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#Mês dos namorados: Personagens femininas que [não] são tão legais

by - junho 20, 2016

Como eu propus o post Personagens masculinos que [não] são tão legais, percebi que seria ótimo oferecer o oposto: personagens femininas que [não] não tão legais, porque como falei na referida postagem, acho importante falar de representatividade feminina na literatura.


A representatividade, de forma geral, não está presente nas narrativas (literárias, fílmicas, publicitárias etc) apenas porque existe uma personagem do nicho que se quer representar. É bom lembrar que de nada adianta colocar uma mulher em uma história se a função dela é passiva e se ela não está, de fato, inserida na trama. 

Por exemplo: há protagonistas femininas que estão muito mais focadas em seus pares românticos e não são desenvolvidas como elementos narrativos. Essas narrativas são extremamente problemáticas justamente porque o protagonismo, que deveria ser delas, acaba sendo dos personagens masculinos, mesmo que indiretamente. É um tipo clássico de história na qual o amor é a única peça-chave para todo o desenvolvimento da personagem. Ou seja: a personagem não tem uma real história de protagonismo para contar e, por conseguinte, deixa de ser o foco da trama. E esse é um tipo de personagem feminina [não] tão legal: a protagonista sem protagonismo. 

A Manic Pixie Dream Girl, ou "a garota duende meio doidinha dos sonhos"
Já venho falando nessa sigla em alguns posts e, quanto mais leio sobre esse tipo, mais eu sinto vontade de falar. O caso mais clássico, que todo mundo deve conhecer, é a Summer de 500 days of Summer (500 dias com ela). Você deve se lembrar que a Summer é aquela garota, aparentemente, perfeita, de acordo com o Tom. Ela gosta das mesmas coisas que ele, é ótima em conversar, é divertida e ele nunca se enjoa dela. Até que, claro, ele percebe que tudo aquilo que a Summer é não passa de pura ilusão (que ele mesmo criou, vale lembrar). A real Summer não é perfeita, não é divertida o tempo inteiro e, muito menos, quer ficar com um só cara para o resto da vida. 
O problema com este tipo de personagem é que, geralmente, ela aparece para ser o parzinho perfeito para o protagonista. Essa é a única função dela, além de oferecer respostas milagrosas e sentidos de vida a ele. Por que alguém assim não pode ser real? Bem, porque as pessoas são falhas e a literatura precisa, sim, ser um reflexo da realidade. Ela não precisa ser a realidade, mas precisa lidar com a realidade. (Eu e o meu pé na realidade, sim. A d o r o narrativas verossímeis!).

Quem? Margo Roth Spiegelman, de Cidades de Papel (John Green)
Eu passei m u i t o tempo sem entender a Margo. Quem ela era e qual era a função dela na trama. Aí, o John Green veio ao Brasil para divulgar o filme e, lendo as entrevistas dele, entendi tudo: Margo é uma garota (p. 228). Ponto final. Mas, colocando assim, ela não se encaixa no conceito de MPDG, né? É porque o autor conseguiu, de uma forma muito sutil, não explicitar a Margo como somente um peão no jogo de encontros e desencontros do livro. Mesmo depois que entendi quem é a personagem, não consegui gostar dela, pois ela é, nas entrelinhas, alguém que dá sentido à vida de Miles, o protagonista. Ou seja: Margo não tem uma real história, sua história é toda projetada a partir da ideia que Miles tem dela. A todo instante, Margo é uma incógnita a ele - e ao leitor -, mas o autor insiste em plantar uma sombra de Margo na mente de Miles. Margo, na verdade, pode ser quem Miles quiser. Porque, na verdade, Margo não é a peça fundamental da trama. Ela é o efeito, não a causa. 

A "desastrada"
Aquela personagem, teoricamente, adulta e que ainda parece uma criança de 12 anos nas atitudes e comportamento. Ela está na rua e consegue tropeçar na calçada. Cai da cadeira. Cai da cama. Cai em e de qualquer lugar. Simplesmente nada para na mão da moça. Ela quebra copos, derruba canetas e assassina vasos. O problema dessa personagem está no fato de que é tudo muito calculado e tremendamente exagerado. E pior: o parzinho romântico da garota a-d-o-r-a e acha meigo/sexy/bonitinho (ou qualquer palavra deprimente que não se encaixe no contexto) que ela seja desse jeito. Não que eu não seja desastrada (quem me conhece sabe que sou), mas existe aquilo que mencionei acima: verossimilhança. Bato muito na tecla de que não é porque é ficção que não precisa ser crível (mesmo na literatura fantástica, algumas coisas precisam parecer reais!). 

Quem? Luna, de No mundo da Luna (Carina Rissi)
Ok, eu tenho um g r a n d e problema com esta personagem. De forma geral, na verdade, com as personagens de chick-lit. Comecei a perceber que todas seguem um padrão: moram sozinhas, são engraçadas, são independentes, mas infantilizadas e carentes. Não consigo entender como as autoras desse gênero acham que estão representando as mulheres em seus livros, se as personagens mais parecem caricaturas mal-formuladas. O que mais me irritou na Luna não foi este aspecto, na verdade (falarei dele em outro post), mas todo o desastre ambulante que ela é, com certeza, é um ponto bastante negativo para um livro que tenta conversar com o público feminino. O exagero é tanto que desacredito que alguma mulher consiga, realmente, se identificar com a personagem. 

A "patinho feio" (mas que fica com o cara mais popular da escola/faculdade/qualquer lugar)
Houve uma época que eu não via problemas com essas garotas. Continuo adorando Glee e sua representatividade risível. E continuo adorando a Rachel apaixonada pelo Finn. Mas acontece que esse tipo de narrativa não representa nada. Só representa a força da mídia em relação ao ideal romântico das garotas. As garotas veem/leem personagens comuns sendo transformadas fisicamente para ganhar a atenção dos garotos e acham que isso é normal. Se você tem que mudar quem é para agradar alguém, alguma coisa está errada. Você não tem que mudar quem é por causa de ninguém. Você não precisa estar no padrão. Além do mais, você tem que gostar/se apaixonar por quem gosta de quem você é. Você pode se apaixonar pelo cara popular, mas não tem que mudar quem é para que ele retribua o sentimento. 

Quem? Mia Thermopolis, de O Diário da Princesa (Meg Cabot)
Começo dizendo que EU AMO A MIA, mas existe essa situação no começo da série que nunca me agradou. A Mia é uma personagem bastante comum; invisível, na verdade. Mas, no primeiro livro, se vê apaixonada pelo garoto mais popular da escola. Por causa do fato de ser princesa e de sua avó do mal, Mia começa a mudar seu jeito de vestir e alisa o cabelo. Claro que ela percebe que, com a mudança, se sente mais bonita e capaz de conquistar o garoto (que é tão importante pra trama que até esqueci o nome dele haha). Critico esse comportamento dela, simplesmente por isso. Ela nunca esteve num padrão social e, por causa de muitos fatores, tenta se encaixar desesperadamente nele. Isso é muito ruim, especialmente se lembrarmos que a série dos livros é bem antiga e atingia, principalmente, garotas na pré-adolescência. A lição legal disso tudo é que, alguns meses depois, a personagem se apaixona pelo Michael, irmão mais velho da melhor amiga, e percebe que pode ser exatamente como e quem é para ser retribuída. 

Links recomendados

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Gosta de representatividade na literatura? 
Não deixe de conhecer o Manifesto irradioativo
que busca por diversidade na literatura especulativa nacional.

Não deixe de ler as outras postagens do combo sobre mês dos namorados
#AmeVocêPrimeiro: chega de relacionamento abusivo
#Mês dos namorados: personagens masculinos que [não] são tão legais


Love, Nina :)

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10 comentários

  1. Oi oi,

    adorei o post! Concordo plenamente, representatividade importa sim e também estou cansada desses clichês da literatura. Tudo bem que a personagem pode ser desastrada, por exemplo, mas todas tem que ser assim? Outro clichê que detesto é que a garota bonita sempre é meio burra e a garota inteligente sempre é super tímida, apagadinha e pouco arrumada. Tipo, quem criou essas regras? Porque a menina inteligente não pode ser bonita, daquelas que só andam de salto quinze e maquiagem? E porque as mulheres bonitas precisam ser sempre super bem vestidos e vaidosas? Confesso que, de vez enquanto, em um livro ou outro, esse clichês não me incomodam. Mas vê-los o tempo todo, em todos os livros, é um saco. E porque a acabamos levando isso como verdade para a nossa vida, por isso é tão comum por aí ver meninas que ficam sonhando a vida inteira com o cara perfeito, o príncipe encantado...

    Beijos!
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  2. Oiii Nina, tudo bem?
    Super concordo contigo em relação a Margo, confesso que tive um odio total dela na maioria dos momentos, acredito que a obra não seja tão favoravel em relação de tudo como a maioria dos leitores falam, se fosse para ler novamente, não sei se faria isso. Porque em alguns momentos me desanimei legal.
    Estou adorando suas postagens desse tipo.
    Beijinhos <3

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  3. Concordo quando você diz que Margo é um efeito, e não a causa na trama de Cidades de Papel. Inclusive este foi um dos livros do autor que menos gostei.

    Beijinhos...
    http://estantedalullys.blogspot.com.br/

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  4. hahahahahah bem colocada sua postagem. Realmente, a personagem estilo 'patinho feio que fica com o bonitão' e a 'desastrada' me dão nos nervos... sobre Margo, achei interessante sua análise sobre a personagem... mas eu acabei gostando dela, foi a única coisa que gostei em Cidades de papel, pra ser sincera... e olha que nem curto a escrita de Green...

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  5. Olá mais uma vez, Nina!
    Esses seus posts sobre personagens não tão legais ficaram muito bons!
    Quero comentar sobre a personagem "patinho feio". Parece que elas estão em todos os lugares! Em praticamente todos os filmes americanos de temática adolescente parece existir uma. E o que eu acho pior, é quando misturam a "patinho feio" com a "desastrada" numa personagem só. Fanfictions costumam abusar disso exaustivamente!

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  6. Oi!!
    Adorei a ideia do post. Eu não li nenhum desses livros, mas quero muito ler No mundo da Luna, uma personagem desastrada eu lembrei da Bella da Saga Crepúsculo rsrs.
    Beijão!

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  7. Adoreia essa postagem! Muito boa mesmo! Infelizmente, como você disse, muitos chick-lits trazem as mulheres adultas como se fossem adolescentes... Um livro que me decepcionou muito dentro deste gênero foi Louca pelo Garoto, desfecho da série Bridget Jones... Fala sério... 50 anos e ainda fazendo cagada atrás de cagada? Não dá!

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  8. Olá; achei super interessante o seu post e importantíssimo fazer com que reflitamos sobre os papéis das personagens femininas nos livros e sobre a diversidade. Ótimo post!

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  9. Olá!
    Acho que a personagem ''patinho feio'' me lembra muito fanfics huahua Não raro vemos esse tipo de coisa acontecendo em fics. Com certeza é um clichê e tanto.
    Acho que a ''desastrada'' pode tornar a trama mais divertida e a leitura mais agradável (pelo menos até certo ponto). O problema é quando se torna algo exagerado.
    De qualquer forma, acho que os autores deveriam explorar mais o lado mais real das personagens, como você mesma disse.
    Abraços!

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  10. Nina Polêmica. Adoro isso.
    Olha, concordo com você me todo o texto, você resumiu bem o motivo de eu não apreciar o estilo do livro. As personagens 'patinho feio' mal desenvolvidas são um tiro no pé da literatura.

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