28 de junho de 2015

#Resenha de livro: Uma vida para sempre

Semestre acabando? Semestre acabando! 
Quero me desculpar por não estar mais postando com frequência e ter deixado de lado alguns posts diferentes (o TOP 5, o #DicasParaEscritores, o #Inspiração etc). Esse semestre não foi um dos melhores da minha vida, então negligenciei muita coisa ao redor de mim, mesmo a minha paixão eterna por esse meu cantinho. Vocês podem perceber que tem muito texto atulhado recentemente, o que comprova totalmente a minha bagunça interna </3 MAS, com as férias chegando, vou renovar esse ciclo que só me ferrou nos últimos tempos. Tenho MUITA resenha atrasada e vou tentar compensar vocês publicando mais vezes por semana! :)

A resenha de hoje é sobre o livro Uma vida para sempre, da autora parceira Simone Taietti. Estou até envergonhada por estar escrevendo isso apenas hoje, pois terminei a leitura há, pelo menos, um mês. Esse livro me provocou tanta coisa positiva e negativa que acho que, justamente por isso, não consegui sentar e escrever a resenha logo no dia seguinte. 


Título: Uma vida para sempre

Autora: Simone Taietti
Editora: Novo Século (pelo selo Talentos da Literatura Brasileira)
Páginas: 351

Ano: 2014
+ 

A narração de Uma vida para sempre é feita, majoritariamente, pela personagem principal, a Ethel, em forma de um diário. Ela é uma garota de 17 anos que convive com uma síndrome que a impossibilita de sentir dor e de, também, suar - o que complica sua vivência em muito, pois tem de ficar atenta a muitos sinais que, para quem não convive com a doença, são irrelevantes. Ethel, desde o princípio, se mostra uma jovem incrível, inteligente e madura. Isso foi o que mais amei na história, aliás. Ela é uma garota real, que não se intimida e que não se contenta com o rumo da vida (ou da morte). Identifiquei-me de imediato com ela, em especial por, durante todo o livro, ela citar fatos históricos, quotes de livros e livros. Ethel não vai à escola, por isso tem muito tempo livre para se dedicar às suas paixões - a literatura, a pesquisa sobre sua síndrome e, também, probabilidades infinitas. 
Meu corpo é doente. Ok. Mas, por dentro, sinto que há muito mais do que isso. Intacto. Que nem o tempo conseguiu mudar.
p. 34 
No começo, o leitor pode se sentir cansado por ler tanta coisa sobre a morte, porque Ethel defende o fato de que ela é iminente. O assunto preferido dela, a meu ver, é a morte. E ela consegue falar sobre ele de modo lúcido e muito democrático, afastando-se totalmente da ideia de que isso é um tabu no mundo real. Ao mesmo tempo em que a garota tem que lidar com sua introspecção e epifanias, tem de lidar com a mãe super protetora, que, apesar de dar certas liberdades, impõe uma bolha invisível na vida de Ethel. 

O único lugar onde a protagonista se sente, digamos, "ela mesma" é no hospital. Não somente porque lá as pessoas são doentes como ela, mas porque os pacientes têm a mesma concepção que ela de vida e de morte. Numa dessas visitas ao hospital, Ethel conhece Vitor, que tem Leucemia Mieloide Aguda. Eles conversam por um tempinho, antes de ele ser internado para fazer um transplante de medula óssea. O encontro é fluído e natural, o que aprovei. Ethel se interessa minimamente pelo garoto, que é muito bem-humorado e também muito maduro. Os dois voltam a se reencontrar, pois Ethel vai visitá-lo no hospital e, um tempo depois, ela acaba descobrindo que Vitor, na verdade, vai morrer como ela. No primeiro encontro, ele tinha dito a ela que a doença estava controlada, mas era mentira, pois ele convive com a leucemia há muitos anos. 
– Você já sentiu como se a sua existência fosse uma eterna corrida? Como se, para viver, precisasse fugir de algo?
– Da morte? – perguntei.
– Sim, também do destino ou de qualquer coisa parecida com isso – ele deu de ombros.
p. 115. 
Aos poucos, a amizade deles se encaminha de forma natural para algo romântico. Não é nada muito declarativo, ou exagerado. Os próprios personagens, devido às suas personalidades e maturidades, deixam o romance com mais cara de "mundo real", o que não me incomodou em nada. A essência do livro, conforme Ethel e Vitor se amam, toma forma, e se afasta do fato de bater na tecla da morte constantemente, porque fica claro que quando eles debatem sobre a morte, na verdade, estão falando sobre a vida. Essa é a lição do livro: apesar da morte, devemos viver. 

Inevitável eu não falar de A Culpa é das Estrelas. Sim, o tema da doença lembra o livro do John Green. No entanto, Uma vida para sempre me proporcionou experiências únicas que, em momento algum, A Culpa é das Estrelas conseguiu. Começando pelo time incrível de personagens, pela mentalidade filosófica e acima da média da protagonista e pelo ensinamento muito mais contundente.
Talvez perceba até que havia uma pessoa lá, ao seu lado, cuja presença não havia notado naquela época. Teria sido mais fácil ter se dado conta disso antes, não é mesmo? De que a vida é aquilo que acontece enquanto perdemos tempo planejando. Então, você se arrependerá e verá as coisas desmoronando ao seu redor. E terá que se segurar, pois é a única coisa que lhe resta.
p. 178 

Como disse, li-o há algum tempo e cheguei a pensar que o estava lendo na época mais errada da minha vida, pois, naquela semana, eu tive de conviver com muita angústia, pânico e sofrimento e tudo isso contribuiu para que meus sentimentos, durante a leitura, se aflorassem. Perdi a conta de quantas vezes eu chorei da metade para o final desse livro, sinceramente. Ele me construiu e me desconstruiu diversas vezes, mas após terminar de chorar pelos ensinamentos de Ethel percebi que ela está certa: que, apesar de perdermos o controle sobre algumas coisas, a decisão está nas nossas mãos; é tudo ou nada, definitivamente. É escolher viver, ou morrer. E, mesmo que a morte esteja aí na porta de todos, devemos viver. Devemos ser corajosos, porque nem todos têm uma segunda chance.

Peço desculpas se não estou muito coerente nessa resenha, é que eu não sei expressar totalmente os meus sentimentos para com esse livro. Apenas digo que ele modificou inteiramente tudo o que eu era, antes de lê-lo. Com certeza, se tornou um dos meus livros preferidos do Universo inteiro. 

Preciso salientar, aliás, que a escrita da autora é impecável, apaixonante e muito madura. Isso me surpreendeu muito e fiquei muito feliz por ler algo tão poeticamente lúcido. O selo Talentos da Literatura Brasileira, infelizmente, tem um déficit muito grande na revisão de forma geral, no entanto, em Uma vida para sempre, a revisão está de parabéns. Imagino que muito se deva ao empenho da autora. 

O que falar dos quotes? Esses acima são apenas uma amostra de todos os que eu marquei no livro. Eu contei: são 32 quotes grifados. Sabe quando você lê algo que parece que foi escrito justamente para você e por causa de uma situação horrível pela qual está passando? É esse o meu sentimento de gratidão que tenho por todos os quotes e por esse livro incrível. 

Não posso deixar de recomendar a música Learn Me Right, da Birdy feat. Mumford and Sons, que se tornou, literalmente, o hino desse livro (pelo menos, para mim). A canção em questão foi gravada para compor a trilha sonora do filme Valente, da princesa Merida. 

Você tem uma lista se coisas para fazer antes de morrer? Caso não tenha, deveria começar a pensar nisso...
p. 81 
_________________

*BÔNUS: entrevista com a autora.

1) Como escolheu o nome da Ethel? Achei-o lindo e muito marcante.
Há algum tempo vi na internet a história de uma senhorinha chamada Ethel, que é cega. Achei a história dela extremamente tocante e me encantei pelo nome, que ficou guardado em minha memória. Quando estava escolhendo o nome que daria às personagens, lembrei-me deste e tive certeza de que seria o nome da minha personagem principal.

2) A pesquisa que você fez sobre a medicina me encantou muito durante a leitura. Como foi conseguir juntar tantas informações e distribuí-las na trama?
Olha, confesso que enquanto pesquisava senti grande vontade de largar o Direito e começar a cursar Medicina, (risos). É tudo tão interessante, sabe? A riqueza de detalhes e como tudo se encaixa e contribui para uma determinada situação, um determinado quadro clínico ou mesmo para o diagnóstico de uma doença. O corpo humano é a máquina mais perfeita que existe e sempre tive grande curiosidade quanto ao seu funcionamento, principalmente em relação ao cérebro, a parte neurológica. Confesso que não foi fácil, até porque guiei a pesquisa sem o auxílio de qualquer profissional e sempre tive receio de que as informações coletadas não fossem, de todo, verossímeis, mas sempre tomei o cuidado de buscar por fontes seguras e comparar as informações. Essa foi a parte mais complicada, por assim dizer, em relação ao processo de criação dessa obra, mas foi uma das mais gratificantes também. Aprendi muito.

3) A Ethel é alguém muito madura e inteligente. Você se inspirou em alguém para criá-la? Há algo de você nela? Quais são as semelhanças e diferenças entre vocês?
Gosto muito de personagens como ela, que, por exemplo, apesar da pouca idade, emanam tanta força e sabedoria. Os gostos dela, quanto à literatura, música, amor por História e principalmente Machado de Assis, vieram de mim. Também, essa grande curiosidade sobre a morte, essas indagações filosóficas. Já a grande diferença, creio que seja a coragem, não me sinto tão corajosa quanto ela (risos). 


*Lembrando que o BÔNUS acontece após resenhas de livros de autores parceiros. 

Mais resenhas, em breve! :)
Love
Nina 

15 comentários:

  1. Oi Nina
    Estava com saudades do seu cantinho <3
    Esse livro é maravilhoso. O li no início do ano e, assim como você, demorei bastante para conseguir escrever a resenha. Parecia que nada do que eu escrevia fazia jus a escrita da Simone. Fiquei apaixonada pelas personagens, pela estória delas e, até mesmo, pelas condições de saúde das mesmas. O fato da Ethel pensar bastante na morte me fez identificar com ela. Tenho muito medo da morte, assim como tenho medo de tudo que é desconhecido, e acho que é justamente por isso que penso tanto nela.
    Um grande beijo

    Vidas em Preto e Branco 

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  2. Nina, essa foi, de longe, a melhor resenha que li desse livro. Você realmente passou toda a emoção que sentiu ao lê-lo.
    Continuo sem a intenção de ler a obra, pois sick-lit não é muito meu estilo, mas fiquei muito curiosa com a escrita da autora e esperarei suas próximas publicações para conferir.
    Achei as respostas dela na entrevista muito coerentes também.

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  3. Ola Nina lindona realmente impossível não comparar com ACEDE, esse clima de morte e a protagonista falando muito sobre ela, não me anima muito a ler, e confesso que ando uma manteiga derretida, por isso no momento vou evitar a leitura . beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  4. Primeiro sua resenha está magnifica, mega explicadinha! O livro me lembrou muito a culpa das estrelas, como você disse. Acho que é por conta do interesse da principal pela morte e o nome também me deu a nostalgia. O livro parece ótimo, porém esse tema de doença anda me deixando um pouco depressiva ultimamente, por isso resolvi dar um tempo.
    Beijos

    cheireiumlivro.blogspot.com.br

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  5. Oi, Nina!
    Que resenha emocionada, sei como é a questão de tempo, estou passado por isso e fico com a sensação de falta com o blog, sem contar que o espaço é terapêutico para mim. Já tinha visto o livro, mas não li, certamente, com um enredo desses, a autora tem muito pano pra manga, sendo bem escrito e com bom embasamento, acredito que é de deixar qualquer leitor emocionado.

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  6. Oi, Nina!
    Eu tenho que dizer também que achei sua resenha, tocante, emocionante (chega, né), mas é verdade. Eu já li várias resenha desse livro e nenhuma consegui fazer eu senti um pouco se quer de empatia por esse livro.
    Acho que tudo é devida A culpa e das estrelas, que consegui pegar para se a bandeira de grande livro que aborda adolescentes com doenças terminais. E como eu não consegui me conectar com o livro, então faço cara feia para tudo que lembra ele.

    Mas que bom termo outros livro que traz o tema doença e morte num viés mais filosófico.

    Beijos!

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  7. Adorei esse livro. A autora é uma fofa e a escrita dela é deliciosa.
    Acho que essa sua confusão de sentimentos com a trama deve ser em razão do desfecho...me senti assim, mas fiquei pensando nisso depois e acho que toda a narrativa encaminha par tal final.

    LETRAS COM CAFEÍNA

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  8. Oie, tudo bom?
    Eu amo histórias sick-lits e já conhecia esse livro por causa de outros blogs. Gosto de histórias que possuem esse conflito tênue de vida e morte. É um daqueles livros que eu pretendo ler um dia.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  9. Oi Nina!
    Como sempre uma ótima resenha! Esse livro é mesmo lindo, desde a estética até a história em si. Ainda não tive a oportunidade de ler mas tenho acompanhado ótimas críticas sobre. Gostei muito da entrevista.

    luadeneon.com

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  10. Eu achei a capa desse livro tão lindinha! E as resenhas são sempre positivas. Pra ler só falta encontrar rsrs
    www.belapsicose.com

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  11. Eu achei a capa desse livro tão lindinha! E as resenhas são sempre positivas. Pra ler só falta encontrar rsrs
    www.belapsicose.com

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  12. Eu achei a capa desse livro tão lindinha! E as resenhas são sempre positivas. Pra ler só falta encontrar rsrs
    www.belapsicose.com

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  13. Oi, tudo bem?
    Já tinha muita vontade de ler esse livro, e sua resenha passou muito do quanto ele mexe com o leitor, sem falar nessa quantidade absurda de corações, rs
    Pretendo ler em breve
    beijos
    http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/

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  14. Tem horas que precisamos mesmo dar uma pausa entre a leitura e a resenha para conseguir por todas as emoções e opiniões no papel. Não é um livro que eu tenha me interessado, pelo menos no momento.
    Bjs, Rose.

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  15. Oii Nina
    Que resenha formidável, você conseguiu nos prender em suas palavras e chamar totalmente nossa atenção para o livro.
    Eu ja havia visto comentarios dele por ai e fiquei com muita vontade de ler, agora então, mais ainda.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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