28 de abril de 2015

#Eu não vou esperar para sempre

Hoje, pensei em você e, logo depois, senti medo. Às vezes, minha mente tem dessas: me leva para além do que quero. Eu tento resistir, porque meu coração não sabe o que está fazendo. Ele se encantou pelo seu olhar, e nem me avisou. E, agora, ele quer você próximo a mim, colado a mim. Só pra sentir o seu cheiro e ouvir o tom da sua risada enquanto você cantarola a sua música preferida errando o refrão. 

Pensei em te procurar só pra não perder o costume. Meu coração gosta de você, gosta de pular quando te vê do outro lado da porta. Mas cansei de dar o primeiro passo. Às vezes, as coisas é que têm que correr atrás da gente, mandar seu sinal de que estamos sendo retribuídos e que não quer nos perder. Por isso, vou ficar quieta, no meu canto. Esperar pode ser um ato de covardia, mas cansei de me doar sem receber respostas. 

A nossa última e breve conversa ainda ecoa na minha mente, implorando para que eu faça algo a respeito. Mas vou fazer o quê? Não devemos insistir em alguém que está em cima do muro desse jeito. Afinal, o que posso esperar? Se ao menos você me deixasse claro que está entendendo o que sinto. Você sente o mesmo? Daqui, parece que não, que está tentando se proteger de mim. Afinal, o amor machuca, eu bem sei. Já fui pisoteada muitas vezes e acabei amarga, desejando ficar só pelo resto da vida. Mas acontece que temos que ter coragem para assumir uma posição, para encontrar um jeito de fazer as coisas melhorarem. E o amor pode ser a resposta, entende? Nunca acreditei que ele pudesse ser a salvação, no entanto, talvez você seja a minha. E, com você, vem o amor, certo? 

Então, diga um olá da próxima vez, como quem não quer nada. Fique ao meu lado no corredor, esperando o sinal bater, e pergunte sobre as horas. Eu vou sorrir para você e querer saber sobre o seu dia, sobre o seu vício extremo em Star Wars (acontece que gosto muito do seu perfil no Facebook, sabe?) e sobre o filme do fim de semana. Dê o primeiro passo. A vida tem dessas: para desbravarmos o desconhecido precisamos ser ousados, mesmo que com um olhar. Olhe para mim e faça qualquer coisa, mas faça. Somente não me deixe esperando. 


Espero que o seu amor dê o primeiro passo
e te tire pra dançar. 
Nina 

25 de abril de 2015

#Resenha de Livro: Reescrevendo Sonhos

Bom, eu pretendia ler e resenhar Reescrevendo Sonhos no mesmo fim de semana, mas acontece que eu estou cada vez mais preguiçosa na hora de escrever resenhas ~ô, tristeza!~ Mas aqui está, finalmente. 

Sou dessas que acreditam no destino. O que é pra ser será. E acredito muito que a vida nos apresenta pessoas com o intuito de nos fazer crescer. Digo isso, porque a Marcia Dantas, a autora de Reescrevendo Sonhos, é uma dessas pessoas que a vida me trouxe. Felizmente, ela é uma pessoa e uma escritora que se desafia, sai da sua zona de conforto, e é por isso que somos muito parecidas. A Marcia luta pela causa LGBT e pela Representatividade de uma maneira tão incrível que se tornou uma das minhas inspirações. Eu realmente nunca vi alguém tão engajado com relação a esses temas e só posso dizer que tenho orgulho e admiração pelo trabalho dela. 

Título: Reescrevendo Sonhos
Autora: Marcia Dantas
Editora: Novo Romance 
Páginas: 213
Ano: 2015

Antes de tudo, devo dizer que esse não é o primeiro romance que leio cuja temática envolve um casal homoafetivo. O primeiro foi Todos nós amávamos caubóis, da Carol Bensimon (que, relendo a resenha agora, percebo que eu negligenciei demais a ênfase à homoafetividade :/) - nem vou computar todas as fanfics femmeslash/yaoi que já li na vida, nem as poucas slash/yuri. Mas, enfim. O caso é que, quando fiquei sabendo de Reescrevendo Sonhos, eu não sabia sobre a temática e quis lê-lo pelo fato de a personagem principal ser escritora. Apenas quando eu e a Marcia começamos a conversar é que entendi que as personagens seriam um casal. E isso apenas serviu pra eu querer ainda mais ler o livro. 

A história gira em torno de Luciana, uma escritora que já está no mercado há algum tempo, mas que, nos últimos meses, tem se encontrado em uma crise de bloqueio criativo. Logo nas primeiras páginas, a identificação com ela foi imediata, pois a narração sobre suas noites em claro e os rompantes de inspiração me chamaram a atenção, especialmente por serem muito verídicos. No começo, já dá pra ter uma ideia de quem é a Luciana, alguém que, internamente, está bastante frágil. Isso imprime certa doçura a ela e, a partir disso, inferimos que ela se encontra em conflitos. Um deles é proporcionado por alguns sonhos recorrentes que a personagem tem tido com uma mulher ruiva. Não fica claro o que Luciana está buscando na mulher, apenas que a conhece. Então, ela resolve tirar proveito dessa situação: começa a escrever uma nova história. 
"Não há sensação pior que acordar no meio da noite procurando por algo que deveria estar ali, bem ao alcance dos dedos. No entanto, não está. E então se percebe a verdade, e se depara com a dor que, até então, achava-se esquecida em qualquer canto do subconsciente"  p. 10.
Uma coisa interessante sobre Luciana é que ela vai à terapia. O leitor não sabe muito bem por que ela frequenta o Dr. Jonas - eu achei que era somente pela má fase na vida dela -, mas, aos poucos, vamos sabendo que houve algo bem sério em sua na vida, algo que a deixou com uma cicatriz (literalmente). Todo está normal em sua rotina, até que o porteiro de seu prédio lhe avisa que uma mulher, que trabalha na editora à qual Luciana é vinculada, está ali para conversar com ela. A moça é Bárbara, a profissional enviada pela editora para que dê um Norte na vida literária de Luciana. Mas acontece que, assim que as duas se encaram, Luciana sabe que a conhece de seus sonhos. 

A Bárbara, ao contrário de Luciana, é alguém com energia e foco. Demais. É o tipo de pessoa que encara a vida de forma muito profissional e metódica. Ela seria o outro lado da moeda, digamos assim. Analisando Bárbara e Luciana juntas, dá totalmente para entender o que a autora quis criar com as personalidades distintas da duas: como casal, elas se complementam. Enquanto Luciana é frágil e fechada, Bárbara é decidida e muito direta. Eu sempre gostei de pessoas que "se casam" com suas personalidades, pois acredito é é mais fácil que uma aprenda com a outra - e também acredito que, num relacionamento, é importante a gente querer crescer com a outra pessoa. 

Bem, acontece que Luciana não tem como fugir, pois já está evitando contatos com a editora há bastante tempo. Então, é inevitável que elas tenham que planejar o convívio, de maneira estritamente profissional (pois, a princípio, a relação delas tem apenas esse intuito). Bárbara tenta retirar Luciana diversas vezes de sua zona de conforto, arrancando-a de casa e fazendo passeios com ela. Luciana, aos poucos, começa a perceber que a rotina incomum a faz trabalhar mais, de modo que sua nova história deslancha. 

Um dos pontos positivos da trama é que o romance que toma forma entre as duas acontece de maneira lenta e gradual, mas sempre evidente nas entrelinhas (entrelinhas, eu amo vocês!). Tudo é muito sutil. Há olhares e nervosismo, coisas assim. É tudo muito subentendido de forma muito bem costurada. 
"No instante em que os olhos de Luciana a encararam, Bárbara soube que tinha cruzado a linha. De novo".  p. 86. 
Eu, que amo essas sutilezas em histórias, achei que, se o romance fosse construído de outra forma, a autora deixaria de "vender" o seu objetivo, que é construir algo puro e sem muitos padrões. Outro ponto que aprovei é que, em momento algum do livro, as personagens se sentem culpadas pelos sentimentos que nutrem. Na minha postagem sobre Literatura LGBT, eu escrevi que abordo essa literatura nas minhas fanfics de forma leve, sem grandes dramas. Parte disso é porque, da mesma forma que a Marcia, quero escrever sobre algo puro, algo que não precisa ser tachado de maculado, e a outra é que acredito que o amor não deve ser sentido a tal ponto que martirize as pessoas e as faça sentir culpadas por ele (não somente falando de relações homoafetivas, como também de relações heteroafetivas). Acredito que, desde que não haja malefício a nenhuma das partes, não há por que existir culpa. E a Marcia conseguiu evidenciar esse ponto de forma sincera e com grande credibilidade. 

Enquanto Luciana e Bárbara vão descobrindo o amor, cada uma tem de lidar com seus próprios problemas. O teor psicológico inserido na trama, especialmente ao que diz respeito à Luciana agrega bastante curiosidade, pois a gente se vê cada vez com mais vontade de saber tudo o que a personagem esconde e por quê. 

Outro ponto cativante é que a autora conseguiu passar o universo adulto de forma muito convincente. E o que mais evidencia isso é que, os personagens secundários ligados às personagens principais são muito desapegados. O ex-noivo de Bárbara não é um cara chato que fica insistindo em reatar. E a mulher com quem Luciana se envolve brevemente durante alguns capítulos é a primeira a dar um empurrãozinho para juntar as protagonistas. 
"– Ainda não entendo por que você está se esforçando tanto, Luciana. Apenas seja você. Deu certo até agora. E, se ela não gostar desse seu jeito, pode ter certeza de que ela não é a garota certa.
Os olhos de Luciana se iluminaram e, em seguida, Bárbara pôde ver uma sombra de tristeza escurecer aqueles orbes.
– A garota certa – foi quase um murmúrio da escritora – Faz a gente pensar, sabe? Será que um raio cai duas vezes no mesmo lugar?
Bárbara, então, resolveu encarar o teto, como se alguma resposta pudesse surgir dali.
– Sinceramente, espero que sim". 
– p. 124. 
Acabei encontrando, claro, alguns pontos problemáticos [atenção: spoilers!]. Primeiro, é que as personagens se beijam pela primeira vez quando estão bêbadas. Além de ser o maior clichê, eu acho bastante injusto esse tipo de situação. Sem contar que abre uma grande lacuna para o depois: as personagens podem se arrepender e a trama ficar ainda mais clichê. Segundo, é que a Bárbara, por ter a postura séria e, por vezes, rude, é muito pouco compreensiva com os dilemas emocionais de Luciana. Notei que diversas vezes que ela quis se impor e acabou me passando a impressão de que estava pedindo demais da outra. E, terceiro, que há uma cena de ciúme bastante boba e desnecessária, que achei, mais uma vez, clichê. (No entanto, isso não interferiu no meu sentimento para com a história, por isso, as cinco estrelinhas). 

Uma reclamação que, acredito, tenho o dever de fazer é quanto à classificação do livro: 16 anos. Claramente, ela é referente à temática LGBT, e eu achei muito desnecessária e ridícula, como se, pelo fato de haver duas mulheres se relacionando, haveria muita sexualidade e/ou depravação - coisa que, em momento algum, acontece. 

A narrativa acontece em terceira pessoa - e, surpreendentemente, eu consegui me envolver bastante -, mas não acompanha apenas a Luciana. E a escrita é absurdamente bem colocada, madura, muito condizente com a proposta do livro. Definitivamente, a escrita da Marcia ganhou mil pontos comigo, simplesmente maravilhosa. 

A diagramação é bastante simples, as letras são grandes e a tipografia é muito fácil de se acostumar. Há alguns elementos visuais, tais como a tipografia diferenciada indicando o número do capítulo (acredito que seja renascentista, daquelas que imitam um pouco o visual manuscrito), "corners" em cada início de capítulo (que, a meu ver, não acrescenta informação alguma) e dois cisnes "se beijando" em cada quebra de narração. 

A capa é um grande indicador da temática sobre escrita incutida no livro, com a imagem da moça com a xícara nas mãos e o livro ao lado (claramente, isso é muito Luciana, haha). As tipografias utilizadas estão ok, embora eu não ache que a que foi usada no nome da autora tenha combinado com a que foi utilizada no título (acredito que, se fosse algo mais pincelado, casaria melhor). 

Ah, preciso dar os parabéns à autora pelo título do livro. Não sei por quê, mas ele me tocou e o achei bastante criativo e muito condizente com a proposta do livro, casou perfeitamente com todo o embate emocional da Luciana. 

Nota: a editora Novo Romance acabou falindo e a Marcia Dantas irá lançar a segunda edição de Reescrevendo Sonhos pela Tribo das Letras.

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*BÔNUS: entrevista com a autora. 


1) Quando e por que decidiu abordar um casal homoafetivo?
De certa forma a história nasceu assim. Quando eu tive o sonho que deu origem ao plot de Reescrevendo Sonhos, a história veio dessa forma. Eu precisava que a escritora visse a imagem de uma outra mulher e que a "materialização" dela acabasse por despertar sentimentos românticos. Na época, no entanto, nunca soube o motivo. Então, no decorrer do processo, descobri o que estava dentro de mim o tempo todo: eu sempre quis escrever sobre mulheres. Eu precisava falar delas, suas inseguranças, medos, jornadas, batalhas e como isso pode acontecer em uma história sem depender de um homem. Desde minha entrada nas fanfics, minha escrita se voltou para isso, mas só com esse primeiro livro e com a entrada do feminismo na minha vida é que percebi que isso sempre foi o que eu quis fazer.

2) O que veio primeiro, durante o processo de escrita do livro: as personagens ou a história e por quê?
Na verdade meu processo é muito engraçado: vem meia dúzia de cenas na cabeça e minha luta é começar a juntá-las como um quebra-cabeça. Reescrevendo Sonhos não foi diferente. Essas cenas vieram e, a partir delas, criei Luciana e Bárbara. Depois fui só preenchendo o restante. É uma fórmula que sempre funcionou muito bem comigo na verdade.


3) Grande parte do conflito de Luciana é sobre como ela precisa aprender a lidar com o subconsciente, então você acredita que ele tem o poder de modificar quem somos e muitas situações de nossa vida? 
Eu acredito, sim, que o inconsciente tem esse poder. Não só por ter estudado isso na faculdade e depois por ter visto uma pessoa na minha família ter tido que lidar com questões psicológicas por coisas que estavam guardadas no mais fundo de seu inconsciente. Isso fez com que eu começasse a refletir sobre mim mesma. E efetivamente vi que muitas das minhas ações, reações, pensamentos e etc. vem de maneiras automáticas, sem eu sequer pensar muito sobre aquilo. Então, quando eu racionalizava e tentava procurar explicações (às vezes, tempos depois) acabava entendendo que determinados acontecimentos em minha vida (reprimidos ou apenas esquecidos) tinham refletido com força sobre aquele fato. A mente é realmente mais poderosa do que nos damos conta.

*Lembrando que o BÔNUS acontece após resenha de livros de autores parceiros. 

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Love
Nina 

21 de abril de 2015

#Playlist: 3 bandas que estão fazendo os meus dias

Faz um tempinho que não tem música por aqui, né? Andei ocupada com outros projetos, mas vivo de música. Não sei andar por aí sem fones nos ouvidos, porque acho que cada instante merece uma trilha sonora. 

Decidi dividir com vocês três bandas que descobri recentemente e que estão me acompanhando para onde eu for. Confesso que sou meio egoísta com relação às bandas que amo, quero guardá-las só para mim, muitas vezes, mas decidi que, se eu fizesse isso dessa vez, estaria impedindo que essas bandas merecessem o devido reconhecimento. 


1) Rubel 
A banda nasceu quando Rubel Brisolla, que é o vocalista, foi morar em Austin (EUA), em 2011. Ele acabou se hospedando em uma casa chamada Pearl, onde conheceu muita gente diferente que fazia música e que vivia daquilo. Foi por meio dessas pessoas que ele recebeu a ajuda de compor e gravar 7 músicas, tentando, assim, levar consigo um registro do que viveu e aprendeu lá. 

Eu só fui realmente saber da história de Rubel quando procurei por seu site, e confesso que fiquei ainda mais encantada por suas músicas. A primeira que descobri, por meio de um colega, foi Quando Bate Aquela Saudade. A partir daí, eu fiquei viciada na voz do vocalista e na poesia incutida em suas letras. As melodias são incríveis, todas em tons suaves, que batem fundo na gente. São músicas que servem pra qualquer situação e que deixam claro que o Brasil está produzindo canções profundas, sentimentais e que são preenchidas de harmonia e objetivo. A minha preferida, com certeza, é Mascarados. Ainda não sei se há muito de mim na música, ou se há muito dessa música em mim, porque ela bateu fundo na minha alma, me descrevendo com tamanha poesia e suavidade. Nuvem é uma daquelas músicas fofas, e que falam sobre amores platônicos. Pearl fala muito sobre a estadia do Rubel e tem uma melodia toda gracinha e linda. Outras músicas: BenO velho e o mar e Quadro verde

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2) Capela
A banda é formada por dois produtores musicais e um escritor: Caio Andreitta, Léo Nicolosi e Gustavo Rosseb. O primeiro disco deles, o Música de Cabeceira, lançado em 2012, foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira como melhor disco. O novo álbum, Sangue Novo, foi lançado mês passado.

Eu conheci a Capela por causa das minhas andanças pelo Youtube com a música Ciclo. Acho que não existe nada, nada mesmo, mais lindo do que essa canção. Quando a ouvi pela primeira vez foi como um encontro de almas e não consigo eleger outra canção como a mais linda desse Universo. No site deles, há como escutar o primeiro álbum na íntegra e há canções incríveis, tocantes e poderosas. O que mais me chama atenção na Capela é a proposta de diferenciação. Pode parecer presunção da parte deles, mas acontece que os caras conseguiram se diferenciar. Simples Assim tem uma melodia meio divertida e automaticamente nos envolve. De fato parece ser uma música fraca no começo, mas depois começa uma coisa meio samba e que levanta totalmente o astral, sem contar que a letra é muito bem construída. O Canto da Sereia é simplesmente linda e envolvente, como ondas do mar. When Your Star Will Shine, apesar de ser cantada em inglês, tem um ritmo bastante brasileiro. Infelizmente, não são todas as canções que se encontram na versão oficial no Youtube, mas algumas acústicas são ainda mais lindas. Recomendo ir ao site deles e ouvir as versões oficiais, pois todas são incrivelmente bem trabalhadas e maravilhosas. Raios e Trovões é a única música disponível no site do novo álbum, e vale à pena ser ouvida, como todas as outras! 

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3) Echosmith
Formada em fevereiro de 2009, na Califórnia, a banda é composta por quatro irmãos. Já pararam na Bilboard Hot 100 e uma de suas canções foi utilizada em um comercial para divulgar os Jogos Olímpicos de Verão de 2012. Eles já fizeram muitos covers, dentre eles I Will Wait (Mumford and Sons) e Lights (Ellie Goulding). Em 2012, eles assinaram contrato com a Warner Bros Records e gravaram seu primeiro ~e único, até hoje~ álbum: Talking Dreams. 

Conheci o Echosmith através de uma amiga, com Tell Her You Love Her, que se tornou uma das minhas preferidas. As canções deles são estilo indie-pop e, por mais que se parecem com algumas outras bandas, ainda acho que as letras deles têm uma originalidade que poucas têm. São letras que falam sobre algo, não simplesmente versos desconexos. A mais "famosa" é Cool Kids (que até ganhou uma versão Glee, que, a meu ver, ficou um fracasso) e é bem agitada, daquelas que levantam mesmo o astral. Come Together é outra bem pra cima e agitada, que dá vontade de cantar junto, especialmente o refrão. March Into The Sun é outra que adoro, que é também agitada e boa pra relaxar cantando junto. Ran Off in the Night tem uma melodia de guitarras muito boa e a batida da bateria é muito fácil de se deixar envolver. Talking Dreams é bastante pop e muito divertida. Nos últimos dias, estou ouvindo em looping Surround You, acho que a melodia é incrivelmente bela e tranquilizadora, e a letra é muito inspiradora e poética (quando a ouço, me imagino num lugar nublado e com muita névoa, cercado de montanhas). Outras músicas: Let's LoveBrightCome With MeNothing's WrongSafest Place. Recomendo todas as canções, pois são poucas (apenas as mencionadas acima) e cada uma tem a sua beleza.


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Espero que tenham gostado das recomendações, porque valem muito à pena. Cada banda é especial à sua maneira e acho que merecem ainda mais reconhecimento pelos trabalhos incríveis que produzem. 

Love
Nina  

18 de abril de 2015

#Casulo dos sentimentos

Preciso te dizer que a confusão mora em mim, que tá tudo muito ruim desde a virada do ano e que nem sei mais o que ando fazendo. Só fico lá, em todos os lugares, sentindo-me uma peça desencaixada, uma parte de algo que todo mundo rejeitou e um rosto que ninguém vê. Um fantasma na multidão. Eu estou lá, mas não estou. Vejo tudo, mas ninguém devolve na mesma moeda. Eu sempre soube que era uma moeda perdida, vagando pelos cantos mais obscuros da cidade. Quase sem validade, quase sem cor. Desaparecida, eternamente. 

Eu passo tempo demais escondida dentro de mim, porque, para conhecer os outros, precisamos começar por nós mesmos. Se a gente não se conhece, como podemos permitir que outro alguém nos conheça? Mas eu me perco lá no fundo, na imensidão azul que nada em mim, e me vejo constantemente sufocada, emergida como que por obrigação. Depois de repetidos insucessos, eu desisto de resistir. Deixo a correnteza me levar para onde ela desejar. Não adianta lutar contra a nossa natureza, eu sempre soube disso. 

Às vezes, permito abrir uma portinhola estreita, de dentro pra fora. Só pra espiar que o tem acontecido lá fora. Só pra constatar que o mundo continua o mesmo e que é melhor eu continuar no meu casulo. Ninguém diz que um casulo é uma fortaleza. Pode parecer frágil para quem está no exterior, mas lá dentro, lá na proteção de saber quem somos e de perceber que não somos quem os outros gostariam que fôssemos, há pedras resistentes que cumprem com o seu objetivo de manter as almas azuis, as espumas brancas e as nuvens cinzentas fora do alcance das mãos negras do Universo. Essas mãos já tentaram me agarrar duas, três vezes; mas eu sempre fui de me proteger. 

Digo não na maior parte do tempo. Desisto de companhia. Encontro os caminhos reversos apenas para ficar comigo mesma. Quando digo sim, é porque tento ver as borboletas sobrevoando as cabeças cujas mãos negras não param; são apanhadoras de sofrimento. E, de meu sofrimento, nunca levam. Deixo-o aqui, porque ele me faz bem. Remoê-lo torna-me quem sou. Senti-lo apenas me lembra que estou sozinha nessa fábrica de almas perfeitas. 

As borboletas estão sumindo. Saem por aí, sem direção, e esquecem que precisamos do trabalho delas. Estão cada vez mais fugitivas, talvez porque, depois que nascem, entendem que não queriam ter nascido. Só depois de se libertarem da fortaleza que as protegeu é que percebem que precisam dela para sobreviver, que aquela fortaleza é a única coisa que permite lembrá-las quem são e que o Universo nunca será delas. São insignificantes. Quem para para admirar uma borboleta? Quem consegue entender que seus casulos são suas moradias e que quebrá-los é como quebrar suas inquilinas? Depois de quebrados, a liberdade some. Deveria ser ao contrário, mas o Universo não foi feito para ser conquistado pelos fantasmas. O Universo bate em que é fantasma, bate pra valer. 

Fantasmas e borboletas não recebem amor e não sabem prover suas sobrevivências sem alguns mergulhos na imensidão azul que lhes habita. Não foram feitos para entenderem o mundo lá fora, pois conhecem demais o que há dentro de si mesmos. Afogam-se na correnteza desembestada. E, afogados, fingem ser partes de algo. Levam a vida aos arrastões. Sem nada, além do sofrimento que transborda em fluxos infinitos, palavra por palavra. 


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Já faz algum tempo que me desabituei a falar e a escrever sobre mim mesma, pois sou escritora e dou valor aos personagens que crio, então, como autora fico soterrada de sentimentos, de situações e de obrigações que não são minhas. Mas, dessa vez, precisei largar as mãos dos meus personagens e dar voz a mim. 

Ando desencontrada esse semestre, muitas situações e pessoas têm me colocado para baixo, ultimamente, e tentei com esse texto expurgar um pouco do que represei durante esses meses. Espero que tenham gostado! 

Sejam borboletas e fantasmas,
sejam o contrário. 
Nina 

15 de abril de 2015

#Inspiração: Designers

Ano novo, vida nova e projetos novos? SIM. 
Mas eu não achei que 2015 traria uma onda ~imensa~ de desanimação em mim. Mas, de modo algum, isso significa que eu vou desistir do blog, viu, gente? E é por isso que estou ~novamente~ inaugurando outra coluna aqui #todosaplaude 

Já faz algum tempo que estava com esse projeto na mente, apenas esperando que ele, enfim, desse as caras. Planejei-o com muito carinho, visando um material mais diversificado para os leitores e que, também, me satisfizesse. Nunca parti do princípio de trabalhar em algo que não tivesse a ver comigo. Por isso, #Inspiração trará, a cada postagem, um tema que me agrade - e que espero que a agrade a todos vocês - e divulgará profissionais, campanhas, sites/blogs que sejam ligados a esse tema. 

Essa primeira postagem abordará profissionais ligados ao Design. Por experiência própria, tenho muito respeito e admiração pela profissão, pois tenho amigas que a exercem e, também, porque eu tive uma cadeira de design na faculdade e aprendi DEMAIS, e me apaixonei por muita coisa dentro da área. Ao contrário do que muitos pensam, os designers não lidam somente com "desenhos": é, sim, uma arte que requer muita aprendizagem. Não é "qualquer um" que pode fazer, entende? 

1) Alice Gomes.
Alice não sabe ao certo quando começou a desenhar, mas desde pequena sempre gostou muito de coisas que exigissem um pouco de criatividade, influência de seu pai,que desenha e escreve muito bem. Quanto às inspirações, não tem algo certo. Algumas fotos lhe dão uma vontade imensa de desenhá-las, mas isso costuma ser de forma bem aleatória, portanto é algo que não dá para definir. Alice simplesmente vê algo que mexe com ela e pensa: "preciso desenhar". Seu estilo é algo ainda sem definição, até porque ainda está tentando descobri-lo... Um pouco de aquarela, um pouco de realismo, um pouco de personagens imaginários... A intenção é justamente um pouquinho de cada, já que atualmente sua sala de aula é a folha de papel.
"O jeito é arriscar pra aprender"
Alice inaugurou recentemente uma página para a divulgação de seus trabalhos, a Artéria.

Estes desenhos estão publicados na página Artéria



2) Carmell Louize

Carmell tem 22 anos, é ilustradora e designer gráfica. Além disso, é também as mãos por trás das criações da Lola, uma loja virtual cheia de ideias prontas para entrar no guarda roupa das meninas do Brasil! A Lola não surgiu de imediato: quando Carmell tinha 14 anos, resolveu que queria ser como seu pai e ter um negócio próprio. Foi então que criou a “I do!” pintando camisetas a mão na época em que a massa adolescente era emo e bonecos de olhos tristes e franjões tomavam conta de camisetas, bottons, mochilas e tudo mais que você quisesse “enfeitar” a laemocore. Por mais que muita gente tivesse gostado de seu trabalho, ela percebeu que não teria lucro e desistiu por 6 anos da ideia de ganhar dinheiro com ilustrações, loja e esse mundo da criação. 
Na faculdade, entrou para o curso de Design Gráfico, sua grande paixão. Foi nele que ela descobriu que unir arte, funcionalidade e modernidade funciona. 
Carmell já tem certo reconhecimento na internet e as pessoas até a chamam de "Lola", o que a faz brincar ser seu pseudônimo. Conheceu um grupo maravilhoso no Facebook com meninas incríveis, onde pode divulgar os produtos da loja e conhecer microempreendedoras de todo o Brasil.
"A história da Lola está recém no início, mas dá um orgulho imenso poder dizer que eu acreditei no meu potencial, ver que as pessoas realmente gostam de um produto que é feito com todo carinho pelas minhas próprias mãos. É um presente maravilhoso!".

Camisetas à venda na Lola

Camisetas e quadros à venda na Lola

Algumas das meninas do grupo do qual a Carmell faz parte. A técnica usada é a aquarela (diga-se de passagem, é a técnica que mais amo ver em desenhos! )

(Peço um breve parênteses para dizer que a Carmell foi a artista que escolhi para ilustrar o meu primeiro romance, Blue Mary - que, infelizmente, acabou não saindo nesse semestre. Eu a conheço desde a SEXTA SÉRIE, minha gente. Fomos colegas no Ensino Fundamental e é uma daquelas pessoas que a vida me trouxe para dar seu recado: pode confiar de olhos fechados! E eu confiei. O trabalho que a Carmell fez na arte da capa e contracapa de Blue Mary ficou lindo, maravilhoso e totalmente o que eu sempre quis. Desde que retomamos contato por meio do Facebook, eu já tinha em mente que, se houvesse alguém que devesse "dar vida" à minha personagem, esse alguém era a Carmell  O processo de ilustração está abaixo:) 


Estou ~eternamente~ apaixonada e agradecida pelo trabalho incrível da Carmell. 

3) Mariana Cagnin 
Mariana formou-se em Artes Visuais e fez o Curso Abril de Jornalismo, onde conhecer pessoas muito legais que a incentivaram e a indicaram para algumas revistas. Foi assim que começou. Passou um tempo trabalhando dentro de uma editora e depois virou freelancer. O Vidas Imperfeitas foi seu primeiro quadrinho publicado e agora está trabalhando no próximo.
"Como sempre gostei de desenho e ilustração, me profissionalizar nisso foi algo natural". 
Facebook  | Youtube | Behance | Blog | Tumblr | LOJA



(Outro parênteses para eu dizer que: o trabalho da Mariana é um dos mais lindos que já vi. Sou fascinada por suas ilustrações desde a primeira vez que entrei na página dela  Ocorre uma eterna identificação com as situações desenhadas por ela, por isso, descubro um pouco de mim sempre que vejo um novo trabalho). 

4) Laís Herculano
Laís se envolveu com o universo da ilustração através do blog "Trechy Teen", mas apenas observava e não havia interesse de seguir em frente. Porém, a faculdade teve uma aula referente à ilustração de moda e foi assim que se apaixonou. Ainda está descobrindo aos poucos seu estilo, mas sabe que gosta de ilustrações mais delicadas e é o que tenta passar em seus traços. Uma das coisas que anda descobrindo é que adora abusar nas cores, principalmente, as claras ou as candy color.
"Uma das coisas que me ensinaram é que nossos desenhos transmitem nossa fisionomia e gosto e digamos que sou prova disso, meus desenhos são bem femininos e miudinhos".



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*Todas as ilustrações foram cedidas por suas respectivas ilustradoras, à exceção da primeira montagem feita com os desenhos da Mariana, pois as tirei de suas redes sociais. 

**Como futura jornalista ~e uma pessoa que tem aprendido muito sobre Leis no Direito~, preciso lembrar a todos sobre a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98). É PROIBIDA a veiculação das ilustrações/montagens sem a autorização prévia de suas autoras e de mim (já que as montagens foram feitas para o meu blog) e sem o devido crédito. 

***Quero agradecer IMENSAMENTE a cada uma das designers que se disponibilizaram a ceder seus trabalhos e falar um pouquinho de suas histórias. Vocês arrasam! 
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Espero que tenham aprovado esse primeiro post! #Inspiração vai trazer muitas novidades, pessoas incríveis e projetos lindos para vocês! Não deixem de conferir mais ilustrações das moças e prestigiar os trabalhos delas! ;) 

Love
Nina 

4 de abril de 2015

#Resenha de livro: Coração Artificial

Hoje venho com resenha de Coração Artificial, livro de uma das autoras parceiras do blog, a Viviane L. Ribeiro. Tive a oportunidade de conversar algumas vezes com a Vivi e, a cada conversa, sentia mais vontade de ler seu livro, pois ela é uma pessoa muito madura e muito compatível com quem sou. 
"Vá e torne a sua vida extraordinária. Foi o que todos nós fomos destinados a fazer" Viviane L. Ribeiro. 
Título: Coração Artificial 
Autora: Viviane L. Ribeiro
Editora: Multifoco (pelo selo Desfecho Romances)
Páginas: 308
Ano: 2014
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A narração acontece toda por Gabriel, o protagonista. Ele é filho de um importante magnata da indústria de órgãos artificiais. Logo de cara, o leitor já entende que ele odeia ser associado ao pai e à fortuna que tem. Odeia, também, o que faz na vida: estuda para ser o sucessor do pai. Por isso, recorrentemente, ele apela a uma vida mais "desregrada", na qual existe corridas de carros. Gabriel, à primeira vista, parece muito rebelde - daqueles meio sem causa mesmo -, apenas para irritar o pai. Mas, aos poucos, entendemos que ele está preso num sistema que, até então, não teve coragem para enfrentar. 

De volta à faculdade, ele conhece Alícia, uma garota sem muitos recursos financeiros e que é a típica "menina certinha". Não rolou uma afeição imediata por ela, pois as cenas entre eles, no começo, são muito deslocadas - Gabriel mais "fala" dela do que realmente interage com ela. Sem contar que, sempre que ele a mencionava, ela era referida como "a garota dos livros", algo que me irritou um pouco. Alícia mostra-se uma menina um pouco fechada e bastante cética, embora seja simpática. No entanto, Gabriel propõe que Alícia o ajude num trabalho para a faculdade, e eles se aproximam bastante. Aos poucos, eles acabam se conhecendo, trocando conversas e olhares. Não há dúvidas que, desde o começo, Gabriel se apaixonara por Alícia, e isso se deve ao fato de, de repente, a vida dele girar em torno da dela, sempre tendo-a em pensamentos. A autora, entretanto, está de parabéns por conseguir retratar essa paixão sem exagero e aficionismo, como se Alícia fosse a última mulher da Terra. A sutileza utilizada pela autora, com certeza, foi o que mais me agradou. Adoro tramas que acontecem aos poucos, de forma tão natural que a gente mal percebe. 
"Nunca foi meu objetivo de vida agir como as pessoas esperam que eu aja e dizer o que elas esperam que eu diga; na verdade, é isso o que eu faço: dou a elas razões para irem e só sobrarem as que realmente querem ficar" – p. 70.
Tudo está lindo, incrível e fofo quando entra em cena os pais da garota. Eles são pessoas humildes e prezam bastante pelo bem-estar da filha, mas carregam muito preconceito (visto também no pai de Gabriel). Os pais dela acham que pelo fato de Gabriel ser rico, tudo é fácil para ele. O preconceito econômico-social está entranhado na história de forma bastante lúcida e contundente, mas sem ser o plano principal. Há algumas pinceladas dele, o que me provocou certo alívio, pois creio que poucos autores sabem se apropriar desse tema e levá-lo para seus livros. A autora soube conduzir muito bem o assunto sem se perder e sem deixar isso "no ar" - aquele típico efeito de você ler algo que, de repente, some da trama e você fica sem entender nada. Tudo fica ainda mais impossível quando o irmão de Alícia, que é um dos competidores nas corridas de carros das quais Gabriel participa, confronta os protagonistas, alegando que aquele relacionamento não poderia acontecer. Disso, resulta um acidente com Gabriel e Alícia, que acaba os afastando por algum período.
"Quando você tem alguém tomando decisões por você, isso evita que você tenha um monte de preocupações. Então, por que não? Qual é o problema se esse alguém sabe o que é melhor pra você quando você mesmo não sabe?" – p. 78. 
A trama, em si, é bastante "comum", se não fosse o Gabriel narrando. O que mais me surpreendeu no livro foi justamente a proposta da autora de dar voz ao personagem masculino - e todo mundo sabe que as escritoras, geralmente, preferem que exista uma protagonistA narradorA. Isso permitiu que Coração Artificial não tenha rolado ladeira abaixo e ido cair no Valão dos Livros Clichês. Gabriel me passou a impressão de que é um jovem comum, como todos os outros, embora seja rico e distinto. Vi-me muito facilmente nele, devido a algumas circunstâncias semelhantes pelas quais já passei. Essa pressão louca de "ser adulto", de "fazer algo da vida" e de, também, "correr atrás do que se quer". Isso porque o que Gabriel mais ama fazer é tocar música, mas, pelo controle que seu pai exerce em sua vida, nunca pôde ter a real oportunidade de se libertar dessas amarras familiares. É com Alícia que ele descobre que os bons momentos são advindos da simplicidade, do companheirismo e da confiança. 

Não espere ler longas e épicas cenas de romance. Como supracitado, o romance entre os protagonistas é desprovido de exageros e aficionismos (amém!). Há, sim, cenas leves e bonitinhas, mas nada muito marcante. Muito da paixão deles é vista nos diálogos, por exemplo. Eu, que sempre preguei que o diálogo é a chave-mestre para qualquer tipo de relacionamento, consegui ver isso na prática, nesse livro. As conversas entre Alícia e Gabriel não deixam dúvidas sobre a confiança mútua que sentem, embora haja muitas disponibilidades e percalços para que fiquem juntos em definitivo. 
"– Sabe qual é o grande problema da vida? – ela disse – É não sabermos quando vai ser nossa última respiração, a última ida à padaria ou a última vez que vemos as pessoas que amamos. A vida é tão incerta e viver é tão irônico" – p. 185. 
Coração Artificial é, sem dúvida, muito tocante. Fala sobre o amor de uma maneira singela e sutil, pouco vista nos livros de romance hoje em dia. Ele é a prova de que alguns escritores brasileiros estão sabendo lidar com a parte romântica em suas tramas, sem exageros e sem piegas. Muita gente acha que eu detesto livros que contenham romance - quando esse gênero é o meu preferido -, no entanto, o que ocorre é que o clichê, em muitos casos, não são reformulados - e é isso que detesto - e uma história que poderia ter mais potencial, apenas se torna "mais uma" no mercado.

A escrita de Viviane é muito madura, de forma até mesmo "incomum". Suas palavras não são pobres, nem se utilizam do clichê. Embora seja muito agradável, vi, diversas vezes, frases mal formuladas, muita confusão de tempo verbal, má concordância e travessões desnecessários, que truncavam a leitura. Creio que isso foi uma absurda má revisão por parte da autora e por parte de quem ficou encarregado da tarefa, dentro da editora. Foi, com certeza, um dos piores livros que já li, no sentido de encontrar erros toda hora, coisa que me irritou completamente. 

Preciso falar da capa: ela me surpreendeu. Como eu apenas a vi digitalmente, foi muito bom olhá-la impressa. Adorei esse efeito do casal em plano de fundo. Achei que combinou completamente com a trama, pois o mesmo toque de sutileza que há na trama, há na capa também. 

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*BÔNUS: Entrevista com a autora. 

1) Por que decidiu abordar o tema da medicina artificial no livro?
Inicialmente a ideia era fazer algo grande, tipo ficção científica mesmo, até porque “artificial” vem do filme Inteligência Artificial, que é um filme que eu amo. Mas acabou saindo um romance com o plano de fundo a medicina artificial, ao invés do contrário. Eu gosto muito de ficção científica e eu adoro quando é pesado os prós e os contras nesse gênero, então por isso eu escolhi falar disso nesse livro.

2) O que te fez decidir a narrar a história pela perspectiva do Gabriel, ao invés da de Alícia?
Eu percebi que, na maioria dos casos, o leitor vai ter mais simpatia pelo personagem descrito pelo narrador do que o próprio narrador, e as pessoas precisavam se apegar a Alicia. Então foi estratégico. E também porque a ideia de escrever um personagem masculino me incentivou mais do que escrever sobre a perspectiva feminina. Foi um desafio.

3) O fato de o romance aparecer de maneira bastante sutil na trama é devido ao seu estilo, ou foi algo que se construiu ao longo do processo de escrita?
Foi intencional mesmo. A narração foi influenciada pelo personagem principal que, em primeiro lugar, é um homem – e você sabe como são os homens –, e em segundo, porque o Gabriel tem uma deficiência social que o impede de ser caloroso às vezes. Eu não sei o que se passa na cabeça da maioria dos homens, mas acredito que com o Gabriel eu cheguei perto de entender.

*Lembrando que o BÔNUS acontece após as resenhas de livros de autores parceiros. 

Love
Nina