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#Mês dos namorados: narrativas que [não] são tão legais

by - junho 26, 2016

O casamento perfeito (na minha opinião) é quando a narrativa e os personagens se completam, ou seja, você acredita nas duas coisas. Mas, é claro, existem casos de apenas os personagens serem críveis e, outros, em que eles deixam a desejar, mas a narrativa é convincente mesmo assim. Nesse post vou falar de três que, de tão batidas, não me convencem mais

Dicotomia, ou "Os opostos se atraem"
Na vida real, eu até acredito nisso, mas não no fato de, pelo casal ser tão diferente, realmente se atrair. Acredito que, por serem diferentes, podem aprender um com o outro. O que não me convence nas narrativas literárias (e fílmicas, também) é que essas diferenças são sempre muito romantizadas e o final é sempre feliz. Nessas narrativas, elas são negativas, nunca positivas. Geralmente, os personagens entendem que as diferenças são elementos que atravancam o relacionamento e, por isso, precisam "superá-las". 
Torço o meu nariz para isso, porque gosto de diferenças. E, por sempre ter me adaptado bem a elas, não concordo sobre "superá-las" - acho que cabe a cada um respeitá-las e saber que estarão ali sempre. Se você "diminui" uma diferença de alguém está diminuindo, também, essa pessoa. E por que você diminuiria alguém que ama (a menos que você goste de ser abusivo/a), não é mesmo?

Qual? Jogos Vorazes, de Suzanne Collins
Sim, sou super fã dos livros e da narrativa distópica. Mas, a meu ver, o romance ainda é bastante batido. O ponto positivo é que Katniss e Peeta têm funções de gênero inversas ao que se espera. Katniss é a garota destemida, forte e com habilidades manuais tipicamente masculinas. Peeta, ao contrário, tem características emocionais mais suaves, é pacífico e suas habilidades são tipicamente femininas. Apesar de Jogos Vorazes terem conseguido revolucionar em muitos e muitos pontos maravilhosos, a temática quanto ao triângulo é bastante previsível, ainda mais se levarmos em conta que Peeta é o oposto de Katniss, enquanto Gale é bastante similar a ela. 



A "salvação" um do outro
Em geral, o casal tem muito do tópico anterior: são pessoas opostas, mas são capazes de aprender uma com a outra. Porque, afinal, esse é o propósito da narrativa. Ela dá a sensação de ser uma espécie de lição de vida. Eu mesma gosto muito de livros que se tornam lições para mim, mas a problemática desse tipo de história acontece porque, quase sempre, a personagens feminina é a protagonista e a sua salvação é um garoto bad-boy, ou um garoto com o espírito aventureiro, que proporciona ótimas experiências e, por isso, ela não pode fazer mais nada além de achar que ele a salvou. Mais uma vez, zero libertação feminina, uma vez que a libertação acontece por causa de um homem, não por causa da garota.

Qual? As batidas perdidas do coração, de Bianca Briones
Sou eternamente fã da série #BatidasPerdidas, mas a narrativa proposta ainda é "mais da mesma". A garota e o garoto estão em processos de cura por perdas familiares e, apesar da raiva, encontram conforto um no outro. Claro, o relacionamento é bastante conturbado e a Bianca conseguiu com muita habilidade inserir muita realidade - mas o fato de serem opostos e a salvação um do outro me incomodou um pouco, também porque ambos os personagens são bastante estereotipados. Ele é o bad-boy; ela, a moça riquinha, mas de bom coração. 




Ódio x Amor, ou "Te odeio, mas te amo"
Com certeza, a narrativa que mais me irrita. Não vejo sentido algum em algo assim, especialmente porque não parece nem um pouco convincente. Acredito, sim, que nossas opiniões podem (e devem!) mudar sobre alguém, mas esse constante ir-e-vir é bastante irritante, uma vez que são páginas e mais páginas que poderiam ter sido suprimidas, e é bastante confuso também, porque parece que a personagem (é quase sempre uma mulher) nunca sabe o que quer - e isso só reforça o estereótipo de que as mulheres são confusas e nunca sabem responder com objetividade. Outro ponto sobre esse tipo de narrativa é que, geralmente, o "amor" acontece em meio ao "ódio" por meio das cenas sexuais dos personagens, o que, pra mim, é uma das piores coisas do mundo. 

Qual? No mundo da Luna, de Carina Rissi
Eu tinha dito no post sobre personagens femininas que [não] são tão legais que a personagem me irritava por outro motivo também e é esse aqui. A moça, além de ser desastrada e infantilizada, vive uma relação de ódio e amor pelo seu par. O livro é g i g a n t e e tenho certeza de que, sem essas partes de ir-e-vir, ele seria bem mais objetivo e menos enrolado. Coisas óbvias nunca me convenceram e continuam não me convencendo.  





///

Para reler o combo sobre o mês dos namorados:
#Mês dos namorados: personagens femininas que [não] são tão legais
#Mês dos namorados: quotes da literatura LGBT

Com esse post, o combo especial sobre o mês dos namorados fica por aqui. Espero que tenham gostado dessas postagens diferentes, porque eu amei pensá-las e escrevê-las <3

Love, Nina :)

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14 comentários

  1. Olá!
    Estou curtindo muito esses posts sobre o Mês dos Namorados <3 Acho que tudo o que você citou meio que virou um clichê nas narrativas literárias. A gente pode perceber que praticamente todo livro (em especial os de romance) têm algo assim. Ou essa coisa de ''os opostos se atraem'' ou ''amor e ódio'' ou ''um é a salvação do outro''. Isso me desagrada muito. Acho que um pouco de clichê não faz mal (pode até ser bom, se o autor souber desenvolver isso de forma ''criativa''), mas isso acabou se tornando batido :/
    Abraços!

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  2. Oi Nina, tudo bem????
    Eu adorei essas postagens. Também gosto de levantar esse tipo de questão. Acho que de todos, o que meu mais detesto, é esse de um é a salvação do outro. Tipo, os dois tem seus problemas, mas juntos, eles conseguem resolver. É meio que a premissa básica da maioria dos livros NA, que por sinal, eu não suportooooo hahahhah.
    Esse do amor e ódio também não curto. Por esses motivos todos que você falou. Acho que muito leitor, pode até entender isso como "não quer dizer sim" e aí é que mora o grande problema.
    Dois personagens tão diferentes até que me agradam. Mas tudo depende do nível dessa diferença. Eu e meu marido somos super diferentes. Mas quando você vai a fundo, nos conhece de verdade, descobre que temos muito em comum. A Kat e o Gale eu curti. E sabe que eu gostei desse triângulo? No filme, quero dizer. Pois não gostei muito dos livros :P
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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  3. Oi Nina, não li nenhum dos livros citados, apesar de ter vistos os dois primeiros filmes de Jogos Vorazes. Realmente os temas levantados são bem batidos, mas acho que se o autor souber trabalhar, ainda assim consegue me convencer.
    Bjs!

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  4. Oii Nina, tudo bem?
    Conheço apenas Jogos Vorazes e confesso que realmente concordo contigo e acho um saco, porque muitas das vezes são obras que já se tornaram enjoativas diante dessa faminha que obteve. Só posso dizer que continuo amando essas suas ideias das postagens.
    Beijinhos <3

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  5. Olá, Nina! Simplesmente amei seu post!!
    Dos livros que listou, li apenas Jogos Vorazes... mas agora deu vontade de ler todos os outros!! rsrsrs
    Bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.com.br

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  6. Olá, gostei da criatividade do post. Nunca tinha visto em outros blogs, mas devo confessar que entre esses exemplares, eu só conhecia Jogos Vorazes.
    Gostei do seu ponto de vista e da forma que organizou a publicação.
    Sucesso!
    Filipe Penasso - Pena Pensante

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  7. Olá,

    Concordo plenamente com o Jogos Vorazes e com As Batidas Perdidas do Coração, ambos não conseguiram me conquistar. No entanto, No Mundo da Luna foi um livro que me cativou muito, a protagonista é sim um pouco teimosa, mas acredito que se ela não fosse, as personalidades no casal não dariam muito certo, já que o protagonista precisava ser desafiado haha

    Abraços
    oblogcaentrenos.blogspot.com.br

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  8. Adorei o post, realmente bem criativo.
    Não tive a oportunidade de ler os livros ainda, mas As batidas perdidas do coração está na minha lista a um tempo, adorei sua analise sobre cada um, bem interessante, não tenho muito o que falar para opinar, pois não li nenhum deles.
    Mas eu amei o post, nunca tinha visto algo parecido.

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  9. Olá!
    Só li Jigos Vorazes. E na realidade eu acredito que esse romance entre osos personagens tenha sido apenas para enfeitar a leitura, afinal não é essa a mensagem que a autora quis passar.
    Quanto a sua colocação, discordo. Mas você tem um ponto de vista e eu tenho outro.
    Parabéns pela iniciativa do post.

    Beijinhos...
    http://estantedalullys.blogspot.com.br/

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  10. ahauhsauhauashu vc tá arrasando com essas postagens...
    olha, o A salvação um do outro é o que mais me irrita... por isso nunca leio esses NA que sempre tem disso, muitos YA tbm... ¬¬'
    o dos opostos se atraindo já é tema tão batido que quando passo os olhos na sinopse já sei que o livro não é pra mim...

    distopias com romances tão me dando asco já, não vejo necessidade de colocar casal em tudo que é mundo distópico...
    bjs...

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  11. Olá!

    Achei muito legal a sua postagem. Eu acho que todos esses tipos de casais são bem vindos em livros, porém o autor deve saber trabalha-los. Acho que a falta do autor saber trabalhar os personagens e o romance é que faz com que alguns livros não fiquem bacanas com esses estilos de romance. Mas realmente concordo com os defeitos que levantou sobre esses tipos de casais e como esses tipos de casais não são um problema se trabalhado de tal forma. A estereotipaçãp da mulher e colocar ela como uma criatura frágil e que sempre precisa de um homem para salva-la é realmente irritante, mulheres podem salvar a si mesmas.
    Estou adorando essas postagens suas!

    Beijinhos!
    Cantinho Cult

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  12. Oi Nina, adoro esse tipo de postagem que você faz...gostei bastante dos livros que você selecionou, se bem que eu colocaria a Katniss na lista das 'personagens femininas que [não] são tão legais' kkkk

    Abraços

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  13. Adorei essa perspectiva que você trouxe sobre relacionamento. Confesso que algumas pra mim também são bem batidas como de amor e ódio, porém outras ainda consigo ler e gostar! Outra que você poderia ter colocado é a questão da mociinha com o bad boy, que nossa, lotou o mercado de livros ¬¬
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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  14. Sabe uma coisa que eu sinto sobre Jogos Vorazes? Que o editor pegou o livro e falou assim pra autora: "olha, tá muito bom, sabe, mas enfia um romance aí no meio que é pra ficar vendável".

    Porque esse romance nem é batido, ele é forçado. Era um caminho natural que Peeta acabasse ficando com a Katniss, pois somente os tributos poderiam entender o que era a arena e a crueldade do sistema. Gale nunca entenderia isso. Mas a forma como a autora conduziu me pareceu de má vontade mesmo, como uma força externa. Por isso parece tão artificial.

    Amo Jogos Vorazes e protegê-lo-ei! (sou daquelas que tem o broche do tordo!)

    Abraços!

    Momentum Saga

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