14 de agosto de 2016

#Resenha de livro: Encrenca

Recebi um exemplar em parceria com a Verus Editora, mas demorei bastante como lê-lo, pois a minha lista de livros ainda-não-lidos é grande. Por ser YA, de cara, sabia que gostaria da narrativa e, realmente, não me arrependi :) 


Título original: Trouble
Autora: Non Pratt
Editora: Verus
Páginas: 307
Ano: 2016

Quando se trata de literatura YA, eu sempre fico animada. Aposto aos New Adults, os personagens dos Young Adults sempre me cativam, mesmo que alguns sejam estereotipados ou pouco desenvolvidos. Mas neste livro, apesar de haver algum grau de estereotipação, não se engane: os personagens vão, sim, te surpreender. 

Hannah tem 15 anos e sabe como seduzir os garotos e, especialmente, ceder a eles. A liberdade sexual dela é grande, assim como a do seu círculo social. Ela poderia ser a patricinha fatal, se não fosse elementos sutis na trama: seu interior ainda em desenvolvimento e sua relação com a avó materna. Em contrapartida, existe Aaron, o novato na escola, filho de um dos professores. Há fofoca sobre sua sexualidade e o porquê entrou no meio do ano letivo. Ele é um personagem absurdamente na dele e muito cativante. Aaron se compromete com os pais a sair mais e fazer amigos. Nós, leitores, não sabemos o motivo disso e, aos poucos, descobrimos que seu passado esconde segredos e que existem lembranças que ele gostaria muito de esquecer. Está percebendo o chiclezão, né? (Mas, como eu alertei: não se engane!). Hannah e Aaron poderiam ser opostos, mas um fato os une: a garota descobre que está grávida e ele se oferece para fingir que é o pai da criança (isso não é spoiler, porque está na quarta-capa do livro, juro!). 
“Viver é que me deixa exausto. Às vezes, preciso de todas as minhas forças para sobreviver a mais um dia”.
p. 91
A sensibilidade está presente em muitas passagens da trama, tanto expressadas em Hannah quanto em Aaron. Se tem algo que me agrada nesse tipo de narrativa é o desnude bem aos poucos das essências dos personagens. As essências deles, inclusive, são elementos por demais encantadores - mesmo em cenas não tão felizes. O desenvolvimento de Hannah é muito rico e é feito de forma gradual, para que possamos entender seu crescimento interior. Aaron é revelado mais vagarosamente, mas isso não é irritante, muito pelo contrário: é apaixonante. Notei que o desnude de cada personagem é feito em tempos diferentes, provavelmente para que entendamos que eles precisavam de tempos diferentes. Isso me fez pensar bastante sobre situações nas quais estamos e que achamos que precisamos revolvê-las rápido, sem nos ater ao fato de que temos um tempo só nosso, que é diferente dos outros. 
“É sufocante ser perdoado quando tudo o que você quer é levar a culpa”.
p. 113
Acredito que o ponto central de Encrenca é sobre confiança, bem mais do que sobre ajuda mútua. É sobre o poder de escolha, sobre consequências e sobre segurança. Não é sobre salvação, ou sobre a descoberta do amor romântico. Diferente da maioria dos YA's, aqui não existe o óbvio. Ambos os personagens são muito lúcidos - no sentido se serem muito seguros sobre o que estão fazendo -, maduros e, durante a leitura, aprendem a enfrentar seus medos. O crescimento e o desenvolvimento pessoal estão nas entrelinhas. Claramente, existem elementos que permeiam a história e que a fazem única e emocionante. Traz temas não somente como gravidez, mas como aborto, velhice, culpa, depressão e, sobretudo, amizade. Encrenca é, antes de tudo, sobre descobrir que não se está sozinha no mundo e que, de igual proporção, existem pessoas que também se sentem assim - mas que, se nos permitimos, podemos amenizar esse sentimento em nós e nos outros. 
“É preciso ter coragem para contar para uma pessoa algo que ela não quer ouvir”.
p. 138
A capa é simples, mas captura bastante a atmosfera do livro. A diagramação está muito boa e algo que gostei bastante é que, como a narração é intercalada entre Hannah e Aaron, cada "voz" tem a sua própria tipografia para demarcar. Não recomendo somente para àqueles que gostam de YA's, mas para todos que gostam de leituras profundas, humanas e surpreendentes. 
“Sou a favor do direito de escolha, mas o que acontece quando você não quer escolher?”
p. 68

Love, Nina :)

12 comentários:

  1. Oi Nina,
    Amei a sua resenha, você a fez sem duvidas com uma profundidade da qual eu sinto falta na blogosfera, parabéns. Olha eu não conhecia o livro e te confesso que pela capa eu o dispensaria, pois ela não é nem um pouco atrativa e acho que quem a fez não sabia bem o que estava fazendo com as cores, esse laranja chega a ser repelente. Mas eu amei a forma como você destrinchou a trama na sua resenha e isso me fez ficar muito interessada em fazer essa leitura. Com certeza a farei quando tiver oportunidade.
    Beijos

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  2. Tô bem ansiosa para receber meu livro, Encrenca tem todos os ingredientes que gosto em algumas leituras, adoro livros que mexem um pouco com confiança, com saber lidar com problemas.
    Beijinhos, Helana ♥♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  3. Oi Nina, não conhecia o livro, mas a quantidade de elementos que foram incluídos no enredo, achei interessante, ainda mais por serem elementos importantes e atuais, alguns que nunca saem de moda, como gravidez e aborto.
    Gostei e vou dar uma lida se tiver oportunidade.
    Bjs!

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  4. Adorei o fato de cada narração ter uma tipografia, todos os livros com mais de um narrador poderiam ser assim, destaca mais a mudança de narrador. Ainda não conhecia o livro, mas não achei a história muito clichê, realmente parece ser capaz de nos surpreender.
    Beijos,
    sigolendo.com.br

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  5. Olá, se eu ainda tinha alguma dúvida sobre ler ou não esse livro, depois de uma resenha tão linda e que me mostrou tantos pontos que me agradam e que eu devo encontrar no livro, agora tenho a certeza de que quero muito lê-lo. Parece ser uma história delicada e cativante.

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  6. Olá Nina.
    Ótima resenha.
    Eu não sou muito chegada a ler YA, mas as vezes me aventuro a ler algum e vou anotar a dica.

    Beijos
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

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  7. Olá, essa é uma obra que tenho bastante curiosidade de conferir, sempre vejo ótimas críticas. Adorei sua resenha!

    Abraços

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  8. cara, apesar de ser um YA, que não curto ler, eu leria esse pois ele parece fugir do 'lugar-comum' que os YA possuem ultimamente... outra coisa que amei foi a capa, amo capas nesse estilo...
    já anotei a recomendação, e espero que seja uma leitura que me surpreenda... fiquei curiosa com a maneira que o autor[?!?] aborda esses temas...

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  9. YA é um dos gêneros que adoro junto com NA. A sinopse por si só me chamou a atenção e a sua resenha só me instigou mais. Que bom que ela é unica e envolvente. Já estou adicionando na minha lista de desejados <3
    diariasleituras.blogspot.com

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  10. Oiii Nina, como vai lindinha?
    Infelizmente dessa vez irei pular a dica, porque não consigo gostar desse tipo de leitura, eu já tentei algumas vezes, mas sempre acabo achando chato demais.
    Parabéns pela resenha e adorei saber a sua opinião <3
    Beijinhos

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  11. Nina, não conhecia o livro.
    Gosto muito de YA porque é uma leitura quase impossível não gostar e apesar dos estereótipos ganha a gente.
    Gostei muito da narrativa e fiquei com muita vontade de ler.

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  12. Eu li algumas resenhas desse livro, ele está na minha lista de leitura, achei ele com a pegada de Juno, eu sou fã de YA. Gostei muito da sua resenha, aumentou ainda mais a vontade de ler esse livro!

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