31 de outubro de 2015

#Playlist: Jake Bugg e Seafret

Voltei com música, eba! Sei que já faz uns cinco meses que não falava de playlist (confira aqui a última postagem), mas estou totalmente atrasada com leituras e resenhas, por isso decidi quebrar um pouco essa rotina com essas dicas musicais :)

1) Jake Bugg
Sim, é provável que você o conheça. Eu já o conhecia há algum tempo, mas nunca tinha parado de verdade para escutar o trabalho dele. Jake Bugg é um inglês (eita sotaque maravilhoso <3) de 21 anos que mistura estilos como indie rock, indie folk, blues e country rock em suas músicas. O que mais me encantou nele foi, com certeza, a sonoridade das canções. Gosto muito de indie e isso me influenciou totalmente a me viciar nele. A maioria de suas composições tem letras profundas e são acompanhadas por violão, de modo que são músicas relaxantes, mas, ao mesmo tempo, bastante carregadas de emoção. Ele também canta coisas mais animadas e mais estilo country rock (que são as minhas preferidas). A Song About Love é uma daquelas queridinhas das meninas por motivos óbvios. Note to Self, com certeza, é uma das mais fofas e traz uma letra muito humana e tocante. Someplace, definitivamente, é a minha preferida da categoria "música lenta". Country Song é singular por ser lenta e, ainda assim, carregar country de forma cadenciada. Messed Up Kids tem uma das melhores sonoridades e ritmo mais rápido. Teste It é uma dica para você que nunca ouviu country rockSeen It All tem um ritmo maravilhoso que embala a gente. Trouble Town tem uma das sonoridades mais marcantes. Two Fingers é minha preferida da categoria "música rápida" e uma das mais conhecidas dele.
Há muitas outras, claro, mas não dá para comentar sobre cada uma. Para quem quiser ouvir mais, pode ouvir essa playlist do youtube



2) Seafret
Já falei algumas vezes que descubro músicas/bandas totalmente por acaso, enquanto faço andanças pelo youtube de madrugada, né? Então, Seafret foi mais um desses achados. Acho que eles são uma banda relativamente nova, pois não há muita informação por aí. Tudo que sei é que a dupla, composta por Harry Drapper e Jack Sedman, é da Inglaterra. Não estou muito certa qual é o estilo deles, também. Mas, assim como o Jake, a sonoridade da banda me fisgou completamente assim que escutei Oceans pela primeira vez. Atlantis é uma daquelas músicas que vai "crescendo" conforme os minutos vão passando; começa tranquila e ganha velocidade depois de um tempo (no momento, é a minha preferida *-*). Did We Miss the Morning? tem uma letra muito amor também, sem falar na sonoridade tranquila e equilibrada. Wildfire me encantou, especialmente, devido à letra poética e linda. Be There foi a segunda que ouvi e, mais uma vez, o ritmo que cresce na música é maravilhoso. Angel of Small Death tem um ritmo oscilante muito agradável que me envolveu desde o começo. Explosion consegue convencer por também usar o ritmo oscilante e "explodir" nos momentos certos. Give Me Something  e Sinking Ship são umas das mais calmas e relaxantes, por isso, muito encantadoras. 
Falei de todas, pois são somente essas que, por enquanto, a banda tem. 


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Espero que vocês tenham gostado das recomendações e que ouçam algumas canções para saberem se os estilos delas os convencem também. Obviamente, não sou crítica musical, mas como amante eterna de música, ambos os trabalhos são incríveis para mim <3 

Love, Nina :)

25 de outubro de 2015

#Resenha de livro: Livre Mente


Esse ano me reservou ótimas surpresas poéticas e o livro Livre Mente, da autora Isabela Xavier, foi uma delas. Apesar de eu o ter lido em formato e-book, a leitura fluiu tão bem que, em poucos minutos, eu concluí a leitura. Demorei um tempão para lê-lo (especialmente, porque não tenho o costume de ler livros digitais e, devido a isso, acabava esquecendo de acessar meu Kindle), mas quando comecei não consegui parar um só minuto :)

Título: Livre Mente
Autora: Isabela Xavier
Editora: publicação independente (Amazon)
Ano: 2015
Páginas: 142
+ 

Logo de cara, eu fiquei encantada com a arte contida nas páginas digitais desse livro (e dessa capa sen-sa-ci-o-nal ) É simplista, mas poética e marcante. Conseguiu completamente representar a essência dos poemas. Na minha visão (e eu já sei que estou errada, de acordo com a autora), todos os poemas falavam sobre situações e emoções pessoais, do dia a dia. Todos, aliás, me deixaram muito confortáveis e houve uma identificação imediata com a maioria. Há uma grande carga sentimental - ora afogada em amor/desamor, ora carregada de tristeza/frustração. E creio que tenha sido isso que me fez entender o quanto de mim havia em cada verso. 

Algo que me chamou muita atenção foi os títulos. Pessoalmente, eu acho meio difícil intitular um poema, mas os da Isabela se casaram perfeitamente com cada título. Alguns, aliás, eram a própria poesia - se não houvesse algo abaixo deles, não faria falta nenhuma. Sei que parece ridículo dizer isso, mas há muita poética no trabalho da autora. Há muita sensibilidade, mas também pinceladas de duras realidades (sem nunca deixar de ser poético, claro). Antigamente, poema nenhum me afetava ou me emocionava, no entanto, todos os que li esse ano me trouxeram até mesmo ensinamentos. Os contidos em Livre Mente não são exceção. Pude me descobrir e redescobrir várias vezes durante a leitura dos poemas. 

Eles não seguem uma linearidade literária, ou seja, as rimas são muito variadas (há tanto rimas brancas quanto as mais características). É claro que quando há versos com rimas nos dá a sensação de sonoridade, de um casamento fonético marcante e, até mesmo, de um ritmo na leitura. Mas, quanto mais leio poesia, menos eu me importo com essas convenções. Os trocadilhos e as aliterações deram um charme maravilhoso, alguns me fizeram rir e sorrir, inclusive. Outros, daqueles meio sofridos, me recordaram tristezas e saudade. 

Conforme eu avançava na leitura, mais eu entendia o quanto a autora realmente estava ali não somente através das palavras, mas de alma e de sentimento. Parecia que, a cada novo poema, mais eu a conhecia (mesmo que não sejam realmente auto-biográficos). Os poemas me trouxeram bastante alegria e muita tranquilidade, com certeza. Mesmo os "pesados" conseguiram passar uma calmaria incrível. Diversas vezes, os versos que li pareciam justamente aquilo que eu estava precisando ler no momento e foi incrível, mais uma vez, reconhecer a sincronicidade da poesia na vida daqueles que gostam dela. O trabalho da Isabela é altamente recomendável não somente àqueles que gostam de gênero, mas àqueles que apreciam momentos leves que proporcionam diversas reflexões 

Confiram alguns poemas, ou versos, que eu adorei: 








#Para comprar: aqui

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*BÔNUS: entrevista com a autora

1) O que te lembra a poesia?
Os detalhes da vida que vejo nas pessoas, nas coisas, na natureza. Geralmente as coisas que passam despercebidas pela maioria das pessoas, no ritmo acelerado do cotidiano, saltam aos meus olhos. Pode ser o jeito de alguém falar; um olhar; o modo como a luz do sol passa entre as folhas de uma árvore; uma frase dita ou lida. Duas coisas que muito me inspiram são a natureza e os sentimentos, principalmente os tristes.
Algumas coisas específicas que me fazem querer escrever poesia: saudade; perda; dias nublados; chuva; o céu; o musgo que encobre um muro ou uma pedra (oi? Estranho, eu sei); reflexões existencialistas; loucura; sonhos. Chega, para não acharem que sou muito louca (só um pouco).

2) O quanto seus poemas foram inspirados na própria vida? 
Ao contrário do que parece (de acordo com o feedback que recebo), a maioria dos poemas não foi inspirada em acontecimentos da minha vida, embora alguns sejam literalmente autobiográficos. Todos os poemas, porém, têm algo de mim, sentimentos reais (seja no momento da escrita ou não), um pouco do que sou ou do que já fui.
Para aguçar a curiosidade: no Livre Mente há 79 poemas, 12 destes são autobiográficos. Por autobiográfico, quero dizer que escrevi explicitamente inspirada em algum acontecimento específico e/ou, como eu digo, para destinatário definido.
*risos maléficos da autora*
Porém, reconheço que muitos dos demais poemas foram baseados nessas mesmas experiências, embora não tenham sido dedicados a elas.

3) Por que poesia e não prosa? 
Comecei minha ainda breve carreira literária em 2012, escrevendo poesia. Fui impulsionada a escrever porque carregava tristeza, decepções e frustrações que estavam aprisionadas em mim. Isso tudo, porém, não se converteu em desabafos explícitos, mas tomou forma de poesia. No fim de 2012, rompi com tudo que me fazia mal. Esse momento de libertação fez sair de mim uma enxurrada de poemas que me surpreendeu. Até então eu só era leitora. Então acho que comecei pela poesia porque parti de uma explosão sentimental.

Hoje escrevo prosa também. Tenho um livro-projeto no Wattpad, chamado Histórias de Bolso, que é uma coletânea de minicontos. Escrevi e estou escrevendo contos maiores. E tenho um romance em andamento. Além de muitas ideias na cabeça e na gaveta, é claro. Mas a poesia sempre persistirá. Sinto que sou um canal usado pela poesia. Então, espero que ela nunca me abandone, pois não consigo mais ver o mundo com outro olhar senão o poético.

#Para ler "Histórias de Bolso" no Wattpad: aqui

Love, Nina :)

17 de outubro de 2015

#Resenha de livro: Você é só pra mim

Como disse aqui nesse TOP 5, o blog Marcado com Letras, da Lorena Miyuki, se tornou um dos meus cantinhos preferidos na blogsfera. E, depois de saber que ela tem alguns livros já publicados (confira aqui), procurei fazer uma parceria. Entrei em contato com a Editora Metanoia, que me cedeu um exemplar de Você é só pra mim, já que a Lorena não tem exemplares com ela. 

Título: Você é só pra mim
Autora: Lorena Miyuki
Editora: Metanoia
Ano: 2015
Páginas: 217

Comecei a ler Você é só pra mim logo depois de ter terminado Fake e creio que isso atrapalhou um pouco o meu processo de leitura. Como eu já estava familiarizada com a narrativa sarcástica de Felipe Barenco, foi com algum estranhamento que mergulhei na narrativa séria da Lorena. Óbvio, não que isso seja um ponto negativo, mas tive um pouco de dificuldade para me acostumar à narrativa de Hígor, o personagem narrador. 

A história se inicia com a morte da avó materna de Hígor, numa cidade do interior. Ele tem 12 anos e, logo no primeiro capítulo, conhece Rone na pracinha em frente ao hospital. No dia seguinte, acontece o velório e os garotos se reencontram. E, daí, sem mais nem menos, acontece um beijo. Isso me fez estranhar muito, devido a algumas coisas: 1) a pouca idade dos dois, 2) a época em que o livro se passa (década de 90), 3) eles estarem numa cidade pequena e 4) apesar da inocência, especialmente de Hígor, parecia que ambos sabiam o que faziam. Esse beijo, para mim, foi completamente anti-natural. Achei forçado e muito incômodo. Na verdade, todo o começo do livro me deixou com a sensação de que não estava conseguindo me adentrar na história, nem gostar dos personagens. 

Depois da morte da avó, a família de Hígor se muda para a cidade interiorana. E, para o meu alívio, a relação dele com Rone desacelera um pouco e eles se tornam "amigos" - sim, entre aspas, porque fica muito claro que ambos querem avançar nessa amizade. Hígor é mais ingênuo, enquanto Rone, apesar de ser dali, é mais "esperto". Eles são um contraponto, mas que, de certo modo, se equilibram. Suas personalidades são diferentes, suas histórias são diferentes e seus planos são diferentes. Tudo isso é o ponto de partida para que o leitor comece a se perguntar se o que os personagens nutrem um pelo outro pode mesmo, digamos, ser "para sempre". 
“Afinal, vendo a situação dele, tudo parecia errado para mim.
Absolutamente tudo.
Menos nós dois”.
p. 20 
A narrativa é bastante familiar também, foca bastante nas inter-relações. Somos apresentados aos pais de Rone: Zé Maria é um pai bêbado que mal consegue colocar comida dentro de casa, enquanto Dona Rosinha é uma senhora bastante calejada pela vida e calada. Zé Maria se torna, em alguns momentos, um empecilho na vida amorosa dos protagonistas - e também uma peça essencial na trama, já que a temática pede alguém que se oponha ferrenhamente nessa libertação e aceitação sexual. Há, também, os pais de Hígor. Acho que nenhum deles tem nome, mas o garoto conta bastante da situação emocional da mãe, que, após a perda de sua progenitora, entra num ciclo de depressão, sempre à base de pílulas. O pai é bem menos mencionado, mas ganha certo espaço especialmente no final, pois começa a pressionar o filho a fazer faculdade fora. 

Se, no início, eu estranhei bastante os protagonistas na sua fase pré-adolescente, eu adorei a fase adolescente. Lorena conseguiu passar muito bem essa época conturbada, confusa e cheia de decisões pela frente. Dá para acompanhar perfeitamente o amadurecimento de ambos os personagens. Cada defeito sendo trabalhado, cada ponto positivo sendo exposto, cada problemática aparecendo. E, a cada página avançada, a minha compaixão pelo amor deles crescia. Você é só pra mim ganha pontos extras por conseguir narrar com muita verossimilhança a temática proposta e o crescimento pessoal de cada personagem dentro do relacionamento construído. O leitor se pega torcendo, especialmente no final, para que tudo se ajeite e que o amor possa vencer qualquer barreira. 
“Queria que tivéssemos pelo menos uma testemunha para comprovar o quanto a gente se gostava, para mostrar que nos respeitávamos e nos completávamos. Uma voz amiga para me lembrar depois, para corroborar tudo o que eu simplesmente imaginava na minha cabeça: que éramos suficientes um para o outro”.
p. 147 
A homossexualidade é trabalhada de forma muito convincente e verdadeira. Há passagens duras de serem lidas, justamente porque ferem os sentimentos de quem acredita que amor é amor, independentemente de quem for. Mas há outras que acalentam a alma e que renovam a esperança de que, mesmo dentro da ficção, o preconceito possa ser quebrado, ou mesmo amenizado. Este livro foi uma grande e feliz surpresa para mim. Impossível não adorá-lo, mesmo com o aperto no coração por causa do final </3 Como escrito na abertura do livro, com certeza, a palavra que resume a história, ao ser terminada, é nostalgia

A arte da capa está maravilhosa (foi a Lorena quem fez, aliás), a diagramação está muito boa e a revisão também (mil pontos extras). As letras são grandes e confortáveis, e as páginas são amarelas (ou seja, não cansa a leitura). Você é só pra mim é uma ótima opção para quem gosta de torcer pelo amor, seja ele por quem for. 

#Para comprar: site da editora | livraria cultura
#Skoob: aqui.

Love, Nina :)

11 de outubro de 2015

#Escrevendo: Enredo

Já tem um tempo que publiquei a primeira postagem dessa coluna, que foi sobre a Literatura LGBT. Sinto bastante saudade desse projeto, de modo que resolvi voltar com essas minhas dicas mais focadas, pois é, também, uma ótima maneira de eu relembrar algumas aulas que já tive ligadas à Letras. 
O assunto de hoje é como construir um enredo. Óbvio que existem trilhões de fórmulas, portanto tentarei explicar um pouco do esqueleto de um enredo, alguns elementos ou algumas estruturas que podem ser manejadas dentro de uma história apenas para dar uma ideia geral. 

O enredo pode ser pensado, simplificadamente, como um tecido, que é composto por tramas que se encontram. Essas tramas que se encontram geram os nós que, dentro do contexto de um enredo, pode ser visto como o conflito da história. Todo conflito precisa de uma solução, portanto, precisa de um desenlace (daquele nó criado). 

É preciso falar também de trama vs. fábula, também conhecido, em inglês, como plot vs. story

1) Trama ou plot: é a estrutura, que contém pontos de vista (narradores/personagens), tempo e espaço. É importante lembrar que quando falamos de trama/plot devemos considerar como a história é conhecida pelo leitor. Isso significa que ela pode ser entendida de maneira não cronológica. Por exemplo, em que se resume Harry Potter? É sobre um menino que descobre ser bruxo. Mas antes de Harry descobrir ser bruxo, existem vários acontecimentos que poucos leitores realmente mencionam e discorrem quando explicam sobre o que se trata a saga. Pode ser estendida também para o lado do autor, pois ele pode dispor os acontecimentos na ordem que quiser. 

2) Fábula ou story: é a história toda. Ou seja, para contar que Harry é um menino que descobre ser bruxo, você precisa narrar tudo aquilo que acontece antes e depois deste fato. 

Para não haver confusão: quando se diz fábula, não é referente àquele tipo de história com animais e moral, mas referente a uma cadeia de eventos cronológicos. 

Então, é fácil entender que de um enredo cria-se elementos para que a história funcione. Tais elementos podem ser: tensão, empolgação, intriga, paradoxo etc. E como a construção do enredo vs. tais elementos acontece depende exclusivamente do autor, de modo que não há fórmulas quanto a isso. 

Alguns exemplos de como jogar com os elementos dentro do enredo:



Lembrando que as possibilidades são infinitas e que o clímax nada mais é do que o ponto mais alto do enredo, o ponto crucial. Exemplo: Quando Katniss e Peeta decidem comer as amoras juntos e desafiar a Capital. É o momento em que tudo está em jogo.  

Uma estrutura bastante recorrente, especialmente se tratando de histórias de aventura ou fantasia, é A Jornada do Herói. Cabe aqui dizer que, independentemente do enredo, essa estrutura clássica de narrativa pode ser usada em qualquer gênero, claro. Joseph Campbell, um estudioso norte-americano de mitologia, acreditava que todos os heróis são uma variação do mesmo herói. Ele é o autor do livro O herói com mil faces, que explica a representação do mono-mito nas mais variadas histórias. A Jornada do Herói nada mais é do que um ciclo pelo qual todo herói passa, que começa e termina no mundo normal, entretanto toda a missão se passa, especificamente, no mundo especial

Desenhei, aqui abaixo, o ciclo pelo qual o herói passa, segundo Campbell: 


Para quem gosta de vídeos explicativos, vale a pena ver este:


Recomendo, também, que leiam a postagem sobre A Jornada do Herói que a Ruh, do Perplexidades e Silêncio, escreveu. O mais legal da postagem é que ela usa diversos personagens como exemplos para cada um dos pontos do ciclo. 

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Espero que tenham gostado! 
Voltarei em breve com mais uma postagem pra essa coluna! o/  

Love, Nina. :)

9 de outubro de 2015

#Resenha de livro: Dois em um

Eu postei aqui a resenha de Toda Poesia, do Paulo Leminski. Bem, a partir dela, eu pude conhecer um pouco da Alice Ruiz S, que foi casada com ele e que é poetisa. Por sorte ou destino, encontrei um exemplar de Dois em um, obra poética de Alice, na biblioteca da minha faculdade e, como a poesia tem estado muito presente na minha vida, não pensei duas vezes para levar o livro e conhecer o trabalho dela. 


Título: Dois em um
Autora: Alice Ruiz S
Editora: Iluminuras
Ano: 2008
Páginas: 207


Dois em um reúne toda a obra poética produzida na década de 80 de Alice Ruiz S. Por familiaridade, tentei identificar inspirações de Leminski nos poemas dela e fiquei bastante surpresa por constatar que ela tem um estilo bastante diferente do dele. Enquanto os poemas do Paulo são mais organizados, os de Alice, muitas vezes, acabam não tendo muito sentido - ou então, o sentido é tão amplo que o leitor acaba um pouco perdido.

As formas dos poemas são variadas: há haikais, um pouco de concretismo e pinceladas daquela poesia "formal" que todos conhecem. Os temas são bastante variados também e não aparecem reunidos num só conjunto. Os poemas são separados apenas por ano, mas todo o resto é bastante misturado. Devido a isso, há um ritmo muito agradável e que nos embala. Eu li o livro inteiro em uma noite, já que a maioria dos poemas tem poucos versos e também porque achei impossível interromper a leitura, uma vez que parecia natural pular de um poema a outro. A leitura não é cansativa de maneira alguma. 

Há muita aliteração dentro da poesia de Alice, algo que amei de paixão. Acho que, justamente por isso, o livro tem um ritmo muito gostoso. Ela brinca muito com as palavras, aglutina umas às outras e acaba criando muitos neologismos, exatamente como o Paulo. 

Em cada início de uma nova parte, há uma dedicatória a quem são aqueles poemas e, claro, dá muito para reconhecer o amor que ela nutria por Paulo. Em muitos versos, dava para perceber que estava falando dele, ou para ele. Aliás, em Toda Poesia, há uma parte reservada às poesias que eles trocaram como casal, então, creio que muito desse trabalho também aparece em Dois em um

Não há muita coisa para ser analisada, pois o livro é relativamente curto e, embora eu tenha gostado bastante do trabalho da Alice, não é uma obra que me marcou. Poucos poemas, aliás, realmente me encantaram a ponto de eu decorar (sim, eu decoro poemas). No entanto, é uma obra agradável que facilmente merece atenção. 

Alguns poemas que gostei bastante:




























Love, Nina :)

4 de outubro de 2015

#Resenha de filme: Não sou eu, eu juro!

Diversas vezes vi uma cena específica de Não sou eu, eu juro! em páginas de filmes e, como ele é francês, dei uma chance. Eu não sabia absolutamente nada do enredo, então foi muito surpreendente me adentrar na narrativa proposta. 

Título original: C'est pas moi, je le jure!
Diretor: Phillipe Falardeau
Ano: 2008
Nacionalidade: França
Duração: 1h e 49 min
Gênero: Drama

Como disse, eu não sabia absolutamente nada do enredo, apenas sabia que havia um garoto. De certo modo, eu imaginei uma história completamente diferente: algo estilo Ponte para Terabítia (que fala bastante da infância e criatividade), mas a surpresa já começa no primeiro minuto de filme, no qual Leon, de 10 anos, está se enforcando "acidentalmente" - sim, entre aspas, pois, no decorrer da trama, o espectador começa a entender que Leon proporciona estas situações a si mesmo de forma muito consciente. 

Leon tem um irmão mais velho, que não o entende e que, muito menos, entende as brigas loucas da família. Seus pais estão em crise cada vez mais, no entanto Leon vê na mãe um abrigo. Ela o incentiva nas suas trapaças e mentiras pela vizinhança como se fossem brincadeiras, de forma que dá para entender o quanto isso apenas o faz continuar a vandalizar as casas dos vizinhos, matar aula e mentir a todo instante. Dá, também, para entender que Leon vive numa dicotomia muito grande: por um lado, ele quer ter uma família normal e feliz, mas, por outro, ele mesmo não é normal nem feliz. 

A cada cena, fica evidente o lado psicológico absurdo e doente do garoto, que piora quando a mãe vai embora para a Grécia. A família, que já era problemática, fica devastada e Leon começa a procurar maneiras - roubando e mentindo, só pra não perder o costume - de encontrar a mãe. Ele mal sabe onde fica a Grécia, mas dentro de sua mente criativa e louca, tudo o que ele fizer vai dar certo. É tentando procurar a mãe que ele se aproxima de uma vizinha, Léa, que, na verdade, nunca tratou bem (ele não trata ninguém bem, nem as crianças, nem os adultos). Léa e Leon formulam planos, acabam se apaixonando e, quando tudo parece dar certo, tudo começa a dar errado. 

O fato de tudo começar a dar errado para Leon foi um alívio para mim, pois eu não aguentava mais o garoto sendo daquele jeito todo revoltado e agindo como se fosse um adulto que não dá a mínima para a vida e para as consequências de seus atos. O drama familiar contido no filme é muito peculiar e bastante diferente, começando pelo fato de a trama rondar, especialmente, Leon e de não se preocupar em mostrar "coisas bonitinhas tipicamente de crianças". A storyline é cáustica, dura e aflitiva quando retrata a mente conturbada de Leon e as consequências de suas mentiras e roubos. 

O longa oscila entre a busca pelo "normal" e a contradição que é saber que ninguém, na verdade, pode ser considerado "normal". Um exemplo válido disso é quando Léa, também de 10 anos, diz que não sabe brincar de Barbie. Ou seja, sim, ela é uma criança que deveria brincar de coisas "normais", mas que nunca teve essa oportunidade. Então, o enredo trabalha muito em cima da desconstrução do que se espera das pessoas, dos ambientes familiares e da verdade/mentira. 

Surpreendente é a palavra que rege o filme do começo ao fim, pois ele brinca, também, com o conceito de verdade vs. ilusão. Ele se encaminha para pontos clichês em certos pontos, apenas para fazer a desconstrução deste clichê com um banho de realidade: que, apesar de Leon ser uma criança, ele não pode manipular todo mundo e que segredos são mantidos a todo instante. A storyline psicológica inserida no longa é um elemento maravilhoso que faz o espectador entrar no enredo, por mais louco que ele fique a cada minuto. Dá para amar o Leon em uma cena e odiá-lo na seguinte, facilmente. A inconstância do personagem é um ponto aflitivo, também, especialmente se levarmos em conta as vezes em que ele procura pela morte. 

Se você gosta de histórias que buscam sair do lugar-comum, vai em frente, assista a esse filme. Garanto que vai ficar com muitas sensações depois, daquelas inquietantes e aflitivas (que, na minha visão, é uma ótima maneira de saber que uma história é boa o suficiente para te encantar). 



Bônus (porque essa é a melhor cena do filme HAHAHA): 


Dá para assistir ao filme no Youtube, neste link

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É isso, gente. 
Espero que tenham gostado da dica! ;)
Love, Nina :)