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#Resenha de livro: Os bons segredos

by - dezembro 27, 2015

Já li dois outros livros da Sarah Dessen (Just Listen e O que aconteceu com o adeus?), mas fiquei bastante tempo sem querer ler outro, pois esses dois primeiros não tinham me proporcionado muita emoção. E, então, acompanhando as publicações da página do blog Sete Coisas, vi muitas fotos lindas de Os bons segredos, indicando que o dono do blog o estava lendo. Depois de saber que o livro era mesmo muito tocante, resolvi comprar. E não me arrependi nadinha, ainda bem 

Título Original: Saint Anything
Autora: Sarah Dessen
Editora: Seguinte
Páginas: 403
Ano: 2015
+ 

Vivo dizendo que amo livros que me surpreendam, né? Pois aconteceu mais uma vez. Eu fico realmente grata por ter a oportunidade de conhecer tantas histórias tocantes e que, de alguma forma, sempre ficam no meu coração. Os bons segredos conseguiu entrar para o meu TOP 10 de YA's preferidos. O que gostei nessa narrativa é que ela não é simplesmente boba e fala de adolescentes desajustados, irritados e "legais demais" - pelo contrário, a storyline é tão comum, mas de forma tão singular, que nos deixa muito surpresos. 

O drama familiar está totalmente instalado no livro, mas vai se revelando aos poucos, e isso é completamente encantador. Sydney está enfrentando um período conturbado em sua família, com o seu irmão mais velho (que sempre foi o centro das atenções) preso por ter atropelado um garoto. A garota já está bastante cansada de ser a única que vê a situação como ela é (ou seja, concorda com a justiça sobre a pena que seu irmão tem que cumprir) e de ser colocada como última opção para os pais, já que estão sempre somente voltados para o filho (a mãe, especialmente). Embora a atitude de Sydney possa parecer somente uma adolescente reclamona e sedenta por atenção, ela é convincente. Não consegui odiá-la um só minuto. 
“– Não dá para mudar o passado.
(...)
– Isso não quer dizer que você precisa se prender a ele”.
p. 190
Sydney começa a frequentar outra escola, para que não seja mais associada ao irmão. Numa tarde, ao invés de voltar para casa, entra numa pizzaria perto da escola e acaba conhecendo a família Chatham. Torna-se amiga de Layla, uma garota que poderia muito bem ser a "patricinha sem graça", mas que foi muito bem desenvolvida e, com certeza, é uma graça. Sydney e Layla começam, então, a trocar suas experiências familiares e foi justamente aí que Sydney (e eu) começamos a perceber que não podemos achar que estamos sozinhas no mundo. Layla também tem um histórico familiar não muito perfeito. 

Aliás, a perfeição é o ponto-chave desse livro: ela é completamente desconstruída com cada cena e cada personagem. Além de Layla, há também seu irmão Mac, o primeiro a realmente enxergar Sidney. Mac não é aquele tipo de personagem masculino excessivamente fofo, mas é equilibrado (ponto extra!). Um dos pontos que me fez adorá-lo foi o fato de ele se parecer muito com o St. Clair (de Anna e o Beijo Francês), alguém que tem seus momentos engraçados e que, mesmo assim, sabe ser contido e amigo. A partir de Mac, Sydney tem uma grande reviravolta na trama, pois passa de alguém que se sentia invisível para alguém que, embora não queira ser o centro de tudo, aceita ser vista. Só isso já serviu para eu amar profundamente o livro, pois há uma relação muito próxima com o modo como me sinto o tempo inteiro (o negócio todo de me sentir invisível). Aprendi muito sobre mim mesma no decorrer do livro e, com certeza, fica uma ótima lição com esta leitura. 
“Estava acostumada a ser invisível. As pessoas raramente me viam e, se viam, nunca me olhavam de perto (...) Mas essa é a questão. Você sempre acha que quer ser notada. Até ser notada”.
p. 9
Mas, claro, não é apenas isso. Creio que o que realmente fez o livro funcionar não foi somente a trama, mas os personagens. Uma coisa que aprendi em oficinas literárias é que o personagem é que faz a trama acontecer e é por isso que um bom livro chega a esse patamar. Os bons segredos comprovou isso com maestria. Os personagens, cada um deles, dos mais recorrentes aos mais "de escanteio", fizeram a trama acontecer e contribuíram muito para que eu amasse demais cada página. Só posso recomendá-lo infinitas e infinitas vezes, pois é um daqueles livros que tem muito a nos ensinar sobre nós mesmos e sobre a vida. Eu o adorei tanto que o li em dois dias (eu praticamente não saí do quarto hahaha).  

Outro ponto muito bom é que a história não é focada no romance. Fala muito sobre relacionamentos, claro, pois muitos dos personagens estão indo e vindo pelo campo de batalha, mas o enfoque mesmo é o drama familiar. O romance, entretanto, se desenrola com muita sutileza e harmonia, sem tirar o destaque para o real objetivo da trama. 
“– O fato de uma pessoa não falar sobre algo não significa que não pense nisso. Na verdade, em geral é justamente esse o motivo para a pessoa não falar.
(...)
– Porque falar torna a coisa real.
– Exatamente”.
p. 341
Essa capa, por si só, já me fez querer lê-lo, quando eu não sabia muito o que esperar. O projeto gráfico é muito lindo e conseguiu, completamente, expôr a essência da história.
Curiosidade: quem lê o título original (e eu sou uma dessas malucas que a-m-a saber o título original dos livros, só para descobrir se o título traduzido tem mesmo a ver) acha que não tem absolutamente n-a-d-a a ver com o livro, mas... espere só, sério. Tem tudo a ver e é algo bastante surpreendente, pois não está totalmente escancarado. Com certeza, é um livro que sei que vou querer reler em breve! 
“Quando nos vemos diante da coisa mais assustadora, só queremos voltar atrás, nos esconder no nosso lugar invisível. Mas não podemos. É por isso que o importante não é apenas sermos vistos, mas ter alguém que nos veja também”.
p. 388
“Nos acostumamos com o jeito de ser das pessoas; contamos com ele. E quando o comportamento delas surpreende, para o bem ou para o mal, é capaz de mexer profundamente conosco” - p. 395 

Love, Nina :)

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13 comentários

  1. Ando meio dividida quanto a esse livro. Alguns elogiam, outros criticam, e essa capa me hipnotiza *-* muito linda. Como é fim/começo de ano, e estou fechada para balanço (hsauhsauh) vou esperar mais um pouquinho antes de decidi se quero ou não lê-lo. Mas gostei da sua resenha e até me deu um pouco mais de animo para comprar meu exemplar ;)

    xoxo
    www.amigadaleitora.com

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  2. Adorei a sua resenha, você fez eu realmente quer ler esse livro. Ainda não li nada da autora, mas essa capa tá muito linda.

    Gente, fiz resenha do livro "Morte no Nilo", da Agatha Christie. O link está abaixo, se alguém quiser ler.

    http://lerparaesclarecer.blogspot.com.br

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  3. Olá!
    A capa desse livro realmente é uma lindeza. Sua resenha deixa transparecer o quanto essa narrativa te marcou e o quanto te surpreendeu. Ainda não li nada da autora e na verdade nem a conhecia. Talvez comece por esse, minha única ressalva no momento é o fato de ser narrado em primeira pessoa.

    Beijos
    http://numrelicario.blogspot.com.br/

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  4. Oiiii, já vi diversos comentários deste livro, tanto bom quanto ruim, e eu pude perceber que seria um livro que leria com toda certeza, adorei toda a história e o enredo que acontece, e só por você dizer que leria mais vezes, posso perceber que seria uma ótima leitura para mim.
    Beijos ❤
    http://segredosliterarios-oficial.blogspot.com.br/

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  5. Olá!
    Sendo sincera, não sou muito fã de YA's e li só alguns poucos.
    Masss, sendo muito elogiada, eu tenho vontade de ler os livros da Sarah Dessen.
    Eles me chamam atenção, mas por ter receio e não gostar fico procrastinando e nunca li nenhum.
    Gostei da sua resenha e de saber que o livro surpreende.
    Espero poder ler em breve e gostar tanto quanto você!
    Beijos beijos!

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  6. NINA!

    Mentira, que fui citado aqui. Já até posso dizer o quanto estou feliz de que você apenas quis ler o livro por minha causa, hihi. Realmente os personagens são maravilhosos, a trama é tão completa envolve tantas coisas ao mesmo tempo que é impossível sair do quarto e falar com as pessoas do mundo real.

    <3 Um beijudo!

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  7. Oi, Nina *-*
    Então, nunca tinha ouvido falar desse livro, e fiquei com vontade de ler.

    Já começa por esse drama todo do irmão dela ter sido preso. A justiça ta certa, mas imagino o peso que fica nos ombros da família. Apesar de que, ignorarem a garota não vai melhorar nada. Coitada, já simpatizei.

    O que não me faria ler é o fato de não focarem tanto em romance. #Mejulguem, mas essa pitadinha de romance me fisgou mais que o drama em si. Justamentevo contrário do que te impressionou no livro, ne?

    Parabéns pela resenha, Nina.

    Beijos

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  8. Oi, Nina!
    Adoro esse cantinho literário e geralmente aprecio suas indicações literária, além da resenha fabulosas feitas por você, mas dessa vez, vou deixar a indicação passar, senti que a obra não é muito meu estilo, ao menos para o momento, não.

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  9. Olá, tudo bem?

    Um livro que quando lançou estava louca para ler, mas com o tempo fui diminuindo mais a vontade. Mas pretendo ler ainda. Está bem interessante ver as opiniões sobre este livro, uns dizem que é maravilhoso e outros falam que foi cansativo. Mas em breve lerei e espero gostar. Adorei a resenha.

    beijos
    http://www.livrosfilmeseencantos.blogspot.com.br/

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  10. Oie Nina!!!
    Também gosto muito de livros que me tocam de alguma forma, acho imprescindível para a leitura se tornar marcante. Tenho uma vontade imensa de ler algo da autora, acho que esse é finalmente minha chance de conhecer seu trabalho.
    Amei sua resenha*...*
    bjs

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  11. Oi amada!
    Esse livro é uma das minhas próximas leituras, espero gostar assim como vc e já terminar querendo reler! aghahhaha
    Amo quando isso acontece, não li nada da autora mais sei que ela é boa, pelo tanto de gente!
    Beijos

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  12. oIIIIE
    Sua resenha está linda, eu já tenho o livro aqui e estou louca para ler, espero com certeza ler esse ano sem falta, que bom que gostou tanto e espero gostar ainda mais

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  13. Se eu não tivesse lido e tua resenha e a da Amanda eu jamais prestaria atenção nesse livro. Deferente de você, a capa, para mim, não chama tanta atenção. Sei lá, acho que tenho traumas de parquinhos. Espero ter oportunidade de lê-lo, pois gosto de dramas familiares.

    Beijos!

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