28 de fevereiro de 2015

#Filme: Simplesmente Acontece

Simplesmente Acontece, o filme abordado na resenha de hoje, me chamou a atenção não pela história, nem por ser uma obra baseada no livro da autora Cecelia Ahern, mas somente por causa dos atores: Lily Collins e Sam Claflin. Não sou super fã de nenhum dos dois, mas, nos últimos tempos, tenho acompanhado os trabalhos de ambos e, por isso, vi-me curiosa para assistir a essa comédia-romântica (que já deixou de ser o meu gênero preferido). 


Título Original: Love, Rosie
Diretor: Christian Ditter
Ano: 2014
Nacionalidade: Reino Unido/Alemanha

Como supracitado, a obra fílmica é baseada num livro da Cecelia Ahern, chamado "Onde Terminam os Arco-Íris". Talvez, devido ao filme, o título foi alterado para "Simplesmente Acontece" (e a última edição até ganhou uma capa com os atores). O engraçado é que o livro estava na minha wishlist desde 2011 (sei disso, pois guardo todas as minhas listas de livros), mas, como toda leitora, sofro daquele probleminha de passar alguns livros na frente e, esse, ficou bastante esquecido. Somente agora, por exemplo, eu fiquei sabendo que a história escrita é em forma epistolar (por meio de cartas, e-mails etc). Ainda assim, escolhi assistir ao filme. 

A história aborda um casal de amigos, Rosie e Alex. Eles estão bem naquela fase de escolher suas carreiras e as faculdades. Bem no comecinho, toda a storyline já nos é apresentada: eles estão em uma festa e acabam se beijando, mas, para o azar de ambos, Rosie não se recorda de nada, no dia seguinte. Fica claro desde o começo que ambos se amam, mas, como quase todo filme desse gênero, muitas situações os separam. Alex, por entender que Rosie não deu a mínima para o beijo deles, convida Bethany, uma colega de aula, para o baile. Rosie também faz a mesma coisa: convida outro garoto para o baile, Greg. Como todo clichê americano, Rosie e Greg vão para cama após - ou seria no meio? - do baile. 

É a partir daí que tudo muda de verdade entre os protagonistas, pois Alex anuncia que conseguiu uma bolsa para estudar em Harvard (os dois são britânicos). Rosie e Alex já estavam planejando viverem nos Estados Unidos; ele estudando Medicina, ela, Hotelaria. O maior sonho de Rosie é construir um hotel só dela. E, infelizmente, todos os planos dela vêm abaixo, quando ela fica sabendo que está grávida. 

Rosie decide esconder a notícia de Alex para não impedi-lo de viajar. Como previsto, ele viaja. E, novamente, como previsto, ela tem de lidar com a gravidez recebendo apoio somente da família. A criança nasce e, tempos depois, Alex reaparece, já sabendo da história. Bem, como pode-se imaginar, Alex não fica na Inglaterra - não que Rosie peça, também. Ela simplesmente sabe que ambos têm suas vidas agora. E, desse modo, tudo segue em frente, aos tropeços como toda história do gênero. 

Diferentemente do livro, que narra a história de Rosie e Alex em um período de 45 anos, o filme tem uma linha do tempo de apenas 12 anos. Então, no começo, ambos tinham 18 e terminam com 30. As "puladas" no tempo, a meu ver, ficaram pouco convincentes, pois, esteticamente, os personagens pouco mudaram nesses 12 anos. À exceção do comprimento dos cabelos, nada realmente mudou. Esperava mais dessa parte, pois creio que em 12 anos as pessoas mudam muito e o filme não conseguiu acompanhar essas transformações de maneira mais objetiva. 

É bom ressaltar que a trama é bastante clichê, embora, às vezes, consiga surpreender por apresentar algumas reviravoltas. Mas, como toda história romântica clichê, há aquelas voltas e mais voltas que todo espectador sabe que somente estão no enredo para "enrolar" mesmo. Não que essas voltas, nesse filme, não tenham funcionado. Creio que a grande jogada foi que elas funcionaram devidamente e em nenhuma vez eu me senti irritada. 

Apesar de a trama cair naquele buraco das comédias-românticas, os personagens são o ponto alto. Rosie, ao contrário da mocinha romântica que fica à espera de seu amor, não se deixa abater por nada, especialmente devido à filha. Ela começou, sim, super romantizada, mas a maternidade lhe conferiu maturidade. Já Alex, apesar de ser um personagem masculino quase que comum, não me fez rolar os olhos por ser aquele tipo de cara que enfia os pés pelas mãos e que que acha que vai consertar tudo com o amor. Na verdade, senti que a trama é bem mais sobre Rosie do que sobre Alex, ainda que ele tenha seus momentos garantidos em muitas cenas. 

De forma geral, é um filme gostoso. Não dá para sentir raiva de nenhum personagem (talvez, somente do Greg), pois entendemos que cada um tem um papel diferente e que cada um ganha um destaque diferente justamente porque é o plano traçado. No entanto, houve um "espaço vazio" no meu coração quanto ao quesito da identificação, depois que acabei de assisti-lo, pois, apesar de toda a expectativa que eu sentia antes de vê-lo, ele não se tornou um filme marcante. 

Love,
Nina 

25 de fevereiro de 2015

#Novas parcerias

Mais uma vez, venho com novidades sobre autores parceiros do blog! Nem preciso dizer o quanto fico feliz, né? É sempre bom saber que os novos autores estão abertos a parcerias e que entendem o trabalho de um blogueiro.



SIMONE TAIETTI nasceu em 1994, ano em que o mundo perdeu Kurt Cobain e Ayrton Senna e em que Nelson Mandela tornou-se o 1º Presidente negro da África do Sul. Descobriu ainda no Ensino Fundamental sua grande paixão: a escrita. Tem preferência pelas histórias palpáveis, a inconstância da vida, aquilo que pode acometer qualquer um. 
Em 2011, foi uma das ganhadoras do 7° Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, na categoria estudante de Ensino Médio, concorrendo com 3.375 outros textos.
Vive em Tangará – SC. É acadêmica de Direito na Universidade do Oeste de Santa Catarina. Divide seu tempo livre entre a escrita, leitura, estudos e os seriados de que tanto gosta.
"Uma vida para sempre" é seu primeiro livro publicado.


Livro cedido para a parceria: Uma vida para sempre.

SINOPSE: Ethel diz estar morrendo. Contudo, não afirma isso apenas em razão de sua doença. Talvez a única certeza de nossa existência seja a morte, o fato de que ela chega para todos. Mas nem por isso deixa de ser a maior incógnita da vida.
Em um hospital, em meio à dor das histórias dos pacientes, Ethel encontrou amigos. Entre passeios em cemitérios, frequentando velórios e enterros de estranhos, ela tenta preparar a si e aqueles que ama, para o que parece estar ali tão próximo, o fim. Entretanto, não esperava enfrentar algumas surpresas que a fizessem duvidar de tal preparação.
As estatísticas ruins, a inexorável passagem do tempo. Onde reside a lógica disso que nos arranca pedaços, da súbita inexistência do que outrora era vívido e pulsante? Um corpo que jaz. Palavras que se perdem. A finitude de tudo o que é tão belo talvez seja a maior dor do mundo.
Ethel descobriu.
Uma vida para sempre é um compilado de desejos, pensamentos e dias.
Quanto dura o para sempre?




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BRENO MELO nasceu em 1980, na cidade do Rio de Janeiro. Foi indicado para Poeta do Ano pela Sociedade Internacional de Poetas mais de uma vez, em 2002, 2003 e 2004. Participou da antologia "The Best Poems and Poets of 2003", com o poema "Hazel Eyes", e da antologia "The Best Poems and Poets of 2004", com a composição "That Girl". Também foi selecionado para "The International Who's Who in Poetry", incrível obra mundial que conta com participantes de vinte e cinco nações ao redor do globo e reúne, segundo a Sociedade, os poetas mais interessantes que ela encontrou ao longo dos catorze anos anteriores.



Livro cedido para a parceria: A garota que tinha medo. 

SINOPSE: Marina é uma jovem que faz tratamento para a síndrome do pânico. Às voltas com o ingresso na universidade, um novo romance e novas experiências, Marina tem seu primeiro ataque de pânico. Sua vida vira de cabeça para baixo no momento mais inapropriado possível e então psiquiatras e psicólogos entram em cena. Acompanhamos suas idas ao psiquiatra e ao psicólogo, o tratamento farmacológico e a psicoterapia. Ao mesmo tempo, conhecemos detalhes de sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, social e familiar na medida em que elas são marcadas pela síndrome. Um tema atual. Uma excelente obra tanto para conhecimento do quadro clínico como entretenimento, narrada com maestria e de uma sensibilidade notável.




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FLÁVIA DUDUCH  nasceu em 1996 em São Paulo – SP e doze anos depois, começou a escrever fanfics. No entanto, mesmo antes disso, sempre gostou de inventar histórias. Só mais tarde, ao ver que não conseguia terminar nenhuma fanfics, tentou escrever uma original, e deu certo. Mas, só foi publicar três anos mais tarde, o seu segundo livro escrito. Logo depois dele, escreveu outro e achou que ele apenas ficaria bom na gaveta. Em novembro de 2013 viajou para Londres, onde teve a ideia de escrever um romance, intitulado “Para Sempre Ela” que será publicado em ebook na Amazon em algum momento de 2015.



Livro cedido para a parceria: Para sempre ela.

SINOPSE: Depois de anos sendo escolhida para ser o centro das pegadinhas e gozações no ensino médio, o tempo passa e Hannah se torna uma mulher, acima de tudo, forte. Entretanto, essa força seria suficiente para sobreviver a um tiro e descobrir que o médico que salvou sua vida é ninguém mais, ninguém menos, do que toda a fonte de seus problemas no ensino médio? Ela diz que perdoou Frank, mas Frank ainda não se perdoou por ter feito ela passar por tudo aquilo. Talvez esses sejam os motivos que fizeram Hannah deixar que ele se aproximasse, só que, diferente da última vez, agora é para sempre. Sentimentos que foram enterrados no fundo da alma de ambos irão voltar à tona... E tudo por causa de uma bala perdida que acabou acertando Hannah de raspão.








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Vocês podem conferir os primeiros autores parceiros de 2015 neste post. A resenha de Amor em Jogo, da Anaté Merger está aqui, e a de Mosaicos, da Michelle C. Buss está aqui. Em breve, aparecerei com a resenha de Coração Artificial, da Viviane L. Ribeiro!

Love,
Nina 

22 de fevereiro de 2015

#Contos de fada pt II

Continuo hoje com o assunto contos de fada, como prometido. A Pt I ficou centrada em conceitos básicos sobre o gênero e seus autores clássicos. Hoje, entretanto, pretendo trazer autores contemporâneos nas mais diversas áreas. 

Em 2011, os escritores de Lost (Edward Kitsis e Adam Horowitz) nos apresentaram o seriado Once Upon a Time, recheado de drama, fantasia e bruxaria. Baseado em contos de fada da Disney, OUAT soube angariar um público fiel. Hoje, está na quarta temporada com Elsa, Anna, Cruella, Malévola e Ursula. 

Como saber se é um conto de fada? 
Há elementos essenciais, tais como:
 A icônica frase "Era uma vez..."
 O desejado Final Feliz
 Personagens planos, ou seja, se eles começaram "bonzinhos" terminarão assim. O mesmo vale para os vilões. 
 Ambiente doméstico (histórias familiares, por exemplo)
 As ações sempre acontecem no mundo (matar o dragão, salvar a princesa etc), nunca no interior (não há conflitos internos).
 Ajudantes mágicos (sejam fadas ou animais)
 O personagem principal sempre começa sua jornada em um lugar e termina em outro. 

Nomes contemporâneos:
1. Angela Carter 
Foi uma escritora inglesa muito conhecida por sua literatura pós-feminista e seu realismo mágico. Sua obra O Quarto do Barba-Azul inspirou o filme de Neil Jordan chamado A Companhia dos lobos (que é uma reinterpretação de Chapeuzinho Vermelho). 









2. Jean Cocteau
Foi um grande nome no século XX. Pintor, poeta, escritor, dramaturgo e diretor, Jean inovou em certos aspectos o teatro francês. Dirigiu o filme A Bela e a Fera, que é tido como um dos clássicos do cinema. 










3. Paula Mastroberti 
Nascida em Porto Alegre, Paula é artista plástica, doutora em Letras, escritora e ilustradora. Já tem 10 livros publicados, entre os quais Heroísmo de Quixote, que contém palavrões (de modo que dá para imaginar que muitos pais desaprovaram a leitura nas escolas). Eu a conheci no evento a que fui, propiciado pela minha faculdade, e ela é uma pessoa bastante diferente e marcante. Foi uma das poucas palestrantes que conseguiu passar o conhecimento de forma ótima e despojada. Você pode ler AQUI uma entrevista com a autora sobre Adormecida: Cem Anos Para Sempre (recomendo bastante, para quem se interessou pelo trabalho dela). 


Outros títulos da autora: 



4. Junko Mizuno
É uma artista de mangá (?) que tende a utilizar o estilo gótico. Seus trabalhos ficam entre o "bonitinho" e o "horrendo". Em Cinderalla, a personagem principal é filha de um dono de restaurante, mas acaba morrendo e virando um zumbi (!!!). Ao invés de ter o famoso sapatinho de cristal, ela tem um olho de vidro. 









5. Christophe Gans
Christophe dirigiu a última releitura de A Bela e a Fera, em 2014. O filme tem nacionalidade francesa e alemã, contando com uma Bela bastante diferente da usual: a personagem é loira. Nessa história, ela e seus irmãos se mudam para o campo, após um naufrágio. Lá, seu pai arranca uma rosa do jardim e é condenado à morte pelo dono do castelo. Para salvar a vida de seu pai, Bela aceita viver com o estranho, que tem uma vida de luxo, magia e tristeza e, aos poucos, descobre um pouco mais sobre o passado de Fera, que se vê atraído pela moça. 

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Essa segunda parte ficou mais enxuta, como podem ver. Mas espero que tenham gostado de saber sobre esses outros autores e espero que vocês vá atrás de tudo isso (e assistam OUAT, que é tudo de bom!). 

Love
Nina 

20 de fevereiro de 2015

#Talvez a pior morte seja a morte de um sonho

É difícil fazer um retrospecto da minha vida sobre isso. Não dá pra contar de cabeça, assim, tão rapidamente os anos. Eu cresci com eles, especialmente. A cada novo ano, novas coisas eram descobertas e sentidas. Tão sentidas, que era indispensável que elas fossem eternizadas em papel. E lá por muito tempo ficaram - na verdade, elas ainda estão lá com a minha letra; foram páginas e mais páginas que me ajudaram a me conhecer e entender que eu tinha um sonho. E esse sonho, muitos dizem, é inalcançável e dispensável. A única coisa que entendo de tudo isso é que, independentemente de qual seja meu sonho, ele não chega nunca. Não tem final. Eu não consigo entrever o final do abismo. Tudo que vejo é um horizonte infinito em minha frente. E a jornada é horrível. A mais horrível. E não digo isso pelo que tenho de ouvir dos outros - querendo ou não, a gente tem ouvido seletivo -, mas porque essa jornada não acaba nunca. Não tem um ponto final. 

Quando comecei com isso, não levei à sério. Não definia quem eu era, mas aprendi que somos de pouco a pouco conduzidos ao destino final por causa das coisas que dizemos, fazemos e sonhamos. Por causa das palavras e das histórias interminadas, eu sou quem sou. Em toda nova história ou texto há algo de mim. Sou feita de palavras. E por isso é tão difícil aceitar que a pior morte seja a de um sonho, daquilo que mais queremos que se concretize. Porque, a cada fracasso, parece que esse sonho é inútil, que não tem validade, que é insignificante. 

A gente pensa que não importa, afinal todo mundo fracassa todos os dias. Mas a verdade é que, a cada fracasso, a gente perde a capacidade de sonhar um pouquinho de cada vez, até que se convence que a vida é assim mesmo: um fracasso. A gente se convence que a vida é feita pra gente só cair de cara no chão. E, veja bem, quem disse que a felicidade está em todos os lugares? Quem disse que todo mundo alcança uma vida plena? Talvez, isso nem exista. Talvez isso seja um sonho que fracassou dentro de alguém. 

E, cada vez que um sonho fracassa, isso mata de pouco a pouco. Mata de decepção, até que a gente não consegue mais persistir. Percebemos que estamos ficando pra trás, sempre no mesmo lugar, sendo a mesma pessoa, fazendo a mesma coisa. Sonhando a mesma coisa, de olhos abertos. Consciente de que isso é um fracasso. Que você é um fracasso. Que você não é ninguém a menos que alcance seu sonho. Isso fará com que toda a dor, todo o fracasso, todos os insultos ganhem significado, e ele é: você conseguiu. Mas, enquanto você só cai de cara no chão repetidas vezes, o significado é: isso é inútil. E, automaticamente, você se sente inútil. Alguém que não tem valor algum para ninguém. 

Às vezes, não é nada legal viver no mundo real e tudo o que você gostaria de continuar a fazer é sonhar de olhos abertos. 


Love
Nina 

19 de fevereiro de 2015

#Resenha: A mais pura verdade

Assim como quase todos os blogueiros literários, eu me inscrevi na seleção de blogs parceiros da Novo Conceito. Infelizmente, o blog não foi selecionado (#todoschora), mas recebi uma amostra de um livro que será lançado no mês que vem: A mais pura verdade, do autor Dan Gemeinhart


Título Original: The Honest Truth
Autor: Dan Gemeinhart
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015

A mais pura verdade é um livro (pelo menos, de acordo com a minha visão) infanto-juvenil que conta a aventura de um garoto de 12 anos, que ama tirar fotografias e escrever haicais. Mark, nosso protagonista, acabou de fugir de casa e está na estação com seu cachorrinho Beau. Seu intuito é escalar uma montanha. Basicamente, esse é o esqueleto da história. A partir disso, o leitor acompanha algumas das memórias felizes de Mark e, também, pode entender de forma um pouco indireta por que o garoto está fugindo de casa (não posso falar aqui, hahaha). 

A presença assídua de Beau, mesmo quando ele fica dentro da mochila para não ser visto, torna a história mais leve e especial. Logo quando vi o cachorrinho na capa percebi que iria me apegar ao livro, pois adoro cães e tramas que os envolvem. O cãozinho é valente e dá forças à Mark, quando este precisa de motivação. O animal fez um ótimo trabalho na hora de contrabalancear os diversos "climas" da história. 

O interessante e dinâmico do livro é que cada capítulo acaba com um "extra" que narra, em terceira pessoa, o que está acontecendo com os pais e a amiga de Mark, de modo que o leitor tem total ciência de tudo o que se passa com os personagens, mesmo com os coadjuvantes. 

De início, eu não sabia que idade tinha o protagonista. Muitas vezes ele se referia como uma criança, por isso, comecei a achar que ele tivesse uns oito anos. Só quando ele narra a lembrança feliz dele (mencionada acima) é que descobri que ele tem 12 anos. E, ainda assim, fiquei muito surpresa, pois a linguagem do livro é muito bem estruturada e coerente. Não é a linguagem de uma criança de oito, ou mesmo de doze anos. Mark é muito eloquente, e foi um ponto mais do que positivo na hora da leitura. Ele é um personagem muito cativante, não somente pela pouca idade, mas porque é educado e está sempre tentando fazer com que sua situação não esteja tão ruim assim. Sem contar que ele é um doce com o cachorro, dá para ver que são muito ligados um ao outro. 

A capa, como podem ver, é muito lindinha e capta muito bem o âmago da aventura de Mark. A revisão, para a minha alegria, está impecável. 

Infelizmente, recebi apenas uma amostra, que veio com seis capítulos. Mas terminei-a com a sensação de que poderia passar a madrugada lendo, caso estivesse com o livro inteiro nas mãos. Com certeza, é uma história que quero continuar e preciso saber o final. 

Love
Nina 

16 de fevereiro de 2015

#TOP 5: Fanfics


Alguns devem saber que eu amo fanfics. Comecei nesse meio em 2009, com histórias sobre o fandom de Harry Potter. Escrevia sobre a primeira geração (os pais do Harry), sendo que meus shippers preferidos eram Lily/James e Marlene/Sirius. Infelizmente, deixei o site onde postava, o Floreios e Borrões, em 2011, por isso, muitas de minhas fanfics ficaram interminadas. Depois de um hiatus, voltei a escrever, mas no Nyah! e no Fanfiction.net, sobre o fandom de Glee. Decidi mudar de fandom, pois já tinha me distaciado bastante de Harry Potter e, revendo Glee, percebi que o meu lado fã-de-fanfics refloresceu e, claro, não pude me impedir de escrever. 

O assunto desse TOP 5 é fanfics, mas não as minhas (quem quiser, vou deixar meus perfis no final da postagem). Decidi fazer sobre isso, pois sinto saudade de escrever minhas histórias e porque, como a Ana divulgou no blog dela uma fanfic minha, achei legal divulgar as fanfics que mais (re)leio e/ou acabei de descobrir e já foram favoritadas por mim. 

1. Julliard Meets Drummer
Autora: Miss Gleek
Categoria: Glee
Shipper: Finchel (Finn e Rachel)
Classificação: Rated M (não recomendado para menores de 17 anos). 
Status: terminada
Minha opinião: Foi a primeira fanfic de Glee que li e que me inspirou a me adentrar nesse mundo. Diferentemente da maioria, esta história é mais adulta e madura, lida com questões emocionais e segredos do passado. E, claro, há muito romance e um pouco de sexo, mas de uma maneira comedida e aceitável (não há submissão, nem outra coisa parecida). Com certeza, uma das poucas fanfics muito bem escritas e arquitetadas. A história te prende do começo ao fim! 
Link para leitura aqui.

2. À Prova de Som
Autora: Tenteitudo
Categoria: Glee
Shipper: Faberry (Quinn e Rachel)
Classificação: + 13
Status: terminada
Minha opinião: Uma das primeiras fanfics Faberry que li e, com certeza, a mais linda! Nesta história, a Quinn é deficiente auditiva e começa uma amizade com Rachel, que precisa se habituar com a deficiência da amiga. É a fanfic do shipper mais tocante, porque, obviamente, além de as personagens terem de lidar com a questão da sexualidade, há a superação da diferença entre elas. O amor entre Rachel e Quinn é algo muito bonito, leve e natural. A primeira vez que li, eu praticamente chorei por ter lido algo tão enternecedor. 
Link para leitura aqui.

3. Desde Sempre
Autora: K2hudberry
Categoria: Glee
Shipper: Finchel (Finn e Rachel)
Classificação: Rated T (não recomendado para menores de 13 anos)
Status: terminada
Minha opinião: Foi a primeira fanfic que li da Karla (sim, do blog Livro Arbítrio) e, com certeza, a que mais me tocou. Essa história fala sobre como Finn e Rachel cresceram apaixonados e acho-a tão fofinha! A autora escreve muito bem e é uma das poucas que atualmente acompanho (e ela tem muitas fanfics, minha gente! Nem eu, que sou obcecada pelo shipper, tô conseguindo ler todas! Mas a Karla sabe que, um dia, ainda consigo essa proeza, haha). 
Link da leitura aqui.

4. Uma Valsa em 221B Baker Street
Autora: Jane Timothy Freeman
Categoria: Sherlock (o seriado)
Shipper: Sherlock Holmes e John Watson
Classificação: Livre
Status: Terminada
Minha opinião: Foi a terceira fanfic que li da autora (e a terceira do shipper), mas, com certeza, essa foi a que mais me tocou. Em um capítulo, a história narra Sherlock ensinando John a dançar. É bastante engraçadinha, mas triste (acho que foi por isso que gostei da história. Cheguei ao final e fiquei com vontade de bater na autora, hahaha). Mais uma vez, essa é outra fanfic que se destaca por sem muito bem escrita (o que é quase um milagre, tratando-se do Nyah!). 
Link da leitura aqui.

5. Muito Mais Que o Amor
Autora: Jessi de Paula
Categoria: Glee
Shipper: Finchel (Finn e Rachel)
Classificação: + 13
Status: interminada
Minha opinião: Sou amiga da Jessi (blog dela aqui) há praticamente cinco anos. Conhecemo-nos por causa do Floreios e Borrões, num grupo de escritoras de fanfics. O que mais amo no grupo é que todo mundo apoia todo mundo. Eu venho acompanhando as escritas da Jessi e, quando descobri essa fanfic dela, quase dei na cara dela por não ter me contado antes, haha. Essa história é simplesmente incrível. Inspirada em canções do Vanguart, a autora desfez as storylines originais de seriado e construiu as dela, ou seja, se não fosse pelos nomes dos personagens, ela teria uma história completamente original. E a vantagem é que a fanfic é muito bem escrita e contrabalanceada. Se eu fosse resumi-la diria que ela se trata de redenção e uma coisa meio "voltar às origens". 
Link da leitura aqui.

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Meu perfil do Floreios e Borrões (fanfics sobre Harry Potter): AQUI.
Meu perfil do Fanfiction.net (fanfics sobre Glee. Shippers: Finchel e Faberry): AQUI.

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Sei que, majoritariamente, há muito Glee. Mas é, atualmente, o fandom que mais acompanho. Fui procurar algumas fanfics de Harry Potter que eu acompanhava, mas decidi não inclui-las neste TOP 5, por ser meio que "passado" pra mim. Com certeza, as fanfics de Harry Potter me abriram as portas, mas já superei esse amor.


Espero que tenham gostado. E, se você tem alguma indicação, por favor, sinta-se à vontade! Vou adorar conferir novas histórias! :D 


Love
Nina 


14 de fevereiro de 2015

#Dicas para blogueiros: Resenhas literárias

Pois então. Mais uma "coluna" sendo inaugurada no blog, por motivos pessoais e, também, altruístas (sou Abnegação, gente! Tris, sua chata, vai logo pra Audácia e deixa o meu povo em paz!). Nunca planejei iniciar dicas para blogueiros, pois, apesar de eu já ter um caminho relativamente longo na blogsfera, nunca achei que tivesse muito o que passar adiante. Mas, agora, vejo que há muitos pontos precisam ser discutidos e dados como dicas para os blogueiros iniciantes (e mesmo para aqueles que já estão no "ramo" há bastante tempo, mas sempre querem melhorar. Afinal, a perfeição não tem limites).


O que é uma resenha? 
Resenha é a opinião da pessoa sobre uma obra, e não apenas um resumo de cada capítulo. 

Posso fazer um resumo do livro?
Há a possibilidade de resumir brevemente a história, atendo-se aos fatos mais centrais (sem revelar, por favor, spoilers). Mas lembre-se que resumir a obra NÃO É uma resenha. O que realmente importa, que é a sua opinião, vem DEPOIS disso. O resumo apenas serve apenas para o leitor se situar na storyline.

Na resenha-crítica (a.k.a a opinião do blogueiro) o que deve ser abordado?
Antes de tudo, todo blogueiro tem que ter em mente que NÃO se pode apresentar uma opinião que contenha apenas um parágrafo, pois dá, sim, para desenvolver os argumentos de forma plena. E mais: fazer uma crítica NÃO é conversar com o leitor. Crítico tem que se manter firme e impessoal. E por último: dizer sobre suas impressões sobre os personagens, algumas cenas e da história é fundamental e te dá mais credibilidade na hora de recomendar, ou não, uma leitura.

1) Os personagens: são eles que sustentam uma história. Portanto, é sempre muito bem-vindo falar sobre os eles. Você tem que dizer o que eles fazem inseridos na história, qual o propósito deles, qual a visão de mundo deles e qual é a personalidade deles, sem deixar, também, de apontar os lados negativo e positivo que eles carregam. Pense que você tem que analisá-los como um psicólogo o faria. Tem que entendê-los, entrar nas mentes deles.

2) A história: o autor conseguiu transmitir coerência (sentido) na narração? Soube desenvolvê-la? Soube usá-la a favor dos personagens?

3) A linguagem: ela é mais teen, ou mais adult? Ela conseguiu lhe convencer? Fluiu com facilidade, ou você teve de buscar o auxílio de um dicionário? É importante deixar claro o tipo de linguagem, pois pode atrair ou afastar tipos de leitores e nenhum deles gosta de se sentir enganado, ou deslocado na leitura.

3) Construção do texto: a história se passa no passado, presente, ou futuro? O autor utilizou-se de qual pessoa para narrar? Isso também é muito válido salientar, pois muitos leitores não se sentem confortáveis com a terceira pessoa (tipo eu #abafa) e é sempre bom avisá-los.

4) Capa: parece uma coisa supérflua de se abordar, não é mesmo? Mas é, sim, necessário. Diga se ela faz jus à história apresentada. Se a fonte é adequada. Se há capas de outras nacionalidades que mais lhe agradaram.

5) Revisão: alguns não levam isso em consideração, mas lembre-se que nem todo mundo sente-se confortável com erros desse tipo (eu, cof cof). Encontrou muitos erros gramaticais, textuais ou de diagramação? Fale sobre isso, sim! Não esconda de jeito nenhum!

6) Você na história: o que você acha que poderia ser melhorado, ou melhor trabalhado em cima do livro? O que não funcionou com você? E o que lhe agradou? Os personagens lhe convenceram? A história lhe convenceu?

Outros pontos:
1) Ninguém precisa ser perfeito na hora de escrever uma resenha, mas erros descredibilizam uma fonte, totalmente (alô, Jornalismo! #saudade). Por isso, invista em estudos sobre o Português. Imagine só você ser professor de Literatura e não ter lido os livros que serão ensinados para a turma? É a mesma situação, amigos. Quem trabalha com a língua portuguesa PRECISA conhecê-la! É fundamental! 
> Dicas sobre vírgula AQUI e AQUI
> Dicas sobre os porquês AQUI
> Dicas de crase AQUI
> O Dicionário Online de Português possibilita a busca de sinônimos e respostas para dúvidas de português - AQUI.  

2) Nunca se utilize do seu espaço para desmoralizar, ou desmerecer, ou ofender o autor e a editora do livro. E o contrário também é válido: você não precisa ficar bajulando a pessoa, nem a editora. Isso apenas te fará passar vergonha.


3) Plágio é crime! Nunca ache que vai se safar por copiar algum material já publicado, pois o lema dos blogueiros literários é: mil saberão o que você fez, outros mil contarão para o autor original da resenha e você passará muita, muita vergonha. 


4) Não tente agradar o autor ou a editora. Seja verdadeiro consigo mesmo, primeiramente. Não gostou do livro? Fale. Gostou? Fale, também. Não importa se sua resenha será positiva ou negativa, desde que seja sincera. Acredite, ou não, os autores agradecem. Não tenha medo, sério. 

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Abordei os pontos que considero mais importantes na hora de pensar e escrever uma resenha literária. Vocês podem conferir um material um pouco mais extenso AQUI, que utilizei para me nortear nessa postagem. E agradeço imensamente a disponibilidade e paciência da Karina, do Eu e minha cultura, por termos debatido por vários dias sobre o assunto e que me ajudou a organizar minhas ideias, também. 

Espero que quem estiver a fim possa melhorar suas abordagens e qualidades críticas! E eu estou sempre à disposição para qualquer um, viu? É só mandar um e-mail para mundodanina@gmail.com

Love
Nina 

11 de fevereiro de 2015

#Dicas para escritores #4

Mais um post sobre dicas para escritores, porque estou realmente amando isso. A cada lição aprendida e a cada escritor novo que conheço tenho a vontade imensa de vir aqui e escrever tudo. No final das aulas da faculdade, tive a oportunidade de conhecer um escritor bastante inusitado, o André Sant'Anna (filho de Sérgio Sant'Anna). Ele foi dar uma palestra e, depois, ministrou uma oficina, intitulada por ele de Literatura "Maluca". Por quê? Porque os livros dele não se encaixam muito no mercado. Mas não é exatamente sobre isso que será este post. O que vou abordar hoje é sobre a literatura brasileira de modo geral.  


1. Nacionalidade não é gênero. 
Já vi muita gente comentando que não gosta de livros brasileiros pelo simples fato: é nacional. A gente tem a mania de comprar tudo o que vem de fora, mas renegamos o que tem a ver conosco. Carnaval, tudo bem. Quem não ama o Carnaval? Caipirinha, ôba! Mas livros? Por que você leria um livro que foi escrito por algum brasileiro? 
Porque sim. Porque você é brasileiro também. 
Gênero é terror, romance, ação, e muitos outros. Há livros brasileiros de terror, romance e ação. Livros bons. Livros ótimos. Às vezes, muito melhores do que os bacaninhas dos americanos. Falo sério. 
Para quem ainda tem problemas com isso, aqui vai ESSE VÍDEO incrível, que vai te deixar com vergonha de ser esse tremendo preconceituoso literário. 

2. A ilusão da aceitação unânime.
Eu sou escritora e, quando eu lançar meu livro, quero muito que muita gente goste dele. Mas eu tenho total consciência de que alguns não irão ver graça nele e que irão odiar com todas as forças. Infelizmente, alguns autores entram no mercado muito iludidos e inocentes e ficam todos doídos quando há alguém que diz que não gostou do trabalho deles. Acontece, amigo. A literatura é uma arte, e ela é absorvida de diferentes maneiras. O seu livro é apenas mais um no mercado. Se foi aceito é porque tem potencial, mas isso não significa que todo mundo irá amá-lo. 

3. Vida boa, sim! Vida boa sempre!
Se antigamente se imaginava um escritor morrendo de fome, hoje as coisas mudaram. Alguns juram que escritores têm a maior vida boa. Gastam o dinheiro público e vivem na maior mordomia, apenas fazendo "nada" trancados no quarto e reclamando da vida brilhante que levam. Não, gente. Escritor é trabalhador como todo mundo. E não pense que escritor vive de livros, não. Se você quer ser escritor para ganhar dinheiro... Amigo, pare por aí. Escrever dá trabalho, a gente sofre, tem vontade de largar tudo no meio do caminho, tem lidar com dores nas mãos, dor de cabeça... Para mergulhar neste mundo das palavras tem que ser corajoso. Tem que querer ser isso. E, não, não nadamos no dinheiro. Nadamos em sentimentos, isso sim. 

BÔNUS: 

4. Escrevendo na perspectiva do sexo oposto
É comum que, enquanto leitores, nos identifiquemos mais com personagens do mesmo sexo, afinal eles pensam e passam por situações parecidas que a gente. Sempre fui muito ligada à literatura chick-lit, gênero que evidencia as mulheres, no entanto, por eu gostar demais de entender, digamos assim, "os dois lados de uma história", comecei a optar por colocar personagens masculinos também em evidência, dando voz a eles. Se é complicado? Não, agora não mais, No começo era, pois, para uma menina, é sempre difícil imaginar o que um garoto faria/diria/pensaria  e vice-versa. A dica importante é sentir-se bem com o personagem criado. Ele não tem que ser incrível, ou menos masculino só porque é uma autora delineando a história dele. Outra dica é não ater-se demais à perfeição. Se você acha que tal passagem, ou diálogo não está muito bom, deixe essa parte do texto descansar por algumas horas ou dias. Essa pausa na escrita garante renovação para quem escreve, pois isso nos permite sair do nosso mundinho criado e lidar com o mundo real à nossa volta. Observar e ouvir tudo o que nos é real nos dá a chance de conseguirmos ser mais verossímeis à nossa narrativa. Você, como escritor, tem que gostar do seu personagem, independentemente do gênero dele. Mesmo que você dê algumas resvaladas de vez em quando, o importante é confiar e acreditar na sua criação. Ele não precisa ser super romântico, ou o bad-boy da parada  apenas tem de ser um personagem convincente. E, se ele te convence, é provável que vá convencer outras pessoas também. 

*O BÔNUS aparecerá quando surgir uma questão de fora, sugerida ou perguntada por algum leitor. Essa foi a primeira questão de fora. Quem tiver mais perguntas que gostaria de uma opinião, não deixe de mandar um e-mail para mundodanina@gmail.com 

Love
Nina 

8 de fevereiro de 2015

#Resenha: Mosaicos

Conheci a Michelle, autora deste livro, por intermédio de um colega da faculdade. Esse meu colega tinha postado no Facebook uma foto de um poema muito fofo, que imediatamente chamou a minha atenção pela simplicidade. Movida pela curiosidade, perguntei a ele se a Michelle não gostaria de fazer uma parceria comigo e, para a minha total alegria, ela aceitou. 

Título: Mosaicos
Autora: Michelle C. Buss
Editora: Patuá
Ano: 2014
Páginas: 138


Nunca fui do tipo de a-m-a-r poesias/poemas. A maioria que li ao longo da minha vida sempre me fez ficar muito confusa, porque o gênero é muito subjetivo e eu nunca soube muito bem como interpretar aquilo que lia. No entanto, Mosaicos foi, certamente, o primeiro livro de poesia que me fez admirar e adorar esse trabalho. Como dito anteriormente, o que mais me atraiu no primeiro poema que li da Michelle, foi a simplicidade. A maneira de construir suas frases de maneira que faz parecer que o poema está suspenso a sua frente, saindo do papel, intrincado de suavidade mas, ao mesmo tempo, de algo próximo à imutabilidade é uma das marcas da autora. Muitos poemas são bastante diminutos, alguns contendo apenas três ou quatro versos, o que, pelo menos para mim, dá a sensação de estar lendo um haicai (gênero poético de origem japonesa, marcado pela forma breve e pela objetividade). Mosaicos é marcado pelas poucas palavras, mas que dizem tudo. É quase como ler nas entrelinhas. Eu simplesmente adoro ler nas entrelinhas e lidar com o que está implícito, e essa obra "brincou" muito bem com isso. Alguns poemas, a princípio, podem dar a impressão de que não significam muito, mas, ao refletir sobre ele após a leitura, revela sua finalidade: dizer muito (às vezes, tudo) sem utilizar artifícios sinuosos com as palavras. 

Acompanhando a autora pelo Facebook, comecei a notar que há muita espiritualidade (não confundir com religião!) em sua vida. Ela é, com certeza, cercada de crenças sobre a energia da natureza e sobre a energia de nosso próprio interior e isso reflete muito em seu trabalho. A espiritualidade combinada com a sensibilidade torna sua escrita ondulada, como se você estivesse acompanhando ondas do mar. Sabe quando a gente fica boiando, sentindo a correnteza fraca fazer seu trabalho na gente? Senti-me assim ao ler Mosaicos, do começo ao fim. Pude sentir toda a energia das palavras da Michelle de forma muito direta e, muitas vezes, parei para refletir o impacto disso na minha vida. Ao contrário de muitos autores do gênero que têm a falsa ideia de que poesia se é construída de forma dolorosa e até mesmo um pouco taciturna, a obra de Michelle é exatamente o oposto. A cada verso lido, eu me sentia mais relaxada, mais de bem comigo mesma. Era como se, a cada verso, ela estivesse levando embora tudo de negativo guardado dentro de mim. Ao final, tudo o que conseguia sentir era um relaxamento incrível e suave. Consegui ser tocada na alma com todos os poemas. E, pela primeira vez na vida, comecei a notar o quanto poesia pode ser agradável e fácil de se interpretar. A espiritualidade contida em Mosaicos, de forma alguma, interfere na compreensão. Aliás, ela apenas faz vir à tona os sentimentos sinceros que estão implícitos em cada verso. 

Certamente, vou carregar esse livro para sempre na minha vida. Sei que, quando precisar de uma motivação para continuar, posso espiar um dos meus poemas preferidos e encontrar a energia e a coragem necessária. Os poemas que mais me marcaram são esses: 


O primeiro poema é, com certeza, o meu preferido. Talvez, pelo fato de eu me identificar demais com o silêncio, por ser uma pessoa bastante solitária (e gostar muito disso), qualquer texto que fale sobre esse tema me toca a alma. E a frase "O amor é um fluxo que não para", para alguns pode parecer apenas uma frase qualquer, mas ela bateu fundo em mim. É o verso que mais me marcou do livro inteiro. 

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>>> Como dito na resenha de Amor em jogo, decidi presentear os leitores com breves entrevistas com os autores parceiros, pois é uma oportunidade de conhecê-los por trás de suas obras. Espero que vocês leiam e gostem da entrevista que fiz com a Michelle! 


1) Quando a poesia entrou na sua vida e qual o significado dela para você?
Desde sempre a poesia esteve presente em minha vida. Lembro de minha mãe recitando poemas do Casemiro de Abreu para mim quando eu era bem pequena. Quando eu tinha dez anos escrevi um livrinho que continha pequenas narrativas e poemas, desde então, não parei mais.
Eu escrevo para ser. A poesia, ou mesmo a escrita, tem uma conexão profunda com a vida. Não me vejo parando de escrever. Escrevo porque está intrínseco a mim. E a ideia de publicar um livro nasceu do desejo de compartilhar.

2) Por que optou por fazer a divisão das poesias em três partes? O que cada parte representa para você?
Então, esse livro não era para ser um livro (risos). Depois de conversar muito com minha terapeuta, descobri que maior parte do meu processo criativo se dava andando na rua, só que quando eu chegava em casa para colocar no papel eu já havia perdido a inspiração, esquecido tudo. Eu me sentia muito frustrada com isso. Aí, minha terapeuta sugeriu que eu comprasse cadernetas e escrevesse na rua mesmo e foi o que fiz. Comprei uma caderneta vermelha e comecei a escrever os poemas. Entretanto, me vinham ideias que eu julgava meio loucas e acreditava que aquilo não poderia ser poesia, mas mesmo assim eu queria anotá-las. Comprei uma caderneta de capa azul celeste e comecei a escrever tudo que acreditava que não eram poemas (risos), mas observações, sensações, notas. Com o tempo, pus o nome de “Zuihitsu”, que é um gênero da literatura japonesa. A escritora Sei Shônagon é a grande referência no uso desse gênero que consiste em ensaios fugazes, pensamentos, fragmentos de textos, notas poéticas. Quando completei essa caderneta, comecei a escrever em outra, só que agora a capa tinha tonalidade roxa. Pus o nome de “O livro de Shi” porque em japonês, o ideograma de roxo pode ser lido como Shi. Quando a finalizei, peguei então uma última caderneta, de capa rosa. Dei o nome de “Canções de Fogo”, simbolizando o despertar: primeiro se é uma pequena semente, depois se vive a transformação da semente em broto e no fim, acorda-se uma flor.
Essas cadernetas foram escritas ao longo de um ano, de janeiro a dezembro... Bem, como eu disse, eu não tinha intenções de que isso virasse livro, até brincava que se um dia eu viesse a ser uma escritora, essas cadernetas talvez fossem publicadas muito tempo depois. Não foi o que aconteceu! Um dia, me veio uma inquietação: “por que não publicar?”. Dessa inquietação nasceu Mosaicos. Mosaicos, em que cada parte é um fragmento de um grande todo. Entrei em contato com a Editora Patuá e tive a felicidade de ser recebida por eles. Em junho de 2014, a Editora Patuá publicava Mosaicos. O que eu acreditava não ser um livro de poemas, na verdade, sempre foi um livro de poemas.

3) Como foi o processo de seleção das poesias a serem escolhidas para o livro?
Todas as poesias presentes nas cadernetas não integraram o manuscrito que enviei para Editora Patuá. Com ajuda de algumas pessoas e por gosto pessoal mesmo, preferi deixar alguns poemas de fora. Como o manuscrito ficou muito grande, meu editor pediu que cortássemos alguns poemas. Confiei esse trabalho a ele. Eduardo Lacerda (meu editor) cuidou do livro com dedicação e talento, os poucos cortes que foram feitos mantiveram a ordem do original: o que pertencia a primeira parte, ficou na primeira parte e assim por diante.

4) A espiritualidade está muito presente nos versos e mesmo nos títulos das divisões do livro. Como isso é benéfico para você na hora de criar suas poesias?
Pessoalmente, não relaciono espiritualidade com religião... Para mim a espiritualidade está ligada à jornada interior, ao nosso caminho de descoberta como ser. Costumo dizer que se tenho alguma religião, ela é o próprio Universo. O sol, a lua, o mar, a terra, as árvores... Você pode ver que tudo isso está presente em Mosaicos.
Na hora de criar, não costumo racionalizar o que é benéfico ou não, eu simplesmente crio. Claro que tudo que vivo, que leio, tudo que entorna minha vida acaba por influenciar na minha escrita. Aquilo que escrevemos não deixa de ser nós mesmos, afinal, é algo que vem do nosso universo particular. 


SOBRE A AUTORA: 
MICHELLE C. BUSS nasceu em Jaguari, Rio Grande do Sul e mora em Porto Alegre desde 2007. É graduada em Comunicação Social pela PUCRS e atualmente cursa Bacharelado em Letras pela UFRGS. Desde muito cedo imergiu no universo das artes, dividindo seu coração entre a música e as palavras. Começou a escrever poemas ainda quando criança e considera a literatura e a música como fragmentos do seu próprio ser.






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Em breve, trago a próxima resenha de autor parceiro! Fiquem de olho! ;)


Love
Nina