6 de fevereiro de 2016

#Resenha de livro: Os Três Encontros

Já falei m-u-i-t-a-s vezes da Ruh Dias (do blog Perplexidade e Silêncio) por aqui, mas especialmente neste post mostrei que tinha recebido Os Três Encontros, livro escrito por ela e lançado no final do ano passado. E aqui está a resenha dele, eba!

Título: Os Três Encontros
Autora: Rúbia Dias
Editora: Clube de Autores
Páginas: 99
Ano: 2015
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Apesar de Os Três Encontros ter apenas 99 páginas, cumpre completamente o seu papel na literatura. A narração em terceira pessoa, embora me incomode na maior parte das leituras, conseguiu me prender desde o início, contando sobre o encontro de Virgínia com três importantes figuras: o Universo, o Tempo e o Destino. A história, desde o começo, remete aos sonhos e ao subconsciente. Logo no primeiro capítulo, Virgínia está numa praia desconhecida com um homem de sobretudo e chapéu da cor do céu. Ela não se lembra de nada e faz as mesmas perguntas. É aí que ela re-começa a sua jornada (levando em consideração que muitas e muitas vezes já esteve na mesma situação, mas sem recordação). 

Quando retorna desta praia, Virgínia está numa casa que não se recorda com uma garotinha chamada Sofia, que não sabe quem é. Durante algum tempo, Virgínia e Sofia têm uma rotina comum, até que o Moço do Chapéu reaparece e as leva a um lugar recoberto por livros e ampulhetas. Lá, conhecem o Tempo. É nesta segunda parte do livro que a trama começa a ser realmente desenvolvida: o leitor começa a juntar algumas peças implícitas no texto e que se colam a outras que passaram despercebidas anteriormente. 
“Acho que a alegria dela está dormindo e não quer acordar”.
p. 11
Virgínia aprende que o Tempo e o Universo (o Moço do Chapéu) não são exatamente amigos e que, embora trabalhem juntos muitas vezes, algumas situações dizem respeito a apenas o Universo e, outras, a apenas o Tempo. Mas que, ainda assim, cada detalhe de sua vida é responsável pelo todo e influenciado por ambos os elementos. Nesta parte, a personagem também aprende que resgatar lembranças e se desfazer de sentimentos é doloroso e sempre traz consequências. Na última parte, conhecemos o Destino, uma senhora benevolente, gentil e alegre, que concede à Virgínia uma segunda chance. 

O livro tem um ritmo bom, nem rápido, nem muito devagar. Ainda que, às vezes, fiquemos confusos de início com algo, há sempre uma explicação por vir e que sempre rende epifanias. Eu diria, na verdade, que Os Três Encontros é, do começo ao fim, uma grande epifania sobre nós mesmos e a vida. A leitura é muito agradável, não irrita em momento algum, ou cansa. O que mais me deixou confortável foi a poética inserida, especialmente no modo como a escritora descrevia as sensações de vazio, de ruptura e de raiva de Virgínia. A melancolia é algo bastante recorrente na trama e com a qual eu me identifiquei totalmente. O reforço de vazio, de silêncio e de perda foi algo que me deixou muito feliz, pois a autora expôr isso de forma gentil e sem dramas - a naturalidade com que os temas foram tratados e retratados me fez sentir em casa. 

Não foi à toa que, na retrospectiva 2015, Os Três Encontros ficou com o lugar de Melhor livro de fantasia. É porque ele me desconstruiu e re-organizou a cada capítulo, sempre de um modo singelo e muito marcante. Muito próximo do modo como eu faria na literatura, também. Ele me marcou de um modo que sei que o levarei para sempre como uma lição de vida. Sei que, quando eu quiser que algo apenas dê certo, lembrarei do Tempo e do Destino. Sei que, quando eu quiser esquecer de algo que estou sentindo, lembrarei do Universo. Os três elementos, aliás, são muito bem delineados e, embora sejam coisas abstratas, nessa história ganharam nuances humanas e concretas. Com certeza, quem ler nunca mais pensará no Universo, no Tempo e no Destino da mesma forma. 
“(...) Virgínia quase pôde escutar um teco seu quebrando, bem lá dentro, camadas e mais camadas abaixo da superfície, num território de si mesma que ela nem sequer sabia que ainda estava intacto. Foi um som seco e estalado, de coisa dura que se parte em dois. E ela soube que, daquele momento em diante, jamais seria a mesma”.
p. 67
A Ruh o lançou de forma independente, então, pôde cuidar de absolutamente tudo: da sinopse, da capa (produzida por ela mesma e pelo namorado), da tipografia escolhida e da diagramação (que pode ser melhorada; achei a tipografia do texto muito grande e há alguns errinhos de parágrafo, mas que não diminuem a qualidade do livro). Uma curiosidade é  que somente depois de certo ponto da leitura é que fui entender a capa e a contra-capa e isso foi mais uma epifania que o livro me proporcionou. 

Tenho certeza de que é uma leitura que relerei muitas vezes ao longo da vida e que recomendo de olhos fechados 
“Você tem um vazio aí dentro de si, não tem? Uma tristeza sem começo nem fim, bem aqui no meio do peito, entre os pulmões. Este vazio é o pedaço dele que foi embora depois de todo aquele sofrimento que você viveu, e o Universo quer ele de volta”.
p. 74
#Para comprar: está disponível na Amazon, em formato ePub e de forma física (ambos pelo Clube dos Autores). 
#Deixe o seu review aqui: Goodreads
#Você pode conferir esta incrível galeira de fotos sobre o livro, que foi publicada pela Ruh no blog dela.


Love, Nina :)

7 comentários:

  1. Ai flor. Você faz tanta diferença no meu sonho de ser escritora que não sei direito nem por onde começar. Obrigada do fundo do meu coração pelo apoio, pelo incentivo e pela resenha linda que você escreveu. Guardo você no meu coração. <3
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

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  2. Achei a capa desse livro um tantinho melancólica. Mas me interessei pelo livro. Adoro os que fazem parte do gênero fantasia.

    beijo
    paperdream-s.blogspot.com.br

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    1. A melancolia é algo bastante recorrente na trama, moça. Mas é justamente isso que o faz tão lindo! <3 Sugiro ~muito~ a leitura! Beijos.

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  3. Oi, Nina! Que bonita essa ideia de transformar o Universo, o Tempo e o Destino em personagens... Gosto de várias coisas que descreveu: forma poética de narrar, melancolia no tom certo e drama sem ser forçado. Fiquei bastante interessada! Sucesso para a autora!

    Beijos, Entre Aspas

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  4. Eu tbm nao curto muito narração em 3 pessoa. Gosto de ficar na cabeça do personagem kkkkk eu acho que a leitura é muito mais prazerosa assim <3 mas tenho que admitir que a historia parecer ser muito interessante :3 sempre tive vontade de publicar um lovro pelo clube dos autores, mas tbm sempre tive um certo medo kkkk

    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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  5. nunca tinhs ouvido falar dele , mas sua resenha me deixou bem interessada :D
    Adorei seu blog, e já estou seguindo! Achei muito lindo e ótimo o conteúdo. Poderia retribuir? Adoraria te ver no meu blog também: Blog Dear Maidy
    Beijos,
    Maidy Lacerda

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