4 de abril de 2015

#Resenha de livro: Coração Artificial

Hoje venho com resenha de Coração Artificial, livro de uma das autoras parceiras do blog, a Viviane L. Ribeiro. Tive a oportunidade de conversar algumas vezes com a Vivi e, a cada conversa, sentia mais vontade de ler seu livro, pois ela é uma pessoa muito madura e muito compatível com quem sou. 
"Vá e torne a sua vida extraordinária. Foi o que todos nós fomos destinados a fazer" Viviane L. Ribeiro. 
Título: Coração Artificial 
Autora: Viviane L. Ribeiro
Editora: Multifoco (pelo selo Desfecho Romances)
Páginas: 308
Ano: 2014
                                                                          ★

A narração acontece toda por Gabriel, o protagonista. Ele é filho de um importante magnata da indústria de órgãos artificiais. Logo de cara, o leitor já entende que ele odeia ser associado ao pai e à fortuna que tem. Odeia, também, o que faz na vida: estuda para ser o sucessor do pai. Por isso, recorrentemente, ele apela a uma vida mais "desregrada", na qual existe corridas de carros. Gabriel, à primeira vista, parece muito rebelde - daqueles meio sem causa mesmo -, apenas para irritar o pai. Mas, aos poucos, entendemos que ele está preso num sistema que, até então, não teve coragem para enfrentar. 

De volta à faculdade, ele conhece Alícia, uma garota sem muitos recursos financeiros e que é a típica "menina certinha". Não rolou uma afeição imediata por ela, pois as cenas entre eles, no começo, são muito deslocadas - Gabriel mais "fala" dela do que realmente interage com ela. Sem contar que, sempre que ele a mencionava, ela era referida como "a garota dos livros", algo que me irritou um pouco. Alícia mostra-se uma menina um pouco fechada e bastante cética, embora seja simpática. No entanto, Gabriel propõe que Alícia o ajude num trabalho para a faculdade, e eles se aproximam bastante. Aos poucos, eles acabam se conhecendo, trocando conversas e olhares. Não há dúvidas que, desde o começo, Gabriel se apaixonara por Alícia, e isso se deve ao fato de, de repente, a vida dele girar em torno da dela, sempre tendo-a em pensamentos. A autora, entretanto, está de parabéns por conseguir retratar essa paixão sem exagero e aficionismo, como se Alícia fosse a última mulher da Terra. A sutileza utilizada pela autora, com certeza, foi o que mais me agradou. Adoro tramas que acontecem aos poucos, de forma tão natural que a gente mal percebe. 
"Nunca foi meu objetivo de vida agir como as pessoas esperam que eu aja e dizer o que elas esperam que eu diga; na verdade, é isso o que eu faço: dou a elas razões para irem e só sobrarem as que realmente querem ficar" – p. 70.
Tudo está lindo, incrível e fofo quando entra em cena os pais da garota. Eles são pessoas humildes e prezam bastante pelo bem-estar da filha, mas carregam muito preconceito (visto também no pai de Gabriel). Os pais dela acham que pelo fato de Gabriel ser rico, tudo é fácil para ele. O preconceito econômico-social está entranhado na história de forma bastante lúcida e contundente, mas sem ser o plano principal. Há algumas pinceladas dele, o que me provocou certo alívio, pois creio que poucos autores sabem se apropriar desse tema e levá-lo para seus livros. A autora soube conduzir muito bem o assunto sem se perder e sem deixar isso "no ar" - aquele típico efeito de você ler algo que, de repente, some da trama e você fica sem entender nada. Tudo fica ainda mais impossível quando o irmão de Alícia, que é um dos competidores nas corridas de carros das quais Gabriel participa, confronta os protagonistas, alegando que aquele relacionamento não poderia acontecer. Disso, resulta um acidente com Gabriel e Alícia, que acaba os afastando por algum período.
"Quando você tem alguém tomando decisões por você, isso evita que você tenha um monte de preocupações. Então, por que não? Qual é o problema se esse alguém sabe o que é melhor pra você quando você mesmo não sabe?" – p. 78. 
A trama, em si, é bastante "comum", se não fosse o Gabriel narrando. O que mais me surpreendeu no livro foi justamente a proposta da autora de dar voz ao personagem masculino - e todo mundo sabe que as escritoras, geralmente, preferem que exista uma protagonistA narradorA. Isso permitiu que Coração Artificial não tenha rolado ladeira abaixo e ido cair no Valão dos Livros Clichês. Gabriel me passou a impressão de que é um jovem comum, como todos os outros, embora seja rico e distinto. Vi-me muito facilmente nele, devido a algumas circunstâncias semelhantes pelas quais já passei. Essa pressão louca de "ser adulto", de "fazer algo da vida" e de, também, "correr atrás do que se quer". Isso porque o que Gabriel mais ama fazer é tocar música, mas, pelo controle que seu pai exerce em sua vida, nunca pôde ter a real oportunidade de se libertar dessas amarras familiares. É com Alícia que ele descobre que os bons momentos são advindos da simplicidade, do companheirismo e da confiança. 

Não espere ler longas e épicas cenas de romance. Como supracitado, o romance entre os protagonistas é desprovido de exageros e aficionismos (amém!). Há, sim, cenas leves e bonitinhas, mas nada muito marcante. Muito da paixão deles é vista nos diálogos, por exemplo. Eu, que sempre preguei que o diálogo é a chave-mestre para qualquer tipo de relacionamento, consegui ver isso na prática, nesse livro. As conversas entre Alícia e Gabriel não deixam dúvidas sobre a confiança mútua que sentem, embora haja muitas disponibilidades e percalços para que fiquem juntos em definitivo. 
"– Sabe qual é o grande problema da vida? – ela disse – É não sabermos quando vai ser nossa última respiração, a última ida à padaria ou a última vez que vemos as pessoas que amamos. A vida é tão incerta e viver é tão irônico" – p. 185. 
Coração Artificial é, sem dúvida, muito tocante. Fala sobre o amor de uma maneira singela e sutil, pouco vista nos livros de romance hoje em dia. Ele é a prova de que alguns escritores brasileiros estão sabendo lidar com a parte romântica em suas tramas, sem exageros e sem piegas. Muita gente acha que eu detesto livros que contenham romance - quando esse gênero é o meu preferido -, no entanto, o que ocorre é que o clichê, em muitos casos, não são reformulados - e é isso que detesto - e uma história que poderia ter mais potencial, apenas se torna "mais uma" no mercado.

A escrita de Viviane é muito madura, de forma até mesmo "incomum". Suas palavras não são pobres, nem se utilizam do clichê. Embora seja muito agradável, vi, diversas vezes, frases mal formuladas, muita confusão de tempo verbal, má concordância e travessões desnecessários, que truncavam a leitura. Creio que isso foi uma absurda má revisão por parte da autora e por parte de quem ficou encarregado da tarefa, dentro da editora. Foi, com certeza, um dos piores livros que já li, no sentido de encontrar erros toda hora, coisa que me irritou completamente. 

Preciso falar da capa: ela me surpreendeu. Como eu apenas a vi digitalmente, foi muito bom olhá-la impressa. Adorei esse efeito do casal em plano de fundo. Achei que combinou completamente com a trama, pois o mesmo toque de sutileza que há na trama, há na capa também. 

_____________

*BÔNUS: Entrevista com a autora. 

1) Por que decidiu abordar o tema da medicina artificial no livro?
Inicialmente a ideia era fazer algo grande, tipo ficção científica mesmo, até porque “artificial” vem do filme Inteligência Artificial, que é um filme que eu amo. Mas acabou saindo um romance com o plano de fundo a medicina artificial, ao invés do contrário. Eu gosto muito de ficção científica e eu adoro quando é pesado os prós e os contras nesse gênero, então por isso eu escolhi falar disso nesse livro.

2) O que te fez decidir a narrar a história pela perspectiva do Gabriel, ao invés da de Alícia?
Eu percebi que, na maioria dos casos, o leitor vai ter mais simpatia pelo personagem descrito pelo narrador do que o próprio narrador, e as pessoas precisavam se apegar a Alicia. Então foi estratégico. E também porque a ideia de escrever um personagem masculino me incentivou mais do que escrever sobre a perspectiva feminina. Foi um desafio.

3) O fato de o romance aparecer de maneira bastante sutil na trama é devido ao seu estilo, ou foi algo que se construiu ao longo do processo de escrita?
Foi intencional mesmo. A narração foi influenciada pelo personagem principal que, em primeiro lugar, é um homem – e você sabe como são os homens –, e em segundo, porque o Gabriel tem uma deficiência social que o impede de ser caloroso às vezes. Eu não sei o que se passa na cabeça da maioria dos homens, mas acredito que com o Gabriel eu cheguei perto de entender.

*Lembrando que o BÔNUS acontece após as resenhas de livros de autores parceiros. 

Love
Nina 

20 comentários:

  1. Eii, Nina! Não conhecia a autora e nem o livro, mas, assim como você, sou apaixonada por romances e amo quando os clichês são bem embasados. Fiquei bem curiosa sobre a história e o livro em si. Adoro quando me empolgo com autores(as) brasileiros(as)!

    Linda resenha! <3

    Beijoos, http://blogfloreando.blogspot.com.br/ :D

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  2. Oi Nina, tenho acompanhado o livro pelas resenhas que tem saído e estou satisfeita com o que tenho visto, uma pena mesmo são estes erros apresentados. A editora deveria ter mais cuidado com isso
    Bjs, Rose

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  3. Olá!
    Sua resenha ficou interessante, o livro não me cativou, nem mesmo a autora dando voz ao personagem, coisa bem comum...
    http://www.poesianaalma.com.br/

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  4. Oláá
    Amo essa capa e tenho uma curiosidade grande pelo livro pois já ouvi falar sobre ele em alguns blogs, parece ser bem bonito e interessante, espero ter oportunidade de ler em breve.

    http://realityofbooks.blogspot.com.br/
    Catharina
    Beijos

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  5. Oi Nina,
    Então, gostei da sua resenha bem detalhista,
    mas a história não me ganhou. Eu não leria o livro
    pois não criei interesse suficiente nos elementos que compõe
    a trama.
    Beijos
    Conversas de Alcova ❤

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  6. Ola lindona eu já li esse livro . a capa está linda, mas o final ficou com muitas pontas soltas o que prejudicou o livro, uma pena pois a autora tem um tema que tem tudo para dar certo. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  7. Oi, tudo bem?
    Eu nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, mas fiquei bem animada com ele, primeiro por sua classificação alta e depois pela premissa que é super interessante *o* Também achei muito bacana o personagem masculino narrar a história, é um diferencial bem interessante. Enfim, imagino que esse livro deve ser realmente muito bom, adoro livros tocantes, por isso se tiver oportunidade irei ler o/

    Beijos :*
    Larissa - http://srtabookaholic.blogspot.com

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  8. Eu tenho um amor particular por livros Sick-lit, principalmente porque eles tem essa pequena mania de me deixar chorando como se a minha vida fosse acabar. Eu gostei muito da sua resenha e dos pontos que você levantou nela. Com certeza eu vou dar uma chance pra esse livro.

    http://laoliphant.com.br/

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  9. Oi, Nina!
    Eu já li outras resenhas desse livro, mas nenhuma com tantos pontos importantes. Pelo título do livro eu também achei que a autora queria ir mais para a ficções cientifica, mas que talvez não tenha tido êxito. Vejo que vários autores até tentam trazer uma trama mais desenvolvida, mas acabam na zona de conforto do romance entre os protagonista. É uma pena.

    Beijos!

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  10. Eu não sei porquê, mas gosto muito e livros assim. =D quando bem formulados claro. Acho que li muitos romances na minha adolescência, daí fui gostando, gostando... Hoje não tem mais jeito. Me pegou!

    Gostei da sua resenha! Ficou muito bem escrita e muito objetiva. Parabéns!

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  11. Oi Nina.
    Adorei sua resenha. Fico feliz de saber que é um livro de romance sem tantos clichês.
    Espero ter a oportunidade de le-lo logo.

    Beijos
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

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  12. Olá Nina, parabéns pela resenha como sempre. Gosto de romances assim, sem exageros e coisas extrapoladas. Os personagens parecem ser bem bacanas e fiquei bem curiosa para ler a obra.
    Beijos, sucesso.

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  13. Oi Nina, tudo bem? Gostei bastante da sua resenha, dois motivos me fazem ter interesse nessa leitura, pelo tema de órgãos artificiais e pela narração do Daniel. Bom, gostei do que você falou sobre o romance acontecer gradualmente... detesto aqueles romances relâmpagos. Também gostei da autora ter falado sobre preconceitos socio-econômico e também sobre a pressão em atender as expectativas dos pais.

    Pena que o livro está cheio de erros de revisão... isso é muito chato e acaba prejudicando muito a leitura. Recentemente peguei um livro assim, e só não me incomodou mais, porque eu adorei a história.

    Gostei bastante da entrevista com a autora!!

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  14. Uau! Que resenha incrível! O livro parece ser ótimo. Adoro quando o livro tem tudo pra ser mais do mesmo, mas consegue fugir dos clichês. A mini entrevista também foi um bônus que eu adorei, rs... Beijos!

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  15. Oi, tudo bem?
    Eu estou em um BT desse livro, e bem curiosa para ler. Achei legal o narrador ser o Gabriel, principalmente depois de ver a explicação do motivou a autora a tomar essa decisão, rs. Realmente, tendemos a gostar mais do personagem descrito do que do narrador.
    Gosto de livros com uma linguagem madura, e que falem de preconceito. Acho que vou curtir a leitura.
    beijos
    meumundinhoficticio.blogspot.com.br

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  16. Oi Nina, tudo bom?

    Ainda não conhecia esse livro e nem a autora, mas gostei muito da sua resenha! Fiquei curiosa para lê-lo. Gostei de descobrir que ele é narrado pelo Gabriel. Quero conhecê-lo. Acho que vou gostar da leitura! Espero ter a oportunidade de conhecê-lo.

    Beijos
    www.estantedarob.com.br

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  17. Hey, tudo bem?

    Muito interessante esse livro, principalmente pelo fato da narração ser encarregada pelo personagem masculino, como você mesma disse, isso deve ajudar bastante a história a fugir do velho clichê. Que pena que a revisão desse livro foi tão mal feita, é realmente irritante e atrapalha muito a leitura.

    Beijos,
    Dois Dedos de Prosa

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  18. Oi Nina ^^
    Adorei a resenha, a premissa do livro, a capa e a entrevista. Enfim, tudo neste post me deixou encantada!
    Não conhecia o livro, mas depois de vê-lo por aqui comecei a me sentir curiosa e com bastante vontade de me deixar envolver pela história!

    bjs

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  19. Oi Nina...
    Nossa me surpreendi, de verdade... quando comecei a ler a sua resenha já pensei olha lá... mais um clichê para nós, mas então... escrito pelo ponto de vista masculino? Isso é algo inédito assim, sem ser as continuações ou spin off.
    Gostei do livro, fiquei curiosa e anotei o nome para procurar mais sobre ele.

    beijos
    Livros & Tal

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  20. Sim! Nossos autores brasileiros dão um show mesmo. Pena que muita gente ainda olha com um certo "preconceito" para os nacionais. Tenho visto resenhas bem legais sobre Coração Artificial e, confesso, que to bem curiosa para ler o livro.

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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