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#Resenha de livro: Toda Poesia

by - setembro 06, 2015

Desde que eu fiz a primeira postagem do blogagem coletiva, justamente no dia do homem, falando um pouco sobre a biografia e os livros do Paulo Leminski, fiquei me coçando para ler a antologia poética dele. Por sorte, a área literária da biblioteca da minha faculdade é ~linda~ e eu consegui pegar Toda Poesia e relaxar antes de dormir.

Título: Toda Poesia
Autor: Paulo Leminski
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 421
Ano: 2013
+ 

Bem, desde o começo do ano eu me abri totalmente à poesia, o que tem me deixado cada vez mais feliz. Não relutei em ler os poemas do Paulo em momento algum e devo dizer que os efeitos deles na minha vida me deixaram muito bem. Ele tem humor - branco e negro - e, quase sempre, dá para pescar sentidos de leveza em suas palavras. A maioria dos versos é bastante acalentadora. Encontrei-me muitas vezes em certas passagens, por exemplo, e pude "mergulhar" nos sentimentos escritos. Apesar de ele ser um homem, isso quase não fez diferença para mim, pois é muito clara a maneira leve e tranquila que o autor encarava e levava a vida. 

As temáticas dos poemas são bastantes variadas. Toda Poesia é dividido de acordo com a ordem cronológica dos livros poéticos que Paulo Leminski já publicou (mesmo postumamente). Em quase todas as separações há uma nota do editor explicando um pouco de cada livro. Cada "parte" não agrega um só tema, o que dá muita dinâmica à leitura. Você pode ler algo triste numa página e, logo em seguida, algo que te faz rir. Então, o livro não cansa o leitor em momento algum. 




O que me agradou bastante é a forma como os poemas são escritos: não há uma fórmula. Não há rimas em todos (na verdade, a maioria não tem) e poucos seguem aquela forma tradicional que vemos por aí (bastantes estrofes com bastantes versos). A maioria é composta por haikais, de modo que dá pra imaginar que o livro abriga, facilmente, mais de mil poemas (j-u-r-o!). Outra coisa que não se baseia em fórmulas é a questão dos títulos: a minoria deles é titulada. Eu tive um pouco de problemas com isso, pois confesso que gosto de títulos. Mas, como a leitura é muita fluída e agradável, quando havia, percebi que até mesmo acabava pulando de ler a titulação. Cada poema é separado do seguinte a partir de uma marquinha no papel, que se parece muito com uma mancha de tinta (o que achei muito especial e criativo, acho que captou bastante quem era o autor, por exemplo). Toda Poesia traz muitos estrangeirismos e, inclusive, muitos poemas são escritos em outras línguas (latim, francês e inglês). Neologismos são muito vistos no decorrer da leitura, como também a sinestesia. 

A partir dos poemas, dá para entender que Paulo Leminski era um homem muito culto. Ele consegue passar quase todos os estilos poéticos nesse livro, e as partes que abarcam o estilo concreto são as mais interessantes de serem lidas. O concretismo foi um estilo muito forte na época em que Paulo começou a escrever e dá para ter uma ideia da veia vanguadista dele, que, como todo o livro, não segue fórmula alguma. Cada poema concreto é diferente do outro, às vezes, dispõe apenas uma palavra, ou um jogo de palavras - e o leitor que se vire para tirar daquilo o que quiser. 





O melhor de Toda Poesia é rememorar a vida do escritor a partir de sua obra. A apresentação fica por conta da Alice Ruiz S, que foi casada com Paulo, e que é bastante mencionada em alguns poemas. 
“Este livro é antes de tudo uma vida inteira de poesia. Uma vida totalmente dedicada ao fazer poético. Curta, é verdade, mas intensa, profícua e original” – Alice Ruiz S.
 Ao final, pessoas que tiveram contato com o autor dão declarações sobre a relevância da poesia de Paulo, sobre a relação que mantinham e quanto sentem a falta dele. Alice Ruiz volta a ter a palavra em uma parte e o próprio Paulo Leminski tem um espaço (que foi retirado da introdução de um livro dele já publicado). O trecho que mais conseguiu transmitir toda a infinitude da poesia do Leminski foi justamente esse, achei-o perfeito: 
“O poeta que aqui se lê, a exemplo dos faraós, construiu uma obra capaz de continuar falando, por si só, como as pirâmides, e transcender mesmo no deserto a aridez da mesmice da nossa finitude. E essa vida que se mostra, se despe e se despede nos deixa com gosto de mais vida e muito, muito mais poesia, de um jeito tal que, tenho certeza, ainda vai haver poesia um dia” – Alice Ruiz S.
Impossível, para quem gosta de poesia, não amar este livro. Eu estou com muita dor no coração por ter de devolver o exemplar que peguei. Espero, em breve, poder comprar um só para mim, pois sei que sentirei muita saudade de alguns versos do escritor. 




















Love, Nina :)

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10 comentários

  1. Eu não sou muito fã de poesia, mas pela sua resenha deu vontade de ler!!! Daqui a pouco eu vou tentar fazer a resenha de Lira dos Vinte Anos e seu texto ajudou bastante, acho que já tenho uma noção do que fazer! Obrigada! Depois faz um check-in no meu blog!

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  2. Oláá
    Sua resenha está ótima e sempre ouço falar desse livro, espero ler em breve para finalmente conseguir gostar de poesias.

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  3. Gostei muito de ver essa resenha, porque há tempos tenho vontade de ler esse livro e nunca dei uma chance de verdade!! Agora quem sabe tomo coragem :)

    http://www.contandoumpouco.com.br/

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  4. Gostei muito do blog, as rsenhas são bem detalhadas e nao deixam o leitor com nenhum tipo de duvida sobre o livro! Sempre me indicaram muito esse Toda poesia, mas agora que li sua resenha vou coloca-lo em minha listinha de leitura.
    Se puder visitar ou seguir meu blog eu vou amar!
    ps:se seguir deixa o seu link em um comentário lá pra eu rtb.
    http://meninadalivraria.blogspot.com.br/

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  5. Oie, tudo bom?
    Eu não tenho o costume de ler poesias, mas amo o sentimentos que elas trazem. De vez em quando eu me arrisco no gênero e trata-se de uma experiência única. Vejo sempre comentários positivos sobre Toda Poesia e fico curiosa com essa obra e todo o seu conteúdo poético.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  6. Sou doida nesse livro! Quero muito ler mesmo, mas eu sempre acho ele muito caro :/

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  7. Sou doida nesse livro! Quero muito ler mesmo, mas eu sempre acho ele muito caro :/

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  8. Sou doida nesse livro! Quero muito ler mesmo, mas eu sempre acho ele muito caro :/

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  9. Oi Nina!

    Eu amo esse livro!!!

    Atualmente faço parte de um Projeto: Sobrevoos e Palavras, eu e mais umas cinco pessoas, nos encontramos todas terças e quintas para ler poemas. Há uma seleção de poetas que escolhemos trabalhar, dentre eles: Leminski.

    Mês passado fizemos uma intervenção no Festival de Jazz, em Ilhabela (cidade onde nasci e moro), com as poesias de Leminski, escritas a mão no guardanapo (mais de 300 guardanapos) e entregamos para as pessoas que estavam no evento. Foi muito bacana!!

    Eu escrevo poesia e Leminski é uma inspiração pra mim!


    Ah, adoro seu blog e a maneira como você escreve. Dá vontade de passar uma vida inteira aqui, lendo tudo!! rsrs...

    Beijos,

    Kátia

    https://poesiasdakah.wordpress.com/


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  10. Olá! Eu sou Aline Bastos escritora do livro "O amor em todas as línguas"(poesia). Como faço para você fazer uma resenha do meu livro?
    Agradeço desde já.

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