Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.

#Resenha de livro: A Princesa e a Costureira

by - janeiro 07, 2016

Desde a primeira vez que soube do fato de que A Princesa e a Costureira, de Janaína Leslão, é o primeiro conto de fadas LGBT brasileiro, eu soube que p-r-e-c-i-s-a-v-a tê-lo em casa. Tô bem apaixonada por tudo 

Título: A Princesa e a Costureira
Autora: Janaína Leslão
Editora: Metanoia
Páginas: 51
Ano: 2015
+ 

Acho que todo mundo já leu ou assistiu algum conto de fadas: aquela simples história de era uma vez... que termina no felizes para sempre. Sempre tem uma princesa em perigo e um príncipe generoso para salvá-la. Então, você não vai encontrar nada disso neste livro. Nada mesmo. Começando pelo fato maravilhoso de a princesa Cintia ser negra. Apesar de já existirem (poucas) princesas negras, a Cintia é uma princesa que foi criada por alguém brasileiro - e só por isso já é algo muito bom. A princesa não está em perigo - pelo menos até a profecia de sua madrinha se concretizar. O felizes para sempre não existe e o parzinho dela não é um príncipe bondoso e bem vestido. 

Cintia vive no reino EntreRios e está prometida ao príncipe Febo, de EntreLagos. Os dois cresceram juntos e sempre foram bons amigos. Quando chega a hora de decidir sobre o casamento, ambos aceitam esse destino de bom grado. O que ninguém sabe é que a fada madrinha da princesa, preocupada que a afilhada fosse obrigada a casar sem amor, lançou um encantamento para que esta soubesse quem fosse seu verdadeiro amor quando a pessoa lhe tocasse as costas. Cintia, mesmo sabendo que o casamento demoraria a acontecer, já se antecipa e vai atrás de um vestido de casamento. É aí que tudo muda para ela e para o destino de muitos ao seu redor: ela conhece Isthar, uma moça viúva com um filhinho bebê, que costura todos os tecidos do mundo. Assim que Isthar lhe toca as costas, para experimentar o vestido, a mágica acontece. 

Teoricamente, o livro é voltado para crianças. O formato é exatamente para este público - é quadrado, não tem lombada, a tipografia é mais leve e as ilustrações são um complemento fofíssimo ao enredo. A storyline é guiada de forma comum aos contos de fada, ainda que seja totalmente autêntica e singular. O conflito é evidente, devido à temática abordada, mas os desenvolvimentos são bastante originais e há reviravoltas que ora acalentam, ora desesperam o leitor. Ou seja, a história é uma mistura perfeita de realidade. A partir desse livro, nos é apresentada a sutileza de se trabalhar com um assunto tão presente no cotidiano e como, se bem feita, pode educar a todos - não somente crianças. Aliás, um ponto importante é esse: embora pareça um livro para criança qualquer um pode lê-lo e entender sua mensagem de aceitação e amor. 

Não resisti e mostrei o livro a minha mãe que, na hora, verbalizou algo que eu mesma vinha pensando: vai ser ótimo se for lido nas escolas. Lidar com a diversidade sexual é algo ainda bem pouco explorado (vide todas as discussões acerca de a Câmara vetar projetos escolares que permitissem o debate sobre a sexualidade e o gênero - que, sim, são coisas totalmente diferentes, portanto uma não está ligada à outra) e, justamente por isso, até mesmo temido. Não há diálogos férteis sobre isso, simplesmente porque muitos acreditam que falar sobre influenciará a criança/adolescente. E eu já tive muitas conversas com pessoas que lidam diretamente com a temática da sexualidade para afirmar que essa "proteção" dos pais é simplesmente o medo deles falando mais alto (e que, na maior parte do tempo, não é a reação de seus filhos ao serem apresentados ao assunto). Então, espero muito que A Princesa e a Costureira possa viajar pelos mais diversos lares e que seja reconhecido pela coragem de mostrar uma história que, embora esteja entre páginas ficcionais, reflete muitas páginas da vida real. 

Espero que mais histórias - infantis ou não - preguem o amor e somente o amor - que não haja desrespeito de qualquer forma, que não exclua ninguém e que continue a inspirar a todos aqueles que, de algum modo, não se sentem representados. 

#Para comprar: aqui

_

Até hoje, eu não sabia como tinha surgido o livro. Fui pesquisar e descobri algo fantástico: ele foi financiado coletivamente pelo Catarse-me e é o primeiro projeto da Janaína. Agora, ela está com uma nova - e ainda mais linda - história em andamento: Joana Princesa, que fala sobre o principezinho João que, na verdade, se sente princesa e que quer se chamar Joana. 




Love, Nina :)

You May Also Like

7 comentários

  1. Que livro lindo, adoro livros infantis, com certeza compraria esse livro.
    lerparaesclarecer.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Olá, Nina. O financiamento coletivo já se encerrou. Não há mais "como ajudar", rsrs. No mais, obrigada pela atenta leitura e resenha.

    ResponderExcluir
  3. Ooi! Adorei esse livro e quero, quero logo. *-* A ideia é ótima e concordo com sua opinião sobre conversar sobre sexualidade nas escolas. Se fosse assim muita coisa estaria melhor hoje em dia (não perfeito, mas melhor).
    Só que eu fiquei muito mais na vontade de ler Joana Princesa. Me apaixonei por ela já. haha
    Beijos
    SIL ~ Estilhaçando Livros

    ResponderExcluir
  4. Que livro incrivel <3 queria ele pra mim. Quero mostrar esse livros pros meus futuros filhos!!
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Pera aí, que já sinto uma coisa brotar aqui dentro de mim: é o meu amor por essa história e por essa autora que nem conheço, mas já admiro de montão. Fico tão feliz quando vejo um conto de fadas fugindo dos padrões: menina em perigo que será salva pelo príncipe, em seguida temos o "felizes para sempre", que nada mais é que um casamento e filhos (o príncipe e a princesa são brancos, mas é claro).

    Contos de fadas podem ser mais do que isso, precisam ser histórias que tragam alguma moral, algum ensinamento e que as crianças, todas as crianças, não se sintam tã(ãããããã)o distantes assim do que é narrado. Preciso desse livro já. Fico na torcida para que livros como esses façam parte das bibliotecas de nossas escolas.

    Essas ilustrações <3

    Abraços!
    http://eueminhacultura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. M A R A V I L H O S O.
    Isso que é representatividade! <3
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

    ResponderExcluir
  7. Ola queridxs vocês podem encontrar em www.metanoiaeditora.com/loja

    ResponderExcluir

Olá, obrigada pelo comentário, mas, para evitar passar vergonha na internet, por favor, não seja machista, LGBTQAfóbico(a), ou racista. O mundo agradece :)

Qualquer preconceito exposto está sujeito à remoção.



INSTAGRAM