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#Resenha de Livro: Fernão Capelo Gaivota

by - dezembro 07, 2015

Meu pai deixou um enorme legado em mim: a paixão por livros. Ele foi o meu grande incentivador (mesmo quando reclamava da quantidade que eu comprava, rs) e lembro perfeitamente de um livro que ele citava sempre que podia: Fernão Capelo Gaivota, do autor Richard Bach. Segundo ele, era um dos livros mais lindos que já tinha lido. Quase três anos depois que ele se foi, eu resolvi dar uma chance a esta leitura não somente para relembrar os bons momentos, mas porque fazia anos que não lia uma fábula com tanta sensibilidade humana. 

Título Original: Jonathan Livingston Seagull - a story
Autor: Richard Bach
Editora: Círculo do Livro
Ano: 1970 (original)
Páginas: 152

O exemplar que consegui é bastante antigo (nem tem o ano da publicação brasileira), pois o peguei da biblioteca da PUCRS. A capa é dura, a diagramação é rasa, as páginas são estreitas e o texto se apresenta muito comprimido. O mais interessante é que as fotografias do fotógrafo Russell Munson se "casam" com a narrativa. Para alguns, talvez, as fotos quebrariam o ritmo de leitura, mas eu achei que isso apenas conferiu bastante dinamismo à ela, inclusive incrementou muito a atmosfera da história. 

A fábula narra, em terceira pessoa, a transição de vida da gaivota Fernão. A gaivota tem grande dificuldade de se encaixar na sociedade da qual pertence. Seu bando é tradicional: ou seja, se esgoela e briga por comida, não faz nada além de agir como pássaros condicionados aos seus destinos pré-definidos. Fernão, desde o princípio, se mostra contrário e insatisfeito com seu estilo de vida. Seus pais tentam, em vão, colocá-lo nos eixos, pois sabem que ele pode ser banido, caso se recuse a agir como uma gaivota "normal". Fernão tem um desvio de comportamento bastante diferente: ao invés de comer, ele prefere treinar seu voo. É claro que gaivotas voam, mas apenas o básico para se manterem vivas. Fernão, entretanto, quer ir além disso, quer aperfeiçoar seus movimentos e ser livre.
“Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar. Antes de tudo o mais, Fernão Capelo Gaivota adorava voar”.
p. 15
Fernão acaba expulso do bando e vai para o "paraíso", um local meio transcendental e onírico. Lá, ele se transforma em aluno capacitado e muito entusiasmado. Nesta segunda parte, a gaivota conhece outras - o Mais Velho, uma espécie de sábio, e Henrique, outro pássaro que foi expulso de seu bando e que acabou ali. A cada "mundo" ao qual Fernão se adentra, ele vai perdendo o status de aluno e começa a ser visto como professor.  

A fábula bate muito na tecla da liberdade e creio que esta seja a moral da história. O enredo pode parecer bastante simples e até mesmo bobo, no entanto, foi escrito com tamanha sensibilidade que se torna impossível não dizer que é um incrível trabalho. Fernão suscita no leitor reflexões pertinentes quanto à formação da sociedade, ao que esta sociedade espera de nós e, especialmente, até que ponto devemos lutar por nossos sonhos e fazer deles parte de quem somos. 

O livro não me emocionou absurdamente, mas a mensagem que ele deixa é, com certeza, muito linda. Há muita poética nos diálogos, um constante debate quanto como a mente é a extensão de quem somos e que, devido a ela, podemos fazer e alcançar o que quisermos. O ponto principal é a liberdade tanto terrena quanto espiritual, de diversas maneiras. As metáforas utilizadas são muito consistentes e faz a ligação entre a realidade e a história retratada na fábula. 

A leitura é muito suave e tranquila, é muito fácil mergulhar no enredo e se identificar com Fernão, seus ensinamentos e indagações. As imagens no meio do texto, em preto e branco, deram um grande "charme" à história. Todas são de gaivotas em voo e não sei se, nas edições recentes, elas estão presentes. Recomendo muito a leitura, para qualquer pessoa, independentemente da idade, pois a mensagem deixada é muito humana e transformadora 
– Todo o corpo de vocês, da ponta de uma asa à outra – dizia Fernão outras vezes –, não é mais do que seus próprios pensamentos, numa forma que podem ver. Quebrem as correntes dos seus pensamentos e conseguirão quebrar as correntes do corpo...
p. 123
Love, Nina :) 

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8 comentários

  1. PUCRS? Gaúcha então? :D
    Eu já ouvi falar várias coisas boas sobre o livro e o fato de ser curtinho e a narrativa suave e fluída, deve proporcionar uma leitura ainda mais proveitosa!

    Beeijo
    Resenhando Sonhos

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  2. Oie.
    Completamente diferente. Vejo livros que são narrados por cães e gatos. Mas uma gaivota? KKKK, interessante.
    Parece mesmo deixar uma mensagem linda, pois sempre que pensamos em pássaros eles nos lembram da liberdade. Pelo menos eu lembro, kkk.
    Abraço.

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  3. Desde o começo da resenha já imaginei do que se tratava o livro e cá pra nós, eu adorei :) Fiquei super empolgada em conhecer esse livro, essa temática do ir contra, buscar além do que a maioria, sempre me encanta. Então tenho certeza de que será uma leitura incrível :)

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  4. Nossa que leitura incrível, já tinha visto alguma coisas sobre este livro mais não me despertou interesse na hora e agora lendo a sua resenha vejo que é uma leitura ótima.
    Bjos!!
    www.batomnacapa.blogspot.com.br

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  5. eu realmente não conhecia a obra e me encantou muito as pontuações da sua resenha sobre o enredo e a mensagem central.
    Com certeza procurarei esse livro *-*

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  6. Nina faz tempo que li esse livro na escola e não me recordo muito dele, adorei a forma como colocou sobre um tema simples mas com uma grande mensagem. Vou procurar para ler vai valer a pena. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  7. Já li esse livro três vezes, também tenho o filme, sempre tento usar o conceito me sala de aula. Sou encantada com a obra, excelente indicação de leitura.

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  8. Esse livro é um dos preferidos da minha amiga. Eu o adoro,por tratar dessas questões que você colocou na resenha, no entanto ele não se tornou um dos meus preferidos.
    Sabe que eu nunca tinha relacionado o filme Happy Feet: o Pinguim com esse livro. Agora com sua resenha é que vejo que as duas obras têm muito em comum: romper com a ordem estabelecida. Liberta-se do condicionamento imposto pela sociedade. Ou, ainda, nãos se encaixar em um lugar.

    Beijos!



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