Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Resenha de filme: Medianeras

by - dezembro 10, 2015

Uma amiga me recomendou esse filme e, como eu descobri que ele sairia do catálogo da Netflix em dezembro (17/12), corri para assistir. Apesar de relativamente curto, é uma história muito apaixonante 


Título: Medianeras
Diretor: Gustavo Taretto
Ano: 2011
Nacionalidade: Argentina/Espanha
Duração: 1h35
Gênero: Romance/Comédia/Drama
+ 


Medianeras tem uma storyline simples: é um recorte sobre a forma com que estamos lidando com a conexão virtual e interpessoal. Apesar de ser ambientado em Buenos Aires, a lição de estende para qualquer cidade, país etc. A história nos mostra dois relatos diários: Martin, um cara que tem como única relação a cachorrinha da ex-namorada e Mariana, um moça que está tentando lidar com o término de um namoro de quatro anos. Ambos são muito solitários. Martin trabalha bastante com a internet, por isso, sua única conexão com as pessoas, na maior parte do tempo, é feita através da rede. Mariana é formada em arquitetura, mas não conseguiu emprego na área e, por isso, se contenta em trabalhar nas vitrines das lojas, arrumando os manequins - objetos que fazem parte de sua rotina até dentro do pequeno apartamento no qual vive. 

Enquanto nos é mostrado o dia a dia dos dois personagens, começamos a torcer para que eles, finalmente, se notem. Há diversas cenas em que estão no mesmo lugar, a centímetros um do outro, mas que simplesmente não se enxergam. Isso, com certeza, me angustiou o filme inteiro e me fez pensar o quanto isso deve também acontecer na vida real. Percebi que, embora digamos que a internet seja um benefício, pois nos conecta com pessoas diferentes e faz essa conexão ser mais "fácil", há também o outro lado: quantas pessoas igualmente interessantes poderíamos ter conhecido se não tivéssemos com os olhos na tela do celular, computador, tablet etc? Mais: imagine quantas chances perdemos de termos tido relacionamentos verdadeiros e saudáveis simplesmente porque olhamos nos olhos dessas pessoas, ao invés de meramente enviarmos uma mensagem virtual a elas?

Então, fica evidente que é exatamente isso que o filme quer nos causar - essa reflexão que ora nos anima e ora nos angustia.

Algo que me chamou atenção foi a tecnologia disposta ao longo da sequência. Computadores da MAC se misturam com mp3 players ~super~ antigos e celulares estilo tijolão. Levando em conta que o ano de lançamento foi 2011, ainda assim fiquei meio surpreendida pela tecnologia meio atrasada do país. Aliás, o "atraso" foi algo bastante interessante que permeou todo o filme. As cenas são compostas em tons frios e me deu a impressão de que todo o roteiro também não era muito moderno, pois a forma de narrar a história não se assemelha com filmes bonitinhos americanos. Esses pontos me conquistaram muito, pois gosto muito de coisas "antiquadas".


A atmosfera solitária, embora os personagens, esporadicamente, se relacionem com outras pessoas está sempre presente. Dá para sentir toda a angústia dos dois de serem sozinhos e de tentarem ir além de seus limites para se relacionar. Ainda que essa solidão de ambos seja um recorte para falar sobre a era virtual, eu me identifiquei muito, já que sou muito solidão - mas por motivos bem diferentes; eu aceitei a minha solidão, especialmente porque realmente não gosto de estar perto das pessoas (introversão e fobia social aqui, sim). Então, assistir a esse filme foi ao mesmo tempo tenso e maravilhoso. Mas, acima de tudo, me permitiu também dar um passo além da minha bolha. Me permitiu pensar o quanto é realmente difícil deixarmos alguém invadir a nossa vida e nos deixar conquistar quando estamos quebrados ou vazios por dentro (embora eu não me sinta assim de maneira nenhuma, mas é a realidade dos personagens do filme).
Mal tenho palavras para expressar o meu amor por essa sutil e poética história. Ela é leve e pesada ao mesmo tempo, inspiradora e destrutiva, apaixonante e irritante (nas cenas em que Mariana e Martin se encontram, mas não se enxergam, por exemplo). É um tipo de história que não precisou usar nenhum recurso mirabolante, ou apelativo (embora tenha umas cenas sexuais, mas nada demais). O menos foi mais nesse caso. Apaixonei-me por tudo - cenário, diálogos, personagens.

Ah, uma brincadeira muito engraçadinha e inspiradora dentro do filme é aquele negócio de "Procure o Ollie". O cartaz evidencia bastante isso. Mariana diz que tem um livro do Ollie, mas que nunca o achou na cidade. Algumas vezes, a cidade se torna um cartoom numa tentativa de que nós mesmos, os espectadores, encontremos o personagem pelas ruas. E já posso adiantar que o final é muito amor por causa dessa brincadeira - então, vá logo assistir! :)

Recomendo infinitamente, não apenas por causa da lição, mas também porque creio que as pessoas precisam dar uma chance ao cinema argentino, que é tão bom quanto o nosso, ou os europeus 





Love, Nina :)

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3 comentários

  1. Nunca tinha ouvido falar neste filme... Parece ser ótimo mesmo... Eu também me angustio muito com essas cenas que os personagem estão próximos mais não se vêem é enlouquecedor. rsrsrs E ele traz o tema da atualidade " a tecnologia" muito interessante.
    Bjos!!
    www.batomnacapa.blogspot.com

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  2. Oláá
    Quando vi esse filme no Netflix fiquei interessada porém com medo de que fosse ruim mas sua resenha em deixou mega curiosa e com certeza verei em breve, espero gostar tanto quanto você e lembra bastante Homens, Mulheres e Filhos pela critica a internet

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/2015/12/ultimos-filmes-assistidos-10.html

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  3. Eu gosto bastante desse filme, com certeza um produção argentina que merece ser assistida e apreciada. Com certeza ter esse choque com a américa latina é fundamental, nós somos condicionados a apenas olhar o Brasil e os Estados Unidos (quando falamos de américa no geral), olhar para o vizinho faz bem, além de vermos o que temos de bom, vemos tbm o que eles tem de bom! ;)
    Adoro mesmo esse filme super recomendo! <3

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