10 de dezembro de 2014

#Um coração que está por empréstimo

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Não repara na minha letra horrível, viu? Não pretendia lhe escrever e tinha jurado nunca fazer isso, mas acordei no meio da noite com a sensação de que lhe devia algo. O quê, não sei bem. Talvez umas daquelas palavras que te prometi certa vez. Não sei por que vivo te prometendo esse tipo de coisa, quando sei que é sempre como cair no buraco. E isso me deixa louca. Você tá me deixando louca, camarada. E a gente tem que acertar umas coisas. 

Lembro daquela vez que você me perguntou: autenticidade pra quê? Ninguém mais acredita nessa merda de autenticidade! Não sei se é porque sou quem sou, ou simplesmente porque te conheci, mas acredito que você também fez a sua parte nessa merda de autenticidade, sabe? Você, de começo, se revelou um filho da mãe dos grandes, e eu ri da sua desgraça. Me achei melhor do que você, sabe? Mas eu estava tão decadente quanto você. No fundo do poço mesmo. E daí você me apresentou ao seu eu verdadeiro. E, caramba, tudo fez sentido. Você reclamou tanto dessa coisa estúpida de "ser autêntico" que se esqueceu que todos temos um pouco disso dentro de nós. Não tem graça viver se estamos sempre nos anulando. E eu não quero me anular. 

Estava errada em negar o quanto a vida pode ser linda. Estava errada em trancar o meu talento comigo e nunca te levar pra minha casa, pra gente ser juntos. Pra encontrar um caminho durante a madrugada, com as nossas canções bregas preferidas. Estava errada ao sorrir triste enquanto prometia uma reviravolta completa da minha vida de merda. Estava errada ao rir enquanto você me contava sobre como tinha tudo e largou a felicidade por algumas garrafas perdidas na noite. 

Sei lá. Acho que eu sempre estive errada. Dá pra perceber, né? Acho que, no fundo, sinto muito. Queria ter dito palavras bonitas pra te acalentar e ter escrito aquela música que mudaria a minha vida para sempre. Mas acho que não sou esse tipo de garota. Não saio por aí dizendo que vou conseguir as coisas. Não arrisco quase nunca. Mas aí você me achou. Disse qualquer coisa com seus olhos ejetados, e eu aceitei tomar aquelas cervejas contigo. Sei lá, foi a época da decadência pra nós dois. A gente só queria alguma coisa para o que viver. E a gente começou a viver. Por mim. Por você. Por nós dois. 

E aquelas estrelas perdidas, daquela mesma velha canção, ficaram pra trás. Porque a galáxia explodiu, levando todas elas, sobrando só aquele pó que brilha mais do que as nossas almas. Acho que podemos afirmar que há felicidade, certo? A gente não seguiu Deus, ou os ensinamentos da estrada, mas estamos aqui. Talvez meio ferrados, mas não mais no fundo do poço. Não estamos mais lamentando, nem dizendo palavrões ao vento. Porque não adianta mais. 

Você me deu uma razão. 
E eu percebi que a vida escolhe a gente. 
A vida define a gente. 
Mas ela não pode fazer mais do que nos apontar uma direção. E lá vamos nós, para cima ou para baixo. Mas a vida sempre dependeu da gente, meu camarada. Acho que é aquela coisa da autenticidade que você tanto detestava. A vida nos dá uma paixão autêntica, mas depende de nós em que vamos transformá-la. 
Em que se transformou a sua paixão, querido? O que você fez com ela? Não vá me dizer bobagens, hein? E vamos parar com essa coisa de "minha vida era uma merda". Sua vida era o que você ofereceu a ela. 
Ofereça um tiquinho de paixão a ela dessa vez, viu? Não é o final da linha. Se for preciso, recomece. Seja uma nova razão para si mesmo. Não dependa de mim dessa vez. 

Love
Nina 

10 comentários:

  1. Depois que você comentou comigo que o Holden era mais gente boa que o Charlie (não sei se foi exatamente esse o comentário, mas foi o que absorvi dele), li O Apanhador em dois dias. Depois te falo o que achei dele. Mas, lendo seu texto, vi o jeito de escrever do J. D. Salinger, meio descompromissado meio melancólico. E isso é um elogio!

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  2. Essa coisa toda de autenticidade me lembrou um personagem de um livro que li recentemente. Era o Bola Wall, de Morte Súbita. Ele sempre buscava ser autêntico, não se deixar influenciar nem ser reprimido pelo resto da sociedade.
    Parabéns pelo texto, foi bem intimista, então não garanto que consegui captar toda a mensagem.

    Beijos
    Leitores Forever

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  3. Eu amei. Mas amei muito mesmo! Porque você sempre infecta nossas veias com suas inspiradoras palavras! Eu diria que daria uma boa história só com essa primeira página. <3

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  4. Amei cada palavra nesse mar de sentimentos Nina :3 Nunca tinha lido algum texto seu, mas por acaso você escreve super bem.. E parabéns pelo blog, é lindo *^* Beijos :*

    amoresporficcao.blogspot.com.br

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  5. Para mim é estranho pensar em autenticidade, pois pesquiso papeis sociais, alinhamento, enquadros nas interações sociais. Os teóricos dizem que assumem sempre realinhamos para nós mesmos e para os outros. Então, acho que estamos quase sempre representando.
    Teu texto é literário e venho falar de pesquisas sociais (risos).
    Quero te parabenizar, pois o texto em fez pensar em tudo isso.

    Beijos

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  6. Amei o texto, você escreve super bem, consegui me identificar em várias passagens do texto, já que estou muito nessa linha de recomeços e de tentar se encontrar. Adorei, com certeza vou querer ler mais o que você escreve :D
    Beijoos,
    http://setimaondaliteraria.blogspot.com.br/

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  7. Que texto gostoso de se ler :)
    Eu amei , em especial o fechamento que diz que a vida te deu o que se ofereceu a ela *__* , me identifiquei muitooo . As vezes a gente não percebe que é protagonista da própria vida né e acaba depositando expectativas de mudanças externas, em outras pessoas , quando na verdade tudo depende de nós rsrs
    Adorei mesmo
    bjoss
    Ariane
    www.resenhasdelivros.com.br

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  8. Olá Nina, parabéns pelo texto escrito, sua escrita é leve, espontânea e gostosa de se ler. Achei bem bacana a parte de recomeçar, ir atrás do que queremos e não depender dos outros e depender de nós mesmos. Adorei o texto mesmo, já li alguns de outros textos seus e como sempre demostra bem sua opinião verdadeira.
    Beijos e sucesso querida.
    chuvaelivros.blogspot.com.br

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  9. Amei o texto Nina, deu para notar cada sentimento em suas palavras, realmente é um texto do fundo do coração.

    http://www.eucurtoliteratura.com/

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  10. Nina, lindo seu texto. Gosto do jeito que você escreve. é fluido, leve =D
    "Mas a vida sempre dependeu da gente, meu camarada. " Super. Afinal, como você mesmo disse: a vida não pode fazer mais do que apontar uma direção. É nos que decidimos para onde vamos. Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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