26 de novembro de 2016

#Essential book: novembro

Esse Essential Book demorou pra aparecer, porque demorei para ler o livro cuja temática do mês se encaixava. Eu estava um pouco dividida (quando é que não estou, não é mesmo?), mas resolvi dar uma chance a um novato, mas que ganhou rapidinho o meu coração <3

Como o tema de novembro é a essência da criança preferida, escolhi Em algum lugar nas estrelas, da Clare Vanderpool, por causa do personagem mirim Early Auden

A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas Jack Baker não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai... bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. (leia + aqui)




Early não é o protagonista, mas se torna tão (ou mais) importante do que o personagem principal Jack. A relação de ambos começa muito relutante, especialmente por parte de Jack. Early não é um garoto popular, ou mesmo "neutro" na escola. Ainda assim, todos o tratam como se o fato de, de vez em quando, aparecer nas aulas não fosse algo tão sensacional. É muito aos poucos que eles se unem, às vezes à contragosto e com muitos julgamentos, mas no decorrer do livro aprendemos, junto com Jack, que Early é muito mais do que um garoto obcecado por coisas esquisitas. 

Uma das primeiras coisas que Jack descobre sobre Early é que o garoto acredita que o número pi é infinito, contradizendo o professor de matemática. Além disso, tem uma espécie de sexto sentido sinestésico, que o permite enxergar cores e texturas na sequência de pi. 

Depois de alguns dias de convívio, Early começa a contar uma história a Jack: sobre o número pi. Jack acha que a cabeça do garoto é bastante criativa e, por ora, não dá muito bola para o que ouve. Mas a história funciona: pi é alguém que se perdeu e precisa encontrar o caminho de volta para casa.

Na história de pi contada por Early, existe uma mãe-ursa. Além de ser concretamente uma personagem, também faz referência à constelação da Ursa Maior. Early diz que é a partir das estrelas e constelações que pi sabe o caminho de volta e que a Ursa Maior é sempre a guia.

Early, aos olhos de todos, têm atitudes e rituais excêntricos. Uma deles é como ouve música. Dependendo do dia da semana, ouve um cantor ou cantora específico, sendo que, quando chove, é sempre Billie Holliday e, aos sábados, é a folga musical. 
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Espero que vocês tenham ficado com vontade de ler Em algum lugar nas estrelas, porque a estória é muito tocante, humana e poética.

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I. O tema de outubro foi 
a essência do livro (ou duologia, trilogia, quadrilogia, saga) de fantasia
e você pode conferi-lo AQUI

II. Não deixe de conferir os fotografias das outras participantes: 

20 de novembro de 2016

#Resenha de filme: Menino 23 - Infâncias perdidas no Brasil

Faz tanto tempo que não resenho filmes. Primeiro, porque tenho preguiça. E segundo, porque não assisto tantos filmes quanto gostaria. Apesar da Netflix ser ótima e eu, realmente, gostar bastante do catálogo, acho que a minha preguiça já começa em escolher qual assistir. 

A resenha do filme que trago, entretanto, não está na Netflix. Assisti em uma casa de cinema alternativa aqui da minha cidade. A exibição dele foi feita por dois motivos: I. a semana da consciência negra e II. o filme estar indicado ao Oscar 2017. 

Título: Menino 23 - Infâncias perdidas no Brasil
Direção: Belisario Franca
Ano: 2016
Nacionalidade: Brasil
Duração: 84 minutos
Gênero: documentário

Para quem não é acostumado a documentários, não se assuste: a temática e as personagens não caem na chatice. Por ser bastante rápido (menos de uma hora e meia), é também dinâmico. A paleta de cores escolhida é marcante, em momentos específicos, e funcionou muito bem para alternar narrações e pontos de vista. A fotografia é sensacional, humana e, novamente, muito marcante. 

Menino 23 é sobre garotos órfãos, na década de 30, que foram passados para famílias poderosas do país com a promessa de escolaridade, profissionalização e liberdade. Mas os garotos, todos negros, na verdade, foram escravizados na fazenda para qual foram mandados. Mesmo que a escravidão legítima tenha terminado 50 anos antes, em 1888, as imagens de arquivo, documentos e fotografias deixam evidentes que a sociedade da época acreditava que o trabalho escravo ainda era o "normal". 

Tudo isso foi possível, porque foi promovido por grupos com pensamentos eugenistas, que faziam parte do Movimento Integralista (bastante influenciado pelo fascismo italiano). Por se tratar da elite brasileira e por disseminar ideias que também estavam na Constituição, o movimento ganhou apoio de muita gente que tinha terras e poder público e político. A cada cena, cada revelação é mais chocante que a outra. Na época, por exemplo, o Brasil tinha a segunda maior concentração de apoiadores do nazismo do mundo (perdendo somente para, obviamente, a Alemanha). 

O documentário foi construído a partir de um estudo do historiador Sydney Aguilar. Depois que uma aluna dele falou que, na fazenda da família, haviam tijolos com a insígnia da suástica, Aguilar foi atrás de muitos depoentes, informações e dados para investigar qual era a explicação daqueles tijolos. Afinal, nazismo no Brasil? Que tipo de nazismo? E para quê?

São apresentadas três personagens. Aluízio e Algemiro são depoentes que, com suas falas e imagens, comprovaram situações, lembranças e informações. Aluízio, quase com 80 anos, ainda carrega marcas emocionais de sua infância roubada. Ele tem raiva e tristeza. Algemiro, apesar de também ter sofrido, afastou essas memórias e construiu sua vida a partir dessa supressão de acontecimentos. O personagem mais conhecido como "2" já faleceu, então, foi reconstituído a partir de falas dos outros personagens, além de parentes ainda vivos (filho e viúva). 

Aluízio e Algerimo foram crianças negras colocadas para o trabalho forçado no campo, enquanto "2" era a criança negra "amadrinhada", de modo que tinha um lugar dentro da casa da fazenda, mas não significava que não era igualmente escravizada - ele cuidava das crianças da elite, cozinhava, servia, limpava; tudo isso por um prato de comida e algumas roupas bonitas. "2" me lembrou a típica situação da dona de casa que diz que a empregada é "praticamente da família". 

Só existem duas palavras para descrever Menino 23: chocante e revoltante. Ele traz à tona coisas extremamente tristes, que muitos de nós nunca nem tivemos ciência. Os relatos são muito humanos e, a partir da perspectiva de uma espectadora, evocam muita inconformação. Fica evidente que existiu uma "limpeza" de cor na época, que continua, obviamente, até hoje. 

O viés histórico me agradou muito, pois sou muito ligada a isso e, justamente pelas informações históricas, é que o documentário se tornou verídico e importantíssimo. Por causa da historiografia, tudo ganhou outro rumo, mais credibilidade e visibilidade. 

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Dia 20 de novembro é uma data para lembrar que os negros existem, 
têm direitos e que o racismo precisa ser combatido. 

Links recomendados
> 18 expressões racistas que você usa sem saber (Geledés - Instituto da mulher negra)
> Por que só o esforço individual não garante o sucesso (Jornal Nexo)
> Consciência negra: por quê? Para quê? É de comer? (Insectashoes)
> Os argentinos não são brancos (Revista Época)
> Você sabe o que é racismo institucional? (Catraca Livre)
> Racismo institucional é central na desigualdade brasileira (Carta Maior)

+ filmes
 




Livros


Love, Nina :)

15 de novembro de 2016

#Pena & Tinta: opostos


Eu vou começar dizendo: eu não lembro.

Talvez tenha sido naquela tarde de abril, o sol na nossa cara, o vento levantando folhas outonais. Ou antes mesmo de você me convidar praquele show que só conhecíamos uma música. Você gritou o refrão e disse que era para mim, por causa de mim. É sobre o que quero para você. Eu não sabia, porque ainda não lembrava quando é que tudo mudou. Será que mudou, ou nasceu ali, bem naquele momento? As luzes fortes, o meu coração chorando de tanta dor, a sua mão na minha?

Foi naquela noite de esperança, agora eu sei. 

Não tinha sol, nuvem ou praia. Tinha uma barreira que implodiu dentro de nós. Desfez todos os minutos anteriores. Rompemos o limite, não porque ele existia, mas para que nunca viesse a atravessar nossos caminhos. Eu não tinha muito - nada além de uma penca de sonhos pela metade, uns livros velhos e o Universo na minha cabeça. Você, do avesso, sabia onde pisar, colecionava listas, recitava poemas completos. Sei você nem acredita, mas foi uma partezinha de nós dois - aquela que quis mais do que não podia - que fez tudo isso. Não nós, mas eu e você juntos. De mãos dadas, lado a lado, menos sendo mais. Porque nunca quis que me carregassem - e disso eu lembro: era para mim. O que você queria para mim não eram mãos que me empurrassem, mas que me fossem guias, que me alertassem, que se estendessem na hora de fechar feridas. 

Você poderia ter ido embora depois daquela noite e depois daquela tarde. E depois de tantos meses e anos e melhores momentos. Mas obrigada por ser o meu oposto: não desistir quando tudo fica insuportável. 

Vou terminar dizendo: eu te amo. 

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Esse texto faz parte do Pena & Tinta, um projeto de escrita criativa que tem como objetivo a criação de textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc) em cima de temas predeterminados mensalmente. Um dos temas de novembro é OPOSTOS.

Tem um blog e quer participar das próximas edições do Pena & Tinta? A gente está te esperando AQUI.

Love, Nina :)

1 de novembro de 2016

#NaNoWriMo2016: o primeiro passo


Quem é escritor, talvez, já tenha ouvido falar no NaNoWriMo. É um desafio anual, sempre em novembro, que convida escritores profissionais e amadores a escreverem um romance em um mês. Parece louco? Quando soube dele, há três anos, por causa de uma aula de escrita criativa que fazia, eu também achei bastante fora do comum e até mesmo impossível. Afinal, escrever 50 mil palavras não é algo tão fácil assim, ainda mais em 30 dias.

NaNoWriMo apresentado, falarei do porquê estou me juntando a essa loucura literária. 

I. Disciplina
Eu acredito que todo escritor precisa de certa disciplina. E, apesar de eu tentar disciplinar minha escrita, tenho fracassado um pouco. Assim que saí da depressão, há quatro meses, tive um mês ótimo, no qual produzi muito acima da (minha) média. Passei por essa fase de êxtase e, então, tudo voltou a desandar. Não exatamente por causa da saúde mental, mas pelo cansaço da rotina de estudante-estagiária. 

A Marcia Dantas, no semestre passado, me incentivou demais a escrever com sessões de escrita: meia hora bastava. Fiquei viciada nisso por algum tempo, mas muita coisa aconteceu depois para que eu não conseguisse manter o ritmo. Ainda que, em muitas noites, eu ainda me force a escrever por meia hora (porque sei que escrever é, também, fazê-lo quando não se está a fim e quando as ideias parecem horríveis), sinto a falta dessa rotina, dessa disciplina.  

II. Organizar as ideias
Estou escrevendo um romance que, na minha cabeça, está na metade. Já escrevi quase 45 mil palavras desde o final do semestre passado. Mas sinto que tenho deixado pontas soltas para trás e, portanto, planejá-lo melhor é o que precisa ser feito. 

O planejamento de um livro varia de pessoa para pessoa. Já fui o tipo de escritora de nunca escrever um capítulo sem mapear seus principais pontos no papel. Com o tempo, percebi que estar presa num roteiro o tempo todo me cansava e exauria a minha criatividade. Com esse tipo de planejamento, falta muito espaço para eu escrever o que sinto no momento em que estou escrevendo. Então, o meu processo criativo para este novo romance é o avesso do que fiz até então: não tenho planejado muita coisa, além daquilo que sei que é a "espinha dorsal" da história. Não tento prever o que pode estar na narrativa, antes de entender se é mesmo necessário no momento em que estou escrevendo. É claro que, com esse tipo de planejamento (ou seja, um planejamento sem regras fixas), eu produza menos, já que nem sempre eu estou sentindo algo para escrever ou saiba, exatamente, o que vai acontecer no próximo capítulo, portanto, preciso de alguns dias para elaborá-lo. 

Você deve estar se perguntando: está dando certo? 

Honestamente, está dando muito mais do que certo. Sinto que essa história está ficando melhor do que qualquer coisa que já escrevi na vida a longo-prazo. Sinto que ela está mais verdadeira e mais humana. 

III. Coragem
Coragem é algo diferente para cada um de nós. Não é a ausência do medo, mas ela se manifesta em conjunto com este sentimento. Estou com bastante medo de entrar no NaNo e fracassar. Novembro não é um mês tranquilo e trabalhar sob pressão não é muito bom para mim, mas eu sei que não há necessidade de atingir a meta das 50 mil palavras. Porque, na verdade, esse desafio é muito mais comigo mesma do que com o resto do mundo. Não é minha pretensão finalizar o rascunho deste livro em novembro, tampouco me desgastar para impressionar quem for. Tudo isso tem a ver com a minha coragem e o que quero dela. 

Então, não se obrigue a atingir a meta se for para destruir a sua sanidade mental. O NaNo é algo sério, sim, mas também tem que se divertido para quem participa dele. Nunca exija algo de si mesmo além daquilo que sabe que pode oferecer, certo? 

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Links recomendados
>
Experiência NaNoWriMo: junte-se aos bons! (Bookworm Scientist)
> NaNoWriMo2016: Preparação I (Escritora Marcia Dantas)
> NaNoWriMo2016: Preparação II (Escritora Marcia Dantas)

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Não sei quantos posts sobre o NaNoWriMo farei neste mês, porque não quero prometer algo, mas espero produzir respeitando o meu tempo e as minhas limitações para incentivar vocês :)

Escrevam bastante e se divirtam! 

Love, Nina :)