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#Dicas para escritores #4

by - fevereiro 11, 2015

Mais um post sobre dicas para escritores, porque estou realmente amando isso. A cada lição aprendida e a cada escritor novo que conheço tenho a vontade imensa de vir aqui e escrever tudo. No final das aulas da faculdade, tive a oportunidade de conhecer um escritor bastante inusitado, o André Sant'Anna (filho de Sérgio Sant'Anna). Ele foi dar uma palestra e, depois, ministrou uma oficina, intitulada por ele de Literatura "Maluca". Por quê? Porque os livros dele não se encaixam muito no mercado. Mas não é exatamente sobre isso que será este post. O que vou abordar hoje é sobre a literatura brasileira de modo geral.  


1. Nacionalidade não é gênero. 
Já vi muita gente comentando que não gosta de livros brasileiros pelo simples fato: é nacional. A gente tem a mania de comprar tudo o que vem de fora, mas renegamos o que tem a ver conosco. Carnaval, tudo bem. Quem não ama o Carnaval? Caipirinha, ôba! Mas livros? Por que você leria um livro que foi escrito por algum brasileiro? 
Porque sim. Porque você é brasileiro também. 
Gênero é terror, romance, ação, e muitos outros. Há livros brasileiros de terror, romance e ação. Livros bons. Livros ótimos. Às vezes, muito melhores do que os bacaninhas dos americanos. Falo sério. 
Para quem ainda tem problemas com isso, aqui vai ESSE VÍDEO incrível, que vai te deixar com vergonha de ser esse tremendo preconceituoso literário. 

2. A ilusão da aceitação unânime.
Eu sou escritora e, quando eu lançar meu livro, quero muito que muita gente goste dele. Mas eu tenho total consciência de que alguns não irão ver graça nele e que irão odiar com todas as forças. Infelizmente, alguns autores entram no mercado muito iludidos e inocentes e ficam todos doídos quando há alguém que diz que não gostou do trabalho deles. Acontece, amigo. A literatura é uma arte, e ela é absorvida de diferentes maneiras. O seu livro é apenas mais um no mercado. Se foi aceito é porque tem potencial, mas isso não significa que todo mundo irá amá-lo. 

3. Vida boa, sim! Vida boa sempre!
Se antigamente se imaginava um escritor morrendo de fome, hoje as coisas mudaram. Alguns juram que escritores têm a maior vida boa. Gastam o dinheiro público e vivem na maior mordomia, apenas fazendo "nada" trancados no quarto e reclamando da vida brilhante que levam. Não, gente. Escritor é trabalhador como todo mundo. E não pense que escritor vive de livros, não. Se você quer ser escritor para ganhar dinheiro... Amigo, pare por aí. Escrever dá trabalho, a gente sofre, tem vontade de largar tudo no meio do caminho, tem lidar com dores nas mãos, dor de cabeça... Para mergulhar neste mundo das palavras tem que ser corajoso. Tem que querer ser isso. E, não, não nadamos no dinheiro. Nadamos em sentimentos, isso sim. 

BÔNUS: 

4. Escrevendo na perspectiva do sexo oposto
É comum que, enquanto leitores, nos identifiquemos mais com personagens do mesmo sexo, afinal eles pensam e passam por situações parecidas que a gente. Sempre fui muito ligada à literatura chick-lit, gênero que evidencia as mulheres, no entanto, por eu gostar demais de entender, digamos assim, "os dois lados de uma história", comecei a optar por colocar personagens masculinos também em evidência, dando voz a eles. Se é complicado? Não, agora não mais, No começo era, pois, para uma menina, é sempre difícil imaginar o que um garoto faria/diria/pensaria  e vice-versa. A dica importante é sentir-se bem com o personagem criado. Ele não tem que ser incrível, ou menos masculino só porque é uma autora delineando a história dele. Outra dica é não ater-se demais à perfeição. Se você acha que tal passagem, ou diálogo não está muito bom, deixe essa parte do texto descansar por algumas horas ou dias. Essa pausa na escrita garante renovação para quem escreve, pois isso nos permite sair do nosso mundinho criado e lidar com o mundo real à nossa volta. Observar e ouvir tudo o que nos é real nos dá a chance de conseguirmos ser mais verossímeis à nossa narrativa. Você, como escritor, tem que gostar do seu personagem, independentemente do gênero dele. Mesmo que você dê algumas resvaladas de vez em quando, o importante é confiar e acreditar na sua criação. Ele não precisa ser super romântico, ou o bad-boy da parada  apenas tem de ser um personagem convincente. E, se ele te convence, é provável que vá convencer outras pessoas também. 

*O BÔNUS aparecerá quando surgir uma questão de fora, sugerida ou perguntada por algum leitor. Essa foi a primeira questão de fora. Quem tiver mais perguntas que gostaria de uma opinião, não deixe de mandar um e-mail para mundodanina@gmail.com 

Love
Nina 

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20 comentários

  1. Oba, dicas de escritores! Adoro estes posts! Gostei principalmente da dica 3, pois concordo plenamente com você. Gostei que estas dicas foram mais relacionadas a quebras de paradigmas e crenças, e não somente dicas técnicas. Excelente conteúdo, como sempre!

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  2. Oi, Nina!
    Gostei muito deste post,mesmo que eu não escreva ficção. Há pouco eu também estava escrevendo algumas dicas, mas relacionadas a estudo e ENEM.
    Já tinha visto esse vídeo da Camila e acho que você foi muito esperta ao citá-lo - e a Camila por usar essa argumentação. Eu confesso que não costumo ler muitos nacionais (ou se eu li, não me lembro), mas isso é algo que eu pretendo melhorar ao longo do ano.
    Essa questão da aceitação unânime é dura, pois mesmo eu tendo a consciência de que sempre terá alguém para reclamar do meu trabalho, é impossível não ficar um pouco triste por isso.

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  3. Oie *.* tudo bom?
    Que legal você dar essas dicas para os escritores!!
    Eu concordo muito com o que você diz quanto a literatura nacional! Só por que a divulgação não é tanta, o pessoal acha que a qualidade é inferior também. Que nada! Já li nacionais muito melhores que vários estrangeiros!!
    Espero encontrar mais postagens assim por aqui :)
    Beijo!

    http://resenhandoaarte.blogspot.com/

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  4. Amei as dicas! Tenho que admitir que tenho sim, um preconceito zinho com livros nacionais - mas estou trabalhando nisso, e que mudar! E espero terminar meu livro ainda esse ano (claro, depois ainda tem edição e obviamente ter que ser aceita por uma escritora... Tem que amar mesmo pra fazer, porque nunca vi coisa tão complicada como essa! Haha).
    Beijos, Jú
    docurailusoria.blogspot.com

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  5. Acho que entendi o que quis dizer, tenho trabalhado muito num personagem masculino que ainda não comecei a escrever pelo ponto de vista dele, estou observando a "imagem" externa que estou criando e conseguindo pensar no que ele poderia estar pensando nas situações.
    Cara, existem vários livros brasileiros ótimos por aí, é um preconceito ridículo.

    http://essameninamoca.blogspot.com.br/

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  6. ADORO!
    É sério, eu adoro suas dicas para escritores. Sempre fazem todo sentido para mim.
    Ah, eu odeio carnaval (seríssimo), porém já perdi esse preconceito com livros nacionais. E, vou te dizer, já encontrei uns realmente bem melhores! Haha.
    Ótimas dicas Nina, como sempre.
    http://escrituras-da-alma.blogspot.com.br/

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  7. Olá!
    ''E, não, não nadamos no dinheiro. Nadamos em sentimentos, isso sim'' MELHOR PARTE.
    Adorei as suas dicas, tanto que cheguei a conferir as outras.
    Você falou muito bem sobre vários pontos: preconceito com a literatura nacional, ilusão com o pensamento ''serei rica quando publicar meu livro porque livros dão muito dinheiro'', as dúvidas sobre em que tempo verbal e em que pessoa escrever, dentre muitas outras. Não tenho preconceito com a literatura nacional mas confesso que prefiro ler os livros estrangeiros. Com certeza deve ser porque nunca me interessei em me aprofundar no que é nosso, e tenho certeza que nossos escritores podem ser tão bons quanto os de fora.
    Ótimas dicas. Continue sempre. Beijinhos.
    http://ressacamusiliteraria.blogspot.com.br/

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  8. Oláá´
    Nossa, ótimo post e muito legal a suas dicas e opiniões.
    Eu adoro literatura brasileira, gosto muito mesmo, desde que comecei com o blog, é o que mais leio e vejo mesmo muita gente que generalizam os livros nacionais, e é uma pena pois perdem muita coisa legal.
    Sobre os outros tópicos, concordo também, são ótima dicas.

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/2015/02/preconceito-literario.html

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  9. Adorei as dicas! Confesso que eu acabo não lendo muitos nacionais, mas tenho VÁRIOS na minha listinha de desejados e pretendo ler bastantes esse ano... Existem autores maravilhosos por aí! Não deveria existir esse tipo de preconceito com livros... Admito que tenho esse mesmo preconceito, mas em relação à música. Sei que existem vários tipos de artistas brasileiros, que tocam todo tipo de música, mas criei uma barreira quanto a isso... Até gosto de alguns, mas no geral não ouço... Enfim, ótimo post, adorei! :)

    Beijosss
    http://bookspoison.blogspot.com/

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  10. Amei as dicas.
    Sou escritora e leitora de carteirinha. Odeio me deparar com aquelas pessoas que carregam em uma caixinha no peito, o preconceito com autores brasileiros. O que eu já li do Brasil, que superou os gringos...
    Acho que todo mundo precisa ler essas dicas de vez em quando.

    Sabia que eu sempre tive mais facilidade de escrever com personagens masculinos? Por algum motivo eu consigo trabalhar e planejar melhor, em um homem. Mas vejo muita menina quebrando a cabeça pra criar um cara, então acho que é normal mesmo.

    Achei seu post super produtivo e bem escrito ;)

    Beijos da Tia Ruuh
    www.pequenaleitora.com

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  11. Oi Nina! E que dicas ótimas, eu não poderia concordar mais! Sempre aprendo coisas boas quando passo por aqui!

    ^^

    Bjs

    http://joandersonoliveira.blogspot.com.br/

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  12. "Nacionalidade não é gênero" AMEI! Nossa, to cansada do pessoal que fala que não gosta de livros nacionais, sem o menor conhecimento de causa! Temos autores tão bons quanto em qualquer outro lugar do mundo, alguns são melhores. Sabe o que acho divertido, quando uma dessas pessoas lê um livro de alguém que publica usando um nome que é uma sigla, tipo FML Pepper, adora e nem sonha que é um livro nacional! Citei a Pepper porque já li os livros dela e amo demais, estão entre os meus favoritos, e dão de 10 a 0 em muito best seller internacional por aí. Livros bons e livros ruins temos em qualquer língua e país.

    Desculpa o testamento só no item 1, mas é que fico revoltada com pessoas que falam mal do que não conhecem, rs.

    Adorei sua segunda dica também, porque realmente, tem autores que não lidam bem com críticas negativas.

    Tenho muitos amigos escritores (ser blogueira literária faz isso), e vejo o quanto o povo rala, trabalha demais, no "trabalho de verdade" e escrevendo, e ainda aguentam pessoas insinuando que isso não dá trabalho nenhum, que é ganhar dinheiro fácil, e etc. Por estar envolvida nesse mundo, ter amigos da área e acompanhar todo esse sofrimento, tenho uma visão melhor das coisas como ela são, e fico revoltada de ver comentários depreciativos do trabalho dos autores.

    Adorei as dicas, rs

    beijos
    meumundinhoficticio.blogspot.com.br

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  13. Gostei bastante das dicas. Aliás, e espero que não se importe, coloquei num editor de texto e baixei pro meu tablet, pra consultar futuramente. Obrigada, essas dicas podem me ser muito úteis

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  14. Eu amo esses posts de dicas, estou sempre acompanhando. Estou escrevendo um livro e acho as dicas super úteis, vou usando-as sempre que posso;
    Bjs, Isabella

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  15. Oi Nina,

    Gostei de você ter comentado sobre essa ilusão de aceitação unânime. Não existe ilusão maior do que essa, até porque a sociedade vive de preconceito em preconceito. E tem outro ponto, as pessoas costumam se manifestar muito mais por motivações negativas do que positivas, preferem se posicionar contra e geralmente quando tem uma visão a favor se omitem. Acho que todos que pretendem publicar algo algum dia, ou até mesmo possuir um blog precisam ter noção de que muitas pessoas vão gostar, mesmo que não se manifestem e precisamos nos manter firmes, até porque muita gente tem uma dificuldade terrível em interpretar textos, o que dirá de livros.

    Grande abraço,

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  16. Oi, tudo bem?
    Olha, confesso que antes eu tinha um pequeno preconceito com livros nacionais, mas então quando comecei a ler eu simplesmente adorei, tem muito autor nacional melhor do que os estrangeiros, só que eles não conseguem uma divulgação muito boa, então acabam sendo desconhecidos por muitos :/ Os escritores famosos podem até se manter com o dinheiro dos livros deles, mas os nacionais não, é bem difícil a vida de um escritor nacional, ele tem que ter um emprego e para ser escritor realmente tem que gostar disso, porque não é fácil :c Enfim, adorei o post novamente, acho super interessante essas dicas o/

    Beijos :*
    Larissa - http://srtabookaholic.blogspot.com

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  17. Parabéns pelas dicas, sempre gosto de ler livros nacionais e agora que estou com o blog leio mais ainda, pois ganho muito de autores parceiros. Este ano pretendo ler mais clássicos. Estou louca para ver o lançamento desse seu livro logo e lhe desejo todo sucesso, ma a gente tem que aceitar neh? Nem sempres agradamos à todos.
    Beijinhos.
    http://leit0res.blogspot.com.br/2015/02/resenha-o-melhor-de-mim.html

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  18. Oi, Nina!
    Muito legal esse post!
    Mais legal ainda, é podermos ter a oportunidade de conhecer e aprender com os escritores, quer seja através de palestras, entrevistas e principalmente, oficinas.
    Adorei as dicas, em especial, a nº 1 - Nacionalidade não é gênero.

    Beijos!
    http://fabi-expressoes.blogspot.com.br/

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  19. Gostei muito das dicas Nina :)
    Quando você lançar seu livro vou querer conhecer kkk
    Eu já tentei escrever algumas vezes, mas definitivamente não é o meu forte. Apesar de sua leitora assídua e adorar escrever no blog, não consigo organizar as ideias e botar tudo que imagino no papel.
    Mas enfim, vou acompanhando suas dicas aqui, quem sabe eu não acabo me inspirando :)
    Abraços

    www.dezenoveprimaveras.com.br

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  20. Eu amo as suas dicas para escritores.
    Esse ano, estou lendo praticamente somente nacionais. Eu gosto bastante de ler os livros de nossos autores que, como você disse, muitas vezes são melhores do que os de fora.
    Esse ano estou tendo um pouco de dificuldade para escrever, então apenas vou anotando ideias soltar que surgem para quando o Miguel estiver maiorzinho, brincando sozinho, eu poder ir juntando as ideias e terminar a história.
    Eu tenho muita dificuldade para escrever do ponto de vista masculino, mas estou treinando isso já a um tempo, mas ainda não consigo ficar satisfeita.
    Beijinhos

    Vidas em Preto e Branco 

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