não ficar feio" na rodinha. Contemporâneos são ótimas bases para os escritores, sim! Ajuda-nos a saber sobre o que escrever e, acima de tudo, o que não fazer. 

2. "Escrita é só talento". 
A-cor-da! Você pode ter talento, sim, mas vai precisar aprimorar. Por isso, é importante que você leia livros sobre "como escrever" (muitos autores, a exemplo do Stephen King, escreveram livros assim, e são uma ótima teoria! Um livro ótimo que recomendo é A Arte de Escrever, de Schopenhauer). Vai precisar, também, de dicas de português (não interessa se você acha que é craque no português, sempre vai precisar estudá-lo! Dica de livro: O Guia Prático do Português, dividido em quatro volumes: ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação). Não adianta achar que, só porque temos uma boa história, que podemos escrevê-la de qualquer jeito, porque, se você quiser publicá-la, pode apostar que as editoras irão ficar de olho no seu português! Muitas nem passam do primeiro capítulo se a escrita estiver horrível, sério. E aqui vai outra dica: antes de mandar para qualquer lugar, tenha sempre duas ou três betas-readers (pessoas que revisarão seu texto e consertarão os erros) para auxiliá-lo nesse processo. 

3. "Meus amigos amam o que eu escrevo".
Sim, eles amam porque são seus amigos. Sua mãe também. Ou seja, não vale mandar seus textos para alguém que tem um laço próximo a você, pois as respostas serão sempre complacentes. O que mais aproveitei na aula de Criação Literária foi justamente isso: o fato de meus colegas serem pessoas que eu não conhecia e que podiam avaliar meu texto com um olhar crítico aguçado, diferentemente dos meus amigos e dos meus familiares. É importante que a gente entenda que as críticas virão de todos os lados quando publicarmos um livro e que elas nem sempre serão "boazinhas", justamente porque essas pessoas estão avaliando o livro, não o autor do livro. 

4. "Escreva o que conhece".
Não tem uma afirmação mais furada do que essa. Outro dia, uma colega apresentou um texto que falava sobre o aborto, mas ela nunca passou por essa situação. Isso, no entanto, a desqualifica como escritora? E o que dizer dos vários e vários escritores que escrevem a partir da perspectiva feminina e arrasam nisso? Também estão desqualificados para sua profissão? Acontece que ser escritor é justamente sair da nossa zona de conforto, é expandir os limites entre "o que sou" e "o que o personagem precisa ser". Entenda que o autor não é o personagem do livro. O autor precisa se vestir de personagem para escrever sua história. É se fantasiar, inclusive, de outra pessoa. Ou seja, o personagem pode viver em Nova York, ser um serial killer e ser par romântico da Julia Roberts. Mas cabe ao autor manter a verossimilhança, e isso quer dizer que ele terá de investir numa pesquisa profunda sobre Nova York, sobre serial killers e sobre a Julia Roberts. Se todo escritor escrevesse o que conhecesse, o que seriam das histórias? O que seria de Jorge Amado, que nunca nem saiu da cidade dele? Escritor não precisa conhecer tudo, mas precisa saber fingir que conhece tudo. Google it sempre que necessário! 

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Você pode conferir o primeiro post das #Dicas AQUI. E mandar um e-mail com suas perguntas sobre o assunto para mundodanina@gmail.com

Love
Nina  

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14 comentários

  1. Escreva o que conhece é extremamente válido, Nina. Conversei com uma produtora editorial, que está no mercado há uns vinte anos, e ela realmente confirmou isso. É o escrever o que você sabe, por exemplo, em questão de idade; você não pode ter 15 e escrever sobre uma mulher de 25. Sacas?

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  2. Que idéia ótima de post! Achei sensacional você compartilhar seu aprendizado com outras pessoas que também gostam de escrever. E as dicas são realmente ótimas e gostei da primeira e da última. Acho que alguns são clássicos são super-estimados e algumas obras contemporâneas são sub-estimadas e temos que nos livrar de ambos os preconceitos. E realmente, se a gente for escrever só sobre o que conhece, cadê a graça?

    Gosto muito de ler seus posts, eles são sempre interessantes e autênticos. Neste mundo de gente-fake-de-internet, é um alívio passar por aqui.

    Bjs, Ruh - Perplexidade e Silêncio

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  3. Oi Nina,

    Amei o post, vou aproveitar para seguir as dicas, faço letras e modéstia à parte, sei um pouco de português, mas sempre é bom aprimorar o que se sabe. Muito se critica o José de Alencar por escrever sobre o que não conhecia, mas o cara é um gênio, esse é um grande exemplo de que não é necessário escrever apenas sobre o que se conhece.

    www.eucurtoliteratura.com

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  4. Oh My Lord! Simplesmente de queixo caído com esse post. Sou metida a escritora desde sempre. Acho que logo que aprendia ler e escrever, comecei a rascunhar histórias. Sobre a última dica, nunca me identifiquei tanto com alguma coisa. Estou escrevendo um romance que se passa na França. Nunca estive na França então o Google tem sido meu melhor aliado, tanto para saber nomes e sobrenomes comuns, cidades próximas a cidade onde se passa a história, universidades e todo esse tipo de elemento. Adorei as dicas e salvei o link junto com as dicas que estou buscando no Google.
    Beijos enormes

    http://vidasempretoebranco.blogspot.com

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  5. Amei. Ontem mesmo tava conversando com meu namorado sobre essa questão clássico-contemporâneo, eu tive um certo problema pra aceitar que meu jeito é mais contemporâneo, mas também tem a questão de ler um livro no estilo que você goste porque, mesmo num clássico, sempre tem um no nosso estilo que se torna muito mais fácil ler que um clássico totalmente fora do que gostamos.
    Realmente, ser autor é sair fora da nossa zona de conforto, sempre tem uma característica própria do escritor independente do tipo de livro e personagem, mas o importante é convencer o leitor. Uma vez li em algum lugar (acho que uma dica de editora ou escritor mesmo) que é preciso convencer dentro da sua proposta. Mesmo num estilo de fantasia tem que fazer sentido dentro daquele contexto, o mesmo para escrever na visão do sexo oposto, por exemplo.

    Muito bom esse post.
    Beijo Nina
    http://essameninamoca.blogspot.com.br/

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  6. Adorei, adorei e adorei o post! E também concordo com você. Escrever o que conhece é o maior papo furado, se fosse assim nem mesmo harry potter e milhões de distopias exisitiriam. Mas você tem sim que pesquisar sobre o assunto que pretende escrever, precisa se infiltrar, se jogar de cabeça, e aprender bastante daquilo pra conseguir escrever uma história que faça o leitor acreditar ao invés de duvidar. Mas você acha necessário mesmo ler clássicos? sei lá, eu sinceramente não gosto, e evito ao máximo, assim como não acho a escrita parecida, então que diferença vai fazer?

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br
    Tem resenha nova no blog de "Não Fuja!", vem conferir!

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  7. As dicas foram ótimas, é sempre bom ir aprimorando sua escrita
    Principalmente se vocês quer escrever um livro, uma história em quadrinhos ou qualquer coisa que envolva a escrita. É divertido ter esse mundo fantasioso só nosso e as vezes queremos mostrá-lo ao mundo, porém devemos tomar cuidado quanto as palavras que vamos colocar e a sua expressão.
    Adorei mesmo, bom ver blogs levando conhecimento desse tipo.
    Beijo!

    http://leehlivrosillustration.blogspot.com.br/2014/12/livro-morra-por-mim-eliane-quintella.html

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  8. Oi! Adorei as dicas! Queria muito escrever um livro, mas a inspiração ainda me falta. Acho que meu maior
    problema vai ser ler os clássicos, mas eu vou tentar.
    Adorei o blog e já estou seguindo!
    Beijos
    http://porummundocommaispaginas.blogspot.com.br/

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  9. Oi Nina. Adorei o post e acho super válido. Maior furada essa história dos clássicos. Acho que deve ser lido de tudo. Nem que seja penas para aprender o que não fazer. Eu leio de tudo (ou quase tudo, alguns não leio nem se me pagarem) e tenho livros preferidos desde O Alienista até Percy Jackson. Porque sim!!! =D
    Só talento não é. Mas é muitoooo talento. Eu já trabalhei como redatora e foi como a minha chefe e eu sempre comentávamos. As vezes, as pessoas acham que sabem escrever. Mas elas não sabem. Elas se enganam. Mas é claro que a prática e técnica irão ajudar. Um bom exemplo é o blog. Se pegarmos nossa primeira resenha e a última, veremos que melhoramos muito.
    Bah, se nem seus amigos curtem... kkkk. Concordo Nina, eles sempre vão dizer que gostam. Mas aí você também precisa ter confiança no que escreve. Eu já fui colunista do jornal da cidade e com isso aprendi muito sobre isso. Escreva e confie naquilo. Vai ter quem gosta e quem não goste. Mas se a maioria não gostar, pode ter coisa errada aí. kkkk
    E por último, escreva sobre o que você conhece. Concordo em partes. Quando escrevemos sobre o que conhecemos, conseguimos ser mais realistas. Mas nem sempre conhecemos aquilo sobre o que queremos escrever. Vou escrever sobre o inferno, mas tipo, nunca fui lá. Então essa regra não se aplica. Mas em alguns casos, acho que se aplica sim.
    Bem enfim, comecei a escrever e não parei mais. kkkk
    Gostei bastante das dicas. E como eu disse, coloque aí : tenha confiança. Você precisa acreditar na sua história =D
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br

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  10. Oi Nina, amei o post e anotei as dicas.
    Estou terminando de escrever um livro e quero começar outro logo.
    Acho super válidas essas dicas, pois é escrevendo, lendo e relendo que a gente aprimora nossa escrita. Eu, particularmente, gosto de me propor desafios e escrever aquilo que eu acho que não sou capaz, então penso alguma forma de sair da zona de conforto e escrever sobre algo que nunca imaginei.
    Já segui 3 das suas 4 dicas, a única que não consegui foi mostrar meus escritos para alguém crítico no assunto. Só tenho o apoio de uma amiga. Sinto falta dessa visão mais crítica em cima do meu trabalho, mas não sei aonde encontrar.
    Abraços Mika,
    Pensamentos Viajantes

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  11. Oi, Nina!!
    Achei ótimas as dicas. Realmente, não é só de clássicos que vive a literatura, né? E pra falar a verdade, acho que hoje em dia é mais vergonhoso dizer que gosta de clássicos, porque todo mundo fica: ECAAAA, é muito chato! hehehe
    Eu sinceramente não tenho o "dom" pra escrever histórias, minhas ideias travam bastante e prefiro escrever textos mais críticos, mas talvez comece a praticar mais :)
    Adorei!

    Beijos
    Rayssa
    http://diariosdleitura.blogspot.com.br/

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  12. Adorei as dicas e queria muito participar de coisas assim, ainda vou algum dia!!! Acho que deveria ter muito mais eletivas, são super importantes e acredito que me dariam uma luz para melhorar a minha escrita e criatividade. Pena que minha cidade não faz isso..... Beijos.
    http://chuvacobertaelivros.blogspot.com

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  13. Eu já comentei aqui nessa postagem, mas parece que ocorreu algum erro! Vou comentar de novo.
    Nina, como já disse eu curti muito essa sua ideia de trazer dicas para escritores, mas tanto que não vou perder nenhum post, até porque como no item 2, sempre é preciso aprimorar! Eu adorei as dicas, super concordo com absolutamente todas e inclusive com a primeira.
    Muito bom aprender mais e ainda poder trazer para si próprio! Continue sempre.
    http://escrituras-da-alma.blogspot.com.br/

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  14. Olá!

    Suas dicas são maravilhosas e também não concordo com o fato de falarem que "só quem leu clássicos escreve bem", a realidade não é assim. Glorificam tanto algo que, hoje em dia, não é valorizado por nós jovens. Deveriam parar com o esteriótipo de que tudo que é antigo ou de fora é melhor, pois, nós blogueiros, conseguimos reconhecer a literatura nacional a partir de parcerias ou editoras parceiras, tendo a opinião, muitas vezes, que a literatura contemporânea pode ter coisas muito melhores que as antigas. Varia muito de livro para livro.

    Beijos,
    Luiz Henrique (Luke)
    instanteliteral.com

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