não nos ensinaram a amar ser mulher: as dores de todas nós

Já faz quatro anos que ganhei uma amiga poeta. Faz quatro anos que conheci a Michelle C. Buss a partir de um ex-colega da faculdade. À época, início de 2015, resenhei Mosaicos, o primeiro livro da Michelle. Fui no lançamento do segundo, mas nunca consegui escrever uma resenha. Neste mês a poeta lança o terceiro: não nos ensinaram a amar ser mulher. 

Recebi o livro antes da finalização, em primeira mão, pra resenhar aqui :)


Título: não nos ensinaram a amar ser mulher
Autora: Michelle C. Buss
Editora: Bestiário
Ano: 2018
★★★★★ +

Falar de poesia é meio complexo, porque sempre tem algo que não sabemos explicar. Parecem tão poucas palavras que guardam um tantão de coisas. O fato de não nos ensinaram a amar ser mulher se focar em mulheres ajuda um pouco a organizar os pensamentos, mas ainda assim é difícil falar de cada um dos poemas. Posso dizer que o livro tem um propósito muito além das palavras. 

Os versos têm rima livre, que é o meu estilo preferido. Versos que rimas, para mim, parecem fáceis demais de se fazer, é fácil encantar o leitor. Já o verso livre, pra encantar, você precisa de mais do que uma mera cacofonia textual. Os poemas desse livro fazem isso: encantam, mas também assombram e atestam. O título, acredito, é autoexplicativo. Ele fala sobre as diversas faces e papéis da mulher. A mulher que é violentada invisivelmente pela sociedade. A mulher que é privada de ser quem é. A mulher que se esconde por causa dos outros. 

A Michelle fala sobre como a sociedade machista, misógina e patriarcal molda, violenta e anula a mulher. Todas as mulheres. São avós, mães e filhas violentadas diariamente e acontece por motivos diferentes, justamente porque cada geração está/esteve exposta a uma onda do feminismo. Ainda assim, há fios que interligam todas as mulheres. Apesar do termo "mulher", como aprendi com a Simone Beauvoir, não abarcar todas as mulheres, justamente porque cada mulher o é do seu jeito, com suas limitações e suas dores, a autora conseguiu expôr o que une o gênero feminino: o que carregam por causa dos homens.

O que eu mais gostei foi a verdade contida nos versos. Fico muito feliz por saber que existem gritos na literatura, gritos que clamam pela liberdade, pela igualdade, pelos direitos. não nos ensinaram a amar ser mulher é um grito necessário. A literatura que ainda fala pelos cantos, que precisa gritar mais do que as outras, precisa ser ouvida. Eu tenho certeza de que esses versos vão continuar a abrir caminho para que as mulheres possam ser vistas e ouvidas mais como artistas universais do que como meras mulherezinhas escritoras. 

~

O lançamento do livro, que só foi possível por causa de uma campanha no Catarse, vai acontecer dia 12, às 19h30, na Casa Baka, aqui em Porto Alegre. Saiba mais AQUI :)

Abaixo, vocês podem conferir as estrofes que mais amei: 






Love, Nina :)

11 comentários:

  1. Nossa, Nina. Preciso desse livro!
    Além de adorar ler poesia eu acho que esse tema precisa estar cada vez mais em evidência nas obras literárias. Esse ano um IG literário administrado por um homem mas que é voltado para mulheres pediu que as mulheres seguidoras mandassem fotos com frases sobre o que é ser mulher (no dia internacional da mulher) e não consegui ficar quieta, até fiz um poema sobre isso e postei no blog. Não se tem o que comemorar por ser mulher, nem o próprio dia da mulher é motivo de comemoração tendo em vista a tragédia que foi.

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  2. Hey, Nina. Eu amo o jeito que você escreve sobre o feminismo, e sobre outras coisas também. Como escritora você é uma ótima escritora, e ponto. Esse movimento está crescendo e é otimo conhecer e sentí-lo.
    Às vezes eu tenho dificuldade de entender algumas poesias, sobre qual mensagem eles estão tentando passar entrelinhas e tal, mas acho que isso acontece porque não tenho a prática de ler poesias, poemas...
    Amei o título do livro, de verdade. E, das estrofes que mostrou, gostei mais de "na minha garganta".

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  3. Tudo bem? Eu goato muito de poesia, ainda mais agora cursando uma nova graduação, acabo lendo bem mais que antes.
    Vejo na poesia uma forma de por para fora sentimentos e pensamentos que ficam ali martelando e são grandes demais para guardarmos só para nós.

    Fico feliz de ler sobre nós mulheres,que antes éramos tão caladas. Fico contente de ver mulheres tendo voz e incentivando outras a ter.mesma

    Beijos.

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  4. Olá
    Nossa, eu fiquei fascinada lendo esses pequenos trechos do livro. Esse parece ser aquele tipo de livro que todos nós deveríamos ler nem que seja uma vez na vida. Um tema tão atual que ainda muitas pessoas não sabem como lidar com isso. Acho muito lindo poesias que expressam bem o que várias pessoas tem guardadas para sí. Eu amei esse post, sério ♥

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  5. Olá!
    Acho poesia um dom, não são todas as pessoas que conseguem escrever de forma que cativa, mexe, nos tira da zona de conforto e dá aquela chacoalhada no leitor.
    Os temas abordados são fortes e muito necessários. Uma leitura que como mulher me agradaria muito ler e refletir.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  6. Oi, tudo bom? Adoro livros de poesias, e com um tema lindo desses fico com ainda mais vontade de conhecer a obra. É difícil também falar sobre poesia porque nem sempre as pessoas interpretam da mesma forma, não é mesmo? Adorei sua resenha!
    beijos

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  7. Que maravilhoso! Ainda quero comprar e ler os poemas da Michelle!

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  8. Olá!
    Nossa que incrível! Confesso que também não costumo ler poesias, mas também fico feliz que exista livros que trazem a verdade, que abordem assuntos tão importantes, ainda mais em forma de poesia. Simplesmente adorei

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  9. Olá,
    Nossa achei alguns extremamente tristes, e o que é pior cheios de realidade. Realmente um ótimo projeto para se dar voz a nós mulheres.

    Debyh
    Eu Insisto

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  10. Olá Nina, não conhecia esse lançamento, mas mesmo não sendo muito fã de poesia fiquei morrendo de vontade de lê-lo por causa das reflexões que ele contem, parece pelos textos que você deixou que a autora trouxe textos bem fortes *-* Dica anotada.

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  11. Foi tudo tão corrido de dezembro até agora que não consegui parar para genuinamente te agradecer. Nina, gratidão pela resenha, eu amei. Seguimos juntas, conectadas e com amor.

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Olá, obrigada pelo comentário, mas, para evitar passar vergonha na internet, por favor, não seja machista, LGBTQAfóbico(a), ou racista. O mundo agradece :)

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Editado por Alice Gonçalves . Tecnologia do Blogger.