4 de outubro de 2015

#Resenha de filme: Não sou eu, eu juro!

Diversas vezes vi uma cena específica de Não sou eu, eu juro! em páginas de filmes e, como ele é francês, dei uma chance. Eu não sabia absolutamente nada do enredo, então foi muito surpreendente me adentrar na narrativa proposta. 

Título original: C'est pas moi, je le jure!
Diretor: Phillipe Falardeau
Ano: 2008
Nacionalidade: França
Duração: 1h e 49 min
Gênero: Drama

Como disse, eu não sabia absolutamente nada do enredo, apenas sabia que havia um garoto. De certo modo, eu imaginei uma história completamente diferente: algo estilo Ponte para Terabítia (que fala bastante da infância e criatividade), mas a surpresa já começa no primeiro minuto de filme, no qual Leon, de 10 anos, está se enforcando "acidentalmente" - sim, entre aspas, pois, no decorrer da trama, o espectador começa a entender que Leon proporciona estas situações a si mesmo de forma muito consciente. 

Leon tem um irmão mais velho, que não o entende e que, muito menos, entende as brigas loucas da família. Seus pais estão em crise cada vez mais, no entanto Leon vê na mãe um abrigo. Ela o incentiva nas suas trapaças e mentiras pela vizinhança como se fossem brincadeiras, de forma que dá para entender o quanto isso apenas o faz continuar a vandalizar as casas dos vizinhos, matar aula e mentir a todo instante. Dá, também, para entender que Leon vive numa dicotomia muito grande: por um lado, ele quer ter uma família normal e feliz, mas, por outro, ele mesmo não é normal nem feliz. 

A cada cena, fica evidente o lado psicológico absurdo e doente do garoto, que piora quando a mãe vai embora para a Grécia. A família, que já era problemática, fica devastada e Leon começa a procurar maneiras - roubando e mentindo, só pra não perder o costume - de encontrar a mãe. Ele mal sabe onde fica a Grécia, mas dentro de sua mente criativa e louca, tudo o que ele fizer vai dar certo. É tentando procurar a mãe que ele se aproxima de uma vizinha, Léa, que, na verdade, nunca tratou bem (ele não trata ninguém bem, nem as crianças, nem os adultos). Léa e Leon formulam planos, acabam se apaixonando e, quando tudo parece dar certo, tudo começa a dar errado. 

O fato de tudo começar a dar errado para Leon foi um alívio para mim, pois eu não aguentava mais o garoto sendo daquele jeito todo revoltado e agindo como se fosse um adulto que não dá a mínima para a vida e para as consequências de seus atos. O drama familiar contido no filme é muito peculiar e bastante diferente, começando pelo fato de a trama rondar, especialmente, Leon e de não se preocupar em mostrar "coisas bonitinhas tipicamente de crianças". A storyline é cáustica, dura e aflitiva quando retrata a mente conturbada de Leon e as consequências de suas mentiras e roubos. 

O longa oscila entre a busca pelo "normal" e a contradição que é saber que ninguém, na verdade, pode ser considerado "normal". Um exemplo válido disso é quando Léa, também de 10 anos, diz que não sabe brincar de Barbie. Ou seja, sim, ela é uma criança que deveria brincar de coisas "normais", mas que nunca teve essa oportunidade. Então, o enredo trabalha muito em cima da desconstrução do que se espera das pessoas, dos ambientes familiares e da verdade/mentira. 

Surpreendente é a palavra que rege o filme do começo ao fim, pois ele brinca, também, com o conceito de verdade vs. ilusão. Ele se encaminha para pontos clichês em certos pontos, apenas para fazer a desconstrução deste clichê com um banho de realidade: que, apesar de Leon ser uma criança, ele não pode manipular todo mundo e que segredos são mantidos a todo instante. A storyline psicológica inserida no longa é um elemento maravilhoso que faz o espectador entrar no enredo, por mais louco que ele fique a cada minuto. Dá para amar o Leon em uma cena e odiá-lo na seguinte, facilmente. A inconstância do personagem é um ponto aflitivo, também, especialmente se levarmos em conta as vezes em que ele procura pela morte. 

Se você gosta de histórias que buscam sair do lugar-comum, vai em frente, assista a esse filme. Garanto que vai ficar com muitas sensações depois, daquelas inquietantes e aflitivas (que, na minha visão, é uma ótima maneira de saber que uma história é boa o suficiente para te encantar). 



Bônus (porque essa é a melhor cena do filme HAHAHA): 


Dá para assistir ao filme no Youtube, neste link

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É isso, gente. 
Espero que tenham gostado da dica! ;)
Love, Nina :)

13 comentários:

  1. Parece um filme interessante, em alguns momentos, não sei a razão, pois não vi o filme, lembrei da Boca do Jacaré, mas enfim, precisaria ver para compreender melhor.

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  2. Anotado. Gosto muito de filmes assim, com esta carga emocional. Ainda mais se tratando de um personagem tão jovem. Vou procurar para assistir.

    beijos

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  3. Não imaginei que esse filme fosse assim, li alguma coisa sobre ele rapidamente mas nem busquei mais informações. Gostei muito e com certeza irei ver.

    Coração Leitor

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  4. Ola lindona confesso que o livro tem muito mais conteúdo que achei, trabalhando esse lado psicológico do menino em meio ao caos familiar em que vive. Dica mais que anotada para assistir em um fds. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  5. Oláá
    Eu ouvi falar desse filme recentemente e fiquei super interessada, adorei a temática dele e espero assistir em breve e curtir bastante, ótima dica e resenha

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  6. Não conhecia o filme e depois da sua resenha fiquei curiosa para assisti-lo. Dica anotada
    bjus
    http://recantoliterarioeversos.blogspot.com.br/

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  7. Nunca tinha ouvido falar desse filme. É diferente do que estou habituada a encontrar, realmente, quando se trata de um filme com criança a gente ja pensa em coisas no estilo "ponte para terabithia". Mas nem todas as crianças sao assim ne, tem aquelas diferentes.

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  8. Oiii Nina, tudo bem??? Eu não conhecia o filme ainda, mas fiquei com vontade de conhecer =D Vou assistir sim, com toda a certeza. Pelos seus comentários, ele é bem diferente do que se espera de um filme com personagens pequenos. Gostei! hahahha
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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  9. Oi Nina, o filme parece ser interessante, mas não estou muito interessada nele no momento.
    Bjs, Rose

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  10. Opa! Amo filme nesse estilo. Obrigada pela dica haha www.belapsicose.com

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  11. Oie, Nina!
    Acho que vou assistir. Gostei da proposta também, por ser diferente do que estou acostumada. Mas confesso que o que me ganhou mesmo foi a cena final. Hahahaha

    Com carinho,
    Celly.

    Me Livrando || Livre-se você também!

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  12. Oie, tudo bom?
    Os filmes francês seguem uma certa premissa. Eu não me interessei muito porque não curto filmes que me causam aflição, mas a proposta da história é forte e gerou algumas dúvidas depois da sua resenha.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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