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Resenha de Filme: A Bela Junie

by - julho 29, 2015

Conheci esse filme pela página Anti-Sociais, que posta quotes de filmes/seriados/músicas etc. Como ele é francês, já me animou bastante. Daí, fui descobrir que é de drama: mais mil pontos. E, ah, a Léa Seydoux (de Azul é a cor mais quente) é a protagonista  

Título Original: La Belle Personne 
Diretor: Christophe Honoré
Ano: 2008
Nacionalidade: França
Duração: 1h30
Gênero: drama

O plot do filme se passa quase que inteiro no novo colégio de Junie. A garota se mudou para a casa dos tios, pois sua mãe acabou de falecer. Isso, a gente fica sabendo bem rapidamente, e dá a impressão de que é só uma informação irrelevante. Em retrospecto, é verdade. Em momento algum, o filme foca nos sentimentos dela quanto a essa perda. É praticamente como se ela não houvesse. 

Junie é a garota nova, mas não daquele tipo tímida, ou totalmente deslocada. O primo dela logo trata de enturmá-la e, assim, acaba despertando algumas paixões. Otto, que não é popular e é bem na dele, é o primeiro a tomar uma atitude para conquistá-la. Ela aceita a paixão de Otto sem muito esforço, mas a sensação que dá é que ela não está ligando para muita coisa, em especial para questões amorosas. 

Bem, até conhecer seu professor de italiano, o Sr. Nemours. Ele mal se assemelha a um professor, porque parece novo demais - de começo, eu achava que fosse mais um aluno. Ele mantém um romance "de fachada" com uma das alunas, mas é apaixonado por uma professora mais velha que leciona na mesma escola. No entanto, assim que ele e Junie têm o "primeiro encontro", ele termina com as moças para ficar atrás de Junie. 

A meu ver, a personagem parece muito passiva frente a praticamente tudo (só olhando o pôster, já dá pra perceber minimamente isso). E a sensação que dá é que ela também está agindo assim com o Sr. Nemours. Junie, de certa forma, é alguém sem muitas histórias, nem muito destaque. A história se forma ao redor dela, simplesmente porque ela é a peça central, mas não dá pra dizer que a história avança por causa dela, pois o mundo exterior quase nunca a influencia. E acho que, por ela ser alguém muito inexpressiva, é daí que nasce todo o drama. Ela sabe que Sr. Nemours está apaixonado por ela, mas não expressa isso de forma direta a ele, enquanto ele é - a meu ver - todo desesperado; acha que nunca sentiu isso que sente por mais ninguém e que precisa arriscar. E, sim, ele chega a arriscar diversas vezes. Mas Junie, como sempre, fica inerte. 

A certa altura do filme, ficamos sabendo que, na verdade, ela está lutando contra o sentimento que nutre por ele (de paixão/amor). Mas ao invés de arriscar, ela faz o oposto. Não dá para saber por que ela tem essa reação, de início; se é por causa da mãe, ou se simplesmente tem medo de amar. 

O filme, em si, não apresenta nada muito trabalhado. A storyline é bastante pacata e não tem muito aprofundamento. Apenas perto do fim é que dá para formular algumas lições acerca da história. Acho que o filme mostra de maneira muito crua e até desinteressada as várias formas e intensidades do amor. Cada personagem reage ao amor de um jeito e toma uma atitude diferenciada. Enquanto Junie é aquela que foge, talvez porque não esteja pronta para lidar com as decepções/angústias/defeitos vindos de alguém, Sr. Nemours é o cara que mergulha de cabeça e investe no que sente. 

O tema, apesar de clichê, é tratado de forma muito real, por isso, muito facilmente levanta questões como: até onde e quando podemos amar alguém? Arriscar é a melhor decisão? Será que fugir não é melhor? etc. Recomendo para quem gosta de drama e não precisa de filmes com "finais felizes" (opa, spoiler? #sorry). 




(Esse é o Sr. Nemours. A fala em questão é da Junie, sobre ele). 


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9 comentários

  1. Não conhecia o filme, mas gostei da premissa e também gosto de filmes franceses e gosto muito da Léa como atriz. Vou coloca-lo na minha listinha de proximos filmes para assistir. Gostei da resenha, foi bem clara e objetiva.
    bjus
    http://recantoliterarioeversos.blogspot.com.br/

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  2. Nina, eu amo filme francês, amo a Léa Seydoux e sou completamente apaixonada pelo Louis Garrel desde que vi "Os Sonhadores". Ele tem uma beleza que foge do padrão, é exótico de uma forma que meu Deus do céu! Mas só a versão mais nova dele, essa mesma deste filme, porque a mais atual não me agrada muito... (Ou talvez seja pq a versão mais nova corresponda com a minha versão mais nova tb, sei lá).
    Essas três coisas já seriam suficientes pra me fazer ver esse filme, mas sua resenha veio pra me convencer ainda mais. Sério, Nina, percebi que gosto de tudo o que você escreve, seja seus textos autorais, literários, seja os seus textos opinativos, como essa resenha. :)
    Tão bom encontrar alguém que a gente goste de ler nessa blogosfera! Hahaha
    Um beijo grande,
    www.literasutra.com

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    1. Awnnnn, Monalisa, AMEI seu comentário! <3 Adoro, também, quando bate essa sincronicidade entre as pessoas, mesmo que pela blogsfera. Aliás, tenho grandes amigas que adoro justamente por causa dos conteúdos incríveis dos blogs delas! O seu blog e, especialmente seus vídeos, também me fazem sentir assim, como se eu te conhecesse muito bem por causa das suas postagens! :)
      Fico feliz que goste daqui! <3

      Love, Nina.

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  3. Nina lindona realmente o poster já diz tudo sobre a passividade da protagonista e confesso que isso me incomoda. essa sensação de comodidade em toda situações. Por isso desta vez vou deixar passar a dica. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  4. Oie!
    Não é uma história que me chamou a atenção, mas por se tratar de um filme, acho que eu daria uma chance, mas futuramente. Olhar para o pôster do filme me dá uma agonia, pois para quem tem a ação como gênero favorito, parece uma tortura, haha. Acho que, se fosse um livro, me faria pegar no sono antes da metade. Mas não quero julgar antes de conhecer melhor.

    Beijos,
    Império Imaginário | Fernanda Goulart.

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  5. Oi Nina...
    Eu não conhecia o filme, mas não me interessei muito pela história infelizmente. Sua resenha está perfeita e isso não é novidade.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  6. Oie, tudo bom?
    Os filmes franceses conseguem fazer com que a gente reflita um pouco. Gostei dos questionamentos que o filme instiga no telespectador.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  7. Olá, Nina!
    Ainda não conhecia o filme A Bela Junie.
    Mas, como gosto de filmes franceses (me apaixonei por estes, quando assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), fiquei bem curiosa.
    Obrigada pela dica!

    Beijos!
    http://fabi-expressoes.blogspot.com.br/

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  8. Oie Nina!!!
    acho que já vi ouvi falar desse filme por auto, em algum lugar.
    Os filmes franceses que assisti até hoje me agradaram bastante. Gostei da premissa de Bela Junie, assim que puder vou procura-lo com certeza.
    bjs

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