31 de março de 2016

#O que chegou por aqui? #4

Esse mês foi o mais "pobre" em termos literários, desde que comecei a coluna. Isso porque investi mais em roupas do que em livros e por causa da volta às aulas da faculdade. Mas, ainda assim, consegui destinar uma ~pequena~ quantia para a literatura. 

I. Decidi dar o ponte-pé no projeto #LeiaMulheres com a Woolf, porque eu já namorava esse exemplar lindíssimo da L&PM desde do ano passado. Mrs. Dalloway é o romance que mais tenho interesse em ler. Já o comecei e, até agora, ele está muito bom. Há quotes muito a minha cara, relacionados à solidão e melancolia.

II. Eu soube da existência de Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, da Becky Albertelli, na pré-venda, pela página da Intrínseca. E, pelo fato de ser LGBT, já me interessou de cara. Eu já o li e posso dizer, com toda a certeza, que é uma história incrível e muito autêntica.  

III. Por Lugares Incríveis, da Jennifer Niven, já tinha sido recomendado por uma amiga no ano passado, mas eu demorei para comprá-lo por causa do preço não tão acessível. Acabei a leitura há alguns dias, e não consigo parar de pensar nessa história. É uma daquelas histórias lição de vida, encantadoras, que fazem uma marca na gente. Muito real e inspiradora


Passei algumas horas sozinha dentro da Biblioteca da PUCRS na terça-feira e tive bastante tempo para procurar livros. Terminei levando esses três:

VI. O Deus das Pequenas Coisas, da Arundhati Roy, me interessou pelo enredo simples, mas inspirador. O título e a capa contribuíram bastante. É uma história que fala bastante de angústia, perdas, mas de esperança. 

V. Já li Vaga Música, uma obra poética da Cecília Meireles, mas ainda não tive oportunidade de ler a prosa dela. A princípio, queria pegar a compilação de crônicas radiofônicas dela (chamada Escolha o seu sonho), mas a capa de Cecília Meireles - Obra em Prosa me agradou mais. Os textos são crônicas, que é um gênero que tenho aprendido a gostar cada vez mais por causa do Caio F.

VI. As Ondas, da Woolf, tem um papel muito importante dentro da narrativa de Por Lugares Incríveis (imagem acima) e, curiosa para ler mais quotes, resolvi procurar a obra. Fiquei muito feliz por tê-la encontrado, pois parece incrivelmente sensível. 

VII. O último volume de O Diário da PrincesaO Casamento da Princesa, da Meg Cabot, chegou pelo Correio por ser presente de uma amiga. No final do ano, organizei um amigo secreto com um grupo de escritoras que conheço já há alguns anos e calhou de a amiga que me tirou amar bastante a Meg também, então, eu meio que já previa que ganharia esse livro. A cartinha é impressa, porque veio diretamente da Saraiva, achei uma graça *-*

__

P.S.: para quem quer resenhas desses livros que posto nessa coluna, elas sairão gradativamente. Algumas já estão no rascunho ;)


Love, Nina :)

26 de março de 2016

#Project Twelve Letters: Uma carta de agradecimento

Você já conhece as palavras que vou usar. Sempre sabe o que tenho guardado e como posso remendar todos os meus fios quebrados. Sabe que uma ou duas palavras podem me fazer sorrir, unir meu eu, re-acreditar no amor. É por isso que, além de amar você, eu agradeço. O que você fez por mim, há quase oito anos, foi o começo do que hoje guardo com carinho. Não sei como poderia ser quem sou hoje sem você lá, naquele início, para me orientar - mesmo sem saber, com exatidão, para onde iríamos. A verdade é que, de capítulo em capítulo, construímos muitas vidas, amores eternos e significados essenciais. 

Curiosamente, não sei bem quais palavras você gostaria de ler. Você era mais dramática, mais aberta, mais feliz. Acho que não combino mais com quem você foi, mas ainda sinto que estamos ligadas a partir de infinitas palavras - a gente nunca se preocupou em contá-las, desde que colocassem em ordem o nosso caos. Você não se interessava pelo subjetivo, pelo invisível, pelo amor de verdade. Você gostava de fingir que era alguém que nunca seria, de acreditar que iria ganhar flores e de provar ao mundo - mesmo ao seu pequeno mundo - que seria alguém. Hoje, tá tudo meio diferente. O que continua são as palavras, no entanto, mais cuidadosas. Mais certeiras. Você só escreve, agora, quando percebe que tem o que dizer. De janeiro até hoje, justamente hoje, não escreveu sequer uma palavra extra. Você me disse, aos sussurros, que foi porque não queria nenhuma despedida - mas agora, é verdade, ela se faz necessária. Você quis se despedir do turbilhão que não a permitiu sentar e escrever sobre a vida, sobre o amor, sobre a morte. 

Mas você diz, agora, que está tudo bem, então, eu acredito. 

Acredito, porque, embora você não tenha previsto que tudo iria mudar, sei que ficaria feliz - mesmo naquela época. Você acreditava que não sabia escrever poemas, nem escrever sobre o amor (aliás, era algo que você detestava). As cartas continuam, veja só. Afinal, algumas coisas nunca vão embora. A gente tem o que aprender. E, nisso, você sempre acreditou. Foi por isso, inclusive, que escreveu a primeira história. E continuou durante anos. E, então, parou. 

Entendo que aquele hiatus é o mesmo de hoje. É sempre necessário um descanso. Você estava cansada como, hoje, estou. Um troço mesmo desanimado - com tudo. Mas lembro bem daquele dia que você disse pela primeira vez que não se importava com nenhuma vida futura, senão a vida de alguém que escrevia. Você só queria escrever. Você renunciou qualquer outra coisa para isso. Não sei como se sente ao perceber que conseguiu isso e, no entanto, ainda falta algo. O que era um sonho - o seu único sonho - não tem mais como caber na sua vida. Ou, talvez, seja algo tão seu, tão útil, que não existe mais novidade nenhuma. O que ainda existe? 

É verdade: as palavras. Elas sempre existirão para você, nos melhores e piores dias. Você tem sorte, porque algumas pessoas nem palavras têm. Elas só sentem e não sabem o que fazer com aquilo. Você faz - ou tenta fazer, só pra dizer que tá viva. Você continua viva? Agradeço - com morte ou com vida.

Apenas com palavras, 
A Escritora de Hoje. 



Conheça o Project Twelve Letters e os próximos temas AQUI.  

Love, Nina :)

20 de março de 2016

#Essential Book: Expecto patronum

Mês passado, comecei o Essential Book com um grupo de blogueiras. Só para reiterar rapidamente, caso você ainda não saiba sobre o projeto, a proposta é fotografar um tema por mês relacionado a livros. O de fevereiro foi sobre a essência de uma personagem feminina e, neste, é a de um quote preferido

Se foi difícil escolher? Não, e depois sim, e depois muito. Isso porque eu coleciono quotes de uma forma, provavelmente, compulsiva. Não sei deixar um quote para trás. Alguns, aliás, eu decoro de tanto que leio. A princípio, iria escolher um dos últimos mais marcantes, que foi do livro Mosquitôlandia: "Existe vida na minha vida". Mas, aí, eu percebi que estava esquecendo daquele que, desde o ano passado, tem me ajudado a enfrentar meus medos e demônios. Acho que não é surpresa para ninguém que Harry Potter permeou a minha adolescência e, até hoje, o carrego como lição de vida. E o quote escolhido foi justamente retirado do terceiro livro da saga, O Prisioneiro de Azkaban. O quote explica o feitiço Expecto patronum, que é usado, comumente, como proteção


A simbologia do feitiço, fora do universo fictício, tem um efeito certeiro em mim. Isso porque a autora, J. K. Rowling, o criou como um modo de tentar representar um abrigo para sua depressão. A depressão, no universo dos livros, é representado pelos dementadores, seres de energia negativa que "sugam" a felicidade, esperança e desejo de sobrevivência das pessoas. Embora, no livro, o professor Lupin diga ao Harry que a criatura não pode realmente afetá-lo, fica muito evidente que, metaforicamente, Rowling criou um paralelo perfeito para falar da depressão, em especial quando diz que, para combater os efeitos colaterais de um ataque de dementadores, o chocolate tem um alto poder  de cura (sabe-se que, no mundo real, o chocolate nos dá a sensação de felicidade). Eu fico muito reconfortada por saber que outros fãs também entenderam essa conexão entre a saga e a vida real. Algo bacana, inclusive, que acontece relativo à simbologia dos dementadores é que a própria Rowling dá coragem aos fãs para que eles se apeguem as suas palavras como motivo de desejo de sobrevivência (veja essa notícia). 

A maravilhosa da Carol falou sobre tristeza no seu post do Essential Book e, conversando com ela sobre o tema, percebi o quanto as pessoas, de forma geral, têm medo de externar esse sentimento. Bem, a vida pode ser bonita, sim. Mas não acredito que ela seja feita de felicidades aos borbotões. Acontece que, quando o dia não está bonito nem feliz, as pessoas tendem a fingir que não sentem a tristeza e não são capazes de aceitá-la (da forma que for). Sempre existe aquele estigma negativo sobre a solidão e tristeza: opa, você não deveria estar se sentindo assim. Confesso que isso nunca fez sentido para mim, uma vez que sou feita de melancolias por diversos e diversos motivos. E engana-se quem acha que eu sou infeliz assim, ou que eu "sou fraca demais para mudar quem eu sou". Acredito, na verdade, que temos que abraçar quem somos. E essa parte de mim eu nunca reneguei e simplesmente odeio quando tentam me dizer que eu não deveria estar me sentindo assim, porque existem pessoas com problemas reais. Então, a minha melancolia é um "problema" imaginário? Eu inventei um "problema"? A verdade é: o que faz um problema ser um problema? As lágrimas, os roxos no corpo, a vontade de desexistência? Vê o quanto é complicado? Porque, veja bem, quem é que sabe de todos os fardos que carregamos? Ninguém, além de nós mesmos. E, por isso, é tão difícil que outro alguém nos entenda. 

E foi por causa da melancolia e de alguns problemas reais que, desde ano passado, esta é uma das maiores simbologias da minha vida, porque o feitiço me faz lembrar que eu sou uma pessoa real com um problema real e que não existe nada de errado em querer proteção, descanso, esperança e desejo de sobrevivência. Hoje, Expecto patronum é equivalente à relação que tenho com a música da minha vida, Last Hope, Paramore


I. Produzir esse fundo me rendeu o que o quote diz ser uma única lembrança muito feliz. Quando criança, eu adorava desenhar, embora não tivesse o mínimo de paciência para pintar. E, hoje, mexendo com as tintas me deu uma sensação de muita paz - que pode, sim, ser uma lembrança muito feliz. Não sou de encontrar paz com muita frequência nem de desligar a minha mente, então, este momento me fez entender o que é estar no momento. 

II. Li algo, esses dias, sobre todo término parecer ser o fim do mundo para muitos. Percebi, inclusive, que lido com isso da mesma forma. Durante um tempo, não consigo ser positiva e, por isso, sempre parece que é o fim do mundo todo dia. Mas, como eu disse ali em cima, não acredito que a felicidade esteja na nossa vida em todos os momentos - e, quando ela não está, é só porque ainda estamos no meio do caminho. Não que todos os finais sejam felizes, mas acho que não é isso realmente o que interessa; são, na verdade, todos os momentos - felizes ou tristes - que colecionamos para chegar ao final.

III. Inevitalmente, Expecto patronum me faz lembrar de esperança. É o que tem me movido em muitos e muitos dias de uns meses para cá, na verdade. Só que, de um jeito diferente da maioria, eu parei de cultivar a esperança como algo que vai acontecer. As pessoas entendem que esperança é esperar por algo, mas Last Hope me ensinou que esperança é apenas deixar acontecer, porque, afinal, a gente nunca tem o controle de nada, só nos iludimos quanto a isso. É lembrar que temos de viver um dia após o outro e não esperar nada em troca.

IV. Além da esperança, comecei a pensar em quais outras palavras Expecto patronum me recorda e cheguei a duas: coragem e resistência. Coragem, porque eu preciso me lembrar quem sou mesmo em meio aos problemas. Resistência, porque preciso me lembrar que haverá dias difíceis e que a positividade precisa andar mais comigo.

___
Visite, também, as outras postagens dos outros blogueiros que participam do projeto:



Love, Nina :)

12 de março de 2016

#Culturalegrando: Casa de Cultura Mario Quintana


Esse #Culturalegrando é sobre parte da Casa de Cultura Mario Quintana, que fica aqui em Porto Alegre. A casa, antigamente, era um hotel - portanto, o espaço é bastante grande, com duas torres, várias salas, restaurante, passarela e um jardim no terraço. Quintana nunca se casou nem teve filhos e, devido a isso, viveu boa parte da vida em hotéis. Em 1982, o prédio do hotel Magestic foi tombado e, em 1983, o governo do RS o adquiriu e o transformou em um centro cultural. 

Em uma das salas do complexo está um espaço reservado para falar do primeiro livro de poemas lançado pelo autor, em 1940, A rua dos cataventos. Ainda que, desde o ano passado, eu tenha mergulhado e me encantado pela poesia, ainda não li nenhuma obra poética completa do Quintana, mas esta me chamou muito a atenção. O livro é composto por 35 sonetos e sempre com rimas, pois antecede a sua fase literária mais flexível, de versos livres e sem métrica. O estilo do autor é bastante leve, gostava de assunto relacionados ao cotidiano, de evidenciar a musicalidade e a simplicidade em suas palavras. Um recurso muito utilizado por ele era a ironia - não aquela cáustica, mas aquela que promove riso fácil e reflexão (a exemplo dos quintanares). A capa do livro me agrada muito, pois exprime com riqueza e simplicidade a essência da literatura dele. Dois temas estão muito presentes nos versos: a infância e a morte.

(As fotos estão com a resolução ruim, pois meu celular tá bem ruim hehe. Como a sala estava iluminada com luzes brancas, tudo ficou branco demais </3 
Mas dá pra ver, juro haha).





Ao lado dessa sala destinada ao livro A rua dos cataventos fica o quarto reconstruído do autor. Sua reconstrução foi orientada por sua sobrinha-neta Elena Quintana. Ainda que, obviamente, não seja a cena real do quarto, é muito tocante olhar para os móveis e o cenário através do vidro de proteção. Sempre que entro na Casa de Cultura vou até o quarto para observar, porque a paz que me traz é muito grande, além disso me sinto inspirada pelo que vejo. Gosto de me atentar aos detalhes, porque às vezes até parece que alguém vai surgir do nada e começar a me contar sobre as peripécias da vida dele ali, como uma vovozinha bondosa que lê um livro de poesia para os netos. O sentimento de acolhimento que sinto quando me adentro lá é muito especial, é como me encontrar comigo mesma, uma espécie de casamento de almas



O escritor morreu em 1994 e trabalhou quase toda a vida como jornalista. Porto Alegre é meio poética por causa dele, devo confessar. Sempre que saio de sua Casa e ando pelas ruas dali, fico imaginando por onde ele caminhou e quais cenários lhe agradavam e que lhe ajudaram a compor seu trabalho. Penso que em qualquer parte onde estou pode ter servido de inspiração a ele, uma vez que grande parte do que escrevia retomava o cotidiano. Um barzinho, um casal de mãos dadas, um prédio antigo. Qualquer coisa, da ínfima à grandiosa, pode ter feito parte de sua vida - e nós, leitores, só podemos recriar tal passado e aceitar aquilo que nossa mente alcança, que é incrivelmente rasa, obviamente. 
"Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas" - Mario Quintana
___

Culturalegrando #1: AQUI.
Love, Nina :)